A Formação Pendência tem sido, ao longo dos anos, um alvo bastante interessante para a caracterização de prospectos petrolíferos, visto que a mesma apresenta grande potencial para a geração, migração e acumulação de hidrocarbonetos (figura 2.12). Assim, nesta formação, os folhelhos lacustres, que, em média, apresentam altos teores de matéria orgânica (Bertani et al. 1987), consistem as rochas potencialmente geradoras. Estes folhelhos são constituídos por querogênio do tipo I, II e III, ocorrendo, respectivamente, dentro da janela de óleo, óleo-gás e gás, sendo, este último, encontrado apenas na seqüência basal da Formação Pendência (Bertani
et al. 1987, Neves 1989, Moraes 1991). Então, esta formação apresenta áreas com bom
potencial gerador para hidrocarbonetos líquidos e gasosos, com exceção do intervalo correlato à seqüência 4, a qual se encontra imatura em toda a bacia (Neves 1989, Waick & Soares 1989). O processo de migração dos hidrocarbonetos gerados para diferentes níveis estratigráficos se deu tanto por meio das camadas permoporosas, como também através das falhas, fratura e discordâncias internas a esta formação (Neves 1989). Uma vez migrados, os hidrocarbonetos se acumularam em trapas estruturais (relacionadas a falhamentos e estruturas rollover) ou combinadas (esrtutural-estratigráficas; Neves 1989, Bertani et al. 1990).
O C E A N O A T L Â N T I C O N 4° 5° Área de estudo 0 25 km AG AR ARG BAL CAM CR ET FP FSJ FZB GMR MA MG MO RE SCR SO - Agulha - Aratum - Alto do Rodrigues - Baixa do Algodão - Canto do Amaro - Caraúna - Estreito - Fazenda Pocinho - Fazenda São João - Fazenda Belém - Guamaré - Macau - Monte Alegre - Mossoró - Redonda - Salina Cristal - Soledade ALC ARB BR BV CAC JD LOR LV PE PX RMO SE TM UPN - Alecrim - Arabaiana - Brejinho - Baixo Vermelho - Cachoeirinha - Janduí - Lorena - Livramento - Pescada - Poço Xavier - Rio Mossoró - Serraria - Três Marias - Upanema Seqüência drifte Seqüência transicional PML TR UB - Ponta do Mel - Trapiá - Ubarana Campos de Petróleo Seqüência rifte 38°
Figura 2.12. Mapa do arcabouço estrutural da Bacia Potiguar (Cremonini et al. 1996) onde estão ilustrados os principais campos de petróleo. A Formação Pendência (seqüência rifte) consiste em um dos principais habitats de óleo da bacia (Bertani
Os reservatórios variam desde depósitos conglomeráticos de fan-deltas a arenitos flúvio-deltaicos e turbidíticos, ocorrendo em profundidades variáveis de 700 a 4.030 m (Waick & Soares 1989, Anjos et al. 1990a, Moraes 1991). Em termos de unidades cronoestratigráficas, Anjos et al. (1990a) relacionam o intervalo correlato às seqüências 3 e 4 como os melhores reservatórios profundos da Formação Pendência, especialmente àqueles de origem fluvial.
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O Sistema de Falhas de Carnaubais (SFC) configura-se como um expressivo marco geológico de direção NE-SO na Bacia Potiguar, constituído de segmentos paralelos de falhas normais, com geometria tipicamente lístrica, onde a Falha de Carnaubais representa a expressão máxima destes lineamentos. A Falha de Carnaubais compreende um segmento contínuo de dezenas de quilômetros de extensão, que limita a porção oriental do Rifte Potiguar emerso, atuando como falha de borda dos grabens de Umbuzeiro e Guamaré, com continuidade para a porção offshore, onde é, então, interceptada por falhamentos ortogonais (Figura 2.4; Cremonini et al. 1996). A mesma apresenta um importante deslocamento vertical, que, em alguns locais, ultrapassa 5 km de rejeito. No entanto, esta falha mostra poucos reflexos superficiais e, em muitos locais, uma extensa cobertura sedimentar, relacionada aos sedimentos da Formação Barreiras e depósitos recentes, recobre eventuais expressões deste falhamento (Caldas 1998).
Vários trabalhos (Françolin & Szatmari 1987, Matos 1992, Siqueira 2005) alegam que o SFC representa reativações de zonas de cisalhamento dúcteis brasilianas, de direção NE-SO, e que o mesmo esteve ativo durante o Cretáceo Inferior, condicionando a abertura do Rifte Potiguar emerso. Françolin & Szatmari (1987) admitiam que esforços compressivos E-O e distensivos N-S, atuantes durante o Valanginiano na Província Borborema, reativaram inúmeras falhas de direção NE-SO, dentre elas o SFC, por meio de movimentos transcorrentes dextrais, culminando na formação de grabens na porção emersa da bacia. Para estes autores, esta movimentação cessou durante o Aptiano, quando os movimentos distensivos N-S dominaram em toda a província. Já para Matos (1992), o campo e tensões atuante impôs movimentos distensivos NO-SE na província, condicionando, assim, a formação do SFC, que, por sua vez, exerceu um forte controle no desenvolvimento do arcabouço tectônico da bacia.
Outros trabalhos (Caldas 1996 e 1998, Caldas et al.1997, Bezerra et al.1998, Dantas 1998), fundamentados inclusive em dados geofísicos, tratam da ocorrência de eventos neotectônicos que teriam ocasionado reativações no SFC. Segundo estes autores, estas
reativações promoveram movimentos verticais e direcionais, afetando grande parte da seqüência drifte da Bacia Potiguar.
O SFC, em seus estágios evolutivos, desenvolveu importantes feições estruturais, as quais estão relacionadas a falhas e fraturas secundárias (sintéticas e antitéticas) e a dobramentos (estruturas do tipo rollover e dobras distensionais associadas), impressas nos litotipos da Bacia Potiguar (Salviano 2004, Siqueira 2005). Esta estruturação é de particular interesse para a exploração de hidrocarbonetos, visto que a mesma pode atuar tanto como vias principais de migração, como também exercer um forte controle na estruturação dos prospectos, indicando locais potenciais para a acumulação dos hidrocarbonetos, como é o caso das estruturas rollover (Neves 1989, Bertani et al. 1990, Siqueira 2005). A figura 2.12 evidencia o desenvolvimento de importantes acumulações de hidrocarbonetos próximas ao SFC.
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Análise Estratigráfica
Parte Conceitual
Análise Estratigráfica
Parte Conceitual
Capítulo 3Capítulo
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A idéia de uma estratigrafia baseada essencialmente no contexto de seqüências, dando um tratamento dinâmico-temporal aos pacotes sedimentares, foi conquistando espaço desde as três últimas décadas. Tal fato advém, principalmente, do grande avanço nas técnicas de aquisição e processamento de dados sísmicos, permitindo que as “idéias históricas” da Estratigrafia Clássica fossem reunidas, trabalhadas e aperfeiçoadas para constituírem a base do que hoje é o paradigma na Geologia: a Estratigrafia de Seqüências (Holz 1998). O surgimento desta nova estratigrafia veio possibilitar uma visão do todo na análise de bacias sedimentares, permitindo conciliar, num só arcabouço, informações advindas de diversas áreas da Geologia Sedimentar (sedimentologia, bioestratigrafia, entre outros), bem como de diferentes fontes de dados geológicos (descrição litológica, sísmica, perfilagem de poços, etc.; Severiano Ribeiro 2001a).
É importante deixar claro que a estratigrafia de seqüências foi, a princípio, modelada para bacias de margem passiva, onde a eustasia (variação global do nível do mar) é o principal fator controlador deste tipo de bacia (Prosser 1993). No entanto, em bacias do tipo rifte, a exemplo do que acontece nos estágios iniciais de evolução da Bacia Potiguar, a eustasia é um fator subordinado (Küchle et al. 2005), tornando-se inadequada a aplicação direta e irrestrita dos conceitos da estratigrafia de seqüências, fazendo-se necessário, portanto, adaptações nas terminologias, conceitos e modelos originais da teoria.