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A quantificação do estoque de carbono na parte aérea das plantas de café foi feita utilizando dois métodos diferentes, visando uma posterior comparação dos resultados e a possibilidade de encontrar um valor médio. Os métodos utilizados foram a cubagem direta e a utilização de uma equação de biomassa para café sombreado (Coffea arábica).

82 a) Método da cubagem direta

Este método possibilitou encontrar um valor médio de estoque de carbono na parte aérea de um pé de café, a partir da cubagem direta de três plantas de café em campo. O valor médio encontrado foi multiplicado pelo número de plantas de café contidos em cada SAF. Isto possibilitou encontrar o estoque de carbono total dos cafeeiros em cada uma destas áreas.

O método da cubagem direta seguiu as seguintes etapas, descritas posteriormente: cubagem direta de três plantas de café em campo; cálculo da biomassa seca das plantas cubadas; avaliação do teor de carbono do café; cálculo do estoque de carbono médio da planta de café e; cálculo do estoque de carbono contido na parte aérea dos cafeeiros em SAF.

- Cubagem direta de três indivíduos em campo

Foram escolhidos para a cubagem rigorosa três plantas de café localizadas na mesma propriedade em que se localizam os SAFR1, SAFR2 e SAFR3 (altitude entre 1.060 e 1.090 metros). Os indivíduos cubados foram selecionados pelo próprio agricultor, de forma que não comprometesse sua lavoura. Os cafés tinham uma idade de 20 anos e já haviam sido recepados duas vezes. Cada pé de café foi cortado ao nível do solo (FIGURA 2) e separado manualmente em tronco, galhos e folhas (FIGURA 3). Tiveram também suas alturas totais medidas, assim como os diâmetros à altura do solo, à 1m de altura e à 10 cm do ápice.

Todos os galhos, folhas e fuste dos três indivíduos de café foram pesados ainda frescos no campo. Em seguida, foram coletadas amostras de galhos, folhas e fuste de cada um deles para determinação do peso seco das amostras após completa secagem em estufa de circulação forçada de ar.

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Figura 2. Corte ao nível do solo das plantas de café, em Araponga, MG.

Figura 3. A- separação manual dos galhos, folhas e fuste das plantas de café cubadas. B, C e D- pesagem em campo da biomassa fresca de galhos, folhas e fuste dos cafés cubados, no município de Araponga, MG.

- Cálculo da biomassa seca das plantas de café

De posse dos valores de massa fresca total, massa fresca e seca de amostras de galhos, folhas e fuste de cada uma dos três indivíduos de café, a biomassa seca total das folhas, galhos e fuste de cada indivíduo foi encontrada por meio do método da

A B

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proporcionalidade (SOARES et al., 2006). Para isso, utilizou-se a seguinte fórmula, que foi aplicada separadamente para cada componente (galhos, folhas e fuste):

Em que:

MS (c) = Massa de matéria seca total de cada compartimento no campo em kg; Mu (c) = Massa de matéria úmida total no campo em kg.

Ms (a) = Massa de matéria seca das amostras em kg; Mu (a) = Massa de matéria úmida das amostrasem kg; e

De posse dos valores de biomassa seca total de folhas, galhos e fuste de cada uma das plantas cubadas, foi calculado um valor médio de biomassa seca para folhas, galhos e fuste, considerando os valores obtidos com os três indivíduos de café. Em seguida os valores médios de folhas, galhos e fuste foram somados, representando um valor médio de biomassa seca para o café.

- Avaliação do teor de Carbono do Café

Para obter o teor de carbono total do café, foram utilizadas as mesmas amostras de galhos, folhas e fuste coletadas para a determinação da biomassa seca dos cafés. Estes materiais, após completa secagem em estufa de circulação forçada de ar e pesagem, foram moídos em um moinho tipo Willey, marca Thomas Scientific. Deste material foram retiradas amostras de 1g para serem analisadas no Laboratório de Solos Florestais da Universidade Federal de Viçosa.

Cada amostra de 1g foi colocada em um cadinho de porcelana sem tampa, levado à mufla, modelo Linn Elektro Therm, na temperatura de 550°C, por três horas até completa calcinação da amostra. A amostra foi retirada da mufla e resfriada em dessecador para posterior pesagem em balança com precisão de 0,0001g, modelo MARK 210A. O teor de carbono foi calculado pela seguinte equação:

85 Em que:

CT = Teor de carbono em %;

Ms = massa do resíduo da amostra seca após calcinação em gramas; e

Mr = massa da amostra secaem gramas.

Desta forma, foi encontrado um teor de carbono médio para folhas, galhos e fuste, assim como um teor de carbono médio total para o café.

- Cálculo do estoque de carbono médio da planta de café

De posse dos valores de biomassa seca e teores de carbono, calculou-se o estoque de carbono médio de cada planta de café, a partir da seguinte equação:

Em que:

CT= carbono total da i-ésima espécie (fuste, galhos e folhas), em kg; Bfu = biomassa seca média dos fustes dos três indivíduos, em kg; TCfu= teor de carbono médio dos fustes

Bf = biomassa seca média das folhas dos três indivíduos, em kg; TCfu= teor de carbono médio das folhas

Bg = biomassa seca média dos galhos dos três indivíduos, em kg; TCg= teor de carbono médio dos galhos

O estoque de carbono em cada SAF foi calculado pela multiplicação do estoque médio encontrado para a planta de café, pelo número de cafeeiros presentes em cada um dos SAFs. Ressalta-se que o número de pés plantas de café em cada um dos SAFs foi revelado pelos próprios agricultores. Este valor foi posteriormente extrapolado para hectare.

86 b) Método da equação alométrica:

O cálculo do estoque de carbono nas plantas de café foi realizado a partir da equação de biomassa para café sombreado desenvolvida por Segura et al. (2006) em sistemas agroflorestais com café na Nicarágua:

Em que:

Biomassa= biomassa da planta de café em kg exp= função exponencial

ln= logaritimo natural log10=logaritimo de base 10

DAP= diâmetro à altura do peito (medido a 1,30m do solo)

O diâmetro à altura do peito (DAP) e a altura dos indivíduos de café foram medidos em plantas de café presentes nos SAFs. Para isto, foram alocadas parcelas em cada um dos SAFs, visando extrapolar os valores encontrados nas parcelas para o número total de indivíduos do sistema. As parcelas tiveram dimensões de 10m de comprimento por 15m de largura (150 m²) e foram lançadas de modo aleatório, respeitando as curvas de nível do terreno. A definição do número de parcelas em cada um dos SAFs foi proporcional à sua área total (TABELA 2) e representou em torno de 5% da área total de cada uma destes sistemas.

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Tabela 2. Número de parcelas e área total das parcelas lançadas em cada um dos SAFs estudados.

SAF Área total do SAF (m²) Número de

parcelas Área total parcelas (m²)

SAFP 3500 2 300

SAFR1 7200 3 450

SAFR2 2500 1 150

SAFR3 2300 1 150

Após o cálculo da biomassa por parcela, o valor do estoque de carbono das plantas de café em cada parcela foi obtido pela multiplicação do valor da biomassa encontrada, pelo teor de carbono médio encontrado para o café neste estudo. Após, o valor de carbono encontrado para os indivíduos contidos nas parcelas foi extrapolado para o número total de indivíduos em cada um dos SAFs.