A aplicação dos agrotóxicos na CIA Usina São João é recomendada pelo Engenheiro Agrônomo, o qual gerencia o controle das aplicações de acordo com o tipo de produto e a condição particular do local onde será realizada a aplicação (talhão), de forma economicamente viável e com o menor risco de contaminação de outras áreas.
A programação da necessidade do uso de agrotóxicos na CIA Usina São João começa antes da safra e é feita até safra seguinte. Inicialmente, é realizado um levantamento da área visando quantificar as áreas com cana planta, cana soca e as áreas para renovação do canavial, além do tipo de solo predominante, proximidade de corpos hídricos, condições edafoclimáticas, dentre outros fatores. De posse dessas informações, são realizadas reuniões com o Engenheiro Agrônomo da empresa para escolher os produtos e dosagens necessárias (Receituário Agronômico).
60 4.1.1.1 Frequência de aplicação
O manejo das plantas daninhas na Usina São João é feito ao longo de todo o ciclo da cultura de cana-de-açúcar, seja nas épocas chuvosas ou nas épocas secas. Nas épocas chuvosas, o manejo é feito geralmente, na pós-emergência das plantas daninhas, o que oferece o risco da matocompetição5 (Figura 11). No período seco, todas as aplicações são realizadas na pré-emergência, eliminando esse risco em praticamente 100%.
Figura 11- Matocompetição na cultura de cana-de-açúcar da Usina São João
Fonte: Autora (2016)
Na concepção de Costa (2010) e Gianotto (2011), o período crítico de matocompetição na cultura de cana-de-açúcar inicia-se desde a emergência dos brotos até os 120 dias de ciclo vegetativo, fase marcada pela interferência no cultivo ocasionada por uma diversidade de plantas daninhas competindo por água, luz e nutrientes. Tais plantas são provenientes de
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Matocompetição: corresponde à forma mais conhecida de interferência das plantas daninhas sobre as culturas, competindo principalmente por nutrientes minerais, água, luz e espaço, além disso, certas espécies interferem alelopaticamente sobre as plantas cultivadas, ocasionando sérios danos como a redução no crescimento, perda de produtividade e interferência no desenvolvimento da planta (BRIGHENTI; OLIVEIRA, 2011).
61 muitas espécies que possuem raízes superficiais e gramíneas com raízes mais profundas (até 0,20 m).
A identificação das plantas daninhas e seu porte são de fundamental importância para que se possa escolher a dosagem e o herbicida correto para o controle das mesmas. Na CIA Usina São João as plantas daninhas de maior ocorrência podem ser observadas na Tabela 7.
Tabela 7- Plantas daninhas de maior ocorrência da CIA Usina São João
Fonte: Informações cedidas pelo agrônomo da Usina (2015)
4.1.1.2 Herbicidas indicados para aplicação no período seco
São herbicidas indicados para o controle das plantas daninhas em condições de baixa umidade do solo, capazes de permanecerem ativos nas camadas superficiais do solo até que as
NOMENCLATURA
POPULAR CIENTÍFICA
Beldroega Portulaca oleracea
Capim-braquiária Brachiaria decumbens
Capim mão-de-sapo Dactyloctenium aegyptium
Capim de planta Brachiaria mutica
Capim pé-de-galinha Eleusine indica
Capim colonião Panicum maximum
Capim colchão Digitaria horizontalis
Capim gengibre Paspalum maritimum
Caruru Amaranthus viridis
Erva de rola Croton lobatos
Grama de seda Cynodon dactylon
Picão preto Bidens pilosa
62 chuvas se regularizem, ou seja, o produto deve ter um efeito residual6 suficiente para suportar o período seco que corresponde aproximadamente 80% da safra. Apesar da pouca umidade, parte do produto entrará em contato com a solução e estará disponível para absorção pela radícula e/ou caulículo das plântulas (CORREIA; KRONKA JR, 2010).
De acordo com Correia e Kronka Jr (2010) e Christoffoleti et al., (2005), os herbicidas empregados em épocas secas devem apresentar como características principais: alta solubilidade em água, fraca ou moderada adsorção a matriz coloidal do solo para que fique disponível na solução por um período mais longo de controle (>120 dias), ausência de volatilidade, que é condicionada pela baixa pressão de vapor do herbicida, associada à ausência de fotodegradabilidade7, além disso, a degradação desses herbicidas no solo deve ser condicionada, principalmente, pela presença de microorganimos, assim permanecendo ativos por mais tempo na superfície.
Na CIA Usina São João, os herbicidas de uso indicado para o período seco são aplicados nas soqueiras8. A seletividade desses herbicidas é garantida em virtude do desenvolvimento lento da cultura de cana-de-açúcar, fazendo com que os princípios ativos do produto permaneçam nas camadas superficiais do solo não atingindo o sistema radicular da planta (CHRISTOFFOLETI et al., 2005). São exemplos de herbicidas indicados para aplicação no período seco: imazapique, clomazone, amicarbazona, hexazinona, isoxaflutol, dentre outros.
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Efeito Residual (carryover): capacidade de retenção de uma molécula com permanência de suas características físicas, químicas e funcionais no ambiente (OLIVEIRA, 2001). Herbicidas que possuem efeito residual apresentam um maior período de atividade, entretanto podem ocasionar impactos ambientais negativos (MANCUSO; NEGRISOLI; PERIM, 2011).
7 Fotodegradabilidade: Degradação da molécula pela radiação solar, ou seja, é um processo que ocorre por meio da absorção de luz solar, especialmente a ultravioleta, capaz de provocar a excitação dos elétrons ocasionando o rompimento de determinadas ligações nas moléculas do composto (RADOSEVICH; HOLT; GUERSA, 1997; OLIVEIRA; BRIGHENTI, 2011).
8 Soqueiras: corresponde à base dos colmos ligados às raízes da planta que permanecem no solo após o primeiro corte, ou seja, a cana soca o nome dado a planta de cana-de-açúcar que rebrota após o primeiro corte (SILVA; SILVA, 2012).
63 4.1.1.3 Herbicidas indicados para aplicação no período chuvoso
São herbicidas indicados para aplicação quando o solo encontra-se com grande quantidade de umidade. As características desses herbicidas são: solubilidade baixa e alto índice de pressão do vapor. Segundo Azania et al., (2009), o controle químico das plantas daninhas é mais eficaz quando realizado durante a estação das chuvas, pois a água disponível no solo e o intenso desenvolvimento das ervas favorecem a absorção dos herbicidas.
Na CIA Usina São João, os solos que apresentam umidade (seja por meio de irrigação ou de chuvas) utilizam-se herbicidas com solubilidade baixa para que não acorra infiltração e o principio ativo não fique longe da área desejada. São exemplos de herbicidas indicados para aplicação no período chuvoso: ametrina, sulfometurom-metílico, fluazifope-P, mesotriona, dentre outros.