A seguir, apresentamos sínteses de cada uma das entrevistas de modo a possibilitar ao leitor a percepção de algumas especificidades e singularidades de cada um dos entrevistados:
Professor Matheus, (critério e), faixa etária dos 30 anos, casado, um filho, há nove anos no magistério, há seis anos nessa unidade escolar; formou-se em universidade pública e teve sua primeira experiência no magistério em outra cidade do interior paulista. Trabalhava um período e utilizava seu tempo livre para preparar aulas e estudar (preparação de projeto de pesquisa para mestrado e posterior doutorado). Continuou prestando outros concursos para
professor e voltou para município no ano seguinte trabalhando numa escola em uma cidade mais próxima da região. Conta dessa experiência que o permitiu entender melhor "conceitos que havia aprendido na universidade". Tratava-se de uma escola sem estrutura física adequada, ainda em construção, num distrito municipal em crise, em que as pessoas criavam uma rede de solidariedade e se ajudavam neste enfrentamento. No ano seguinte, ele passa a ser professor concursado na rede municipal pesquisada e em 2010 ingressa nessa unidade escolar (escola pesquisada). Não pensava em ser professor. Gostava de ler e pensou em cursos que permitiriam dar continuidade às suas leituras. Entre o curso de Ciências Sociais em outra cidade ou Pedagogia em sua cidade natal, escolheu Pedagogia por questões financeiras (não teria muitos gastos). Menciona reconhecimento por parte da família e orgulho que eles têm em ter um professor em seu meio familiar. Quase todos da família fizeram faculdade, menciona a trajetória peculiar de sua família e acredita que, para eles, ser professor representa um "status", uma possibilidade de "fazer algo importante". Menciona que ser professor doutor dentro da escola pública não faz diferença, pois o que realmente importa é o professor não faltar ao trabalho e dar sua aula, não há "espaço social de validação do título de doutor", disse o entrevistado. Menciona que as relações são "fluídas" e que os problemas são de outra ordem quando comparados ao professor universitário. Tem, atualmente, dois empregos, mas disse gostar mais de dar aulas no município, pois considera ter autonomia para escolher os conteúdos e a maneira como conduz sua aula, sem interferência externa da gestão ou Secretaria de Educação. Declara se sentir às vezes cansado e ter problemas de saúde não diagnosticados, como dificuldade de concentração e hiperatividade. Mas, como professor, disse sentir-se realizado no trabalho escolar. Ao contrário do que sente em relação à sua outra atividade de trabalho, que considera ser um espaço "mais da burocracia". Quanto ao grupo de professores na unidade, menciona que há divergências pessoais, porém, "politicamente, na hora do vamos ver, tem consenso sempre". Menciona haver um Conselho de Escola "forte", e que os problemas são trazidos para serem discutidos na sala dos professores. Exceto questões disciplinares, assunto em que verifica bastante divergência no grupo. Aponta que outros assuntos, como avaliação, está sendo estudado e discutido pelo grupo, devido ao alto índice de reprovação na unidade que, para ele, é um "problema ideológico". Considera ser a avaliação vista pelos professores como essencialmente "punitiva", o que contribuiria para tais índices. Menciona características positivas em relação ao bairro em que se encontra a unidade escolar. Menciona também ter havido um ano de muito embate entre professores e gestores e lutas pela melhoria das condições de trabalho, com posterior criação de uma Associação de Professores como consequência destas lutas e também como espaço para dar "vazão" às
questões latentes. E desde então, argumentou, "criou-se uma lógica de discutir as coisas coletivamente". Relatou que atualmente entende-se que as discussões precisam ser resolvidas num âmbito macro, ou seja, dialogadas diretamente com a Secretaria. Considerou que dentro da unidade escolar há também esse espaço de discussão, mas ainda com muitos problemas; mas menciona ser um espaço. Relatou um episódio de enfrentamento que reuniu professores e pais da comunidade escolar para se oporem às decisões da Secretaria Municipal e posterior acordo entres as partes. Não avalia as relações entre professores, alunos, funcionários e gestão como positivas, mas mencionou avanços. Relatou que a relação da maior parte dos professores com os alunos é "muito autoritária", "intempestiva", "muito pautada na punição". Mencionou propostas de trabalho que visam dar protagonismo ao aluno e possibilidades de mudança nessa lógica, mas adverte ser um processo a ser analisado com o tempo. Relatou um conflito que teve com o gestor por questões relacionadas a alunos. Acredita que o fato da escola ter um corpo docente antigo não seja muito bom, pois as relações estão "muito cristalizadas", "historicamente, é uma relação muito ruim para os alunos", "é uma relação punitiva". Mencionou conflito na relação funcionários e diretor, mas sem que isso impeça que "politicamente as decisões sejam tiradas coletivamente". Considera a avaliação externa "inadequada" e "ruim". A avaliação da Secretaria, para ele, se propõe externa, mas configura- se como interna, pois compõe a nota dos alunos, o que retira a autonomia do professor. Induz o trabalho do professor e interfere no tempo de trabalho, pois é cobrado determinado conteúdo após cada final de trimestre. Quanto à avaliação do Governo Federal, considera "gerencial", pois "responsabiliza a instituição, responsabiliza a escola pelo resultado". Menciona que mesmo não havendo uma lista de ranqueamento, na prática, esta lista ocorre. Considera ser uma avaliação que avalia o "resultado", o "aluno", e não o "processo" ou a "instituição" e, por isso, "treina-se o aluno". Menciona que esta lógica "estimula o professor a treinar o aluno", induz a comparação com outras escolas e com os outros professores do mesmo ano escolar. Relata que ocasiona uma "competitividade", um "individualismo", uma "quebra no sentimento de pertença de um professor com o outro". Menciona que os diretores são cobrados por "boas notas", mesmo com a "falta de estrutura". São "parabenizados" pelas "boas notas" e assim, parabenizam os professores pelas boas notas, o que, ao seu ver, é "muito negativo". Menciona que o que lhe traz satisfação no trabalho é poder ter "autonomia". Menciona a responsabilidade que tem em ser professor não somente de "trinta alunos", mas de "trinta famílias" e preocupa-se com a "educação política" que se faz nas escolas hoje. Relata a "falta de compreensão" pelo "insucesso escolar" das crianças e alta "responsabilização" atribuídas às famílias. Sente-se insatisfeito dentro do grupo docente por "não haver abertura às
discussões políticas e sociais mais amplas" e considera que uma parcela significativa de professores "não se importam" com estas questões. Afirma sempre discutir esses assuntos nos espaços coletivos, mesmo que não reverbere como gostaria. Afirma que o reconhecimento no trabalho pelos seus colegas é "regular", pois se trata de um "grupo dividido" em dois, com "compreensões políticas diferentes" e "modos de entender a educação e a escola" também diferentes, mas reafirma, que hoje, ao menos, há espaço coletivo para tais discussões e diferenças. Espera que o grupo de professores possa mudar a escola, o sistema de ensino, que todos possam ser "agentes de transformação social mais razoável às demandas populares", num sentido de construir uma sociedade melhor. Acredita fazer parte deste processo, mas mostra-se sem esperança de ver isso acontecer de fato. Menciona também ficar "cansado", "desgastado". Porém, considera estar numa "situação privilegiada" em relação aos demais professores que possuem "jornada ampliada" e "rotinas extenuantes" e rígidas de trabalho, que não configura seu caso. Menciona ter "mal-estar político" que provém de um mal-estar mais amplo, "da sociedade que vivemos". Menciona a "indiferença" como o pior dos males, a norma que é aplicada "impessoalmente", "indiscriminadamente", "em qualquer situação". Lida com esse mal-estar explicitando o que sente e relatando as situações que não concorda, ou até mesmo infringindo determinadas regras. Menciona ser "desgastante" todo esse "processo de enfrentamento", mas sente-se "em paz consigo mesmo quando vê que as coisas foram resolvidas" e que "não ficou indiferente às situações".
Professor Guilherme, (critério e), faixa etária dos 30 anos, solteiro, dois filhos, dez anos no magistério, há quatro anos nessa unidade escolar; disse que sempre gostou do "ambiente escolar", que sentia-se bem. Era ativo e participativo das atividades escolares quando estudante e tornar-se professor foi pela "necessidade" de "manter contato" com esse "ambiente". Menciona que o magistério se "depreciou" muito com o "passar dos anos" e isso o afastou do trabalho de professor escolar no início de sua carreira profissional. Acabou entrando para o magistério, inicialmente, como professor de uma escola particular. Conta da sua primeira experiência como professor e menciona que foi "muito bem acolhido" e que isso lhe deu motivação para trabalhar. Ao final do contrato, menciona o "reconhecimento" obtido pelos alunos e o "prazer" que sentiu naquela ocasião. Relata que esta experiência foi muito significativa e decisiva para uma mudança na sua carreira profissional, quando a partir disso decidiu-se, "definitivamente", tornar-se "professor de escola regular". Menciona que sua primeira experiência ocorreu numa "escola pequena", onde o professor era "conhecedor de todos os alunos" e acompanhava o "crescimento" deles desde o primeiro ano na escola até o
último. Acredita que isso permite a construção de "vínculos afetivos bastante fortes". Acredita que, em "escolas muito grandes", isso não é possível, o que ocorre na escola onde ministra aulas hoje (escola pesquisada); considera também, "inadequada" a estrutura física da mesma. Já na rede municipal de educação, iniciou trabalhando apenas um período, dedicando-se a "família" e a "outra atividade profissional" nos "períodos livres". Logo optou por dobrar períodos como professor para "dobrar os ganhos salariais". Na primeira escola municipal que trabalhou, pode "dar vazão" ao que aprendera na faculdade e ao que mais gostava de fazer. Mostrou-se emocionado ao relembrar os frutos do trabalho (premiações em atividades da rede municipal relativos à sua área) que desenvolveu nesta escola junto à outra professora. Relata ter deixado um "legado" nessa escola. Mencionou "reconhecimento por parte da gestão" e compromisso para com o trabalho, bem como "vínculo afetivo" com os alunos. Mesmo podendo escolher trabalhar em outra escola no ano seguinte, optou "por continuar", ainda mencionando se tratar de uma escola com "problemas de drogadição", alto absenteísmo de professores e "contexto social difícil". Acredita que, ao "cuidar daquelas crianças, estaria cuidando de seus próprios filhos". Sua chegada à escola da pesquisa se deu no ano posterior; a escolha foi devido à facilidade de acesso, partindo de seu domicílio, e por ser uma das "três escolas" mais "bem avaliadas" no município na época. Continuou trabalhando nas duas escolas e se questionava como ambas eram "tão próximas geograficamente" e tão "diferentes em termos de avaliação", uma avaliada entre as piores e a outra entre as melhores da rede. Menciona "diferenças nas famílias" quanto à "percepção de mundo, educação e trabalho" e acredita que isso interfere nos alunos. Com o ingresso efetivo à rede pública, também inicia- se sua luta política pela educação municipal de qualidade: "e aí eu comecei a conhecer um Guilherme que eu ainda não conhecia, que acabou entrando de cabeça numa luta política dentro da educação". Menciona que seu "papel ativo na política", mais a "jornada integral" de aulas o "desgasta" e interfere no tempo livre que tem para sua família. Mostra-se incomodado com a "jornada excessiva" e por ter que "lutar por coisas que já deveriam ser direito e não são cumpridas". Questiona a forma como é entendida a jornada de trabalho municipal e a considera "ilegal" e "excessiva". Relata as "diversas demandas dos professores" como discussões pedagógicas com o grupo escolar, caderneta, correções, avaliações, organização de sala, de material, preparação de aulas, pesquisa e etc. Considera que o professor PEB III tem um "desgaste maior" por ter um "trabalho burocrático" maior em relação aos demais professores (educação infantil e fundamental I). Menciona que alguns "documentos" e "burocracia", "apesar de necessários", são "ultrapassados" e já poderiam ser diferentes em benefício ao trabalho do professor. Criou meios e instrumentos para tornar a avaliação do seu
trabalho mais "efetiva e precisa", diferentemente do prescrito, e encontrou "resistências" inicialmente. Relata que suas reinvenções diminuíram seu trabalho burocrático. Relatou que a maioria dos professores vem de "bairros distantes" para trabalhar na escola. O que o faz estar nesta unidade hoje é o "vínculo" que tem com os professores e "o fato da gente trabalhar interligado, um preocupado com o que o outro tá fazendo", dando exemplos de relações de cooperação no grupo. Menciona "trabalho interdisciplinar", e relata que este não ocorria na escola onde antes trabalhara. Relata que cada escola necessita de um "corpo docente" e, para que isto ocorra é necessário haver "respaldo" da gestão: os professores necessitam se sentir "seguros", argumentou. Relata que embora tenha um pouco de "resistência" por parte da "gestão", consegue obter o que "precisa para trabalhar". Gosta de trabalhar com "projetos", conforme ocorre na escola pesquisada, pois considera poder ir "além do referencial" e dos "conteúdos programáticos"; considera ser "mais significativo" para a criança. Avalia positivamente a gestão; considera que "pode melhorar"; evidencia que o gestor "faz até onde acha que pode fazer" e pondera que este não faz mais porque está "dentro de um sistema" que o "impossibilita" (indicação política), fazendo com que o mesmo "fique de mãos atadas em caso de irregularidades". Considera o sistema "cruel". Menciona o risco de "retaliações"; denomina ser um "sistema de cabresto". Relata que a satisfação do seu trabalho está em poder possibilitar aos alunos um "despertar de consciência" em relação à "saúde", ao "lazer" e à "política". O que o deixa insatisfeito é a "estrutura de ensino" considerada por ele "antiquada" e "precária". Menciona que a avaliação é "punitiva", "formal". Não considera o "ambiente escolar" prazeroso, como considera que foi em sua época de aluno e preocupa-se em "mudar essa estrutura". Menciona que irá lutar por essa mudança, mas demonstra sentimentos de desesperança ao dizer que não consegue ver "a famosa luz no fim do túnel". Menciona que o reconhecimento é muito importante e o identifica por parte dos "alunos": "eles abrem o sorriso quando você entra na sala de aula", relatou. Menciona também ser reconhecido pelos "colegas", "gestão" e "Secretaria da Educação"; afirma ter "demorado" para obtê-lo. Relata que é "questionado" acerca da suas "posições políticas" e "lutas" contra as "irregularidades" da educação municipal, mas alerta que "não há o que argumentar sobre o seu trabalho". Menciona "mudanças no bairro" e questiona a "infraestrutura de anos atrás", e mesmo "descontente" com estas questões, não considera "mudar de escola" e "começar tudo outra vez" em um outro lugar, pois relata que "respeito" e "reconhecimento" conquista-se "com o tempo, com luta". Ser reconhecido pelo trabalho lhe traz satisfação e o faz querer "melhorar a cada dia". Menciona "mudanças conquistadas" dentro do referencial curricular de sua disciplina como "positivas". Preocupa-se por se tratar de um "ano eleitoral" e poder haver
"descontinuidade" nas "conquistas e melhorias" referentes à educação. Mostra-se esperançoso com as "mudanças políticas" no final do ano, mas entende que a "realidade das últimas eleições" não foram tão "otimistas" para com a educação. Menciona que fará sua "parte" nos anos que estiver trabalhando na rede para que se aposente futuramente e possa ter "a sensação de dever cumprido".
Professora Clarissa, (critério c e f), faixa etária dos 30 anos, 16 anos na educação, um ano na escola, separada, dois filhos, trabalha em duas escolas; refere ascensão social em relação aos seus pais, mas queixa-se do "salário" e considera que "não cobre os seus gastos". Queixa-se de "sobrecarga de trabalho", (9 horas por dia nas duas escolas), e é comum trabalhar e organizar materiais para as aulas nas "noites e finais de semana". Sente-se insatisfeita frente a problemas com os "alunos com dificuldade de aprendizagem", "indisciplina" e "conflitos entre professores". Relata ter tido "amadurecimento" profissional e ter melhor aprendido a lidar com "situações de estresse e nervosismos" vivenciadas no trabalho. Relata "conflito com professor" em trabalho em outra escola. Recorreu ao uso de "medicamentos e terapia". Referiu "nervosismo", "estresse", "gastrite", "anemia" e "depressão" em função de aspectos relacionados ao trabalho. Na atual escola, com amadurecimento no trabalho, sua relação (cooperação) com outra professora e "apoio médico", e, também da "direção" para "casos de indisciplina de alunos", sente-se muito mais "confortável" do que em "outros momentos" de sua trajetória. Chegou a cogitar ter "outra atividade" profissional, mas tem para si que educação é a "área que gosta" e onde se "desenvolveu profissionalmente". Embora refira relação "mais próxima" e de cooperação com professora que trabalha com a mesma faixa etária e ano escolar, menciona "bafafá de professores", professor que "puxa-saco de direção", que quer "aparecer", "faz estripulia" etc. Sente-se reconhecida, sobretudo, "pelos alunos". Pauta-se em "critérios próprios" para "avaliar" o seu trabalho e refere que aprendeu a não ficar "bitolada" com as "avaliações externas" e a melhor lidar com "pressões e dificuldades" inerentes ao trabalho educativo na realidade das escolas públicas.
Professor Ricardo, (critério b e d), faixa etária dos 50 anos, casado, dois filhos, há 23 anos no magistério e 15 anos nessa unidade escolar. Relatou que no início de sua carreira, "nunca esperava dar aula". Sua família não queria que fizesse licenciatura, e sim Odontologia ou Medicina. Mas quis fazer licenciatura para "trabalhar com pesquisa". Porém, não seguiu "carreira acadêmica" devido ao "casamento" e a "urgência" para trabalhar em virtude disso. Tornou-se professor concursado no Estado e no Município logo após o término da graduação. Menciona que sua rotina de trabalho é "muito pesada", divididas em "três períodos" em
"escolas diferentes". Relata que, "anteriormente", "levava muito material para casa" e deixava o "lazer com a família de lado". Alega que hoje, se "policia" e tenta "minimizar" a situação para que o trabalho "não interfira" nas suas "relações com a família". Tem "muitas turmas" para lecionar e menciona "não deixar acumular" o "trabalho burocrático". Relata que "vai fazendo aos poucos, mas vai fazendo", pois "é muito trabalho". Menciona estar "sobrecarregado", pois dá "muitas aulas" e acredita que a "parte burocrática", a "documentação", é muito trabalho, "para além das aulas". Menciona que a "quantidade elevada" de aulas que dá é devido à necessidade de "ganhar mais" e por isso trabalha mais. Diz conseguir se "desligar do trabalho" nos "finais de semana", mas que, se "precisa fazer alguma atividade" referente ao trabalho, a faz. Sobre os "processos avaliativos", menciona que o Estado "preocupa-se com o bônus". Refere que os critérios para o bônus são "escusos" e que os professores "não entendem" todos critérios "adotados". Acredita que a forma de "comparação das notas" com as "turmas dos anos anteriores não tem sentido". Relata que os critérios adotados "induzem as escolas" a tomarem medidas em busca de "receber o bônus", modificando o trabalho para tal. Menciona não haver preocupação quanto a "qualidade do ensino". Relata haver "cobrança e pressão" por parte da "gestão escolar" quanto a "passar o aluno de ano", um dos critérios atrelados ao bônus. Relata não haver cobranças e pressões quanto à "aprovação dos alunos" no município: a cobrança é "por conteúdo, pra melhorar o conteúdo, pra melhorar a aprendizagem do aluno", comparou. Considera o grupo de trabalho no município "coeso" em suas decisões e "modos de agir com alunos e pais", e relata que a "gestão" oferece apoio e "ampara" o professor, ao contrário do que acontece com "algumas escolas do Estado". Acredita que o "comprometimento dos professores" municipais é com a "educação" e a "aprendizagem" do aluno, "ao contrário" dos "professores estaduais" que preocupam-se com o "bônus". Considera que "a rotatividade de professores municipais" entre as escolas é "elevada", e que os professores "trocam de unidade" em busca de "trabalhar mais próximo de suas residências"; porém, ressalta que o grupo da unidade escolar pesquisada permanece quase o mesmo ("50%"), há pelo menos seis anos. Segundo ele, os professores permanecem na escola "pelos alunos", porque haveria poucos "problemas de indisciplina": é "controlável" disse, mesmo considerando que os alunos "de antigamente" eram "melhores dos que os de hoje". E, por isso, opinou, o conteúdo "não é atingido como antes". Outro motivo é pela direção, que "apoia os professores" quanto ao "tratamento" e "cobranças" feitas aos