Apesar do crescente aumento das várias metodologias de ensino em ambiente escolar para o ensino de ciências, infelizmente, ainda persistem vários problemas para se efetivar diversos temas da ciência nas aulas, e um deles é sem dúvidas: a Astronomia.
Muitos são os problemas encontrados para que o ensino de Astronomia seja efetivamente abordado em sala de aula, e sem dúvidas, a formação docente, bem como, materiais didáticos de qualidade são os principais focos dos pesquisadores, ao abordarem tal problemática. Inicialmente, segundo Langhi (2009), pode-se atribuir a mínima presença, ou até mesmo, a ausência da Astronomia em sala de aula a alguns fatores, como:
Má formação inicial dos docentes;
Formação continuada Insuficiente ou ausente; Material didático de qualidade bastante escasso; e, Livros didáticos apresentando erros conceituais.
Trabalhar Astronomia em sala de aula é um momento, muitas vezes, de bastante insegurança por parte dos professores de Ciências, que sem uma preparação previa se arriscam a trabalhar esse tema, prendendo-se a conhecimentos adquiridos apenas em sua formação inicial (no Ensino Fundamental e Médio), os quais podem estar repletos de erros conceituais, tanto por parte dos educadores, quanto nos próprios materiais didáticos utilizados por estudantes e professores (PEIXOTO et al 2012). Em relação ao trabalho docente, geralmente, muitos professores ainda trabalham os conteúdos de Astronomia sem experiências de debates críticos sobre problemas de aplicação da astronomia às diversas ciências, bem como, ao cotidiano.
De acordo com Leite e Hosoume (1999), ainda existe no mercado, o comércio de livros com erros conceituais ou com informações incompletas que sugerem interpretações equivocadas, ainda que o os livros aprovados pelo PNLD, tenham passado por uma avaliação e quando necessário, incorporando correções em tais exemplares. De acordo com Langhi e Nardi (2005), muitos professores atribuem ao livro, uma confiança muito grande, sendo esta total confiança, um problema, uma vez que muitos exemplares de livros ainda apresentam erros.
Segundo Gonzatti et al (2013), os professores de Ciências, na grande maioria, sentem-se inseguros para abordar temas relacionados a Astronomia, por não possuírem uma base conceitual e metodológica deste tema, e isso acaba por comprometer a qualidade de trabalho docente desenvolvido. Preferindo, os docentes dessa área, muitas vezes, substituir tal temática por outra que possua domínio, ou ainda, no intuito de cumprir o currículo, propagam erros conceituais, por não saberem lidar com estes, ou ainda, não reconhecê-los (LANGHI; NARDI, 2009).
Deve-se considerar que a insuficiência do ensino-aprendizagem dos estudantes não deve ser uma responsabilidade atribuída somente aos professores, pois estudos revelam que a problemática inicia-se em suas formações iniciais (LANGHI; NARDI, 2012). E estes docentes também classificam as principais dificuldades enfrentadas para efetivar o ensino de Astronomia, que são apresentados em uma pesquisa realizada por Langhi e Nardi (2005), onde reúnem resumidamente no quadro 1 (a seguir), o discurso analítico desses docentes.
Quadro 1 - Dificuldades segundo os professores
Metodologia
Acreditam que conteúdos de Astronomia fazem parte de uma realidade distante do „mundo‟ dos alunos e do nosso também. Faltam ideias e sugestões para um ensino contextualizado de Astronomia.
Encontram dificuldades implícitas ao próprio tema. Alguns conceitos são difíceis de entender e de explicar.
Conteúdos de Astronomia em livros didáticos e o tempo dedicado a eles durante a programação escolar são reduzidos para se trabalhar adequadamente.
Infraestrutura
Falta de acesso a outras fontes rápidas de consulta, tais como a internet, ou demais fontes bibliográficas paradidáticas.
Dificuldades em realizar visitas e excursões a observatórios, planetários ou estabelecer contatos com associações de astrônomos amadores regionais.
Escassez de tempo para pesquisas adicionais sobre temas astronômicos.
Fontes
Confiança nos livros didáticos é quebrada ao serem expostos seus erros conceituais de Astronomia.
Quantidade reduzida de literatura com linguagem acessível que trata de fundamentos de Astronomia e métodos de ensino para os anos iniciais do Ensino Fundamental.
Não se encontram critérios quanto à seleção confiável de publicações paradidáticas e de páginas eletrônicas na internet.
Tempo desperdiçado durante a procura não direcionada de outras fontes informais de ensino: outros livros didáticos, livros paradidáticos, revistas, jornais, internet, filmes, programas de TV, palestras locais, outros professores, institutos do setor, e astrônomos.
Pessoal
Insegurança e temor pessoal com relação ao tema.
Dificuldades em realizar a separação entre mitos populares (como a Astrologia e horóscopos) e o conhecimento científico em Astronomia.
Formação
Falta de cursos de aperfeiçoamento/capacitação na área (formação continuada).
Primeiro contato com a Astronomia apenas no início de sua carreira como professor.
Dificuldades em responder perguntas de alguns alunos sobre fenômenos astronômicos geralmente divulgados na mídia, devido a falhas durante a formação inicial.
Fonte: Langhi e Nardi (2005, p. 88).
Nesse contexto, Langhi e Nardi (2012) reúne alguns dos principais problemas enfrentados com relação ao ensino de Astronomia no Brasil:
Existência de lacunas na formação inicial de professores dos anos iniciais do ensino fundamental relativos a conteúdos e metodologias de ensino de astronomia;
Cursos de curta duração, normalmente denominados de “formação continuada”, que não promovem, satisfatoriamente, uma mudança efetiva na prática docente para a educação em astronomia;
Carência de material bibliográfico e fonte segura de informações sobre astronomia;
Especularização de mídia e sensacionalismos sobre temas e fenômenos de astronomia;
Escassez de estabelecimentos dedicados à astronomia (observatórios, planetários, associações, museus etc), e dificuldades em estabelecer relações com a comunidade escolar;
Persistência em erros conceituais em livros didáticos e outros manuais didáticos, apesar de diversas revisões em seus textos;
Quantidade reduzida de pesquisas sobre educação em astronomia; Perda de valorização cultural e falta do hábito de olhar para o céu; Propagação em massa de concepções alternativas sobre astronomia; Falta de atualizações aos professores quanto a novas descobertas e informações sobre fenômenos astronômicos iminentes que poderiam ser aproveitadas nas aulas (p.188).
Com base nas informações apontadas por pesquisadores, foi possível reunir de modo geral, os problemas (listados a seguir) para se efetivar o ensino de Astronomia nas instituições escolares:
Dificuldades dos docentes com o ensino de Astronomia (LANGHI; NARDI, 2005);
Formação inicial precária em ensino de Astronomia, o que leva os docentes a promover o trabalho educacional com base em um suporte instável (LANGHI; NARDI, 2005);
Falta de domínio dos conhecimentos da Astronomia por parte dos docentes de Ciências (LANGHI; NARDI, 2012);
Ausência ou presença ínfima de uma pedagogia voltada para uma aprendizagem crítico-reflexiva, que estimule o aprendizado interativo, dinâmico, proporcionando um letramento científico do discente;
Mídias e livros didáticos com erros conceituais, equívocos na história da Astronomia ou até mesmo, uma simplificação de conhecimentos/conteúdos, o que acaba induzindo ao erro (LEITE; HOSOUME, 1999; LANGHI, 2004; LANGHI; NARDI, 2005);
Aulas desprovidas de conhecimento científico ou pouco didáticas no sentido de promover um aprendizado para além da Astronomia (LANGHI; NARDI, 2012);
Materiais utilizados com presença de erros ou equívocos sejam na própria história da Astronomia ou conteúdos específicos (LANGHI; NARDI, 2012);
Atividades pouco ou nada efetivas em relação aos conteúdos de Astronomia; e,
Ausência de recursos/materiais necessários (em muitas escolas) para o planejamento/desenvolvimento de aulas mais atrativas.
Por fim, cabe ressaltar, que muitos são os problemas enfrentados para se efetivar o ensino de Astronomia, porém tais problemas/dificuldades de trabalho pedagógico não se atribui apenas a falta de base primordial, mas também a continuidade infinita de aprendizados para compor a didática docente, uma vez que Langhi (2012) destaca que, o processo de formação deve ser constante e contínuo, pois o aprendizado do professor não se finda na sua formação inicial.
Nesse contexto, mesmo percebendo todas as dificuldades que o ensino de Astronomia enfrenta, muitas são as propostas para que se torne mais efetivo e com isso, muitos são os ambientes onde ele pode se concretizar. A seguir abordaremos mais sobre esses ambientes formais e não formais de aprendizagem.