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5.2 Solution

6.2.2 Forth Interpreter Language

Aline Souza de Camargo Gente, o que vocês responderiam se alguém lhes perguntasse o que é saúde? Ou doença? É incrível, mas percebemos que as pessoas atribuem significados diferentes aos conceitos de saúde e doença. E isso depende do meio e das circunstâncias a que estão submetidos, isto é, a sua história de vida. Portanto, o conceito de saúde reflete o aspecto social, econômico, político e cultural de cada indivíduo. Isto significa que esses conceitos podem variar dependendo da época, do lugar, da classe social, dos valores individuais, dos conhecimentos e das crenças que nos constituem. Percebemos que a espécie humana, desde seus primórdios, se preocupa e se interessa pela luta contra as doenças que a acompanham.

Aqui, vamos tratar brevemente do panorama histórico que vai ajudá-lo a compreender o processo saúde-doença. As primeiras concepções sobre esse processo surgiram na Antiguidade, predominando o modelo chamado Mágico-Religioso. Os povos dessa época acreditavam que as doenças eram derivadas tanto de elementos naturais como de espíritos sobrenaturais e adoecer significava reatar o

enlace com as divindades. Os povos egípcios, hebreus, caldeus e assírios percebiam os seres humanos como um todo interligado, sendo cada indivíduo único na sua essência. Com isso, eles interpretavam o processo saúde-doença partindo do princípio de que a doença era resultado da ação de forças alheias ao organismo, ou seja, corrompida pelo pecado ou maldição.

Como exemplo dessa ação das forças alheias ao organismo, os hebreus acreditavam que a doença representava um sinal da cólera divina diante dos pecados humanos, ou seja, o indivíduo que apresentava sintomas de uma doença devia ter pecado em algum momento e, por isso, recebeu como punição divina, determinada doença. Outra maneira de ver o processo saúde-doença na antiguidade pode ser representada pelos mesopotâmios. Eles associavam a medicina, a astrologia e a magia aos conhecimentos sobre plantas no preparo de remédios para curar as moléstias do corpo. Por outro lado, os chineses usavam o dualismo yin (escuro, frio, úmido, feminino, ímpar...) e yang (luminosos, quente, seco, masculino, par...) para explicar as enfermidades, que ocorriam devido ao desequilíbrio destes (em uma visão holística), e utilizavam também uma grande variedade de plantas na produção de remédios, destacando-se pela relevante farmacopéia.

Uma visão diferente desse assunto é a dos gregos, porém, sem deixar de lado a visão mágico-religiosa. Eles acreditavam que a saúde estava vinculada às divindades e, por isso, cultuavam Asclepius (Deus da Medicina) e duas outras: Higieia (Deusa da Saúde - que representa a

valorização das práticas higiênicas) e Panacea (Deusa da Cura - que representa a ideia de que tudo pode ser curado). Contudo, para os gregos, a cura também era obtida pelo uso de plantas e de métodos naturais, e não apenas por procedimentos ritualísticos.

Em outras culturas, como as tribais (representada pelos feiticeiros, sacerdotes, xamãs, pajés e benzedeiras) a doença era retirada do corpo das pessoas por líderes espirituais com funções e poderes de natureza ritualística, mágica e religiosa. Para afastar as doenças, usavam tanto tratamentos terapêuticos como infusões, plantas psicoativas, emplastros, dietas alimentares, tabaco, quanto rituais como cânticos e danças para convocar espíritos capazes de erradicar as enfermidades. Apesar de estarmos falando da medicina Mágico-Religiosa, característica da Antiguidade, ainda po-demos encontrar nos dias de hoje condutas como as relatadas em comunidades específicas.

Mas você deve estar se perguntando: e quando foi que surgiu a medicina que nós conhecemos hoje? Bem, a história da medicina como ciência surgiu somente no século V a.C. na figura do médico grego Hipócrates (460 – 377 a.C.). Ele foi o maior representante da medicina Empírico-Racional (onde as teorias científicas são baseadas na observação experimental), pois acreditava que a saúde era a expressão de uma condição de equilíbrio do corpo humano. Nessa época, a origem das doenças era relacionada a fenômenos naturais e não mais de ordem Divina.

Um médico que exerceu grande influência no Ocidente, desde a Antiguidade até por quase toda a Idade Média, foi Galeno (122 – 199 d.C.), cujas ideias proporcionaram avanços significativos nas concepções diagnóstico-terapêuticas. Foi ele que sugeriu o uso de medicamentos para curar doenças, fossem estes fitoterápicos ou de origem animal, mas também alertou sobre o potencial venenoso dos medicamentos. Fez várias referências ao potencial dos medicamentos fitoterápicos, enaltecendo seu uso, pois considerava que os medicamentos de origem mineral fossem mais tóxicos que os de origem animal.

Quando se observa a Idade Média, percebemos que, em função da forte influência da religião cristã, os povos europeus acreditavam que as doenças eram resultados de pecados, além de crerem na cura pela fé. Os doentes eram cuidados pelas ordens religiosas nos hospitais instituídos pelo movimento cristão, com o intuito de abrigá-los e dar-lhes conforto.

O suíço Paracelso (1493-1541) foi um cientista que abandonou as ideias do modelo empírico-racional de Hipócrates e representou a transição entre a escola de Galeno e o Modelo Biomédico (que trata o corpo em partes), predominante até hoje. Este modelo teve sua gênese no desenvolvimento da Ciência e das técnicas de medicina, que foram evoluindo concomitantemente com desenvolvimento da Biologia.

Outro aspecto que contribuiu para a evolução do modelo biomédico foi a construção e sofisticação de instrumentos de apoio técnico. Paracelso concebia a doença como sendo provocada por agentes externos ao organismo, fossem as influências cósmicas e naturais ou as substâncias tóxicas e venenosas, bem como

predisposições do organismo ou motivações psíquicas. Ele afirmava que “se os processos que ocorrem no corpo humano são químicos, os melhores remédios para

expulsar a doença seriam também químicos”.

Esse modelo biomédico (caracterizado pela concepção fragmentária) enfocava, cada vez mais, a explicação da doença e assim tratava o corpo em partes cada vez menores, reduzindo a saúde a um funcionamento mecânico, ou seja, o homem é visto como corpo-máquina.

Após ler o texto, responda:

a) Retirem do texto as diferentes concepções de saúde e doença que você identificou.

Apêndice 6 – Atividade-Pesquisa sobre concepções de Saúde/Doença