3.1. ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO
Esta pesquisa se caracteriza como um estudo exploratório quanto aos seus objetivos, visando tornar mais visível as diferenças entre pressupostos teóricos e empíricos sobre a harmonização das normas contábeis. Para tanto, o seu delineamento se configura como sendo documental com levantamento de dados em sua modalidade socioeconômica.
Quanto à abordagem, caracteriza-se como sendo do tipo misto (qualitativo/quantitativo). De acordo com Beuren e Raupp (2006), a abordagem qualitativa visa destacar características não observadas por meio de um estudo quantitativo, haja vista a superficialidade dessa abordagem. Por sua vez, a abordagem quantitativa caracteriza-se pelo emprego de instrumentos estatísticos, tanto na coleta quanto no tratamento dos dados.
3.2. UNIVERSO E AMOSTRA DA PESQUISA
A estatística aplicada é a técnica pelas quais os dados de natureza quantitativa são coletados, organizados, apresentados e analisados, como explica Kazmier (1982). Para tomada de decisões sob condições de incerteza como ponto central da análise estatística moderna é fundamental conhecer o objeto em estudo, assim como seu ambiente.
Diante disso, tem-se como ambiente a BOVESPA e como objeto de pesquisa as empresas que lá negociam seus títulos. Lopes e Martins (2005, p. 9) corroboram com a idéia de que este é um dos ambientes mais propícios para o estudo em Contabilidade.
O papel da informação da contábil nos mercados financeiros é uma das áreas mais estudadas na academia de contabilidade. O mercado financeiro é um dos maiores usuários da informação contábil por intermédio de analistas, corretoras, investidores institucionais e individuais, bancos de investimentos e outros agentes.
Sob este cenário, o mercado financeiro transforma-se em um “laboratório” para o teste do papel da contabilidade e de como essas informações interagem com os participantes desse próprio mercado. Teorias podem ser testadas e a tradicional abordagem normativa pode ser abandonada, pelo menos nesse nível.
O universo da pesquisa é constituído por 574 empresas de acordo com o sítio eletrônico da BOVESPA, em 10 de agosto de 2008. Para o estudo, foi utilizado uma amostra não probabilística, em que a seleção da amostra é estabelecida de acordo com os critérios escolhidos pelo pesquisador. Assim tem-se o que se chama de uma amostra por conveniência que neste estudo faz-se necessário pela representatividade das empresas.
Optou-se pela escolha de um dos índices da BOVESPA, para conceber um conjunto amostral de empresas, pois existe um grande número delas que não possuem liquidez em seus papéis, ou seja, não há oferta e/ou demanda. Não obstante, procurou-se manter certo grau de confiabilidade com a determinação do conjunto amostral de empresas a ser estudado que se apresentassem entre as mais negociadas da Bolsa.
N. Empresa Setor N. Empresa Setor
01 ALL AMER LAT Transporte Ferroviário 24 GOL Transporte Aéreo 02 AMBEV Bebidas 25 ITAUBANCO Financeiros / Bancos Intermediários 03 ARACRUZ Papel e Celulose 26 ITAUSA Financeiros / Bancos Intermediários 04 B2W VAREJO Comércio / Produtos Diversos 27 JBS Carnes e Derivados 05 BMF BOVESPA Serviços Financeiros Diversos 28 LOJAS AMERIC Comércio / Produtos Diversos 06 BRADESCO Financeiros / Bancos Intermediários 29 LOJAS RENNER Vestuário e Calçados Comércio / Tecidos, 07 BRADESPAR Diversificadas Holdings 30 NATURA Produtos de uso Pessoal 08 B. BRASIL Financeiro e Outros 31 NET Televisão por Assinatura 09 BRASKEM Químico/ Petroquímico Materiais Básico/ 32 P.ACUCAR-CBD Distribuição / Comércio e Alimentos 10 CCR RODOVIAS Exploração de Rodovias 33 PERDIGAO S/A Carnes e Derivados
11 CEMIG Energia Elétrica 34 PETROBRAS
Petróleo, Gás e Biocombustíveis /
Exploração e/ou Refino 12 CESP Energia Elétrica 35 REDECARD Serviços Financeiros Diversos 13 COPEL Energia Elétrica 36 ROSSI RESID Construção Civil 14 COSAN Açúcar e Álcool 37 SADIA S/A Carnes e Derivados 15 CPFL ENERGIA Energia Elétrica 38 SID NACIONAL Siderurgia e Metalurgia 16 CYRELA REALT Construção Civil 39 TAM S/A Transporte Aéreo
17 DURATEX Madeira 40 TELEMAR Telefonia Fixa
18 ELETROBRAS Energia Elétrica 41 TIM PART S/A Telefonia Móvel 19 ELETROPAULO Energia Elétrica 42 UNIBANCO Financeiros / Bancos Intermediários 20 EMBRAER Materiais Aeronáuticos 43 USIMINAS Siderurgia e Metalurgia
21 GAFISA Construção Civil 44 V C P Papel e Celulose 22 GERDAU Siderurgia e Metalurgia 45 VALE R DOCE Mineração / Minerais Metálico 23 GERDAU MET Siderurgia e Metalurgia 46 VIVO Telefonia Móvel
Quadro 4 – Carteira com as empresas do IBRX-50 para o quadrimestre set/dez de 2008.
Fonte: Adaptado da BOVESPA (www.bovespa.com.br)
O Índice IBRX-50 é composto das 50 ações entre as mais negociadas nos pregões da BOVESPA. A composição do Índice para o presente estudo é datada de 12 de setembro de 2008, que, para efeitos da pesquisa, levam-se em consideração apenas as empresas que compõem o Índice, totalizando 46 para o quadrimestre, conforme Quadro 4. A seguir é descrito os procedimentos para a coleta dos dados e a sua interpretação.
3.3. PROCEDIMENTO PARA COLETA DOS DADOS
Segundo Gil (2007), as pesquisas documentais têm como finalidade dar um tratamento analítico a materiais que não o receberam, ou reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa, apresentando-se, assim, conveniente porque permite aproximação direta com o evento pesquisado e também pela dinamicidade com os instrumentos de coleta de dados, facilitando a consecução da pesquisa e seus objetivos.
Já para Lakatos (2000), a pesquisa documental possui como característica a coleta de dados restrita aos documentos. Contudo deve-se ter claramente os objetivos a fim de escolher o tipo de documentação adequada às finalidades da pesquisa, observando o risco de serem inexatas, distorcidas ou errôneas.
A coleta de dados pertinente à pesquisa é realizada por meio de análise documental das notas explicativas contidas nas demonstrações contábeis apresentadas nas ITR (Informações Trimestrais) do segundo trimestre de 2008, das empresas listadas no IBRX-50 da Bolsa de Valores de São Paulo.
Lauretti (2003) expende que as notas explicativas são partes integrantes das demonstrações contábeis e por meio delas podem-se ter informações detalhadas sobre os eventos ocorridos na empresa dentro de um determinado período de tempo e que esse detalhamento faz com que os pedidos de esclarecimento por parte dos stakeholders sejam menores. A omissão de informações por parte da empresa caracteriza prova de incompetência ou de desonestidade intelectual ou de ambas, afirma Lauretti (2003).
A adoção do Índice e conseqüentemente da carteira de empresas se deve à sua relevância, pois a grande maioria das empresas que compõem o IBRX-50 também compõe os índices do IBOVESPA (o mais importante índice brasileiro), IBRX-100 (é o IBRX-50 com 50 empresas a mais), IGC (Índice de Governança Coorporativa) e ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial), estando as empresas entre as mais negociadas nos últimos doze meses anteriores à formação da carteira e entre as mais relevantes da Bolsa de Valores de São Paulo, contando com bons níveis de Governança Corporativa.
3.4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
Após a coleta dos dados, foram codificados e depois tabulados para posteriormente serem analisados e interpretados.
Na análise, o pesquisador entra em detalhes sobre os dados coletados, a fim de conseguir respostas às suas indagações e procura estabelecer relações necessárias entre os dados obtidos e as hipóteses formuladas. Uma vez que a interpretação significa a exposição do verdadeiro material apresentado em relação aos objetivos propostos e ao tema (LAKATOS e MARCONI, 2007).
Para melhor apresentação e auxiliar na análise e interpretação, foram utilizados gráficos, quadros, tabelas com a finalidade de buscar as respostas da pesquisa. Passa-se a apresentar a descrição e análise dos dados.