6 Discussion
6.2 Organizational control vs. intrapreneurial competencies
Em estudos de modelagem com o mecanismo wave-CISK foi mostrado que o aumento da convecção ocorre mais vigorosamente na superfície onde a temperatura do ar é anomalamente quente, o que é indicativo de altos valores de TSM (LAU & PENG, 1987). Tais resultados, quando comparados com um grande número de evidências observacionais de um claro sinal da OMJ nos campos de TSM (ZHANG, 1997; SHINODA et al., 1998; WOOLNOUGH et al., 2000), têm conduzido a discussões e questionamentos a respeito do oceano desempenhar um papel decisivo na manutenção da OMJ, sugerindo um modo acoplado ar-mar (FLATAU et al., 1997; SPERBER et al., 1997).
Os relativos intervalos de tempo entre os processos anômalos de superfície associados com a passagem de uma OMJ motivaram Flatau e outros pesquisadores a proporem o mecanismo ASCII (Air-Sea Convective Intraseasonal
Interaction – Interação Intrasazonal Convectiva Ar-Mar). Através deste mecanismo, a forçante de superfície necessária para o aumento das ondas atmosféricas de Kelvin se propagando para leste é fornecida pela organização predominante da TSM tropical. O aumento da TSM coincidindo com a região de convergência nos baixos níveis das ondas de Kelvin fornece um aumento da entropia na umidade de superfície a leste da convecção. O ganho de energia estática úmida nessa região ajuda a instabilizar o ambiente e mantém a convecção a leste, permitindo a propagação da região perturbada para leste. Todavia, a convecção a oeste é suprimida pela baixa convergência de umidade, devido basicamente as anomalias negativas de TSM (ou seja, TSMs frias).
A estrutura de grande escala das Super Clouds Cluster (SCC) é proposta pelo mecanismo ASCII para conduzir essas anomalias de TSM. Na presença dos ventos médios de superfície vindos de oeste, as anomalias na superfície de leste das ondas de Kelvin localizadas a leste da convecção produzem uma baixa velocidade do vento e reduzem o resfriamento evaporativo do oceano (Figura 2.7). Concomitantemente com o aumento da insolação devido ao céu claro, os fluxos na superfície resultam em um aquecimento da superfície do mar a leste da convecção. Altos valores de anomalias dos ventos de superfície vindos de oeste, quase abaixo da região de forte atividade convectiva, provocam um grande resfriamento da TSM por liberação de fluxo de Calor Latente. A combinação deste efeito com a redução da radiação de onda curta incidente pela presença das SCC conduz a anomalias negativas de TSM.
Figura 2.7 - Air-Sea Convective Intraseasonal Interaction (ASCII) mechanism. Adaptado de Flatau et aI. (1997).
De acordo com a Figura 2.7, a supressão da convecção a leste do sistema convectivo, permite uma combinação de aumento da insolação – Short
Wave Radiation (+SWR) e diminuição do resfriamento evaporativo (-LHF) pelos
fracos ventos de superfície para aquecer a superfície do Mar. Anomalias quentes de TSM fornecem condições favoráveis para dar suporte à propagação para leste do sistema convectivo. A diminuição da radiação (-SWR) a oeste devido ao aumento da cobertura de nuvens combinada ao aumento do resfriamento evaporativo por fortes ventos de oeste conduzem a TSMs frias. Estas são
condições menos favoráveis para o aumento da convecção, dessa forma, suprimindo a convecção a oeste.
Em resumo, as primeiras tentativas de estabelecer teorias para explicar a propagação para leste da convecção associada com a OMJ foram baseadas na dinâmica equatorial – mecanismos WISHE e CISK. Ambas propuseram que o período da onda era dado pela revolução completa ao redor do globo ao longo do equador. Contudo, é preciso destacar que isto na realidade não acontece, pois em muitos casos a onda é dissipada durante o seu percurso.
A teoria WISHE foi a primeira a considerar que o fluxo induzido pelos ventos associados à convecção poderia fornecer energia para o deslocamento da convecção. Todavia, esta não foi realista em virtude de considerar o oceano como uma fonte infinita de calor e tampouco coerente em explicar o surgimento da OMJ no oceano Índico, pois esta considera o estado básico dos ventos no sentido contrário ao que realmente ocorre naquele oceano.
A teoria de carga e recarga redefiniu os conceitos de como medir o período da onda em função do tempo de vida de um complexo convectivo. Este por sua vez, é definido como sendo o intervalo de tempo que a energia estática úmida leva para chegar a um nível crítico para a convecção e a convecção propriamente dita, e por último, o decréscimo da mesma. Todavia, ondas de
Rossby vindas de latitudes médias são extremamente importantes para o início da
convecção em si.
Uma das teorias mais completas, a qual já inclui o acoplamento ar-mar foi descrita e definida anteriormente como mecanismo ASCII. Nela, a convecção modifica as anomalias de TSM e se desloca em resposta a esta modificação. Este processo parece ser muito importante, pois estudos observacionais (RUI & WANG 1990; HENDON & SALBY 1994; MALONEY & HARTMANN 1998) apontam a relação das anomalias de ventos com mudanças nas anomalias de TSM, como sendo extremamente necessárias para pré-condicionar a propagação da convecção para leste. A aplicação deste tipo de parametrização em modelos numéricos implica em aumentar o grau de correlação entre a TSM e os campos de variáveis atmosféricas. Slingo et al. (1996) perceberam que os modelos que possuem uma melhor representatividade do sinal da OMJ são aqueles que apresentam uma maior correlação entre a distribuição dos campos de precipitação e as anomalias de TSM quentes.
A acurácia de MCGAs é, portanto, de fundamental importância quando da investigação de possíveis mecanismos por trás da propagação da OMJ. E, além disso, se a interação oceano-atmosfera é de fato crucial para a correta simulação da OMJ, conclui-se que um profundo conhecimento dos processos envolvidos torna-se extremamente essencial. A determinação da relativa importância desses processos durante eventos da OMJ ajudará na elaboração de diagnósticos dos problemas encontrados em simulações numéricas, o que fornece uma motivação extra para o trabalho aqui proposto.