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A oscilação intrasazonal tem sido motivo de um substancial número de estudos, devido basicamente à sua importância na circulação atmosférica global. Parker (1973) estudou ventos na alta troposfera e baixa estratosfera equatorial e encontrou sinal desta oscilação no vento zonal e na temperatura em 1000 hPa. Dakshinamurti & Keshavamurty (1976) calcularam o espectro do vento zonal e meridional em 850 hPa sobre a Índia e encontraram picos de energia em torno de 30 dias, sugerindo que esta variação está associada com a oscilação norte-sul do período de seca das monções.

Murakami & Nakazawa (1984; 1985) e Krishnamurti et al. (1985) concluíram que a oscilação de 40–50 dias pode estar associada a características regionais, tais como surgimento das monções e o início de flutuações dos jatos de baixos níveis sobre o sudeste da Ásia/Índia.

Um grande número de pesquisadores tem concentrado esforços no estudo da relação trópicos-extratrópicos na escala de tempo intrasazonal. Liebmann & Hartmann (1984) analisaram a correlação entre a altura geopotencial em 500 hPa nas latitudes médias e a Radiação de Onda Longa Emergente (ROLE) na região tropical. Os mesmos concluíram que os sistemas nas médias latitudes funcionam como gatilho para a atividade convectiva nos trópicos.

Weickman et al. (1985) encontraram relações estatisticamente significativas entre as flutuações intrasazonais de ROL tropical, como também analisaram espectros da circulação em escalas planetárias para o nível de 250 hPa durante o inverno (DJF) do Hemisfério Norte (HN) para a região tropical.

Lau & Phillips (1986) examinaram a relação trópicos-extratrópicos na escala de tempo intrasazonal de 20 a 70 dias e perceberam uma evolução sistemática de um trem de ondas extratropical coerente com a convecção tropical. Lau & Chan (1985) encontraram uma relação bastante significativa entre a oscilação de 40–50 dias e: (a) o início da fase das monções na Índia; (b) o regime de Mei-yu sobre o sul da China; (c) a variabilidade sazonal na convecção sobre os oceanos Índico equatorial e Pacífico Oeste.

Kanutson & Weickmann (1987) analisaram composições entre o vento em 850 e 250 hPa e a ROL para todo o globo. Estes mostraram que, em associação com anomalias negativas de ROL na região da Indonésia-Pacífico

Oeste, existem anomalias na circulação ciclônica (anticiclônica) na alta troposfera que ocorrem a leste (oeste) das anomalias de ROL.

De acordo com Murakami (1987), a amplitude da resposta extratropical para anomalias convectivas tende a ser maior durante os períodos em que as anomalias de ROL se propagam para leste do oceano Índico em direção ao Pacífico Central.

Ghil & Mo (1991) examinaram modos oscilatórios no Hemisfério Norte e nos trópicos, utilizando a ROL e a altura geopotencial em 700 hPa. Para o Hemisfério Norte, foram detectados dois importantes modos de oscilação com períodos próximos a 23 e 48 dias. De outra forma, para os trópicos o modo dominante encontrado estava entre 40–50 dias, ou seja, na escala de tempo intrasazonal da OMJ.

Através de composições do ciclo de vida de eventos intrasazonais através das anomalias de ROL, Knutson & Weickmann (1987) encontraram uma estrutura de dipolo de grande escala na convecção. A organização de supressão da convecção seguida pelo aumento da convecção foi identificada propagando-se para leste através do Hemisfério Leste (HL) tropical, acompanhando a oscilação no vento zonal. Estas anomalias na convecção exibem diferenças na sua estrutura para diferentes períodos do ano (MADDEN, 1986), oscilando numa escala de tempo de 35 a 95 dias (SALBY & HENDON, 1994).

Nakazawa (1988) observou que o aumento das anomalias de convecção de grande escala se configura como um conjunto de sistemas de nuvens em escala sinótica (2 a 5 dias) numa escala espacial da ordem de 500 a 1000 km. Para o inverno Boreal a propagação para leste das anomalias convectivas está centrada aproximadamente em 5ºS (HENDON et al., 1999).

Durante o verão Boreal as anomalias convectivas migram para o norte do equador, seguindo o ciclo sazonal de aquecimento solar máximo. As anomalias convectivas neste período encontram-se organizadas de uma forma diferente do período de inverno Boreal, apresentando uma componente que se estende para nordeste (LAWRENCE & WEBSTER, 2002). A natureza dessa estrutura significa que, como esta se propaga para leste, o aumento da convecção pode ser visto se propagar para o norte ao longo dos meridianos. Essa mudança na estrutura da convecção entre as estações (inverno e verão) revela a natureza variável da OMJ. E essa é a razão pela qual os estudos da Oscilação de

Madden-Julian normalmente consideram eventos que ocorrem durante uma determinada estação do ano, e não assumindo um comportamento padrão da OMJ ao longo do ano. Souza (2003) analisou a variabilidade intrasazonal da precipitação de outono no Leste da Amazônia (LAM) e Nordeste do Brasil (NEB). O mesmo mostrou que em algumas situações bem específicas, bandas convectivas associadas a sistemas frontais podem organizar a convecção tropical sobre as regiões LAM e NEB, sugerindo que estes contribuem significativamente para variabilidade pluviométrica intrasazonal da chuva para aquelas regiões. Por outro lado, vários autores sugerem que a variabilidade intrasazonal é um fator importante na determinação do total pluviométrico em várias regiões do globo, pois esta possui modos de oscilação que desempenham um papel predominante na intensificação da circulação extratropical.

Um aspecto importante sobre a variabilidade espacial associada com a OMJ, é que esta concentra-se principalmente em períodos de 30 a 80 dias, o que significa que há potencial de previsibilidade para prazos de cerca de duas semanas, a qual vai depender basicamente da época do ano e da localização do máximo de atividade convectiva (SEO et al., 2009). No entanto, a previsibilidade da OMJ é geralmente maior no inverno do que no verão, pelo menos no Hemisfério Norte. Seo & Kumar (2008) mostraram que o ciclo de vida da OMJ é determinado pela força do acoplamento convectivo com a circulação de grande escala, ou seja, fortes eventos da OMJ apresentam uma vida mais longa devido à força do acoplamento entre a convecção tropical e a circulação de grande escala. Esta atividade convectiva tropical também influencia as regiões extratropicais, através da interação entre a OMJ convectiva forçando a circulação em grande escala (vide Figura 1 de Lin et al., 2005). A modulação intrassazonal da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) é articulada por padrões de teleconexão atmosférica que conectam regiões remotas do globo com distintas áreas de manifestação da ZCAS. Estudos têm constatado que o sinal intrassazonal responsável por esta modulação pode ser proveniente da propagação tropical da Oscilação de Madden-Julian (OMJ) em escalas de tempo de 30-60 dias e/ou de uma interação do tipo trópico-extratrópico, em que um trem de onda de Rossby forçado pela divergência anômala em altos níveis da troposfera estabelece uma conexão entre a Zona de Convergência do Pacífico Sul (ZCPS) e a ZCAS em escalas de tempo de 10-90 dias (GRIMM E SILVA DIAS, 1995).