The Nordic countries all share a tradition of implementing
3. Employment services for low-skilled immigrants and other hard-to-place
3.2 Organising the public integration effort
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livros mais solicitados pelos professores e de estabelecer critérios gerais de avaliação, que foram tornados públicos pela primeira vez em 1994. A partir de 1996 teve início a política de avaliação dos livros didáticos para o Ensino Fundamental por especialistas convidados e, a partir de 2002, as universidades foram chamadas a fazer parceria com o Ministério da Educação para realizar este trabalho.
Em 2003, o MEC estendeu o modelo do PNLD para os livros de Ensino Médio (PNLEM), seguindo o modelo de avaliação, aquisição e distribuição já existente. Em 2009, a distribuição para todas as séries e componentes curriculares da Escola Básica universalizou a presença dos livros nas escolas públicas brasileiras, por meio de um programa nacional.
É interessante destacar que, apesar de existir desde 1985 como um programa nacional e, dessa forma, constituindo uma política pública relativa aos livros didáticos, é na segunda metade da década de 1990 que se estrutura um conjunto de parâmetros detalhados para a produção dos livros didáticos, regras e condições para apresentar livros à avaliação e especialmente os critérios para essa avaliação. Com relação aos critérios, constata-se que foram sendo modificados ao longo das duas últimas décadas, observando-se que foram sendo ajustados a determinadas concepções teóricas e metodológicas nas disciplinas específicas, mas também em relação à inclusão de critérios relativos aos direitos de grupos sociais específicos e à cidadania. (GARCIA, 2011).
A cada novo processo avaliativo, o Ministério da Educação divulga um Edital com as condições e critérios gerais e por disciplina curricular, com a finalidade de orientar as editoras. Esses indicadores são traduzidos posteriormente pela equipes de avaliação em itens, compondo tabelas relativas às seguintes dimensões: conteúdos, metodologia de ensino, programação visual e qualidade gráfica, construção da cidadania. Há critérios eliminatórios e critérios classificatórios.
Esses critérios são divulgados aos professores das redes públicas por meio de um Guia do Programa de Livros Didáticos, cujo objetivo é tornar público o resultado da avaliação de cada obra apresentada pelas editoras, de forma a subsidiar e orientar a escolha das escolas e professores, que podem optar por títulos que foram incluídos no Guia, acompanhados das respectivas fichas de avaliação.13
Como apontado por Garcia (2011), alguns critérios se consolidaram desde 1997 como determinantes da exclusão, em todas as disciplinas: ficam excluídos dos guias aqueles que apresentem manifestações de preconceitos, erros conceituais ou ainda que não apresentem relação entre a proposta metodológica anunciada pelo autor no manual do professor e sua concretização na obra produzida para o aluno.
4 OS LIVROS DE HISTÓRIA E SUA AVALIAÇÃO PELOS JOVENS ALUNOS
A pesquisa teve como objetivo investigar elementos utilizados por alunos do Ensino Médio para analisar e avaliar livros didáticos de História incluídos no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) 2012. Diferentes estudos avaliativos no Brasil e em outros países indicam que, apesar da forte presença dos livros didáticos nas aulas e da sua importância como um elemento que define algumas condições de ensino e de aprendizagem, são pouco frequentes os estudos que se aproximam das salas de aula para compreender o que os professores e alunos pensam sobre os manuais escolares, e também de que forma os utilizam para ensinar e aprender (MARTINEZ et al, 2009; GARCIA, 2009).
Do ponto de vista teórico, tomaram-se como referência as indicações de Rüsen (2010) quanto ao livro didático ideal, além do Guia de livros didáticos PNLD 2012 e os Parâmetros Curriculares Nacionais, para propor uma investigação com estudantes do primeiro ano do Ensino Médio de um colégio público da rede federal de ensino, localizada na cidade de Curitiba, Paraná (BR).
A escola possui cerca de 1500 alunos distribuídos em vinte cursos técnicos integrados e subsequentes. Está localizada na região central de Curitiba, atende jovens oriundos de diferentes bairros e de outros municípios próximos a Curitiba. Esses jovens entram na escola a partir de um processo seletivo que disponibiliza setenta por cento das vagas para estudantes cotistas (cotas sociais e raciais, incluindo-se afrodescendentes e indígenas).
13Os Guias produzidos a partir de 2007 estão disponibilizados em http://www.fnde.gov.br/index.php/pnld-guia-do-livro-
63 4.1. Procedimentos
Durante o período em que ocorreu a discussão e a escolha dos livros pelos professores na escola, em abril e maio de 2011, os livros aprovados no PNLD também foram disponibilizados aos alunos. Tomou-se o cuidado de deixar que examinassem o conjunto de obras disponíveis, antes da aplicação dos instrumentos de pesquisa.
Os jovens pesquisados têm idade entre 14 e 17 anos, estão matriculados em cursos técnico- integrados, sendo que as disciplinas do Núcleo Comum (Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira Moderna, Matemática, Biologia, Química, Física, História e Geografia) são cursadas ao longo de suas trajetórias na instituição.
Os questionários foram divididos em duas partes, sendo a primeira composta por: identificação; dados do Livro Didático analisado; e perguntas relacionadas a critérios pessoais de escolha de um livro didático. A segunda parte era composta de seis questões relacionadas à escolha e análise de um determinado capítulo, por eles escolhido.
Para efetivar a análise, sugeriu-se que o livro fosse analisado para verificar a presença ou ausência de alguns elementos constitutivos como imagens, atividades, a valorização de manifestações dos conhecimentos prévios dos alunos, charges, relatos, diários, correspondências, fotografias, mapas entre outros. Buscou-se saber também a opinião dos jovens sobre as atividades e exercícios propostos. Para cada um dos itens de avaliação, havia a opção de atribuir nota de 1 (item menos importante) a 5 (item mais importante), evidenciando assim aqueles elementos que, para ele, deveriam ser mais ou menos considerados na avaliação e escolha de um livro didático.
4.2. Resultados
Para Rüsen, as características que distinguem um bom livro didático são essencialmente quatro: um formato claro e estruturado; uma estrutura didática clara; uma relação produtiva com o aluno e finalmente uma relação com a prática da aula. (RÜSEN, 2010).
Deste modo, a investigação realizada está voltada para os alunos, que são os usuários privilegiados dos livros e que, a princípio, não têm sido ouvidos pelas pesquisas para saber o que pensam a respeito dos livros que utilizam. Portanto, as duas primeiras questões da primeira parte do questionário tinham como objetivo captar os elementos que os jovens espontaneamente apresentariam para examinar os livros: Que critérios você usaria para fazer a escolha de um livro didático de História para trabalhar durante os três anos do seu curso? Que elementos vocês analisaram para chegar à conclusão sobre qual livro escolheriam?
Quatro categorias estão presentes nas respostas dadas pelos jovens estudantes à primeira pergunta. Na primeira categoria destacam-se os elementos gráficos (apresentação); na segunda, elementos formais (linguagem, estrutura de capítulos); a terceira está relacionada às condições de apropriação (tipo de texto, tipo de explicação, tipo de atividade); e a quarta categoria reúne elementos específicos da História (presença de fontes, organização cronológica). Os registros que seguem podem evidenciar a forma como destacaram os diferentes critérios de escolha.
Presença de documentos históricos; exercícios que ajudem na fixação do tema; Imagens grandes e de boa resolução; conteúdo explicado de forma clara; organização das unidades e capítulos; peso e capa. (B.W.M; K.A.R; L.L.O. 14 anos de idade).
Pode-se, portanto, identificar nas repostas dos jovens a presença de elementos que estão incluídos entre as características gerais de um bom livro didático de História, seja na literatura sobre o tema, seja nos editais do PNLD - em especial, destacam-se os aspectos relativos à clareza dos textos, bem como a presença e a adequação de imagens. Do ponto de vista da disciplina específica, os alunos apontaram a necessidade da presença de documentos históricos e a utilização de diferentes linguagens como quadrinhos e músicas, dois aspectos que foram insistentemente debatidos e sugeridos em estudos no campo do Ensino de História nas últimas décadas.
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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A aproximação realizada por meio de estudo empírico com jovens de primeiro ano de Ensino Médio permitiu validar os instrumentos de pesquisa que serão utilizados para uma continuidade de estudos com jovens de diferentes escolas de Ensino Médio, de forma a ampliar o universo de sujeitos colaboradores. Além disso, foi possível verificar que a pesquisa educacional pode efetivar a aproximação com os jovens e captar elementos que eles usam para analisar seus livros didáticos.
O estudo evidenciou que os alunos apontam critérios de diferentes tipos, incluindo-se critérios da ciência de referência; e mostraram-se capazes de elaborar e aplicar critérios que são, em parte, coincidentes com os critérios utilizados pelos professores, na mesma escola, para a escolha do livro.
Pode-se constatar que, do ponto de vista quantitativo, a maioria dos jovens trabalhou sobre critérios de caráter geral, mostrando avaliações fortemente marcadas pela preocupação com o tipo de texto, de ilustração e de atividade. Essa é uma constatação que sugere que os livros, ainda que aprovados nos programas nacionais, talvez não atendam às necessidades desses jovens quanto ao tamanho dos textos, à lingugem, à forma de abordagem dos conceitos e à inserção de imagens adequadas e com finalidade de apoio à compreensão do texto escrito.
Quanto á especificidade do conteúdo de História ficou evidenciado a compreensão de um número significativo de alunos (vinte e quatro alunos) quanto ao fato de que para aprender História é necessário ter contato com documentos, opinião que pode ser tomada como indicativa de alguma construção feita na escolarização fundamental sobre essa questão teórica e metodológica no que se refere à especificidade da História.
Quanto à forma de apresentação cronológica dos assuntos, referida por trinta estudantes como critério para escolha do livro, evidenciou-se que, apesar de haver coleções de História Temática disponíveis e de ter havido ao longo das últimas décadas uma avaliação positiva do PNLD aos livros com essa característica, a experiência escolar anterior desses jovens esteve mais ligada à perspectiva da organização cronológica.
Finalmente, é interessante destacar que se os critérios apontados pelos jovens alunos coincidiram, em grande medida, com os critérios de escolha dos professores daquela escola, existe uma potencialidade de continuidade de estudos nessa temática, para compreender melhor as relações entre as escolhas desses sujeitos escolares, bem como a relação entre as escolhas e suas experiências posteriores com os livros escolhidos.
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REPRESENTAÇÕES DE GÊNERO NOS LIVROS DIDÁTICOS DE MATEMÁTICA
REPRESENTATIONS OF GENDER IN MATHEMATICS TEXTBOOKS
Lindamir Salete Casagrande UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ/ GeTec- PPGTE [email protected] Marilia Gomes de Carvalho UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ/ GeTec- PPGTE [email protected]
RESUMO: O objetivo deste artigo é apresentar uma parcela dos resultados de uma pesquisa que visava analisar as representações de gênero nos livros didáticos de matemática de 5ª e 6ª séries. Para a realização da mesma foram analisados livros didáticos do início das décadas de 1990 e de 2000. Adotou-se a abordagem qualitativa por entender que esta se adequava à elucidação da pergunta- problema (Como ocorrem as representações de gênero nos livros didáticos de Matemática?). A pesquisa é do tipo documental, sendo que os livros didáticos constituem o campo empírico. Foram analisados os enunciados e ilustrações dos livros didáticos selecionados buscando identificar como os gêneros eram ali representados.
Palavras-chave: Representações de Gênero; Livros Didáticos; Matemática.
ABSTRACT: The objective of this paper is to present a synthesis of the results of research on mathematics textbooks. To perform the same textbooks were analyzed from the beginning of the decades of 1990 and 2000. We adopted a qualitative approach to understand that this is suited to the elucidation of the question-problem (How occur gender representations in textbooks of mathematics?). The research is a documentary, and the textbooks are the empirical field. We analyzed the statements and illustrations of selected textbooks trying to identify how the genders were represented there. Keywords: Representations of Gender; Textbooks; Math.
1 INTRODUÇÃO
É comum ouvir falar que as mulheres e meninas não têm habilidade para estudar/aprender matemática. Causa estranheza quando uma pessoa decide fazer licenciatura ou bacharelado em matemática, causa mais estranheza quando esta pessoa é do sexo feminino. Muitas vezes, são tachadas de loucas. Pergunta-se como uma pessoa normal pode gostar de matemática, uma vez que esta disciplina é tão difícil. Entendemos que essa forma de pensar é social e culturalmente construída, sendo assim, varia de acordo com a cultura e a época. E eu, como professora de matemática, discordo das pessoas que a classificam como difícil e desinteressante. A matemática auxilia no desenvolvimento do raciocínio lógico, da noção de espaço e é utilizada nas mais diversas situações do cotidiano. Sendo assim, é útil e importante que todas as pessoas a compreendam, independente do sexo.
Este artigo busca analisar a imagem de meninos e meninas, homens e mulheres passada pelos livros didáticos de matemática por meio dos enunciados e ilustrações. Cabe ressaltar que a análise foi feita a partir da perspectiva de gênero como relacional, na qual os gêneros são social e culturalmente construídos na interação entre os sujeitos (COSTA, 1994) e destes com o ambiente no qual estão inseridos. Entende-se ainda que as relações de gênero são também relações de poder (SCOTT, 1995) uma vez que, na maioria das situações, há a dominação de um gênero sobre o outro (masculino sobre o feminino) além de haver a dominação entre sujeitos do mesmo gênero, dependendo da posição hierárquica que as pessoas ocupam ou do cargo que desempenham. Para Daniela Auad, “as relações de gênero correspondem ao conjunto de representações construído em cada sociedade, ao longo de sua história, para atribuir significados, símbolos e diferenças para cada um dos sexos” (2006, p. 21)
67 Entende-se ainda que a educação cumpre papel fundamental na construção das identidades das crianças e a escola torna-se um espaço generificado desde seus prédios que separam os que a ela têm acesso dos que dela são excluídos até as normas e regulamentos que são perpassados pelas relações de gênero. Segundo Guacira Lopes Louro, “gestos, movimentos, sentidos são produzidos no espaço escolar e incorporados por meninos e meninas, tornam-se partes de seus corpos. Ali se aprende a olhar e a se olhar, se aprende a ouvir, a falar e a calar; se aprende a preferir” (2001, p. 61, grifos da autora). Para Auad, “a escola pode ser o lugar no qual se dá o discriminatório ‘aprendizado da separação’ ou, em contrapartida, [...] a escola pode ser uma importante instância de emancipação e mudança” (2006, p. 15). Assim, a escola e a política educacional poderiam refletir sobre as questões de gênero e assim, “promover a igualdade e fazer com que as diferenças não se confundissem com as desigualdades” (AUAD, 2006, p. 15). Desta forma, fica caracterizada a importância da educação, seus atores, e instrumentos (dentre eles, o livro didático) na construção de uma sociedade que caminha rumo à equidade de gênero, raça, etnia e classe.
Ao se pensar no livro didático de matemática, normalmente não se pensa que ele é local para representações de gênero, porém, um olhar mais atento fará perceber que elas se fazem presentes neste artefato tecnológico que serve como instrumento de ensino. Sendo este livro parceiro das crianças em boa parte de suas vidas, torna-se importante analisar como os gêneros estão ali representados. Com este intuito desenvolvi e defendi em março de 2005 a dissertação que analisou livros didáticos de Matemática de 5ª e 6ª do ensino fundamental estudando as representações de gêneros em diversas situações14.
Por livro didático, nesta pesquisa, foi considerado o livro que contém o conteúdo básico de uma determinada disciplina, neste caso, matemática, e publicado para fins educativos (CASAGRANDE, 2005). Entretanto, considera-se que todos os livros podem assumir fins educativos, dependendo de como são utilizados. Mesmo admitindo que este conceito seja restritivo, e sabendo que existem muitos conceitos e definições para livro didático, o conceito aqui utilizado define com clareza o material analisado neste estudo.
Pesquisou-se 18 livros didáticos, 4 do início da década de 1990 e 14 do início da década de 2000. A diferença no número de livros dos dois períodos deu-se pela dificuldade em localizar livros didáticos mais antigos devido à rotatividade dos mesmos. Foram analisados ilustrações e enunciados