Baseado no referencial teórico apresentado, foi criado um Meta-Frame para auxiliar a análise dos dados levantados e evidências observadas. Este Meta-Frame possui como ponto central os modelos de Adoção e Confiança (CARTER; BÉLANGER, 2005) e o MOPTAM (BILJON; KOTZÉ, 2007), escolhidos por serem considerados os mais completos de acordo com a revisão da literatura.
O modelo de Carter e Bélanger (2005), foi escolhido por incorporar três dos referenciais adotados no presente trabalho, TAM (DAVIS; BAGOZZI; WARSHAW, 1989; VENKATESH; DAVIS, 2000; VENKATESH et al., 2003; VENKATESH; BALA, 2008), DOI (MOORE; BENBASAT, 1996; ROGGERS, 1962, 1983, 1995, 2003) e Confiança (MCKNIGHT; CLOUDHURY; KACMAR, 2002), além de considerar uma vasta revisão da literatura de adoção na Internet.
Já o modelo de Biljon e Kotzé (2007), o MOPTAM, incorpora o TAM e o DOI em sua essência e considera, ainda, fatores presentes, direta ou indiretamente, em todos os demais modelos de Aplicações Móveis considerados (GAO; KROGSTIEA; SIAUB, 2011; HU; WANG, 2004; PHAN; DAIM, 2011; SHANKAR; BALASUBRAMANIAN, 2009; VERKASALO et al., 2010), ao conter fatores sócio-econômicos e Pessoais. Apesar de haver
modelos mais recentes em Aplicações Móveis, o MOPTAM é o que incorpora a maior quantidade de constructos presentes na revisão da literatura e, por esta razão, foi selecionado. Em particular o constructo Fatores Pessoais incorpora, ainda, alguns dos fatores do DOI presentes no modelo de Carter e Bélanger (2005), reforçando ainda mais a validade dos constructos.
Quadro 2 – Meta-Frame de Comparação entre Abordagens Teóricas
Modelos Selecionados Principais Aspectos Analisados Principais Conclusões Constructos Considerados Carter e Bélanger (2005) – Modelo de Pesquisa de Adoção Tecnológica Fatores de difusão da inovação. Fatores de Adoção tecnológica. Percepção de Confiança na tecnologia pelos usuários. A Intenção de Uso de sistemas aumenta quanto maior a Facilidade de Uso Percebida.
Existe maior Intenção de Uso quanto maior a Compatibilidade. Quanto maior a
Confiança no sistema, maior a Intenção de Uso do usuário. Compatibilidade Complexidade Confiança na Internet Facilidade de Uso Percebida Imagem Utilidade Percebida Vantagem Relativa Biljon e Kotzé (2007) - Modelo de Adoção da Tecnologia do Telefone Móvel Fatores de Adoção tecnológica. Fatores de Adoção Tecnologia Móvel. Fatores Demográficos e Pessoais podem influenciar a Facilidade de Uso Percebida e Condições Facilitadoras (definidas como a infraestrutura de telefonia móvel). Condições Facilitadoras podem influenciar a Facilidade de Uso Percebida, a Utilidade Percebida e o Uso Real.
Facilidade de Uso Percebida Fatores Sócio- Econômicos Fatores Pessoais Utilidade Percebida Uso Real do Sistema
Fonte: Elaborado pela autora
O Meta-Frame (Quadro 2) tem com a finalidade sintetizar os principais aspectos, conclusões e constructos extraídos dos modelos selecionados (BILJON; KOTZÉ, 2007; CARTER; BÉLANGER, 2005), como ponto de partida para a análise dos fatores-chave de sucesso na adoção dos AMTs por motoristas de táxi.
Na sequência à apresentação do quadro, é listada a definição de cada uma das variáveis consideradas, previamente descrita na terceira parte do presente estudo. Após essa listagem, é apresentado o Modelo Preliminar de Adoção dos AMTs (Figura 13), baseado no Meta-Frame, que propõe uma relação entre os constructos selecionados e fatores influenciadores da adoção dos AMTs presentes nas literatura, que irão guiar o estudo de caso. Estes fatores podem consistir, conforme será observado nos resultados do presente estudo, potenciais fatores-chave de sucesso na adoção dessas ferramentas.
Fatores presentes no modelo de Carter e Bélanger (2005):
Compatibilidade: o grau em que uma inovação é percebida como consistente com os valores existentes, experiências passadas e necessidades dos potenciais adotantes (ROGERS, 1983).
Complexidade: o grau em que uma inovação é percebida como relativamente complexa de se entender e usar (ROGERS, 1983).
Confiança na Internet: percepção de confiabilidade e segurança dos usuários na internet (adaptado de CARTER; BÉLANGER, p. 18, tradução nossa).
Utilidade Percebida é definida “o grau em que a pessoa acredita que o uso de um sistema em particular vai melhorar a sua performance no trabalho” (DAVIS; BAGOZZI; WARSHAW, 1989, p. 985, tradução nossa).
Facilidade de Uso Percebida: é definida como “o grau em que a pessoa acredita que o uso de um sistema particular seria livre de esforço” (DAVIS; BAGOZZI; WARSHAW, 1989, p. 985, tradução nossa).
Imagem: “O grau em que o uso de uma inovação é percebida como capaz de melhorar a imagem ou status de um indivíduo em seu sistema social” (VENKATESH; DAVIS, 2000, p. 189, tradução nossa).
Vantagem Relativa: o grau em que uma inovação é percebida como sendo melhor que a ideia que a antecede (ROGERS, 1983).
Fatores presentes no modelo de Biljon e Kotzé (2007):
Fatores Pessoais: “referem-se a preferência pessoal do usuário e crenças sobre o benefício da tecnologia, incluindo a Vantagem Relativa, Compatibilidade, Complexidade, Experimentação, Observabilidade, Imagem e Confiança” (BILJON; KOTZÉ, 2007, p.6, tradução nossa).
Fatores Sócio-Econômicos: “definidos por variáveis como Status do Trabalho, Ocupação e Renda” (BILJON; KOTZÉ, 2007, p.6, tradução nossa).
Os fatores não considerados do modelo de Carter e Bélanger (2005) são Confiança no Governo e Intenção de Uso. Confiança no Governo é definido como “percepções de confiabilidade de órgãos do governo do Estado”. Este constructo foi descartado por entender- se que apresenta pouca relação com tema do presente estudo. Já Intenção de Uso foi desconsiderado por, apesar de consistir em um fator determinante do Uso Real, não medir a adoção efetiva das tecnologias. Devido a isso, foi considerado o constructo Uso Real do Sistema do modelo de Biljon e Kotzé (2007).
O constructo Confiança na Internet, presente no modelo de Carter e Bélanger (2005), foi considerado, porém, é propõe-se uma revisão na sua definição original para incorporação no Modelo Preliminar de Adoção dos AMTs (Figura 13) apresentado no presente trabalho. Logo, seguinte definição é proposta para o constructo Confiança:
Confiança em AMT’s: percepção de confiabilidade e segurança dos usuários nos aplicativos móveis de táxi.
Em Biljon e Kotzé (2007) foram descartados os constructos Condições Facilitadoras, Influência Social e Intenção Comportamental. Além desses, o constructo Fatores Demográficos não será analisado enquanto fator, mas considera-se na análise descritiva da amostra o perfil sócio-econômico e demográfico dos participantes da pesquisa. O constructo Fatores Sócio- Econômicos será dividido em dois: Fatores Sociais e Fatores Econômicos. Isso porque entende- se que, devido a atividade de transporte de táxi ser uma atividade econômica do setor de serviços, os Fatores Econômicos podem destacar-se dos Fatores Sociais, apresentado, cada um deles, um peso distinto na análise posterior dos resultados da pesquisa.
Condições Facilitadoras refere-se a infraestrutura de telefonia celular, como serviço e qualidade do sistema, além do custo do aparelho e do serviço das prestadoras de telefonia (adaptado de BILJON; KOTZÉ, 2007, p.6). Este constructo foi desconsiderado por entender- se que ele foge do cerne da presente pesquisa, cujo objetivo é identificar o fatores-chave de sucesso de adoção dos AMTs sob a perspectiva dos taxistas, em outras palavras, as suas motivações para a adoção dessa tecnologia. Embora as Condições Facilitadoras possam ser reportadas como influenciadoras da adoção, compreende-se que as mesmas influenciam o uso dos telefones móveis de uma forma geral, não se restringindo aos AMTs e, portanto, podem não consistir fatores-chave de sucesso.
Influência Social é definido como a pressão e influência sócio-cultural exercida sobre o indivíduo pelas opiniões de outros indivíduos ou grupos (adaptado de BILJON; KOTZÉ, 2007, p.5). Este constructo foi desconsiderado por entender-se que o constructo Imagem representa, de certa forma, a percepção que o indivíduo tem sobre a influência da opinião dos
outros em seu status social. Como o constructo Imagem está presente em diversos estudos identificados no referencial teórico, optou-se por descartar o fator Influência Social.
Intenção Comportamental consiste na intenção, pelo usuário, de aprovar o próprio comportamento de uso o telefone (adaptado de BILJON; KOTZÉ, 2007, p.6). Este constructo é baseado no TAM (DAVIS; BAGOZZI; WARSHAW, 1989) e fundamentado na TRA (FISHBEIN; AJZEN, 1975) e, assim como Influência Social, está relacionado à percepção de outros indivíduos sobre o seu comportamento. Devido a isso, entendemos que o constructo Imagem também responde pela percepção do indivíduo sobre a opinião de outros a respeito do uso do telefone móvel e suas aplicações, assim como dos AMTs.
Figura 13 – Modelo Preliminar de Adoção dos AMTs (Aplicativos Móveis de Táxi)
Fonte: Elaborado pela autora
Dessa maneira, considera-se que o constructo Imagem, incluído no Modelo Preliminar de Adoção dos AMTs (Figura 13), presente em Carter e Bélanger (2005), inclui os constructos Influência Social e Intenção Comportamental.
O modelo apresentado será o condutor do planejamento e da análise dos dados coletados em campo, a partir da literatura e métodos de análise de dados, adotando-se uma perspectiva
qualitativa. A próxima seção abordará os procedimentos metodológicos e suas etapas, adotados no estudo de caso.