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As avaliações nos cursos universitários são de suma importância e têm consequências importantes. Segundo Luckesi (2010), a verdadeira função da avaliação da aprendizagem seria a de auxiliar na construção de uma aprendizagem satisfatória. A avaliação, para ultrapassar a possibilidade de ser autoritária e conservadora, deve exercitar sua função diagnóstica15 que consiste em ser um instrumento "dialético de avanço" (p. 43), ou seja, um instrumento por meio do qual se reconheçam os caminhos percorridos e se identifiquem quais são os caminhos que ainda necessitam ser trilhados. Abandona-se, neste modelo, a avaliação como instrumento meramente classificatório, que não serve para a transformação, mas atua em função da conservação da sociedade pela domesticação dos estudantes.

Em uma entrevista, Luckesi (2005) destaca a implicação do educador no resultado do processo avaliativo dos discentes. Segundo ele, os resultados da aprendizagem dos alunos são sinais de que o ensino é ou não satisfatório, o que deveria ocasionar a busca de compreensão, por parte dos educadores, sobre o que vem ocorrendo e de como investir para a melhoria do

15 Termo empregado pelo autor.

desempenho dos estudantes. Neste sentido, caberia sempre perguntar: se não ocorreu aprendizagem, será que houve ensino?

Ainda para Luckesi (2004), avaliar implica acompanhar a aprendizagem e reorientá-la permanentemente, o que só se realiza por meio de um rigoroso “ato diagnóstico”16 que vise a obtenção dos melhores resultados que forem possíveis, diante dos objetivos que estejam postos. Deixa claro que o que distingue o ato de examinar do de avaliar não são os instrumentos utilizados, mas o olhar sobre os dados obtidos: a ótica de quem examina, classifica e selecionaou o olhar de quem avalia, diagnostica e inclui.

Luckesi (2004) fala também sobre a questão das ameaças de educadores direcionadas aos seus alunos nos processos ditos avaliativos, mas que, segundo ele, nada têm a ver com avaliação, e sim com exames. Por meio dos exames é possível que haja ameaças de reprovação ou possibilidade de aprovação de alguém, enquanto na prática avaliativa só existe um caminho posto diante do processo de ensino-aprendizagem: o de diagnosticar e reorientar continuamente. A avaliação não se torna um instrumento para disciplinar discentes e sim um importante recurso para que haja a construção conjunta de resultados significativos e melhores possíveis para todos os envolvidos no processo. Avaliação exige, então, aliança entre docente e educando, enquanto os exames levam ao antagonismo entre tais sujeitos, possibilitando o surgimento de ameaças e coação. Almeida e Pimenta (2009) defendem que a avaliação da atividade pedagógica, no Ensino Superior, deva ser diagnóstica e compreensiva ao invés de ser utilizada como mecanismo de controle.

Uma das formas mais conhecidas de avaliação é a prova, momento sobre o qual Moretto (2004) discorre como sendo uma ocasião privilegiada dos estudos e não um acerto de contas. O professor precisa ter clara em sua mente a forma como avalia os alunos e o porquê de tal avaliação, já que este processo é essencial tanto para o educador quanto para o

estudante, tendo em vista que aquele precisa aprimorar-se sempre e, para isto, precisa conhecer o impacto de suas aulas e este precisa conhecer o significado do seu empenho e esforço, apreciando suas capacidades e limitações e podendo então ultrapassar barreiras em prol da ampliação de seus conhecimentos.

Segundo Luckesi (2010), a avaliação centralizada em provas e exames secundariza o próprio significado do ensino e da aprendizagem, superestimando os exames. O autor afirma que

a prática de provas e exames exclui parte dos alunos, por basear-se no julgamento, a avaliação pode incluí-los devido ao fato de proceder por diagnóstico e, por isso, pode oferecer-lhes condições de encontrar o caminho para obter melhores resultados na aprendizagem (Luckesi, 2010, p. 173).

Porém Luckesi (2004) faz uma diferenciação entre prova, que ele não considera uma forma de avaliação, e questionário, contendo perguntas abertas e/ou fechadas, que é considerado um instrumento avaliativo. As provas das quais discorda são as utilizadas no sentido de provar, ou seja, no sentido classificatório e de selecionar, que traduzem a ideia de exame e não de avaliação. Ressalta que é importante ter clareza de que "os exames são pontuais, classificatórios, seletivos, anti-democráticos e autoritários; a avaliação, por outro lado, é não pontual, diagnóstica, inclusiva, democrática e dialógica" (Luckesi, 2004, p. 1).

Leite e Kager (2009, p. 133) afirmam que:

A avaliação diagnóstica, como já apresentada, representa uma importante alternativa diante dessa situação, visto que supõe que o ato de avaliar deve implicar decisões assumidas sempre a favor do aluno, sendo os seus resultados utilizados no sentido de permitir ao professor rever e alterar as condições de ensino, visando ao aprimoramento do processo de apropriação do conhecimento pelo aluno. Sendo assim, é importante

ressaltar a necessidade do resgate da avaliação como função diagnóstica17. Por meio desta função, a avaliação é planejada e desenvolvida como uma situação de reflexão, preferencialmente envolvendo o conjunto dos educadores da escola, no sentido de buscar não só o avanço cognitivo dos alunos, mas propiciar as condições afetivas que contribuam para o estabelecimento de vínculos positivos entre os alunos e os conteúdos escolares. Com a função diagnóstica, a avaliação pode auxiliar o progresso e o crescimento do aluno, através do aprimoramento das condições de ensino.

Luckesi (2005) cita também a questão das atividades em grupo, as quais acredita que, quando se tratam de atividades efetivamente em grupo, propiciam trocas e geram construção de aprendizagem coletiva, mas ressalta que a prática mais comum no caso deste tipo de avaliação é a do "abandono de educandos à sua própria sorte" (p. 3). Nestes casos, uma tarefa é lançada aos estudantes e eles têm a obrigação de cumpri-la, sem que haja, necessariamente, orientação e acompanhamento docente constante durante este processo. Deveria haver investimento no grupo e não apenas o abandono e a cobrança posterior do resultado.

Na perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural, as atividades em grupos mostram-se como oportunidades preciosas, pois dada a heterogeneidade do grupo, a colaboração entre os pares é fundamental para provocar processos de desenvolvimento e de aprendizagem. Assim, ao organizar atividades avaliativas na modalidade grupal, tanto o professor quanto os estudantes podem beneficiar-se do conceito de Zona de Desenvolvimento Iminente.

Vasconcellos et al. (2006) afirmam que questões relacionadas à avaliação sempre serão problemas educacionais. A prática avaliativa, segundo tais autores, deve buscar concepções inovadoras de ensino que valorizem a formação discente, bem como seu crescimento.

17 Como a palavra diagnóstico(a) está fortemente relacionada à medicina, seria interessante se esta expressão

fosse substituída por uma palavra que pudesse contemplar a abrangência e a dialética do processo de compreensão do conteúdo ministrado durante as aulas.

Em sua pesquisa sobre avaliação em cursos de licenciatura na Universidade de Londrina, Vasconcellos et al. (2006) buscaram entender quais práticas avaliativas poderiam romper com os padrões tradicionais de atuação docente, resultando em condições melhores de aprendizagem discente. Os autores observaram que, na prática de educadores que inovavam na avaliação em prol da qualidade dos processos de aprendizagem de seus alunos, estavam presentes, dentre outros fatores: compromisso com os discentes para além dos limites impostos pela instituição (dar aula no horário preestabelecido, notas etc.); auto-avaliação como prática permanente de quem avalia, como recurso para reflexão sobre o sentido das práticas avaliativas e das questões propriamente pedagógicas.

Masetto (2000), ao falar sobre avaliação, discorre sobre esta como processo integrado ao da aprendizagem dos estudantes, como um feedback contínuo dispensado aos alunos quanto à sua aprendizagem e dos alunos quanto ao curso. O autor valoriza também a autoavaliação como um processo importante desta etapa do ensino, quando a postura do educador é de mediador pedagógico.

Vasconcellos et al. (2006) incluem a temática da avaliação em suas reflexões sobre o ensino e afirmam que este, na maioria das instituições, se caracteriza como uma prática que se limita ao tempo e ao espaço de sala de aula. A própria instituição tem previsto em seu regulamento acadêmico que o sistema de avaliação se vincule ao sistema de notas e aos procedimentos que resultem em aprovação ou em reprovação de estudantes, o que justifica a manutenção de práticas de avaliação pontuais e valorização excessiva de notas.

Olive (2002) demonstra sua visão sobre a seriedade deste processo que ocorre durante as disciplinas ao afirmar que existe comparação entre as médias de desempenho dos discentes no Ensino Superior e que, por este parâmetro, são apontados os cursos das universidades públicas que vêm apresentando os resultados considerados melhores, em termos quantitativos.

A seriedade do processo avaliativo apresentada nos parágrafos anteriores e sua importância no processo de ensino e de aprendizagem bem como na formação profissional dos alunos universitários permite-nos inferir que tal processo necessita ser planejado e executado de modo a compreender as dificuldades dos estudantes, permitindo que estes possam, durante o curso de graduação, aproveitar o espaço de sala de aula e o contato com o docente para o esclarecimento de suas dúvidas e para o compartilhamento de suas dificuldades a fim de que possam apropriar-se de modo efetivo do conteúdo ministrado.