Assim como no ano anterior, a primeira parte do questionário pedia aos alunos para darem uma nota para as diferentes atividades desenvolvidas durante o semestre. Novamente, o critério utilizado foi o mesmo adotado pela Instituição, que reproduzo a seguir: L (louvor) MB (muito bom) B (bom) R (regular) I (insuficiente) D (deficiente) 10,0 – 9,5 9,4 – 8,5 8,4 – 7,5 7,4 – 6,5 6,4 – 5,0 4,9 - 0
Quadro 4. 14 Conceitos e notas adotados na Instituição
Os alunos atribuíram conceitos para as diferentes atividades e dinâmicas desenvolvidas no curso ao longo do semestre. Foram 34 os respondentes, pois um dos alunos faltou nesse dia. Os resultados, com as porcentagens mais altas para cada uma das atividades em destaque, seguem a seguir:
37 Em meados do segundo semestre de 2004, houve um problema sério no servidor que hospedava o
site e o curso precisou ser transferido para outro servidor. Devido a esse problema técnico, todo os
arquivos do banco de dados até aquela data se perderam. Felizmente, eu mantivera uma cópia impressa das respostas dadas pelos alunos a este questionário e, por isso, elas puderam ser mantidas na análise dos dados.
Atividades L MB B R I D Listening com gravador em sala 15% 15% 50% 15% 5%
Listening com video em sala 29% 44% 21% 6% Prática Oral (pair work & group work) 18% 29% 38% 12% 3% Elaboração do texto Introductions –
para o Profile no Portal 9% 29% 35% 24% 3% Elaboração do Photo Gallery 21% 29% 38% 12% Leitura e Discussão de Artigos 18% 41% 32% 9%
Atividade de leitura e pesquisa na
Internet – About engineering 9% 21% 55% 12% 3% Atividade de leitura e pesquisa na
Internet – Interviewing a teacher at ITA 18% 41% 35% 3% 3% Trabalho em grupo para o portal 9% 24% 44% 15% 5% 3%
Quadro 4. 15 Avaliação das atividades realizadas no primeiro semestre de 2004
Como se pode observar, as porcentagens mais altas ficaram concentradas entre os conceitos MB e B. A partir disso, pode-se inferir que, de um modo geral, as atividades foram consideradas boas pelos alunos. Vale observar, apenas, a avaliação da tarefa final do primeiro mês de aula, relacionada ao profile dos alunos, que foi avaliada como boa por 35% dos alunos e regular por 29%. Alguns alunos chegaram a explicar o porquê dessa avaliação, ao declararem não gostar de se exporem para os outros ou não gostarem de falar sobre sua vida pessoal. Essa é uma questão a ser respeitada: a disponibilização do perfil do aluno num curso que faça uso de recursos digitais deve ser facultativa.
A pergunta seguinte do questionário pedia aos alunos para listarem os pontos positivos e negativos observados no curso durante o semestre. Seguindo a mesma metodologia utilizada nos questionários avaliativos anteriores, as respostas dadas pelos alunos foram agrupadas por categorias, que emergiram naturalmente a partir dos itens indicados pelos alunos como sendo positivos ou negativos. Duas das categorias observadas foram as mesmas em relação aos dois ciclos anteriores: atividades em aula e dinâmica do curso. Além dessas duas, uma nova categoria pôde ser observada: uso de recursos tecnológicos. A categoria interação professor/aluno, presente nas análises anteriores não surgiu neste questionário. O quadro a seguir sintetiza essa análise:
Aspectos positivos observados no curso Aspectos negativos observados no curso
Atividades em aula:
• Prática de inglês aprendendo a ouvir e a falar
• Atividades muito interessantes como a entrevista e a pesquisa sobre engenharia
• Assuntos de nosso interesse: trabalhos como about engineering • Ênfase no vocabulário de engenharia
e a prática oral do inglês
Dinâmica do curso:
• Atividades em grupo
• Aula dinâmica; estímulo ao aprendizado
• Aula tranqüila: não causa stress • Curso aberto para ir ao encontro dos
interesses da sala
Recursos tecnológicos:
• Utilização, por parte dos alunos, de recursos multimídia para a elaboração dos trabalhos
• Uso do computador • O site: uma novidade
Atividades em aula:
• Falta de exploração sobre
interpretação dos textos e contexto com gramática
• Baixo enfoque em gramática e no porte oral
Dinâmica do curso:
• Muitas atividades extra-classe • Muita língua portuguesa em sala de
aula
Quadro 4. 16 As categorias e os pontos positivos e negativos do curso no primeiro semestre de 2004
Os itens listados pelos alunos como sendo positivos no curso foram agrupados em três categorias. A primeira delas, atividades em aula, destacou, dentre outras, a questão do enfoque do curso voltado ao aprimoramento das várias habilidades comunicativas:
“Prática de inglês aprendendo a ouvir e a falar; (...) eu consegui aprender muita coisa, aumentei meu vocabulário, aprendi a pronúncia de muitas palavras, etc.”
Destacou, também, a percepção dos alunos quanto à vinculação do trabalho feito no curso de inglês a temas de interesse para estudantes de engenharia:
“Houve atividades muito interessantes como a entrevista e a pesquisa sobre engenharia.”
Essas constatações foram muito importantes devido ao enfoque teórico do plano de curso, que passou, no início do Ciclo 3 a ser efetivamente norteado por temas e por tarefas vinculados às necessidades de curto e de longo prazo dos alunos.
A categoria seguinte destacou questões relacionadas à dinâmica do curso exemplificadas a seguir:
“Atividades em grupo; Aula dinâmica; Aula tranqüila: não causa stress.”
Tais observações com relação ao gosto pela forma como as aulas são conduzidas, recorrentes nos questionários avaliativos anteriores respondidos pelos alunos ao final dos Ciclos 1 e 2 trazem novamente à tona a certeza de que a opção metodológica feita para conduzir o curso é adequada.
Também fica evidente, pelas respostas, que os alunos percebem que o curso foi desenhado para ir ao encontro de suas necessidades e que eles passaram a ter participação na tomada de decisões sobre o seu andamento:
“ O curso é aberto para ir ao encontro dos interesses da sala.”
Assim, entendo que o embasamento teórico que subjaz a minha atuação docente, os eixos teóricos norteadores do desenho de curso e a escolha metodológica para o conduzir, por meio da negociação e da análise continuada de necessidades e de direitos, são vistos como positivos.
A outra categoria que emergiu dos dados, recursos tecnológicos, refere-se ao uso do computador no curso. Os alunos entenderam como um fator positivo o uso
de recursos digitais no curso, o que era minha intenção desde o início do projeto, conforme ilustram os comentários a seguir:
“Utilização, por parte dos alunos, de recursos multimídia para a elaboração dos trabalhos.”
“Usando o computador, a aula foi um pouco tirada da sala de aula.”
Os aspectos negativos destacados pelos alunos novamente foram agrupados em duas categorias: atividades em aula e dinâmica do curso, e trouxeram à tona questões recorrentes: a falta de atividades estruturadas e voltadas à gramática; a cobrança do curso no que diz respeito à elaboração de trabalhos feitos fora de aula e o cumprimento de prazos para entrega desses trabalhos; e o uso do português em sala de aula.
A questão da gramática, já discutida no Ciclo 2, pode ser interpretada de diversas formas. Uma delas diz respeito a um mito incutido em estudantes de língua estrangeira ao longo dos anos: o de que só se aprende uma língua estrangeira ao se estudar a gramática dessa língua. A outra forma, conforme descrevi anteriormente, relaciona-se à minha formação como professora de idiomas, que se deu numa época em que era muito forte a incorporação do oposto: não é necessário ensinar gramática em cursos de inglês, ou melhor, o ensino da gramática emerge num curso a partir das necessidades dos alunos. A observação dos alunos traz à tona tanto o mito, enraizado neles, como o reflexo de minha formação docente.
“Falta de exploração sobre interpretação dos textos e contexto com gramática; Não houve desenvolvimento de gramática durante as aulas.”
Embora eu estivesse atenta a essa questão em decorrência da avaliação do questionário feita ao final de 2003 (Reflexão 2 – Ciclo 2), essa constatação apontada pelos alunos no questionário, serviu para que, no semestre seguinte, eu ficasse ainda mais atenta para abordar, à medida do necessário, questões estruturais da