Análise das agendas das semanas 4, 7, 8 e 9.
AGENDA DA SEMANA 4 Contextualização
Nas primeiras semanas o professor apresentou o Programa da Disciplina, tomou conhecimento a respeito do grau de familiaridade dos alunos com o uso de tecnologias na educação e sobre as expectativas em relação ao curso. Nesta agenda, iniciou a realização propriamente dita das atividades.
Imagens da agenda
FIGURA 5 - Agenda da semana 4 (parte de cima)
FIGURA 6 - Agenda da semana 4 (parte central) – adiante
GRUPO 1 - Marcas de subjetividade
Constatamos nessa agenda que o professor, em sua mediação pedagógica, age como uma ponte dinâmica entre o aprendiz e os conteúdos de aprendizagem, como
um orientador e consultor nas atividades propostas, procurando estimular a troca de ideias (compartilhe suas considerações com seus colegas) para o alcance dos objetivos traçados, já que a interlocução com troca de ideias possibilita o alcance dos objetivos, como alguns estudiosos defenderam, entre os quais Maseto (2009). Intervindo pedagogicamente pela linguagem, o docente faz escolhas linguísticas que expressam sentimento, julgamento, opinião. As pistas deixadas no enunciado demonstram o propósito comunicativo e visam a aproximar e envolver o discente de modo que ele participe e colabore de seu processo educacional.
FIGURA 6 - Agenda da semana 4 (parte central)
Fonte de ambas as Figuras (5 e 6): http://moodle2012.pucsp.br/course/view.php?id=1171
O emprego do pronome de primeira pessoa do plural implícito na desinência, em Vamos começar nossas atividades em nossa sala virtual, refletindo sobre a relação ou associação entre tecnologia e educação?, constitui uma estratégia do professor para estabelecer uma relação inclusiva e se aproximar de seus alunos, buscando desenvolver um ambiente colaborativo. A oração em forma de pergunta, por sua vez, é outra estratégia bastante apropriada para potencializar o diálogo e promover uma interação colaborativa (CAMPOS, 2008), bem como ainda incentivar a coautoria no processo de aprendizagem. A pergunta – vale relembrar – leva ao diálogo, sugere
reflexões, demonstra que o docente está fazendo a mediação pedagógica estimulando o aluno a se colocar, a colaborar consigo próprio.
Ao dizer que selecionou dois vídeos para esta discussão, o professor deixa claro que pretende promover o diálogo. Ao solicitar que o aluno anote suas primeiras impressões no caderno digital, intenciona colaborar para o aprendiz desenvolver sua autoaprendizagem.
O emprego de modalizadores (se julgar pertinente; se quiser; mas reflita) em Releia essas anotações, desconsidere algumas (se julgar pertinente), faça outras (se quiser), mas reflita sobre o(s) significado(s) que você atribui a cada vídeo... é importante, pois serve para estimular a reflexão do aluno em seu percurso de aquisição de conhecimento. Entendemos que a conjunção adversativa mas, nesse caso, tem a função de adição e, com isso, pode potencializar a reflexão.
O uso de advérbios modalizadores epistêmicos (Certamente, na rede que surgirá como resultado da sequência de mensagens enviadas ao fórum...[...] e, principalmente, continuar refletindo...) e advérbios intensificadores (você encontrará muitos argumentos) marcam a avaliação e atitude do falante em relação ao que ele próprio diz, como explica Neves (2000: 245-249), e buscam envolver o interlocutor. Nesse caso, o professor demonstra que a troca de ideias é importante para desenvolver a criticidade, pois a discussão e o confronto de opiniões potencializam a construção conjunta de conhecimento.
O emprego de adjetivos de avaliação psicológica (você encontrará muitos argumentos e opiniões interessantes) expressam julgamento de valor positivo e tendem a gerar a aproximação, uma vez que propiciam o estreitamento de laços de afetividade entre os envolvidos no processo interacional.
A utilização de verbos no imperativo (anote; releia; faça; reflita; procure; compartilhe) resgata o locutor na cena enunciativa e estimula a participação. Também o uso do pronome de tratamento você demonstra a intenção do professor de estabelecer uma
interlocução mais próxima com o aluno e gera a percepção de que o docente está se dirigindo diretamente àquele discente. Como efeito, sentindo-se prestigiado, contatado de forma direta pelo professor, o aluno provavelmente se envolverá mais na interação: as estratégias linguísticas citadas potencializam a participação e tendem a produzir empatia e uma relação mais pessoal, elementos que conduzem ao envolvimento do aprendiz.
As marcas de oralidade (são suas impressões, certo?; Bom trabalho!) empregadas também se configuram, no caso, como estratégias interacionais eficazes, já que imprimem um tom mais informal, mais convidativo à interação, o que tende a aproximar e envolver o aluno, estimulando-o a ser verdadeiramente proativo na construção de conhecimento.
Ao desejar Bom trabalho! e finalizar a enunciação identificando-se, o sujeito- professor imprime, a nosso ver, um caráter pessoal à sua enunciação, estratégia que busca a aproximação com os aprendizes.
GRUPO 2 - Marcas de afetividade e polidez
Com base na fundamentação teórica deste estudo, afirmamos que em um processo de ensino e aprendizagem a distância, no qual não há a interação face a face, estratégias linguísticas que contribuam para um maior engajamento entre os participantes potencializam o envolvimento e a colaboração. Também são muito importantes para o envolvimento do aluno os recursos linguísticos de polidez, que atuam para estabelecer uma atmosfera agradável e afetiva em processos interacionais, como afirma Kerbrat-Orecchioni (1980).
Nessa agenda, verificamos que houve o emprego de diversas estratégias de polidez, a seguir listadas, que atuam positivamente no sentido de (a) demonstrar a preocupação do professor em estabelecer uma relação harmoniosa com o aluno; (b) atenuar o efeito que determinada ordem pode causar; (c) facilitar a aproximação; (d)
criar laços afetivos; (e) estabelecer uma atmosfera de mútuo respeito; (f) levar ao envolvimento e à participação.
As estratégias que detectamos são:
- lembrete em forma de pergunta retórica: Lembre-se: são suas primeiras impressões apenas, certo?
- orientações e recomendações: Releia essas anotações, desconsidere algumas (se julgar pertinente), faça outras (se quiser), mas reflita sobre o(s) significado(s) que você atribui a cada vídeo, sobre a(s) mensagem(ns) que cada um transmite e a importância que cada um deles assume para você. Procure, também, estabelecer relações entre os dois, buscando perceber se e como se articulam;
- explicações: Certamente, na rede que surgirá como resultado da sequência de mensagens enviadas ao fórum, você encontrará muitos argumentos e opiniões interessantes para discutir, confrontar, concordar, discordar e, principalmente, continuar refletindo;
- marcas de oralidade e o uso do pronome você: ...lembre:se: são suas primeiras impressões apenas, certo? (atenuam, a nosso ver, a hierarquia assimétrica existente entre professor e aluno, decorrente segundo Barros e Crescitelli (2008) de diferenças de experiências, de idade, de nível de conhecimento, e promovem a aproximação entre eles;
- elogios: [...] você encontrará muitos argumentos e opiniões interessantes. GRUPO 3 - Conversa didática orientada
Holmberg (1995) defende que a conversa didática orientada pode propiciar o envolvimento do aprendiz e motivar sua participação. Por meio da conversa, o professor pode conduzir o aluno à tomada de decisões de forma independente, decidindo o que e como aprender. Também afirma que a interação promovida por essa conversa contribui para o prazer pelo estudo e empatia entre os envolvidos do processo. Verificamos tratar-se de uma enunciação caracterizada por uma conversa guiada, que contempla os seguintes elementos: