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pressão sobre quem faz política e sobre quem produz notícias.

O BRASIL E A DÉCADA DA EA

Enquanto isso, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Unesco deslanchavam a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, que se estenderia de 2005 a 2014. Com o poder de disseminação que possuíam, planejavam enfatizar o papel da educação no enfrentamento da problemática socioambiental e a conquista da sustentabilidade. Expressando o apoio do governo federal, o Órgão Gestor da PNEA reconhecera a iniciativa como colchonetes, espalhou gasolina e ateou fogo.

Morreria no hospital no dia seguinte, 13 de novembro. O gesto do jornalista e ex-membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) surpreendeu até seus familiares e amigos mais próximos. “Já que não temos votos para salvar o Pantanal, vamos dar a vida para salvá-lo”, declarou em uma de suas cartas de despedida.

Um ponto comum desses eventos foi a disseminação de notícias e comentários, por meio da internet. Capazes de provocar verdadeiras “tempestades de e-mails” nas caixas postais de formadoras/es de opinião, as mensagens eletrônicas estavam consolidadas, em 2005, como um novo instrumento de

Ciberativismo 1

E o ciberativismo voltou com força, como instrumento das redes de EA em 2005. Em abril, a denúncia de um deputado estadual, Frei Sérgio Görgen (PT/RS), trouxe ao público a informação de que a Monsanto estabelecera uma parceria com o MEC para o desenvolvimento o projeto Janelas para o Mundo. Operacionalizado pela revista Horizonte Geográfico, por meio da Lei Federal do Incentivo à Cultura (Lei Rouannet), o projeto ofereceria materiais de apoio e cursos sobre agricultura e ambiente, tanto para estudantes de 5ª à 8ª série de 5,4 mil escolas públicas, como para 560 docentes, durante um ano.

No total, seriam distribuídos 11 mil kits compostos por mapas informativos, guia de atividade para professoras/es, entre outros. As primeiras mil escolas que respondessem um questionário de avaliação ganhariam uma caixa desenvolvida pela patrocinadora, com material ilustrativo e oito sementes. Detentora das patentes da tecnologia para criar sementes de soja transgênica – vendida “em dupla” com um agrotóxico – a Monsanto vinha patrocinando campanhas em prol da introdução desses polêmicos produtos geneticamente modificados no país. Àquela altura, já estavam em andamento atividades em escolas da Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

A Rebea liderou uma campanha de rápido efeito. Por e-mail, pediu que internautas enviassem mensagens de protesto aos ministérios da Educação, Meio Ambiente e Cultura, além da Horizonte Geográfico. Para tanto, junto às notícias, vinham modelos de cartas de protesto e o endereço eletrônico das autoridades que deveriam recebê-las.

Bastaram poucos dias, para a reação governamental. O Ministério da Cultura reavaliou os conteúdos editoriais dos materiais do Janelas para o Mundo anunciando que, por não corresponderem à proposta aprovada para receber apoio cultural, as revistas, materiais didáticos e cartazes com os títulos Soja: O grão que conquistou o Brasil e Culturas da Terra no Brasil deveriam ser recolhidas. E a editora arcaria com os custos dos materiais já publicados. Também alvo dos protestos de educadoras/es ambientais, o Órgão Gestor da PNEA posicionou-se igualmente contra a iniciativa.

a EA. Mas, repetindo o que aconteceu em 1998, ano seguinte à realização do IV Fórum de EA em Guarapari (ES), quase tudo que se viu foram eventos de âmbito local ou estadual para aprofundar assuntos específicos – pequenas fatias de um grande bolo que é a EA.

Foi o caso de dois encontros nacionais, realizados simultaneamente em Vitória (ES), três semanas antes da Sustentável 2005: o II Encontro da Rede CEAs, para debater o estado da arte dos Centros de EA, e o I Encontro das Salas Verdes. A realização conjunta justificava-se pelas características em comum – ambos eram espaços que poderiam ser criados por instituições públicas ou privadas, atendiam os mais diferentes públicos e possuíam o potencial de viabilizar as mais variadas iniciativas no campo da EA.

Só que as Salas Verdes tinham tido um começo bem mais modesto. Nasceram em 2000, como espaços estruturados para receber materiais do Centro de Informação e Documentação Ambiental do MMA (CID) e disponibilizá-los para seus públicos. Em 2003, já havia 99 instituições atendidas nesse esquema117, quando a DEA/MMA lançou

a proposta de transformá-las em locais dinâmicos, selecionadas por meio de editais públicos, que também promovessem projetos, ações e programas de EA.

Um manual de procedimentos foi publicado pelo MMA. A partir de então, para formalizar a criação de uma Sala Verde, a instituição teria de apresentar três tipos de contrapartidas 1- local com infra-estrutura mínima (espaço físico “potencializadora das políticas, programas e

ações educacionais”, e preparou um diretório brasileiro com cerca de 80 documentos sobre a iniciativa, disponiblizado pela internet115.

No entanto, nada disso arrefeceu a polêmica em torno da dicotomia EDS x EA, como ficou claro em 2 de junho, no Rio de Janeiro, durante o encerramento do Congresso Ibero-Americano sobre Desenvolvimento Sustentável (Sustentável 2005). Era o evento anual do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), organização formada por cerca de 50 empresas de grande porte operando no Brasil. Simbolicamente, foi lá que aconteceu uma cerimônia de lançamento da Década da EDS para a América Latina.

Neste cenário caracterizado pela presença empresarial, educadoras/es ambientais lançaram o Manifesto pela Educação Ambiental, que questionava a adoção da expressão EDS, em detrimento do acúmulo histórico trazido pelo termo EA. O documento mostrava que Educação para o Desenvolvimento Sustentável embutia um conceito mercadológico e que seu uso poderia induzir o esquecimento dos princípios, objetivos e diretrizes da Educação Ambiental, construídos no embate de um processo associado a mais de 30 anos de uso116.

ESCALADA DE EVENTOS

Se a realização de eventos for termômetro da evolução de um tema num determinado período, 2005 foi um ano de escalada para

115 http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/deds/index.html

116 O documento técnico nº4 do OG-PNEA, “Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável: relatório da pesquisa aplicada junto ao público do V Fórum Brasileiro de Educação Ambiental”, publicado em 2005, discute esse processo e traz o Manifesto. Disponível em: http://www.mma.gov.br/estruturas/educamb/_arquivos/dt_04.pdf.

117 Informações do caderno 3 – “Processos formadores em Educação Ambiental” (p. 22) – do “Relatório de Gestão 2003-2006”, preparado pela DEA/MMA e lançado em 2007 na forma de 10 cadernos e um CD. Disponível em: http://www.mma.gov.br/ index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=20&idConteudo=5899

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ações de EA. Entre os compromissos do ministério, constavam o envio anual de dois kits de 50 títulos durante três anos e a orientação técnica.

com mesas, cadeiras etc.), 2- um Programa Político Pedagógico (PPP), contendo as diretrizes de funcionamento, e 3- demonstrar como manteria a Sala Verde com, no mínimo, duas pessoas para organizar o acervo e as

118’Idem. p. 25-29. Vale citar a evolução.De 2000 a 2003, foram listadas 99 Salas Verdes. Desde então, 45 são atendidas no processo seletivo em 2003; 63 em 2004; 79 em 2005, 225 em 2006. Em 2007, 390 mantinham-se em atividade.

119 Informações, boletim e documentos disponíveis em: http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/deds/index.html. Para o blog, o en- dereço é http://salasverdes.blogspot.com/.