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Oppsummering samfunnsøkonomisk analyse

5. Kvalitetssikrers vurdering av samfunnsøkonomisk analyse

5.3 Oppsummering samfunnsøkonomisk analyse

Não existe um consenso geral na classificação tipológica do duplo. Encontram-se nos estudos literários diferentes aproximações feitas a partir de diferentes critérios de análise. Mas uma única tipologia, ou uma tipologia rígida e rigorosamente delimitada, acaba por ser contrária à problemática do duplo. Sendo este um tema que abrange “toda la estructura de Occidente como oposición de contrarios”,549 a sua aparição manifesta-se sempre de maneiras diversas; assim, não existe um só duplo, mas, em geral, “tantos como usos literários puedan hacerse…”550 Por exemplo, um mesmo tipo de duplo pode

548 Bruno Estañol, “El que camina a mi lado: el tema del doble en la psiquiatría y en la cultura”, Revista Salud Mental, Publicación del Instituto Mexicano de Psiquiatría Ramón De la Fuente, vol.35, n.4,

julio/agosto 2012, p. 270. http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=58224380001, (fonte consultada em Dezembro de 2016).

549 J. Bargalló, op. cit., p. 11.

550 I. Velázquez Esquerra, “Aspectos textual y psicoanalítico del tema del doble en la Literatura. (I): Los desdoblamientos de M. Tournier”, in: Cuadernos de investigación filológica, Nº 8, 1982 , p. 49.

“presentar varias modificaciones, como de hecho ocurre según las diversas culturas o los distintos momentos históricos en que aparece, así como a tenor de las diferentes estructuras literarias en que se manifiesta”.551 Mesmo assim, o relacionamento entre ambas as entidades pode ir da semelhança absoluta até ao contraste total. Pode variar a própria qualidade da origem ou das condições em que acontece a duplicação, podendo ser num quadro, como em Dorian Grey, ou numa barata, no caso da Metamorfose552 (1915) de Kafka:

la relación entre ambas encarnaciones puede ir desde la semejanza total (lo que conlleva la posibilidad de substitución), como la obra de Dostoïevsky, hasta el contraste más perentorio, como en la novela de Stevenson; este contraste es más acentuado todavía, cuando una de las encarnaciones es una entidad no humana, como en el cuadro de El retrato de Dorian Grey.553

Também um aspecto determinante representa a variedade em que as duas encarnações se manifestam, podendo ser de maneira simultânea, num mesmo espaço e tempo, ou sucessiva, como no caso do Orlando554 (1928), de Virgina Woolf, na qual, sendo uma mesma entidade encarnada em diferentes tempos, se impossibilita a simultaneidade.555

Juan Bargalló fez duas aproximações ao estudo do duplo.556 Uma envolve o aspecto paradigmático e a segunda o aspecto sintagmático. Em relação ao aspecto paradigmático, escreve:

la relación entre ambas encarnaciones puede ir desde la semejanza total (lo que conlleva la posibilidad de substitución), como en la obra de Dostoïevski, hasta el contraste más perentorio, como en la novela de Stevenson; este contraste es más acentuado todavía, cuando una de las encarnaciones es una entidad no humana, como en el cuadro de El retrato de Dorian Grey.557

Assim, o duplo pode ser representado como uma cópia idêntica ao original em semelhança física, ou no contraste mais absoluto, como o encontrado entre o Dr. Jekyll, exemplo de elegância e educação, e o aspecto horripilante do Sr. Hyde. Essa diferença entre os duplos pode ir ainda mais longe, se este for representado como um objecto não humano, como no caso de Dorian Gray, de Oscar Wilde.

Do ponto de vista sintagmático, Bargalló encontra duas variedades. Na primeira, as encarnações manifestam-se num mesmo tempo e num mesmo espaço. A outra

551 J. Bargalló, op cit., p. 16.

552 F. Kafka, Metamorfose, Lisboa, Edição «Livros do Brasil», 1998. 553 J. Bargalló, op. cit., p. 16.

554 Virginia Woolf, Orlando, Hertfordshire, Wordsworth Editions, 2003. 555 Cf. J. Bargalló, op. cit., p. 16.

556 Cf. Ibid., pp. 13-17. 557 Ibid., p. 16.

possibilidade é que a simultaneidade seja impossível, sendo que de uma encarnação se passe a outra, pois cada personificação exclui a outra. Dentro destas possibilidades, acrescentando complexidade à classificação, encontram-se os casos em que o desdobramento não apresenta estruturas que coincidam com as variedades mencionadas, e sim estruturas intermédias.558

Bargalló cria outra classificação do duplo a partir de seu modo de construção. As suas representações podem referir-se a um processo de fusão, de cisão ou de metamorfose. A fusão é indicada quando dois seres diferentes se fundem num só, numa identificação que pode ser gradual. Tal é o caso de William Wilson, de Edgar Allan Poe. Neste conto, dois indivíduos idênticos, mas separados, vão-se encontrando sucessivamente ao longo do relato, até chegarem ao ponto em que o original, ou narrador, se dá conta de que “havia matado a melhor parte de si próprio”.559 O sósia,560 de Dostoïevsky, seria um exemplo desta classificação.

A cisão existe quando de um único indivíduo surge um outro. Tal é o caso de O nariz, de N. Gogol, romance onde um nariz se torna independente do major Kavaliov e, como usa farda de Conselheiro de Estado, o major não pode levá-lo a julgamento por causa das diferenças sociais entre ambos. A metamorfose acontece quando o indivíduo se transforma, se metamorfoseia num outro, como no caso emblemático da Metamorfose, de F. Kafka.

Uma segunda tipologia é apresentada por Maris Poggian. A autora cria uma tipologia do duplo onde entram cinco classificações.561 A última refere-se ao duplo no cinema, pelo que a excluímos da nossa exposição.

A primeira divisão é chamada “desdobramento”, Poggian define-a como “cuando dos encarnaciones alternativas de un sólo y mismo individuo coexisten en un sólo y mismo mundo de ficción.”562 O exemplo paradigmático é o já mencionadoThe strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde. Aqui, as duas encarnações, Hyde, desdobrado em Dr. Jekyll, coexistem no mesmo mundo de ficção, mas não podem representar-se num mesmo espaço, porque a presença de uma anula a outra. A segunda classificação é chamada “gémeos idênticos” ou doppelgänger, fazendo alusão ao termo de Jean Paul. A particularidade aqui é dada pela similitude física em identidades separadas, como a

558 Ibid., p. 17.

559 E. A. Poe, “Willim Willson” in: Contos fantásticos, Lisboa, Guimarães Editores, 2002. 560 F. Dostoievsky, “O sósia” in: Obras Completas, v.1, Lisboa, Editora Arcádia, 1964. 561 Cf., S. Maris Poggian, op. cit., pp. 117-120.

exposta no conto William Wilson, de Poe. Orlando é a terceira classificação: “está basada en un solo y mismo individuo (una sola y misma identidad) pero existe bajo una o dos formas en dos o más mundos distintos.”563 Baseada no romance homónimo de Virgina Woolf, esta variante está influída na teoria da reencarnação. A quarta variante é a circunscrita ao Anfitrião de Plauto, onde se alude ao disfarce. Nesta tipologia existem duas identidades distintas, mas confundidas pelo disfarce. Um exemplo é a Comédia dos Erros, de Shakespeare.564

Martín López, na sua brilhante e exaustiva tese doutoral, expõe quatro tipos de duplo.565 A primeira e mais facilmente identificável é quando duas encarnações da mesma personagem coexistem no mesmo espaço ficcional, fazendo possível a autoscopia, a contemplação de si próprio. Esta descrição obedece à definição de Jean Paul do doppelgänger.

Lopez acrescenta três definições: na primeira, o duplo existe num ou mais mundos ficcionais que logo acabam fundindo-se, caso de As montanhas escabrosas, de Poe. Na segunda variante, dois indivíduos com identidades distintas, mas com atributos essenciais iguais, numa espécie de identidade espiritual, coexistem numa mesma dimensão. Um exemplo típico encontra-se no relacionamento entre Medardo-Victorino no hermético romance Los elíxires del diablo, de Hoffmann. Na sua última classificação, a autora descreve o caso em que o indivíduo se contempla morto. Esta tipologia tem “sus raíces en el acervo legendario español”.566

Uma outra tipologia ou classificação é apresentada por Jourde e Tortonese, que Martín López cita. Nesta, os autores definem o duplo a partir de duas categorias segundo a sua natureza subjectiva ou objectiva:

La tipología de Jourde y Tortonese, que distingue double subjectif de double objectif, resulta especialmente útil para describir las implicaciones narrativas del motivo en el texto literario. El doble subjetivo se manifiesta cuando el protagonista (y muy a menudo narrador) se enfrenta a su propio doble; es externo cuando adopta forma física (la autoscopia, los gemelos), e interno si se manifiesta psíquicamente (la personalidad múltiple, la posesión). Mientras el doble subjetivo externo se vincula con un rasgo distintivo muy concreto -la similitud física, la expresión autoscópica-, la construcción del doble subjetivo interno se funda en criterios excesivamente ambiguos, pues, como se verá, esa dimensión psicológica puede traducirse bien en un obvio desdoblamiento interno del personaje literario -pienso en “¿Un loco?” (1884), de Guy de Maupassant-, bien en un dudoso nexo del individuo con gatos negros -me refiero al famoso cuento de Poe-, o insectos gigantes - La metamorfosis, de Franz Kafka-.567

563 Ibid., p. 119.

564 Ver E. Frenzel, op. cit., p. 98.

565 Cf. R. Martín López, op. cit., pp. 18-19. 566 Ibid., p.19.

Como se verificou, existem várias e diversas aproximações na hora de clarificar o motivo do duplo, desde classificações baseadas na similitude física ou psicológica, na representação objectiva ou subjectiva, na maneira como acontece a duplicação, no espaço ficcional em que esta ocorre, no modo como o indivíduo e a duplicação se relacionam, na forma como este aparece na narrativa, entre outras.

O duplo, como já se viu, assume diferentes formas e manifestações dependendo da própria criatividade do autor, assim como do contexto cultural, histórico e social em que a obra nasce. O duplo, de uma ou outra maneira, é um leque de possibilidades onde se manifesta o eterno conflito da dualidade – podendo ser desde a oposição entre o bem ou o mal, a consciência versus as forças regressivas inconscientes, instinto-civilização, ou indivíduo e colectividade, como as forças mitológicas e simbólicas de uma nação. No caso que nos ocupa, poderíamos entender Savachão como duplo reencarnado do rei, pois ambas as identidades existem em mundos distintos, à maneira de Orlando, segundo Poggian, e Marco Túlio como doppelgänger ou sósia por confusão.