É importante mencionar que, antes do planejamento dos métodos de análise, foram identificados cinco softwares focados em Análise Lexical:
ALCESTE (Analyse Lexicale par Context d’un Ensemble de Segments de Texte), criado a partir de uma metodologia desenvolvida por Reinert (1990) e utilizado em pesquisas nacionais e internacionais de diversos campos (NASCIMENTO; MENANDRO, 2006; OLIVEIRA et al., 2008; NOËL-JORAND, 1997).
Sphinx Léxica, utilizado em pesquisas na área de Administração (DE FREITAS, 2000a; DE FREITAS, 2000b; POZZEBON; DE FREITAS; PETRINI, 1997).
VERTO, que surgiu da necessidade de desenvolver uma ferramenta para apoio pedagógico, criado por (SCHNEIDER; PASSERINO; OLIVEIRA, 2005; OLIVEIRA et al., 2007).
IRAMUTEQ, criado com base no método de Reinert (1983, 1991), também citado em artigos de diversos campos, nacionais e internacionais (RATINAUD; DEJEAN, 2009; CAMARGO; JUSTO, 2013).
WordSmith, desenvolvido por Scott (2012).
Parte dos softwares é pago e o custo varia entre R$6 e R$9 mil. A maior parte das pesquisas que os utilizam são financiadas pelas instituições de ensino ou patrocinadoras, o que não ocorreu no presente trabalho. Dos cinco softwares, apenas dois oferecem versões gratuitas, o IRAMUTEQ e o WordSmith. No entanto, os mesmos não foram utilizados nessa pesquisa, devido à necessidade específica de triangulação dos métodos de Análise Lexical com Análise de Conteúdo. Assim, o método utilizado no presente trabalho foi desenvolvido pela autora, baseado na literatura de Análise Lexical (BOTTA, 2010,2013; OLIVEIRA,2011; HILLEL, 1970) e Análise de Conteúdo (BARDIN, 2006; CAREGNATO; MUTTI, 2006) e ilustrado na Figura 15.
O método escolhido de Análise Lexical é tradicional (BOTTA,2013 apud ELUERD, 2000, p. 30), de comparação de unidades, em particular, as relações paradigmáticas que existem entre as palavras, focando-se em sinonímia, a busca de palavras que podem ser entendidas como similares e substituídas em grande parte dos contextos (BOTTA, 2010; OLIVEIRA,2011).
A análise foi precedida da transcrição de sete entrevistas, gravadas totalizando cerca de 120 minutos, com usuários dos aplicativos. Estas entrevistas foram realizadas individualmente,
durante o preenchimento do questionário de pesquisa, no qual procurou-se captar informações complementares às perguntas fechadas. Esta transcrição foi o ponto de partida para iniciar etapas de Análise Lexical e de Conteúdo.
As etapas da Análise Lexical, de acordo com a abordagem clássica, são baseadas na metodologia das Análises de Intra e Inter discurso, divididas em três níveis, micro, meso e macro (BOTTA,2013), descritos a seguir:
Etapa Micro: consiste na análise sêmica e semântica, na comparação das ocorrências de palavras e seus significados mais comuns.
Etapa Meso: consiste no estudo das unidades co-ocorrentes, que refere-se à recorrência das mesmas palavras, e de co-textos, -termos relacionais e os termos representantes que auxiliam solução das eventuais ambiguidades ou da heterogeneidade de sentido dos enunciados (HILLEL, 1970) - pelo princípio da sinonímia, no texto.
Etapa Macro: consiste no discurso como um todo, a Análise de Conteúdo inserida no contexto da Análise do Discurso, ou seja, a abordagem da Análise do Discurso aplicada à realidade, essa, compreendida na Análise do Discurso, muito mais ampla em sua essência. Entretanto, vamos nos ater ao nível de Análise de Conteúdo, conforme mencionado na seção 3.4.1, limitando-se à interpretação dos resultados das categorias temáticas, seguindo as etapas explicitadas no próximo parágrafo.
As etapas na análise de conteúdo, nas quais serão aplicadas as técnicas de Análise Lexical, são: Pré-Análise; Exploração do Material; e Tratamento dos Resultados e Interpretação. Segundo Caregnato e Mutti (2006), as etapas podem ser descritas da seguinte forma:
Pré-Análise ou Organização: é a fase de organização, que pode utilizar vários procedimentos, tais como: leitura flutuante, hipóteses, objetivos e elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação. Nesse estudo não utilizaremos hipóteses, por se tratar de uma análise exploratória. Será adotado como indicador o Modelo Preliminar de Adoção dos AMTs (Figura 13).
Exploração de Material ou Codificação: é a fase em que os dados são codificados a partir das unidades de registro. Por codificação, compreende-se “uma transformação – efectuada (sic) segundo regras precisas – dos dados brutos do texto, transformação esta que, por recorte, agregação e enumeração, permite atingir uma representação do conteúdo, ou da sua expressão” (BARDIN, 2006, p. 103). Recorte (Análise Sêmica e
Semântica), Agregação (Cotexto) e Enumeração (Co-ocorrência) são sub-etapas contidas na Análise Lexical. Enumeração
Tratamento de Resultados/Interpretação ou Categorização: consiste na classificação dos elementos por semelhanças e diferenciação, para posterior agrupamento, em função de características comuns, criando categorias temáticas. Segundo Caregnato e Mutti (2006, p. 683), categorias temáticas são considerados indicadores, uma classe de equivalências, que serão associadas aos fatores estudados.
Portanto, a Codificação e a Categorização fazem parte da Análise de Conteúdo. Para ilustrar a dinâmica entre as duas perspectivas de análise, é apresentada a Figura 15, abaixo, o Diagrama de Análise Lexical e de Conteúdo. Nesse diagrama, são detalhadas as etapas de cada nível de análise. É preciso ressaltar que a Análise Lexical consiste em uma técnica/procedimento adotado na Análise de Conteúdo, a incorporando, portanto. Assim, sob uma perspectiva hierárquica, os títulos de cada nível indicam as etapas de análise de Conteúdo.
Figura 15 – Diagrama de Análise Lexical e de Conteúdo
Fonte: Elaborado pela autora. Adaptado de: (BOTTA, 2010,2013a,2013b; CAREGNATO; MUTTI, 2006)
Tendo como base metodologia sintetizada no Diagrama de Análise Lexical e de Conteúdo (Figura 15), foi iniciada a Análise de Conteúdo, descrita na seção cinco do presente estudo, apresentada na sequência.