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Ordtilfang og ordbruk

In document Er Mama og Mor den same? (sider 42-47)

4.3 Språk og stil

4.3.1 Ordtilfang og ordbruk

Os beneficiários dos apoios são os protagonistas da medida do Rendimento Social de Inserção. A definição de beneficiário ideal15, designada por Diogo (2004a, 2004b), refere-se ao indivíduo e famílias que vivem em situação de carência económica e exclusão social, que apresentem prova de ausência de recursos para usufruir de apoio social e tenham capacidades para, através do trabalho, se autonomizarem, ou seja, protagonizar a sua inserção social e profissional. No entanto, como explica Diogo (2007) no seu estudo realizado nos Açores, esta “noção institucional” é desfasada da perceção dos próprios beneficiários, que muitas vezes se sentem capazes de gerir a sua vida, mas o rótulo imposto pela sociedade (e ao mesmo tempo pelo Estado) é propício à construção de uma “identidade negativa” de quem beneficia de apoios do Estado. Este processo implica a criação de estratégias por parte dos beneficiários da sua autoimagem e da visão que os outros têm de si.

Afigura-se importante apresentar aqui a tipologia dos beneficiários dos apoios sociais segundo dois autores, Serge Paugam, sociólogo francês que realizou vários estudos sobre a pobreza e os beneficiários do RMI e Eduardo Rodrigues, sociólogo português que realizou estudos sobre as políticas socias nomeadamente o RMG e RSI. Ambos realizaram trabalhos com populações carenciadas que beneficiam de apoios sociais e ambos classificaram os beneficiários de acordo com a relação que estes mantinham com os serviços de ação social.

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“O beneficiário ideal, isto é, o beneficiário imaginário em função do qual a legislação foi feita. Nesta ideia de beneficiário ideal, o termo ideal não significa o beneficiário perfeito, mas tão só o beneficiário para o qual se produziu a legislação. Concretamente, o beneficiário que subjaz à legislação é alguém que se encontra afastado da esfera do trabalho e sob o qual recai, mal ou bem, a ideia de que não tem capacidade de sair por si só da situação de pobreza, precisando de quem o faça por ele. Além disso, é alguém que se encontra numa situação de desinserção social, já que se pressupõe que deve ser inserido socialmente” (Diogo, 2004b, p.5)

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Serge Paugam realizou em 1987 um estudo na cidade francesa de Saint-Brieuc, em Côtes – d’Armor, sobre o tipo de população que recorria aos serviços de ação social. Tendo detetado três categorias: os frágeis, os assistidos e os marginais, classificadas de acordo com as experiências vividas em situação de pobreza e no recurso aos serviços institucionais de apoio social.

O grupo dos frágeis é constituído pelas pessoas que são apoiadas pontualmente, quando ocorre uma rutura com o trabalho como uma situação de desemprego. Segundo Paugam (2003), estas pessoas “beneficiam de uma intervenção social pontual no domínio orçamental”, provocada pelas dificuldades económicas (p.35). Estas pessoas vivem insatisfeitas com a sua condição ao experimentar o insucesso e a desqualificação social16, porém têm motivação e desejam um emprego permanente para não se tornarem dependentes dos serviços de ação social.

Os assistidos são o grupo de pessoas que beneficia de apoios sociais regularmente, com o objetivo de colmatar as dificuldades diárias do orçamento familiar. Este grupo depende economicamente dos serviços sociais, perdeu a motivação ou tem dificuldades em encontrar trabalho, acomoda-se procurando autojustificações para o seu insucesso e tenta negociar a relação com os técnicos dos serviços de modo a privilegiar de mais apoios.

O grupo mais vulnerável do estudo francês é constituído por pessoas que vivem numa rutura constante com a sociedade, os marginais. Este grupo é constituído pelos indivíduos que não têm quaisquer fontes de rendimento, que não mantêm relações sociais sólidas, é uma minoria sem trabalho e sem domicílio fixo, conhecido como “sem-abrigo”. Pontualmente, estas pessoas são alvo de uma intervenção institucional através da atribuição de objetos, como vestuário, cobertores, ajudas financeiras pontuais. A maioria dos indivíduos incluídos neste grupo tem um percurso de vida “degradante”, vivem crises de identidade com um passado e um presente estigmatizado pela sociedade. A integração social é fraca assim como as qualificações escolares ou profissionais. A proximidade com os serviços sociais surge, eventualmente, quando querem ou conseguem sair da marginalização e iniciam um processo de inserção social e profissional. Alguns marginais têm comportamentos de risco, como o consumo de drogas ou álcool ou roubos e resistem à reinserção social (Paugam, 2003).

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“A desqualificação social é (…) uma provação, não só por causa da debilidade dos rendimentos ou da ausência de certos bens materiais, mas, sobretudo, pela degradação moral que representa, para a existência humana, a obrigação de recorrer ao apoio dos seus semelhantes e dos serviços da ação social para obter o necessário para viver em condições decentes” (Paugam, 2003, p.175).

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O sociólogo Eduardo Rodrigues, publicou em 2010 uma investigação sociológica realizada no Concelho de Vila Nova de Gaia, sobre os imobilismos sociais17 dos beneficiários de RSI e classificou-os em três tipos: beneficiários acomodados, beneficiários bloqueados e beneficiários incomodados.

Os beneficiários acomodados vivem um estilo de vida despreocupado ao beneficiarem da prestação de RSI que acreditam que se propagará por muitos anos, assim como a sua situação de pobreza e que se refletirá nas gerações futuras (reprodução da cultura da pobreza). As causas para o acomodamento podem ser por opção (desmotivação para trabalhar, ausência de um projeto de vida) ou por omissão (impossibilidade de inserção devido a condições de vida frágeis – doença, dependência, deficiência, velhice).

Os beneficiários bloqueados, sentem-se ineficazes ou estão incapacitados para a inserção social e profissional, estão dependentes de uma condição familiar e privados de trabalhar fora de casa, porque têm a seu cargo crianças, idosos ou familiares deficientes, pois assumem assim as responsabilidades domésticas e beneficiam do rendimento.

Por último, os beneficiários incomodados que ambicionam à inserção profissional, sentem vergonha da sua desqualificação social e do rótulo que lhes é imposto pela sociedade. As causas desta condição social devem-se ao facto de ocorrer uma rutura com o trabalho ou uma mudança súbita das necessidades, mas continuam motivados para a reinserção laboral e acreditam que a prestação é precária. (Rodrigues, 2010a).

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