3. AGRO-INDUSTRIAL IMPLICATIONS
3.4 P OPULATION EXPOSURE AND MAXIMUM PERMITTED TEQ LEVELS IN FOOD AND FEED
Na Psicologia, tal como noutras ciências, quando se pensa em estudar uma realidade ou fenómeno no sentido de o descrever, explicar, predizer ou controlar, não se pensa geralmente de uma forma espontânea e imediata. Esta “curiosidade” científica resulta de um processo muitas vezes longo, nem sempre consciente, de recolha de questões, informações, leituras, observações, análises e interpretações.
O presente estudo tem na sua base um longo processo de construção. Fundamenta- se na experiência profissional realizada ao longo de vinte e três anos, como psicóloga escolar, no contexto das escolas secundárias. Um psicólogo escolar convive diariamente com a direcção de uma escola, acompanha o dia-a-dia, participa muitas vezes como consultor, por vezes é interveniente e não raramente acompanha a direcção, neste caso,
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o presidente, em reuniões e actividades. A sua intervenção na organização é sempre, ou deverá ser, em estreita colaboração com os órgãos de gestão e administração da escola. Por outro lado, o psicólogo escolar está integrado na organização e é essencial para ele conhecer e compreender o seu funcionamento como sistema. Esta experiência, como psicólogo escolar, permitiu ao longo do tempo que se realizassem inúmeras observações, colectassem dados, levantassem questões no sentido de compreender melhor a realidade da administração escolar, os seus responsáveis e as características e competências necessárias para o desempenho das suas funções. A diversidade de personalidades, de formas de comunicar, de modos de estar e agir, encontrados nos diversos presidentes com quem se contactou, levou naturalmente a que as questões relacionadas com esta problemática se fossem formando. O contexto muitas vezes era o mesmo, mas as práticas, as estratégias e modalidades de acção eram muito diversas.
Perante a oportunidade de realizar um estudo no âmbito da Psicologia Social e das Organizações, todo este conjunto de dados, realidades e factos se organizou no sentido da necessidade de conhecer melhor os presidentes dos conselhos executivos das escolas secundárias e identificar as competências necessárias para o desempenho da sua função.
A quase inexistência de estudos e investigações a este nível em Portugal e a evolução do sistema educativo, colocando novos desafios à administração escolar, através das legislações sobre os regimes de autonomia, administração e gestão das escolas e mais recentemente ainda com a publicação do Decreto-Lei Nº 75/2008 de 22 de Abril, vieram contribuir para que a questão se pusesse com maior pertinência.
Este último decreto-lei, tal como já foi referido anteriormente, coloca a responsabilidade da eleição do Director de Escola, no Conselho Geral de Escola. Naturalmente, este órgão da administração escolar terá que estabelecer critérios, definir características e proceder a uma reflexão cuidada sobre a pessoa (o candidato a director) que melhor se deve enquadrar na sua realidade específica. Não se encontrou, a nível dos estudos portugueses, qualquer análise ou reflexão nesse sentido. Por outro lado, considerou-se que nem sempre do exterior se obtém a melhor compreensão de uma realidade ou fenómeno. Assim, a visão carecia de uma perspectiva mais profunda e fundamentada de quem vive essa realidade. Ou seja, os próprios presidentes seriam provavelmente os melhores “meios” a consultar para a recolha de dados, pois além de conhecerem a realidade, vivenciam-na diariamente, tendo que responder às situações,
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problemas e desafios da realidade educativa actual. São eles que, no contexto das escolas secundárias, utilizam determinadas competências permanentemente construídas na acção, mobilizando os seus recursos pessoais e da organização, num processo de construção constante, contribuindo para a transformação quer da sua própria prática, quer da própria organização e do contexto em que ela se insere. São eles que “sabem” o que é ser presidente. Uma análise mais aprofundada dos estudos e concepções teóricas ligadas a esta problemática vieram esclarecer algumas destas questões, afastar outras, ajudar a redefinir outras tantas e a especificar melhor o âmbito do estudo a realizar.
Em Portugal, os estudos a este nível não abundam e alguns que existem, situam-se ao nível dos modelos de gestão, ou resultam de dados paralelos recolhidos aquando do acompanhamento de mudanças no sistema educativo. Vejam-se a este nível os trabalhos de João Barroso (1995c), João Formosinho (1987), Lícínio Lima (1991) e Carlos Estevão (2000), entre outros, abordados nos capítulos anteriores. Nesses estudos pode- se inferir algumas características de quem gere as nossas escolas, nomeadamente nos estudos de Barroso (1995c) em que foi possível traçar um “retrato-tipo” dos directores executivos no âmbito da aplicação, em regime de experiência, do Decreto-Lei Nº172/91 e que não diferem dos resultados obtidos mais tarde (Barroso, 2001) quando da aplicação do Decreto-lei Nº 115-A/98.
Por outro lado, os estudos realizados no âmbito do conhecimento das tarefas, funções e competências dos directores, quer em Portugal, quer no estrangeiro, permitiram que se definisse um grupo de competências importantes para o desempenho do cargo de Director. São exemplo todas as investigações e estudos de Morgan, Hall e Mackay (1983), Jones (1988), Weindling (1990), National Standards for Headteachers (1998), Protocole d’Accord relatif aux Personnels de Direction (2000), entre outros.
Finalmente os estudos do ISERP - International School Effectiveness Research Programme (1992), Grilo, (1996), Perrenoud, (1999 e 2002), Gather Thurler, (2001), Saraiva, Burguete. e Orey, (2002), vêm demonstrar que a liderança é um dos factores determinantes para a qualidade da escola. Daí o “peso” importante do presidente na promoção da qualidade das escolas e do ensino em geral.
Todas estas análises vieram contribuir para fundamentar, estruturar e definir linhas de acção em relação ao estudo que se pretende realizar. As motivações ligadas às
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áreas de interesse derivadas da prática profissional, aliaram-se a um conjunto de leituras e estudos que permitiram definir objectivos concretos, delinear o design em termos de investigação e desenvolver um procedimento para a sua concretização.