Appendix: The term structure of return correlations
7. Real Estate and infrastructure
7.4. Other Institutional Investors 1 Real estate
A pesquisa tem sido desenvolvida numa abordagem qualitativa de enfoque interpretativo. Segundo Bogdan e Biklen (1994), é uma metodologia que se interessa mais pelo processo do que pelo resultado, tentando retratar a perspectiva do sujeito participante, através da obtenção de dados descritivos, que serão coletados pelo pesquisador introduzindo- se de forma direta na situação estudada, e logo analisados de forma indutiva. “Os investigadores qualitativos estabelecem estratégias e procedimentos que lhes permitam tomar em consideração as experiências do ponto de vista do informador” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 51).
Numa primeira etapa, nos meses de julho a outubro de 2015, fizemos o estado da arte da temática a ser pesquisada referente à educação não formal no Brasil, aprofundando-nos sobre a formação e a atuação de pedagogos e pedagogas nesses espaços. Segundo Ferreira (2002, p. 258), esta etapa da pesquisa é definida:
(...) como de caráter bibliográfico, elas parecem trazer em comum o desafio de mapear e de discutir uma certa produção acadêmica em diferentes campos do conhecimento, tentando responder que aspectos e dimensões vêm sendo destacados e privilegiados em diferentes épocas e lugares, de que formas e em que condições têm sido produzidas certas dissertações de mestrado, teses de doutorado, publicações em periódicos e comunicações em anais de congressos e de seminários. Também são reconhecidas por realizarem uma metodologia de caráter inventariante e descritivo da produção acadêmica e científica sobre o tema que busca investigar, à luz de categorias e facetas que se caracterizam enquanto tais em cada trabalho e no conjunto deles, sob os quais o fenômeno passa a ser analisado.
Naquele momento, realizamos uma pesquisa bibliográfica da temática, começando por um levantamento no Banco de Teses e Dissertações da CAPES e no IBICT, para obter informações sobre as investigações realizadas num período de dez anos, de 2004 até 2014, sobre a atuação e formação dos pedagogos e pedagogas em espaços educativos não formais.
Também fizemos uma revisão dos trabalhos apresentados nas reuniões da ANPED, no período de 2005 até 2015, em dois grupos de trabalho, Educação Popular e Formação de Professores.
Naquele período, procurou-se, ainda, ampliar a bibliografia teórica com outros pesquisadores brasileiros e latino-americanos, referentes à temática, para conhecer o que vinha sendo pesquisado e debatido até a atualidade.
Numa segunda etapa, para a coleta de dados, se começou por procurar os espaços educacionais não formais na Região dos Inconfidentes, durante o mês de agosto. Por não haver um registro de todos eles na Secretaria de Educação, pesquisou-se no Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente, em Ouro Preto, na Universidade Federal de Ouro Preto, perguntou-se para referências educacionais e culturais da região, moradores e pesquisou-se na internet para obter maiores informações sobre os espaços de educação não formal.
Após essa pesquisa, começamos o contato com as instituições não formais achadas, para conhecer o seu trabalho, objetivos, a população com a qual trabalham e a existência ou não de pedagogo ou pedagoga trabalhando no local.
Logo, selecionamos aquelas que possuíam projetos educacionais e sociais, que trabalhavam com crianças e jovens e que tinham pedagogos ou pedagogas em seu quadro de profissionais. Localizamos um total de seis espaços educacionais não formais da cidade de Ouro Preto e Mariana, onde trabalham, ao todo, oito pedagogas.
Com o levantamento dos espaços da Região dos Inconfidentes orientados ao trabalho com crianças e jovens, onde atuam profissionalmente pedagogos e pedagogas, realizamos um segundo contato, no mês de novembro de 2015. O objetivo foi aplicar um questionário (APÊNDICE A), previamente elaborado, segundo Chizzotti (2009, p. 55):
O questionário consiste em um conjunto de questões pré-elaborados, sistemática e sequencialmente dispostas em itens que constituem o tema da pesquisa, com o objetivo de suscitar dos informantes respostas por escrito o verbalmente sobre assunto que os informantes saibam opinar ou informar.
Os questionários foram aplicados às pedagogas nos locais de educação não formal onde desenvolvem suas atividades. Em todos os espaços não formais fomos muito bem recebidas pelas pedagogas e, para a maioria delas, era a primeira vez que participavam de uma pesquisa desde que trabalhavam na educação não formal. Sempre estiveram muito dispostas a responder todas as perguntas e nos convidaram a conhecer os projetos educacionais onde trabalhavam. Para muitas, isso representou uma possibilidade para que elas fossem visibilizados pela comunidade e pela universidade. Assim, através das respostas das profissionais, conhecemos o perfil das pedagogas e os espaços onde trabalham.
Numa terceira etapa, nos meses de maio e junho de 2016, realizamos entrevistas semiestruturadas15, com um roteiro de perguntas previamente elaborado16 (APÊNDICE B),
15 Realizamos sete das oito entrevistas estipuladas, já que, durante a pesquisa, uma das pedagogas foi desvinculada de seu cargo, sendo negativa a resposta ao convidá-la a participar dessa etapa.
com o fim de analisar e conhecer, em maior profundidade, as profissionais, sua atuação e sua trajetória formativa. Nesse sentido, Silveira (2007, p. 118) propõe:
[...] olhar as entrevistas como eventos discursivos complexos, forjados não só pela dupla entrevistador/entrevistado, mas também pelas imagens, representações, expectativas que circulam – de parte a parte – no momento e situação de realização das mesmas e, posteriormente, de sua escuta e análise.
As entrevistas semiestruturadas ocorreram nos locais de educação não formal onde cada pedagoga trabalhava, combinando-se a data e horário do encontro com antecedência. Estas foram gravadas17 e logo transcritas18, o que possibilitou uma maior facilidade para poder analisar o seu conteúdo. As entrevistas tiveram um tempo de duração entre 30 minutos até uma hora. Durante o período de entrevistas, a necessidade de muitas das pedagogas de dar visibilidade ao seu trabalho, a especificidade de atuar em um espaço de educação não formal e os desafios que têm, permitiram que pudessem falar em profundidade da sua formação e atuação. Algumas das perguntas também foram a possibilidade para refletirem sobre sua prática cotidiana nos projetos educacionais, assim como sobre sua formação inicial, consistindo, dessa forma, como um processo de formação continuada.
Os nomes das pedagogas foram mudados, tendo nomes fictícios, segundo o acordado no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE C), assinado por todas elas.
Além das entrevistas, neste mesmo período, tivemos momentos de vivências para conhecer o trabalho pedagógico das pedagogas, nos espaços educacionais. Estas foram realizadas no dia da entrevista ou dias após ela, com o fim da imersão nos espaços onde trabalham as profissionais.
Para analisar todo o material, primeiramente, se sistematizou a informação coletada nos questionários, com o objetivo de conhecer o perfil geral das pedagogas que trabalham nos espaços de educação não formal na Região dos Inconfidentes, dividido em três grandes grupos: dados gerais, formação acadêmica e atuação profissional.
Esses grupos também foram utilizados para a análise do conteúdo das entrevistas. Nas respostas das pedagogas, utilizamos os conceitos-chave que se dividiram em quatro grupos, para uma melhor análise: formação inicial e continuada; atuação profissional; saberes da educação não formal; e desafios no trabalho nesses espaços. Logo, tomando em conta os
16 Antes de realizar as entrevistas com as pedagogas dos espaços de educação não formal, realizamos um teste do roteiro para analisar as perguntas construídas. Assim, algumas delas foram reformuladas, segundo os objetivos desta pesquisa.
17 Das sete entrevistas realizadas, seis foram orais e uma escrita, por pedido de uma das pedagogas. 18 As entrevistas foram transcritas pela pesquisadora.
objetivos gerais e específicos da pesquisa, organizamos duas grandes categorias de análise que se reduziram a dois grandes grupos – pedagogo(a) da educação não formal: formação inicial e continuada; e atuação do(a) pedagogo(a) na educação não formal, que serão apresentados em profundidade no capítulo a seguir.
4 FORMAÇÃO E ATUAÇÃO DOS (AS) PEDAGOGOS (AS) NA EDUCAÇÃO NÃO FORMAL
Neste capitulo apresentaremos e analisaremos os dados coletados através dos questionários e entrevistas semi-estruturadas realizadas com as Pedagogas dos espaços de educação não formal. Estas foram feitas no período de Novembro de 2015 e Junho de 2016, em Mariana e Ouro Preto, cidades da Região dos Inconfidentes.
Através dos dados levantados por estes instrumentos procuramos conhecer quem são os pedagogos e as pedagogas que atuam nestas instituições, como foi a sua formação e os desafios e especificidades de sua atuação profissional.
4.1 O perfil dos(as) pedagogos(as)
Nesta seção analisaremos o perfil dos pedagogos e pedagogas que trabalham como profissionais nos espaços de educação não formal selecionados. Através do questionário preenchido pessoalmente, pudemos definir quem são os pedagogos e as pedagogas que atuam nessas instituições, como foi a sua formação e sua atividade profissional na atualidade.
Neste caso, foram selecionadas oito pedagogas que atuam em espaços de educação não formal, que são projetos educacionais e sociais desenvolvidos com crianças e jovens na Região dos Inconfidentes, no Estado de Minas Gerais.