Chapter 1: Introduction
1.10 The organization of dissertation
A crescente utilização das redes sociais na internet, também comumente conhecidas como mídias sociais, intensificou-se a partir do advento da chamada Web 2.0, termo utilizado para designar o que seria uma segunda geração de comunidades e serviços da plataforma Web, a partir do uso de aplicativos, como redes sociais e Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs).
Coutinho (2014) frisa que o termo web 2.0 foi cunhado em 2004 pela empresa O’Reilly Media, para descrever a internet das mídias sociais, isto é, da partilha de conteúdo entre os seus utilizadores, da interação, da participação e da comunicação bilateral. A autora, cita ainda Brian Sollis, ao conceituar Social Media: “...é o desencadear de uma revelação em que nós temos uma voz e através da democratização das ideias e conteúdos podemos reunir- nos em torno de paixões comuns, inspirar movimentos e fomentar a mudança” (Coutinho 2014, p.25).
Atualmente, já se fala na web 3.0, a web da semântica e dos significados. Ela veio para mais do que procurar ligações entre as pessoas, procurar ligações entre as informações. Assim, a expectativa é de que essa terceira geração de internet faça um uso mais inteligente da informação disponível on-line. Por sua vez, as mídias sociais permitem a interação entre os usuários a partir do uso de diferentes formas de linguagem. Sendo assim, a internet é tida como a base estruturante de todos os conceitos e de novas relações que substanciam a sociedade em rede ou a cibercultura.
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Diante desse cenário, o autor polonês Zigmund Bauman não utiliza o termo pós- modernidade, visto que ele cunhou o conceito ‘modernidade líquida’ para definir tempo presente e, para isso, escolheu a metáfora do ‘líquido’ ou fluidez como principal aspecto do estado dessas mudanças. Para ele, um líquido sofre constante mudança e não conserva sua forma por muito tempo.
Então, para destacar as características da modernidade contemporânea, o autor Bauman (2001) fala que estamos na era das relações líquidas permeadas pelos dispositivos tecnológicos. Dentre os pontos-chaves que o autor destaca, ele frisa que a chamada modernidade imediata é “líquida” e “veloz”, mais dinâmica que a modernidade “sólida” que suplantou. Assim, a passagem de uma à outra acarretou profundas mudanças em todos os aspectos da vida humana. A modernidade líquida seria “um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível”. Nota-se que isso é proporcionado pelo imediatismo e rapidez ocasionado, em especial, pela popularização da internet. Segundo o autor, a modernidade líquida é “leve, líquida e mais dinâmica que a modernidade ‘sólida’ que suplantou”, flui, vaza, transborda, penetra lugares, contorna o todo e todos, tal como as ondas do mar”.
Houve, a partir da segunda metade do século 20, mudanças de perspectivas sociais em ritmo intenso e vertiginoso, e, com o advento de tecnologias, em especial as de comunicação e informação, o tempo se sobrepõe ao espaço, já que os homens podem se movimentar sem sair do lugar.
Na visão de Bauman (2001), a transição do mundo moderno para o mundo líquido, então, vem do fracasso. As promessas modernas provindas de uma racionalidade exacerbada que se inicia no renascimento e atinge seu ápice no século 19 com os incríveis avanços científicos e políticos provindos da revolução francesa e industrial. Ao entrar no século XX, a ciência e essa ideia da razão como o propósito da existência humana encontram seus dias de trevas, segundo o filósofo. Isso porque as promessas utópicas teriam ruído: socialismo utópico, comunismo, liberalismo. Todos eles historicamente haveriam fracassado em sua racionalidade, a modernidade líquida nasce do medo de um novo declínio. Nas reflexões da modernidade líquida de Bauman, ele aponta que as formas de vida contemporânea se assemelham pela vulnerabilidade e fluidez incapazes de manter a mesma identidade por muito tempo o que reforça o estado temporário e frágil das relações sociais. O filósofo aponta
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também que nossa sociedade teve uma maior emancipação em relação às gerações anteriores. Assim, na sociedade contemporânea emergem o individualismo, a fluidez e a efemeridade das relações.
A sensação de liberdade individual foi atingida e todos podem se considerar mais livres para agir conforme seus desejos, mas essa liberdade não garante necessariamente um estado de satisfação. A constituição de família, relações amorosas e todas as coisas antes rígidas hoje são líquidas, pautadas no desejo e no medo do fracasso, entregues à velocidade.
O autor convida a pensar, por exemplo, na ideia do casamento. Segundo ele, no mundo sólido era concebido como algo eterno, hoje é natural que acabe depois de alguns anos. A ideia de família, portanto, mantém sua essência, mas mudou sua forma. Se as grandes ideologias, alicerces e instituições se tornaram instáveis, o consumo se tornou um elemento central na formação da identidade. Muito além da satisfação de necessidades, consumir passa a ter um peso primordial na construção das personalidades.
Desse modo, o ter se torna mais importante que o “ser”. Para ele, a humanidade tem inúmeras possibilidades de escolha e de consumir produtos que identifiquem um determinado estilo de vida e comportamento. A identidade das pessoas se constitui então a partir da satisfação do prazer pelo consumo. Com isso, marcas e grifes se tornam um símbolo de quem somos. E, então, a compra também significa um status social, o desejo de um reconhecimento perante os outros. “Na sociedade de consumidores, ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria, e ninguém pode manter segura sua subjetividade sem reanimar, ressuscitar e recarregar de maneira perpétua as capacidades esperadas e exigidas de uma mercadoria vendável” (Bauman, 2001, p. 20).
Na modernidade líquida, os vínculos humanos têm a chance de serem rompidos a qualquer momento, causando uma disposição ao isolamento social, onde um grande número de pessoas escolhe vivenciar uma rotina solitária. As relações se tornam mais flexíveis, gerando níveis de insegurança maiores. Ao mesmo tempo em que buscam o afeto, as pessoas têm medo de desenvolver relacionamentos mais profundos que as imobilizem em um mundo em permanente movimento. Esse tipo de isolamento parece ser uma contradição da globalização, que aproxima as pessoas com a tecnologia e novas formas de comunicação. No entanto, se tudo ocorre com intensa velocidade, isso também se reflete nas relações pessoais.
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Bauman aponta ainda que os laços de uma sociedade agora se dão em rede, não mais em comunidade. Os relacionamentos passam a ser chamados de conexões, que podem ser feitas, desfeitas e refeitas – os indivíduos estão sempre aptos a se conectarem e desconectarem conforme sua vontade, o que faz com que as pessoas tenham dificuldade de manter laços a longo prazo. As redes sociais significam uma nova forma de estabelecer contatos e formar vínculos. Elas não proporcionam um diálogo real, pois é muito fácil se fechar em círculos de pessoas pensam igual a você e evitar controvérsias.
Então, a rede é mantida viva por duas atividades: conectar e desconectar. O contato no meio virtual pode ser desfeito ao primeiro sinal de descontentamento, o que denota uma das características da sociedade líquida. “O atrativo da ‘amizade Facebook’ é que é fácil conectar, mas a grande atração é a facilidade de desconectar”, diz Bauman. Nas relações pessoais, as conexões predominam. A conexão é o termo que o autor usa para descrever as relações frágeis. Ele classifica os tempos líquidos em uma frase emblemática: “Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo” (Bauman, 2001, p.51).
Para Castells (2003), na análise da ‘galáxia da internet’, todo esse processo de instauração da internet ocorre nos anos 1970 e atinge seu ápice na abertura comercial na década de 1990, diante da reformulação do sistema capitalista, inerente a essa época. Com as novas tecnologias digitais conectadas houve a ampliação do espectro de possibilidades no campo da comunicação social. Diante dessa constatação feita a partir da observação direta dos fenômenos comunicacionais do final do século 20 para o início do século 21, está se passando da era da escassez da informação, que durou centenas de anos, para a era da informação (Big Data).
Há, então, um novo ecossistema midiático em formação, composto por meios de comunicação analógicos a partir das concepções da Revolução Industrial e pelas redes digitais conectadas, que possuem conexões topológicas descentralizadas e de baixa hierarquia, fornecendo novas possibilidades de consumo de conteúdo e alterando a relação estabelecida, pelo modelo broadcasting, entre a audiência e suas preferências informacionais (Lima, 2011, p.24)
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Nesse ecossistema informacional surgem inúmeras possibilidades de relação entre emissor de conteúdo informativo de relevância social e audiência. Segundo Lima (2011), a relevância é o principal aspecto para que os usuários utilizem as Tecnologias da Informação nas suas atividades de informação. O autor destaca ainda que na web existem dois complexos sistemas informativos interagindo por meio dos sistemas computacionais e outro que movimenta todo o aparato tecnológico: a sociedade – o ser humano interagindo.
Assim, há duas fundamentais categorias de relevância interagindo no ecossistema da rede: sistema e humanos. Lima (2011) explica que quando se fala no conceito de relevância, aponta-se a relevância do conteúdo informativo no ambiente da Comunicação Mediada por Computador em relação a outros tipos de conteúdos que neles transitam e são acessados pelos usuários da rede. É necessário, no entanto, que se construam ambientes baseados em redes sociais, possuindo a intencionalidade de construir informação estruturada e relevante socialmente, se configurando a formatação de ambientes de mídia social conectada (Lima, 2011).
A mídia social conectada é um formato de Comunicação Mediada por Computador (CMC) que permite a criação, o compartilhamento, comentário, avaliação, classificação, recomendação e disseminação de conteúdos digitais de relevância social de forma descentralizada, colaborativa e autônoma tecnologicamente. Possui como principal característica a participação ativa (síncron e/ou assíncrona) da comunidade de usuários na integração de informações (Lima, 2009, p.97).
Neste trabalho, antes de refletirmos sobre as redes sociais digitais e suas relações com a divulgação científica, é importante pontuarmos, ainda que de forma breve, o percurso histórico da internet e de alguns dados relacionados ao Brasil. A internet é tida como uma poderosa e dominante ferramenta da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), formulada em um ambiente militar. Nas suas origens foi criada pela instituição denominada
Advanced Research Projects Agency (ARPA), criada pelo presidente norte-americano
Eisenhower, em 1957, durante a Guerra Fria.
Castells (2000, p.24-25) relata que a origem da internet foi um esquema ousado, imaginado por guerreiros tecnológicos da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (a mítica DARPA). O objetivo era impedir a
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tomada ou destruição do sistema norte-americano de comunicações pelos soviéticos, em caso de guerra nuclear.
A formação de uma arquitetura de rede sem ser controlada a partir de qualquer centro foi o principal resultado desse esquema. “Em última análise, a Arpanet, rede estabelecida pelo Departamento de Defesa dos EUA, tornou-se a base de uma rede de comunicação horizontal global composta de milhares de redes de computadores” (Castells, 2000, p.26). Essa rede assim foi apropriada por indivíduos e grupos do mundo inteiro e com diferentes interesses da Guerra Fria. A Arpanet conectou os principais computadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, à mesma universidade, em Santa Bárbara, ao Instituto de Pesquisa de Stanford e à Universidade de Utah.
A World Wide Web (www) elaborada por Tim Berners-Lee, em 1980, que propagou o uso da internet. A www, dessa forma, era a definição e implementação do software que captava e acrescentava informação de qualquer computador pela internet. Terra (2010) explica que a internet teve início com fins não-comerciais, mas redes independentes começaram a surgir e usuários puderam acessar os sites comerciais da web sem usar a rede mantida pelo governo americano.
Assim, a internet é um meio de comunicação que funciona como base tecnológica para a forma organizacional da era da informação que é a rede. A web dispõe de mais informações do que todos os meios de comunicação americanos oferecem combinados (Dizard, 2000, p.25).
O autor Castells (2003, p.8) pontua três processos que indicaram uma nova estrutura social em redes: 1. Exigência por uma economia com flexibilidade administrativa e por globalização; 2. As demandas da sociedade por liberdade individual e de comunicação aberta; 3. Avanços extraordinários na computação e nas telecomunicações possibilitados pela revolução microeletrônica.
Castells visualiza também as mudanças ocorridas no final do século XX e início do XXI como uma verdadeira revolução em vários campos. A Internet é, sem dúvida, o mais revolucionário dos meios tecnológicos que surgiram e deram início à sociedade da informação. Sendo assim, a comunicação mediada pelo computador modificou ativamente os
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sistemas sociais em todo o mundo. Esse impacto tecnológico refletiu diretamente na constituição da cibercultura e de uma nova forma de estabelecimento de relações sociais por meio da rede, a sociabilidade. A internet, portanto, processa a virtualidade e transforma nossa realidade, configurando a sociedade em rede, prevista por autores e estudiosos como Castells (2003, p.287). A utilização da rede nos permite transformar e processar as informações em velocidade e capacidade cada vez maiores e com custos menores.
Em 2000, na sua obra ‘A sociedade em rede’, Castells (2000, p. 375) destaca que a tecnologia digital permitiu a compactação de todos os tipos de mensagens, inclusive som, imagens e dados, formando-se uma grande rede capaz de comunicar todas as espécies de símbolos sem o uso de centros de controle. “A universalidade da linguagem digital e a lógica pura do sistema de comunicação em rede criaram as condições tecnológicas para a comunicação horizontal global”.
Já há mais de 15 anos, Castells falava nessa obra sobre a sociedade interativa e discutia sobre o conceito de Comunicação Mediada por Computadores (CMC), que consiste em objeto de pesquisa rigoroso e confiável. Entretanto, o pesquisador chama a atenção para as mudanças em ritmo veloz e o desafio de se encontrar fontes mais precisas, na maioria das quais, são baseadas em reportagens jornalísticas.
Segundo ele, a CMC não é um meio de comunicação geral, mas ainda excluirá grande parte da humanidade por um longo tempo, ao contrário da televisão e de outros meios de comunicação de massa. Castells (2000, p.387) nos lembra ainda que na segunda metade da década de 1990, um novo sistema de comunicação começou a ser formado a partir da fusão da mídia de massa personalizada globalizada com a comunicação mediada por computadores. Esse sistema é caracterizado pela integração de diferentes veículos de comunicação e seu potencial interativo. Desde então, há cerca de 25 anos com o avanço da internet, o volume de pessoas conectadas não cessa de evoluir em nível global. No Brasil, segundo dados mais recentes levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 83 milhões de usuários podem ser considerados como ‘internautas’.
A era digital revela diversas mudanças impactantes no cenário atual. A cibercultura é o resultado de toda essa mutação evolutiva da tecnologia que a sociedade vive, trazendo a possibilidade do ser humano moderno se inserir em um ambiente relativamente mutável. Lèvy
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(1999) sustenta que distante de ser uma subcultura dos fanáticos pela rede a cibercultura expressa essa mutação substancial da própria essência da cultura.
Bremgartner (2012) evidencia que o aparecimento da cultura impulsionada pela evolução da informática em seu sentido mais profundo é certamente o cerne da cibercultura. Uma nova forma de agrupamento de indivíduos que tem em comum o mesmo objeto: a integração na internet em busca de conhecimento, cultura, tecnologia, negócios, entretenimento, troca de experiências, e tantas outras quantas forem possíveis às possibilidades da imaginação humana. Tudo embarcado na rede virtual que envolve e transforma paradigmas antes considerados utópicos em fatos palpáveis. Esse conjunto envolve desde redes sociais, correios eletrônicos, compras virtuais, comunidades, aprendizado à distância até passatempos diversos.
A cibercultura antes surgia como os impactos socioculturais da microinformática. Além de uma simples questão tecnológica a cibercultura será marcada não apenas com as novas tecnologias, mas uma atitude influenciada pela contracultura americana, a cena contra o poder tecnocrático no decorrer dos anos 1970. O lema da microinformática seria “computadores para o povo” (Lemos, 2008, p.101).
É nesse sentido que Santos & Devezas (2006), pesquisadores da Universidade da Beira Interior, em Portugal, indicam em um estudo que a internet constitui-se em uma autêntica inovação de base, que está a transformar profundamente todo sistema socioeconômico. Na análise da sua evolução histórica é possível verifica que desde a sua gênesis até os dias atuais já foram cumpridos claramente os seis primeiros estágios da inovação de base segundo a classificação de Bright. Para os estudiosos, já se nota manifestações do 7º estágio, isto é, o seu impacto econômico-social. Ao longo da última década do século 20 surgiram um grande número de profissionais na área. Em paralelo a isso surgiram empresas geradas nesse período com potencial dimensão financeira, tais como Amazon, eBay, Yahoo! Etc., verificando-se grande fusões AOL-Time Warner, Compaq-HP, etc. e uma nova economia pujante para dentro dela outros sectores tradicionais da economia. Associada a essa perspectiva, como todas as inovações de base propiciam, transformações nos hábitos das pessoas, inserindo-se profundamente no seu quotidiano.
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A análise quantitativa da evolução permite-nos mostrar que o seu crescimento é logístico, com um tempo característico de cerca de 23 anos, valor este compatível com as apresentadas por outras inovações de base que a precederam. Este crescimento atingirá até ao ano de 2004 a sua saturação quanto então, o seu crescimento físico completou-se, dando lugar a um novo ciclo da sua existência, o da consolidação final.
Verifica-se que todo o processo evolutivo da Internet está perfeitamente em fase com o desenvolvimento da última onda (4ª) de Kondratieff. A sua Fase de Invenção correspondeu à fase ascendente e recessão primária desta onda, e a sua Fase da Inovação correspondeu à fase descendente. A sua Fase de Difusão já está iniciada e será a vase do arranque para a próxima fase de expansão econômica correspondendo ao início da 5ª onda de Kondratieff. (Santos & Devezas, 2006, p. 99).
Nesse sentido, Corrêa (2005) assinala que se considerarmos o uso das TICs como divisor de águas, fica evidente a aceleração dos ciclos tecnológicos da comunicação humana e para tanto fala de rupturas nesses processos. Na leitura da autora, o homem das cavernas (trouxe a ruptura inicial) por meio de sua expressividade nas pinturas rupestres, e já indicava, naquela altura, o desejo de ampliar e disseminar sua mensagem, com uma sucessão de rupturas.
Corrêa descreve ainda que houve o uso da força motora animal e mecânica para disseminação de mensagens; a invenção da prensa e a formatação do livro, marcando a reprodução em série. A autora vai mais além e destaca a introdução da eletricidade nos meios de comunicação que desencadeou outros suportes e instrumentos, tais como o telégrafo, o rádio, o telefone, o cinema e a televisão. Por fim, Corrêa destaca a ruptura da massificação das mensagens com a aldeia global preconizada por Marshall McLuhan até os últimos vinte anos, com a superação de todas as rupturas anteriores. Assim, o comunicador contemporâneo fica numa relação indissolúvel entre comunicação e tecnologia, colocando-o num constante exercício de correlação entre a ciência das TICs e a arte de comunicar.
As informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE indicam que a proporção de internautas no Brasil passou de 49,2% em 2012 para 50,1% em 2013, do total da população, com isso o País ganhou 86,7 milhões de usuários de internet com 10 anos ou mais de idade. O IBGE sinalizou ainda que o País ganhou 2,5 milhões de internautas (2,9%) entre 2012 e 2013, segundo informações divulgadas em setembro de 2014.
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Por outro lado, segundo o Ibope Media, outra fonte de pesquisa, já são 105 milhões de internautas brasileiros, constituindo-se com o quinto país mais conectado. O estudo aponta ainda que 57,2 milhões de usuários acessam regularmente a internet, sendo que 38% das pessoas acessam a web diariamente; 10% de quatro a seis vezes por semana; 21% de duas a três vezes por semana; e 18% uma vez por semana. Desse modo, 87% dos internautas brasileiros entram na internet pelo menos uma vez por semana (Tobeguarany, 2014).
O Comitê Gestor da Internet (CGI) aponta que uma média aproximada 68% das pessoas que têm acesso a internet no Brasil participam de redes sociais e a faixa etária que domina o percentual de uso de rede social sobre o acesso à internet é a de 16 a 24 anos. Vários são os dados que confluem com o único sentido de crescimento e ascensão do uso da