• No results found

Organisering av prosjektet .1 Opplæringstiltakets struktur

In document Undervisningssykehjem i Fredrikstad (sider 38-41)

A pesquisa documental ocupou-se especificamente da “produção teórica sobre os Direitos Humanos no Serviço Social pós anos 1980.” A partir deste objeto, objetivou identificar a incidência, a natureza e a direção ético-política da produção teórica sobre os direitos humanos na profissão.

Para alcançar este objetivo, foi necessário conhecer a historicidade dos direitos humanos como construções sociais, produto e reflexo das relações sociais; compreender o processo de desenvolvimento dos direitos humanos na sociedade capitalista e neoliberal, em tempo de “pós-modernidade”; compreender os contextos históricos vividos no Brasil que motivaram o debate e a pesquisa sobre direitos humanos no Serviço Social pós anos 1980.

Como a metodologia da pesquisa inclui as concepções teóricas de abordagem, utilizou-se a teoria social de Marx para elaborar e elucidar a história profissional e a dos direitos humanos, concebendo-os como conquistas da humanidade ocasionadas pela constante luta entre as classes. Neste sentido, recusa-se a abordagem dos direitos humanos desconectada da história (o que ocorre com as teorias pós-modernas) por acreditar que é apenas nesta perspectiva que se identificam as contradições inerentes à construção e legitimação dos direitos humanos na ordem capitalista, visão esta de totalidade e vinculada ao movimento das relações sociais.

O caráter de abrangência, próprio da obra de Marx, busca cercar o objeto de conhecimento através da compreensão das mediações e correlações.

Enquanto o materialismo histórico representa o caminho teórico que aponta a dinâmica do real na sociedade, a dialética refere-se ao método de abordagem deste real. Esforça-se para entender o processo histórico em seu dinamismo, provisoriedade e transformação. Busca apreender a prática social empírica dos indivíduos em sociedade (nos grupos e classes sociais), e realizar a crítica das ideologias, isto é, do imbricamento do sujeito e do

objeto, ambos históricos e comprometidos com os interesses e as lutas sociais de seu tempo (MINAYO, 2000, p. 65).

Torna-se essencial, para a manutenção do projeto ético-político profissional hegemonicamente construído, recuperar a concepção de conhecimento científico que privilegia a história, isso porque, na atualidade, vivencia-se a desconstrução do universal com as teorias pós-modernas e enfrenta-se o problema da fragmentação do saber e descaracterização das teorias gerais explicativas.

Esta pesquisa significa um instrumento de resistência às tendências contemporâneas positivistas, empiristas e a-históricas que contribuem com o explícito retorno ao conservadorismo, ao saber fragmentado e à exaltação dos particularismos no mundo da pesquisa e do conhecimento científico. Assim como nos esclarece Iamamotto (2008), é imprescindível que o conhecimento científico aprofunde-se na abordagem histórica, fortalecendo o campo social e as abordagens humano-universais, questionando a realidade social, os processos e as estruturas sociais que constroem as especificidades relacionadas aos direitos humanos na profissão.

Recuperar a concepção de conhecimento científico que privilegia a história é uma exigência em tempos de pós-modernidade e de generalização do fetichismo do capital financeiro, que invade adensa todas as esferas da vida em sociedade tornando opaco o mundo da produção e do trabalho em suas múltiplas relações com a política e a cultura. Erigem-se, em consequência, reações às metanarrativas e a recusa da história, no elogio aos fragmentos, à superficialidade da vida aprisionada aos fetiches mercantis que redundam na indiferença e esvaziamento das dimensões humano- universais. Essas teorias exaltam os particularismos e as diferenças, como substitutivas – e não complementares – das contradições e das desigualdades de classes, num amplo empreendimento ideológico que invade o saber científico (IAMAMOTTO, 2008, p. 470).

Tendo como referência teórico-filosófica o materialismo histórico dialético, seguiu-se este método de pesquisa que apresenta três categorias em seu núcleo: a totalidade, a contradição e a mediação. O objetivo é o de buscar nos processos históricos reais que marcam a profissão as ocorrências e interferências que provocaram o movimento de apropriação dos direitos humanos, considerando a partir de Marx que a sociedade, qualquer que seja sua forma, é um produto da

momento, ou seja, a produção e reprodução da vida são sociais (MARX, 1982, p. 42).

O Serviço Social não tem uma metodologia própria e, por isso, busca em outras áreas e em autores clássicos os pressupostos teóricos e filosóficos para fundamentar seu cabedal de conhecimentos. Iamamoto (2008) ressalta a necessidade de se aproximar das fontes clássicas com o objetivo de evitar interpretações de autores que esvaziam a riqueza e complexidade das teorias que possuem dimensão de universalidade, visto ser essa dimensão - acoplada a pesquisas das particularidades históricas do tempo presente - que permite ao Serviço Social e aos projetos sociais em curso realizarem mediações no sentido da universalidade do atendimento das necessidades sociais.

[...] uma vez que este não se institucionaliza como uma ciência especial no quadro da divisão do trabalho. Essa especialização do trabalho não surge com a função precípua de produzir conhecimentos que articulem um campo “peculiar do saber” consoante a divisão do trabalho, que foi forjada historicamente entre as ciências, ainda que se inscreva oficialmente no campo das “ciências sociais aplicadas”. O fato de o Serviço Social constituir-se uma profissão, traz inerente uma exigência de ação na sociedade, o que não exclui a possibilidade e a necessidade de dedicar-se a investigações e pesquisas no amplo campo das ciências sociais e da teoria social, adensando o acervo da produção intelectual sobre intercorrências da questão social e das políticas sociais, contribuindo para o crescimento do patrimônio científico das Ciências Humanas e Sociais (IAMAMOTO, 2008, p. 229).

A teoria e a prática são processos inseparáveis do processo de conhecimento. A práxis revolucionária é a atividade de transformação das circunstâncias, as quais nos determinam a formar idéias, desejos, vontades, teorias que, por sua vez, simultaneamente, nos determinam a formar novas circunstâncias e assim por diante.

A busca pelo conhecimento, a investigação constante de uma categoria profissional referente a temas que se relacionam com a questão teórico-filosófica e tecno-operacional, são sempre importantes recursos de revisão de posições interventivas e teóricas, capazes de colocar a profissão em contato com as novas demandas e necessidades sociais, adaptando-a sempre as configurações apresentadas pelo contexto social, por isso, a práxis é a junção da teoria e da prática, num processo de transformação social da realidade, apenas possível

quando os agentes sociais se colocam na posição de abertura para novas ideias e reconhecem que os resultados são flexíveis, assim como a realidade material, passíveis sempre de serem revistos e alterados.

Os profissionais que se encontram nos espaços interventivos devem acompar os avanços teóricos e metodológicos de seus campos de trabalho, procurando conhecer a realidade social. Quanto aos profissionais docentes que se encontram exclusivamente na pesquisa, cabem a estes democratizar e coletivizar os resultados das investigações ao conjunto da categoria, contribuindo sempre com o avanço técnico e operativo (NETTO, 2009, p. 693).

Este trabalho contribui – a partir de uma leitura histórica e crítica referente à apropriação dos direitos humanos no Serviço Social - com os profissionais que se encontram em espaços institucionais propícios a relações hierarquizadas e a opções ideológicas pautadas na reprodução da cultura neoliberal e burguesa, com o destaque à família tradicional, à utilização da forma policial como maneira de reprimir os usuários, análises desconectadas da totalidade, trabalho hierarquizado, mecanizado, pragmático, na busca da eficiência e rapidez, exigidas nos dias atuais.

Segundo Karl Marx (1982), ser radical é tomar as coisas pela raiz, e a raiz,

para o homem, é o próprio homem, e é nesta direção que esta pesquisa afirma o

desenvolvimento da profissão no sentido de defesa dos direitos humanos como conquistas dos movimentos sociais pela democratização e emancipação humana.

In document Undervisningssykehjem i Fredrikstad (sider 38-41)