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9. CONCLUSION

9.1 P OSSIBLE FURTHER RESEARCH

"Quase tão honroso quanto vencer uma Copa do Mundo é o fato de ganhar o direito de sediá-la, pois o país que conquista esse direito torna-se conhecido internacionalmente, figurando durante meses nas manchetes dos principais jornais do mundo."

A frase de Freitas Junior mostra bem a importância que a Copa de 1950 teria para o Brasil. A escolha do país para sediar a quarta edição do evento esportivo pode ser justificada basicamente por quatro fatores:

1) após o Mundial de 1938, o Brasil esteve presente em um congresso organizado pela FIFA, em Paris, e lá demonstrou interesse em organizar o próximo campeonato, que seria realizado em 1942, caso não houvesse a Segunda Guerra Mundial;

2) a seleção brasileira era uma das poucas que tinha participado das três primeiras edições da Copa e deixado uma boa impressão para os organizadores pelo estilo de jogo diferente, especialmente o time de 1938, que tinha o atacante Leônidas da Silva como sua principal estrela e que foi considerado um dos melhores atletas do mundo naquela época;

3) apesar de ter apoiado os países Aliados na segunda metade do confronto, o Brasil não teve participação direta na Segunda Guerra Mundial e não sofreu consequências em termos de

44 infraestrutura dentro do país. Já as nações europeias foram duramente atingidas pelos combates e, em sua maioria, dedicavam todos os esforços para reconstruir o país, material e moralmente. Por isso, nenhuma delas se candidatou para sediar a Copa;

4) além de ter demonstrado interesse em organizar a competição desde 1938, o Brasil apresentou à FIFA uma proposta viável para isso, com a presença de estádios de médio porte já construídos e a possibilidade de erguer um grande estádio, totalmente novo, para receber as partidas decisivas do Mundial.

Sem concorrentes, o Brasil foi escolhido para ser o anfitrião da Copa em 1946, um ano após o fim da guerra. O Mundial seria realizado em 1949, mas dois anos antes, em setembro de 1947, a FIFA decidiu adiar o evento em mais um ano, deixando-o para 1950. A medida, de acordo com os jornalistas e pesquisadores Beatriz Farrugia, Diego Salgado, Gustavo Zucchi, Murilo Ximenez, autores do livro 1950 – O Preço de Uma Copa (2014), foi tomada principalmente por dois motivos: ajudar o próprio Brasil, que estava com as obras atrasadas, incluindo a construção do estádio do Maracanã, o grande chamariz para o evento; colaborar com as nações europeias, dando mais tempo para se reconstruírem e reunirem condições, até mesmo financeiras, de disputar a competição.

Mas o conflito bélico, de fato, tornou impossível a participação de alguns países na Copa no Brasil, como Tchecoslováquia, Hungria e Polônia. A Alemanha, por sua vez, foi proibida pela entidade máxima do futebol de jogar. Assim, 32 seleções se inscreveram para as eliminatórias e concorreriam a 14 vagas no Mundial, já que o Brasil, por ser sede, e a Itália, última campeã, estavam automaticamente classificados. As equipes foram divididas em dez grupos seguindo critérios de localização geográfica: seis chaves eram formadas por países europeus, além de Israel e Síria (eram 18 equipes no total, disputando sete vagas); duas chaves tinham seleções sul-americanas (oito times em busca de quatro vagas); um grupo era formado por nações da América do Norte, América Central e Caribe (três seleções para duas vagas) e uma chave tinha países asiáticos (quatro equipes na luta por apenas uma vaga).

Antes mesmo da bola rolar pelas Eliminatórias, quatro seleções da América do Sul abriram mão do torneio: Argentina, Colômbia, Equador e Peru. Essa desistência classificou automaticamente outros quatro países para a Copa de 1950 sem a necessidade de entrar em campo: Chile, Bolívia, Uruguai e Paraguai. Nos grupos de outros continentes, mais nações desistiram do Mundial antes e até mesmo durante as Eliminatórias, como Bélgica, Birmânia e Finlândia, provocando novas alterações na tabela dos jogos. E teve mais baixas, mesmo

45 depois da definição das 15 seleções classificadas para vir ao Brasil. Escócia, Índia e Turquia abriram mão das vagas conquistadas dentro de campo, e França, Portugal e Irlanda, times que participaram das Eliminatórias, foram convidados pela FIFA, mas declinaram ao convite.

Assim, a Copa no Brasil contou com a presença de apenas 13 seleções, entre elas a Inglaterra, que pela primeira vez disputaria o torneio. Como a desistência de alguns dos países aconteceu em cima da hora e os grupos do Mundial já estavam formados, alguns deles ficaram com menos de quatro seleções: foram duas chaves com quatro equipes, incluindo a do Brasil; uma com três times; e uma com apenas duas seleções, que fizeram só um jogo na primeira fase. Somente o campeão de cada grupo avançou para a fase final, quando novamente foi formada uma chave e as equipes jogaram entre si, com a primeira colocada sendo declarada campeã. Portanto, não houve semifinal e final.

Não só por atuar em casa, diante da torcida que lotou o estádio, mas por apresentar um futebol em evolução (graças também ao fortalecimento dos clubes) e ter uma seleção com vários bons jogadores, o Brasil, pela primeira vez, entrou como favorito para ganhar um Mundial. Apesar de um tropeço na primeira fase (empate em 2 a 2 com a Suíça), a equipe venceu seus outros dois adversários (4 a 0 no México, na estreia, e 2 a 0 contra a Iugoslávia) e se classificou para a fase final, que seria disputada contra Suécia, Espanha e Uruguai, os campeões das outras três chaves. O primeiro duelo foi com os suecos, e a goleada por 7 a 1 deixou a melhor impressão possível. Na segunda partida, diante dos espanhois, nova exibição de gala e vitória por 6 a 1. Os atletas deixaram o campo ouvindo a torcida cantar "Touradas em Madri" e não havia um brasileiro que não acreditasse que o primeiro título mundial estava muito próximo.

Apesar de não ter final, o último jogo desta fase era uma verdadeira decisão, pois reunia as duas únicas seleções com chances de ser campeã: a brasileira, que precisava apenas de um empate para ficar com a taça, e a uruguaia, que por ter empatado com a Espanha na estreia da fase final necessitava vencer o Brasil para conquistar seu segundo título de Copa. E o resultado todo mundo já sabe: triunfo de virada do Uruguai por 2 a 1, diante de um Maracanã perplexo e lotado, com cerca de 200 mil torcedores, e um Brasil esfarrapado após a derrota - da seleção e do seu povo.

Mas a história dessa Copa de 1950 será mais detalhada nos próximos capítulos, com a pesquisa e a análise do material referente ao Mundial no Brasil produzido pelas quatro revistas semanais da época escolhidas para esta dissertação. E sempre levando em

46 consideração o que Freitas Junior (2009) diz sobre o estudo do futebol, em uma pesquisa acadêmica de qualquer área, incluindo na Comunicação:

[...] ao mesmo tempo em que não pode perder de vista a dimensão social, não pode descaracterizar a sua estrutura, a tal ponto que não nos permita perceber a sua dinâmica institucional, que está presente na experiência cotidiana, como prática singular do campo esportivo e que pode auxiliar para que se compreenda a complexidade social na qual ele está inserido.

O que é preciso perceber, neste momento, é que, quando organizou o Mundial da FIFA, o Brasil, enquanto país, vivia um momento de desenvolvimento e redemocratização, fortalecendo a economia e proporcionando ao seu povo um sentimento nacionalista, logo captado e propagado por diversos veículos de comunicação. Já o futebol praticado pela seleção também evoluía e o time era considerado um dos mais fortes do mundo. Por isso, realizar aquela competição era uma oportunidade significativa de mostrar aos outros países o que a nação brasileira era capaz de produzir, dentro e fora de campo.

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3. CAPÍTULO II - METODOLOGIA, JORNALISMO DE REVISTA E TEORIAS DO