- DEPOIMENTO DE GABRIEL ROBERTO FIGUEIREDO
ESTUDANTES DE OSASCO
- Respostas às questões de Sonia Regina Martim solicitadas a Gabriel Roberto Figueiredo
PERGUNTA - Quem fazia curso secundário antes da instalação do GEO – Ginásio Estadual de Osasco?
RESPOSTA - Quando cheguei em Osasco, em 1954, o GEO já existia, há
cerca de 2 anos, se não me engano.
PERGUNTA - Com que objetivo fazia-se o secundário? Quais eram as expectativas de quem concluía o colégio?
RESPOSTA - O objetivo de fazer o curso secundário era o de se qualificar para
o mercado de trabalho, sobretudo técnico de nível médio. Ingressar na Universidade ainda não era ambição maior.
PERGUNTA - Houve envolvimento dos alunos do ginásio na luta pela instalação do município?
RESPOSTA - Sim, os estudantes secundaristas de Osasco, dentre os quais
me incluo, participaram ativamente dos movimentos emancipacionistas. João Gilberto Port, mais tarde vereador e vice-prefeito da cidade, foi a liderança maior deste segmento.
PERGUNTA - Como foi seu envolvimento com o plebiscito de 58 e a luta que se segue? Segundo Moises, a orientação do PC era a de que essa era uma luta de burgueses e que, portanto, não deveria envolver seus membros – é verdade?
RESPOSTA - Os comunistas de Osasco participaram do movimento. Sergio
Zanardi, ao lado de Lino Ferreira dos Santos foram seus principais ativistas. Conrado del Papa, que transitava muito bem entre o PSB e o PCB, assim como o líder ferroviário Reginaldo Valadão também pontuaram... A liderança do movimento, no entanto, estava sendo conduzida por empresários,
comerciantes e profissionais liberais. Dentro desta liderança encontrava-se alguns simpatizantes do PCB. O principal deles era o ilustre médico Edmundo Burjato, que chegou a participar de algumas reuniões do Partido na sua sede clandestina, pois era ilegal antes mesmo do golpe militar, situada na Avenida João Batista, esquina com a rua do Mercado Municipal. Dr. Edmundo também contribuiu para as finanças do partido. Eu, particularmente, com 15 anos de idade participei do movimento e foi neste contexto e no contexto metalúrgico (eu já era funcionário da CIMAF), que fui cooptado, por Sergio Zanardi, para as fileiras do Partido Comunista Brasileiro.
PERGUNTA - Como foi o envolvimento dos alunos do CENEART na luta pela emancipação?
RESPOSTA - Vários alunos secundaristas participaram das lutas pela
emancipação de Osasco.
PERGUNTA - Os alunos tinham atividades nos finais de semana: - como eram essas atividades? - Quem os acompanhava?
RESPOSTA - As escolas abriam suas portas para atividades culturais e
recreativas. Era comum também a formação de grupos de estudos de fins de semana, sobretudo para os alunos do noturno que precisavam colocar as matérias em dia, pois não tinham tempo durante a semana.
PERGUNTA - Como a escola influenciou na sua cidadania?
RESPOSTA - Do ponto de vista institucional acredito que a minha família de
origem, a escola e o trabalho me conferiram a consciência de cidadania. Minha militância no PCB estruturou esta consciência. Lamento quando vejo jovens
nos dias de hoje sem militância e, portanto, sem causa. O mundo alienado das drogas e da violência social tem tudo a ver com isso.
PERGUNTA - Quem eram os professores e qual o papel/importância destes na formação política dos alunos?
RESPOSTA - Dentre vários, vou citar três pela influência maior: Josué Augusto
da Silva Leite (História); Helena Pignatari Werner (História) e Emir Macedo Nogueira (Português).
PERGUNTA - Como era o relacionamento entre alunos e professores e/ou professores/ professores?
RESPOSTA - Relacionamento cordial, solidário, de camaradagem.
PERGUNTA - Como era o relacionamento entre os alunos?
RESPOSTA - Relacionamento de amizade e companheirismo. Competição,
ciúme e inveja eram sentimentos perceptíveis. Também ora, estamos tratando de seres humanos.
PERGUNTA - Havia livros didáticos? Quais?
RESPOSTA - José Cretella Júnior (Latim), Osvaldo Sangiorgi (Matemática) e
Hadock Lobo (História) foram os que mais me marcaram.
PERGUNTA - Que livros e/ou textos eram utilizados em aula?
RESPOSTA - Machado de Assis era fundamento. Depois vinha Graciliano
Ramos, Gonçalves Dias, Olavo Bilac, José de Alencar e outros. Dentre os portugueses Fernando Pessoa e Padre Antonio Vieira marcaram forte presença. Na literatura internacional clássica pelo menos três obras são inesquecíveis: "Os miseráveis", de Victor Hugo; "Crime e Castigo" de Fiódor Dostoiévski e Cândido, de Voltaire, não se constituíam leitura obrigatória, mas foram estimuladas, no científico.Para mim, particularmente, que tive o privilégio de ingressar ainda jovem, aos 15 anos, no PCB, acabei sendo contemplado com leituras complementares de Marx, Engels, Lênin, Goethe, Nietzsche,
Gramsci, Sartre... Lembro-me que uma semana antes de prestar vestibular para a Faculdade de Medicina, suspendi todos os meus estudos de física, química, matemática, biologia, português e outras matérias para ler, intensamente, "Assim falava Zaratustra".
PERGUNTA - Como era seu relacionamento com os professores, com o Grêmio, Fanfarra, UEO, etc?
RESPOSTA - Meu relacionamento com estes grupos sempre foi bom e
produtivo. Da UEO inclusive fui eleito presidente em 1963, em acirrada disputa eleitoral com Francisco Rossi de Almeida, que alguns anos depois seria eleito prefeito de Osasco e que a partir de então emergiu para uma carreira política até hoje destacada.
PERGUNTA - Quando surgiu a UEO e quando e porque ela foi substituída pelo CEO? Onde ficavam? Quem e como se pagava o aluguel?
RESPOSTA - A UEO (União dos Estudantes de Osasco) foi extinta em 1964,
alguns meses após o golpe militar. O CEO (Círculo Estudantil de Osasco), surge como modelo alternativo de organização, sem estatutos e registro, funcionando praticamente na clandestinidade. A UEO tinha como sede um cômodo cedido pelo professor de matemática do CENEART e conceituado cirurgião dentista de Osasco, militar da reserva, Fortunato Antiório, um dos principais líderes do movimento emancipacionista. Este cômodo fazia parte de uma área onde funcionava seu consultório privado, na rua Antonio Agú. No andar de baixo havia um bar muito freqüentado pelos estudantes do noturno, após as aulas. Chamava-se "Bar Central". Fortunato Antiório tinha simpatia pelos estudantes e, além disso, era casado com minha tia, Maria Figueiredo Antiório, irmã do meu pai. Penso que esta simpatia e este parentesco foram decisivos para ele ceder, gratuitamente, o cômodo para a sede da UEO. Também, momentos decisivos da participação estudantil nos movimentos políticos e sociais da primeira metade da década de 1960, tiveram suas resoluções saídas de grandes discussões no Bar Central.
PERGUNTA - Como se deu a extinção do CEO?
RESPOSTA - Por ocasião da extinção do CEO eu já estava praticamente na
clandestinidade. Já havia sido preso duas vezes, na segunda com preventiva decretada e aguardando julgamento em liberdade devido a graves erros técnicos e éticos cometidos pelos militares responsáveis pelo IPM (Inquérito policial militar) e que para minha sorte envolvia figuras importantes tais como o ex-prefeito de Osasco Hirant Sanazar, o próspero dono do Bradesco, Amador Aguiar, entre outros. A bem da verdade acredito, hoje, que os erros cometidos pelos militares moralizadores da época foram mais éticos do que técnicos. Eu já não morava mais em Osasco. Minha família mudou-se para a região do Horto Florestal, na zona norte da capital. Cheguei a Ter contatos esporádicos com Orlando Miranda, José Campos Barreto, Eduardo Rodrigues e Nilton Landa sobre o CEO. Na minha memória o CEO foi se dissolvendo e seus membros se ligando a outras atividades. Penso que antes mesmo de 1968 o CEO já havia declinado. E de todos os companheiros e camaradas deste período, ainda retorna na minha mente, como um "flash-back", o jovem poeta Barreto, estudante do GEPA (Ginásio Estadual de Presidente Altino), alguns anos depois assassinado no sertão baiano ao lado do seu compatriota Carlos Lamarca.
PERGUNTA - Como você explica a derrota para o Rossi na eleição do CEO? – (pág 94 da Saliba tem uma explicação – será que é valida?).
RESPOSTA - O Francisco Rossi de Almeida, se não me engano, nunca
disputou eleição para o CEO. Ele foi eleito presidente da UEO em 1964, logo após o golpe militar. Foi candidato de chapa única. Na eleição de Rossi eu estava preso, incomunicável, no 4º Regimento de Infantaria de Quitaúna. A vitória de Rossi se deu devido à desmobilização do movimento estudantil impactado em grande parte pela minha prisão. Eles estavam sem rumo e sem liderança. Foi neste vácuo que Rossi deu grande impulso a sua pretendida carreira política e alguns anos depois elegeu-se prefeito. Aproveito também este depoimento para lembrar que apesar da minha trajetória ideológica ter sido contrastante com a de Rossi, NÃO TENHO NENHUM INDÍCIO DE QUE
ELE ME "DEDOU" PARA OS MILITARES, COMO FOI AMPLAMENTE DIVULGADO. FUI PRESO PORQUE EU ERA FIGURA PÚBLICA E OCUPAVA UMA FUNÇÃO INDESEJÁVEL PELA DITADURA. PENSO QUE É INJUSTO ATRIBUIR AO ROSSI ESTE COMPORTAMENTO DE DELATOR. ELE JÁ SABE DESTA MINHA OPINIÃO, POIS CONVERSAMOS PESSOALMENTE A RESPEITO.
PERGUNTA - Qual foi sua atuação e dos alunos nas eleições de 62?
RESPOSTA - Em 1963 eu fui eleito presidente da UEO. Nossa chapa
chamava-se "Ação-63" e vencemos a chapa "Bandeirantes", encabeçada por Francisco Rossi. Em 1962, o movimento estudantil de Osasco, apesar da UEO já existir, visto que nasceu nas lutas emancipacionistas, tinha pouca expressão. Nesta época, e nas mãos dos poucos universitários existentes na cidade, aglutinou-se em torno do nome de João Gilberto Port e elegeu-o vereador. Port foi um dos fundadores da UEO e chegou a cumprir vários mandatos como vereador, chegando até à condição de vice-prefeito de Osasco.
PERGUNTA - Qual foi sua atuação e dos alunos na manifestação contra o aumento dos salários dos vereadores?
RESPOSTA - Liderei as manifestações contra o aumento dos salários dos
vereadores. Não achava justo, e entendia estar representando a indignação pública, inconformada de que a primeira preocupação dos edis de um nascente município fosse a de aumentar os seus próprios salários. Junto com meus companheiros estudantes e sindicalistas promovemos greves e movimentos populares.
PERGUNTA - Como era a relação entre escola-sindicatos-sindicalistas?
RESPOSTA - A partir de 1963 a relação estudantes-operários estreitou-se. A
bem da verdade elas já vinham estreitando-se desde a campanha para a emancipação, onde ao contrário do que muitos pensam e apregoam que foi uma campanha exclusiva da burguesia. Liderada por ela sim, mas exclusiva não. E o próprio Partido Comunista Brasileiro, de forma bem discreta, dela
participou, porque entendeu nela uma capacidade de mobilização de massa até então inexistente na história de Osasco. Assim, em 1963, pouco antes do golpe, o PCB que tinha a Secretaria Geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e na presidência um aliado fiel, me convida para compor a mesa de debates sobre "A luta da Classe Trabalhadora", com a presença do então Ministro do Trabalho, Almino Afonso, na qualidade de presidente da União dos Estudantes de Osasco.
PERGUNTA - Como era a relação entre a escola e a vida social da comunidade? (bailes, festas etc).
RESPOSTA - Era comum festas, bailes e atividades esportivas.
PERGUNTA - Como eram as relações entre a escola e vida cultural de Osasco? (teatro/cinema).
RESPOSTA - Teatro e cinema eram objetos de freqüentes discussões.
PERGUNTA - Havia muitos alunos em faixas etárias diferentes freqüentando as aulas? Como era esse relacionamento?
RESPOSTA - Nos cursos noturnos alguns poucos alunos chegavam a ser de
10 a 15 anos mais velhos.
BREVE RESGATE HISTÓRICO DE GABRIEL FIGUEIREDO
Saí de Ribeirão Preto para São Paulo, mais propriamente para o subúrbio de Osasco, em janeiro de 1954, com 11 anos de idade. Já havia concluído o curso primário no Grupo Escolar Fábio Barreto, em Ribeirão.
Meu pai era bancário e minha mãe do lar. Transferido pelo Banco de São Paulo S/A para a capital, meu pai, funcionário de carreira, decidiu vir com a família para Osasco. Viemos assim em cinco, visto que meus irmãos mais novos, Walter e Marina, engrossavam
A vinda para Osasco não foi por acaso, visto que no bairro morava uma irmã de meu pai, Maria Figueiredo Antiório, casada com um dos poucos
dentistas existentes no pedaço, Fortunato Antiório e que parece terem lhe dado apoio para se instalar.
Poucas semanas após nossa chegada, meu pai já havia alugado uma pequena casa e ainda que de forma precária nos instalamos e uma nova vida começou.
Ao chegar em Osasco tive um transtorno de adaptação com perturbação de conduta e demorei quase 5 anos para me acertar. Neste período fui um púbere e adolescente rebelde, agressivo, de pouca fala. Ainda assim, contribuía para a renda familiar trabalhando como engraxate, guardador de bicicletas em feiras-livres, entregador de encomendas das Casas
Pernambucanas e office-boy de uma loja comercial chamada "Sport Spada". Isto tudo no período de 11 a 14 anos, quando então o trabalho do menor já era autorizado e tirei minha primeira carteira profissional. Meus estudos foram prejudicados por estes primeiros anos tumultuados e só consegui, de fato, começar a ser produtivo na escola em 1960, no Ginásio Estadual de Presidente Altino (GEPA).
Nesta época do GEPA, entre 1960 e 1962, quando concluí o ginásio, eu já trabalhava como metalúrgico. O primeiro emprego foi na Companhia Industrial e Mercantil de Artefatos de Ferro (CIMAF) entre 1958 e 1961 e depois na Companhia Brasileira de Material Ferroviário (COBRASMA) até 1963 de onde fui demitido devido às repercussões das minhas atividades políticas. Também, em 1963, atrasei novamente minha carreira de estudante para me dedicar à política estudantil. Desisti do primeiro ano do colegial (Científico) para esta finalidade. Em 1963 só fiz política. Não tinha emprego e larguei a escola. Mais uma vez tive a compreensão e a amizade dos meus pais. O velho Figueiredo era um bancário, assalariado, sindicalista e simpatizante dos comunistas. Dona Dirce, um pouco mais preocupada e cautelosa, vivia me alertando para não cometer exageros e completava a baixa renda familiar sentada na sua Elgin costurando camisas para fábricas de roupas. Minhas economias, produto da minha indenização da Cobrasma, ajudaram na
manutenção na atividade exclusivamente política. Em abril de 1964 minha situação era dramática, pois além de já não dispor mais de recursos financeiros, estava preso e incomunicável no 4º RI de Quitaúna.
Na escola, tanto no ginásio quanto no científico, a maioria dos meus colegas tinham mais ou menos a mesma condição sócio-econômica. Éramos todos estudantes do noturno e neste período quase não estudavam filhos de famílias abastadas. No período da noite era uma relação praticamente de iguais.
O movimento estudantil secundarista, no meu tempo (1963/4), em Osasco, foi decisivo. Estudantes universitários praticamente não compunham o quadro de correlação de forças políticas. Foi, sob minha direção, que a UEO historicamente adquiriu identidade secundarista. Sua direção não foi escolhida nos bastidores elitistas, mas legitimada numa eleição extraordinária que envolveu todas as escolas existentes no recém criado município. E como não tínhamos escolas superiores na cidade, os poucos universitários foram convocados ao voto democrático, numa urna exclusivamente dedicada a eles. E os melhores, dentre os universitários, despojaram-se da arrogância e acabaram aderindo à nossa liderança. Entre eles destaco Clovis Gloeden, Antonio Carlos Masotti e, principalmente, Sérgio Zanardi. Os dois primeiros estudantes de Economia e o último de Direito.
Entre os secundaristas havia estudantes de várias categorias profissionais. No período noturno todos trabalhavam durante o dia e estudavam a noite. Até militares, soldados (conhecidos como récos), cabos e sargentos. Atuavam pouco, quase nada, nos Grêmios. Alguns deles, eu soube e conheci, foram perseguidos pela ditadura. Quanto às mulheres, elas eram, na sua maioria, sem emprego remunerado. Algumas ajudavam os pais no comércio, outras eram funcionárias públicas da recente cidade de Osasco. Ainda estava para explodir o papel da mulher no mercado de trabalho.
Por fim, a importância da escola secundária para os movimentos sociais de 50/60 merece um aprofundamento maior que uma simples resposta. Não dá para ser sintético. É o espírito analítico que se impõe. Para todos os efeitos fica aberta a tese de que o cidadão, estudante secundarista ou não, teve, entre 50
e 64, um acesso maior à participação e à organização e isto o tornou, potencialmente, mais capacitado a promover as necessárias transformações que a sociedade requer, apesar de algumas decepções vividas nestes últimos tempos.
ESCLARECENDO TEXTOS
1) José Álvaro Moises afirma que, seguindo orientação do Partido (que valia para todas as lutas pela emancipação que se desenrolavam na periferia de São Paulo), também, em Osasco, o PC não tem significativa participação na luta dos autonomistas. Isso é fato?
2) No entanto, o PC tem uma histórica relação com as SAB’s, como era a relação entre PC/SADO e a luta que se desenrola de 58 a 62?
3) José Álvaro Moises cita um líder comunista chamado: André Nunes Filho, “que mais tarde se notabilizaria em Osasco por sua oposição ao movimento de protesto urbano daquele subdistrito”. Você conheceu essa pessoa? - (pág 279)
RESPOSTA - A afirmação de J.A.Moisés procede na medida em que
realmente o PCB não empunhou com ardor a bandeira emancipacionista. Participou, é verdade, conforme já expressei anteriormente. O que não acredito é que esta participação pouco significativa tenha se dado pelo desprezo que a direção do PCB tinha pelas lutas da burguesia. Não me lembro, de em nenhum momento, ter recebido qualquer tipo de observação dos comunistas da época que aquele movimento não deveria contar com apoio. Era um movimento da sociedade civil, liderada por conhecidas figuras da burguesia, dentre as quais, algumas delas, como já falei, eram simpatizantes e até colaboradores do PCB.A presença de sindicalistas, metalúrgicos, ferroviários, comerciários e bancários neste movimento me parece que deve ser bem mais estudado e
aprofundado. É de um reducionismo vulgar colocá-los, todos, num mesmo saco e considerá-los massa de manobra da burguesia.
Não conheci André Nunes Filho, a menos que ele tivesse um "nome de guerra" que eu possa localizar documental ou mnemicamente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O movimento estudantil de Osasco, entre 1962 e 1964, confundia-se com o movimento operário. As bandeiras de luta giravam em torno das reivindicações para melhor qualidade do ensino, acesso democrático à educação, atividades esportivas e culturais, apoio às reformas de base propostas pelo governo de João Goulart, ampliação da organização do movimento para toda a região através da criação do Conselho Regional de Estudantes da Baixa Sorocabana (CREBS), e, finalmente, de uma posição definida contra o imperialismo norte-americano. Havia, pois um projeto, um programa. Não era um movimento espontaneista, alienado. Era
ideologicamente alimentado pelos movimentos de esquerda, onde o PCB e o PSB marcavam presença. Também muitos estudantes ativos e participantes da época não eram filiados a nenhum partido político, o que evidentemente não os tornava mais puros e muito menos alienados.
SUMÁRIO DE TRAJETÓRIA POLÍTICA E PROFISSIONAL
GABRIEL ROBERTO FIGUEIREDO é médico graduado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em 1973. Especializou-se como médico residente em psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Referendou seu título de
especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Doutor em medicina pela Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina - com a tese "A evolução do hospício no Brasil". Autor de livro,
capítulos de livros e de vários trabalhos científicos publicados em revistas indexadas. Apresentou trabalho de pesquisa médico-social em Portugal,
França, Bélgica, Itália, Holanda e Estados Unidos. Neste último país o trabalho foi apresentado em Washington pelo co-autor o médico e pesquisador Nelson Carozo.
Foi secretário da saúde de Osasco e presidente da Fundação de Saúde do Município de Osasco (FUSAM) de 1983 a 1985. O prefeito era Humberto Parro.
Foi coordenador dos ambulatórios de saúde mental do Estado de São Paulo de 1985 a 1987. O governador era André Franco Montoro.
Recentemente, em 2002, recebeu homenagem da Assembléia Legislativa de São Paulo, pela sua trajetória de lutas em prol dos direitos humanos.
Exerceu atividades docentes na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e na Faculdade de Fonoaudiologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) entre 1977 e 1982.
Desde 1991 é professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). A partir de 1996, na carreira acadêmica, alcançou o topo, como Professor Titular desta Universidade.
Atualmente é membro da Câmara Técnica de Saúde Mental do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP).
Exerce clínica psiquiátrica em consultório privado na cidade de São Paulo, na Rua Fradique Coutinho 1945, bairro Vila Madalena.