De acordo com um estudo realizado em 1994 por Xiao e Noring, os estudos sobre as motivações para constituir poupança eram escassos. Mas, ainda que com poucas referências na literatura, é necessário mencionar as diferentes motivações que conduzem os indivíduos a constituírem as suas poupanças.
O primeiro autor a conseguir identificar diversos motivos distintos foi Keynes (1936, cit. por Fisher e Montalto, 2010), identificando oito motivos, e a estes foi acrescentado mais um motivo por Browning e Lusardi (1996, cit. por Fisher e Montalto, 2010), motivos esses designados de: motivo de precaução, motivo do ciclo de vida, motivo da substituição intertemporal, motivo do progresso, motivo da independência,
22 motivo empreendedor, motivo do legado, motivo da avareza e, por último, o motivo da diminuição do pagamento.
a) Precaução
O modelo do ciclo de vida, diz-nos que o único motivo para constituir poupança é a acumulação de rendimento para garantir um padrão de consumo estável ao longo da vida. Autores como Haron et al. (2013) e Fisher e Anong (2012), enfatizam o motivo precaução.
Poupar como forma de prevenção é um bom caminho a tomar, protegendo-se de riscos financeiros futuros, por exemplo o desemprego ou problemas a nível da saúde, de forma a amortizar despesas imprevistas que possam surgir, pois os rendimentos dos indivíduos não são certos e por isso eles irão ter mais disposição para pouparem (e é a esta incerteza que leva a poupar, que muitos autores chamam de precautionary saving), ou até mesmo para poderem desfrutar de umas férias, adquirir bens duradouros ou despesas com os estudos dos filhos/netos.
Portanto uma grande motivação a poupar é a precaução, para Drèze e Modigliani (1972), Kennickell e Starr-McCluer (1994) e Engen e Gruber (1995) é o maior motivo que leva os indivíduos a pouparem, pois um risco maior em relação aos rendimentos provoca um consumo mais baixo, ou seja, quando os indivíduos receiam que os seus rendimentos diminuam no futuro poupam mais, concluindo que quando existe uma certa insegurança futura, os indivíduos sentem-se motivados a poupar no sentido de prevenirem para o futuro.
Baseado no modelo do ciclo de vida, surgiu um outro modelo, simulado por Miles (1999), o modelo de gerações sobrepostas. Este autor afirmou que os níveis de poupança são seriamente dependentes do fator idade e que nas próximas décadas se iriam observar níveis mais baixos de poupança em consequência do aumento da idade média de vida dos indivíduos. Mas, mesmo depois da reforma, é possível os indivíduos manterem os seus níveis de poupança elevados.
23 Alguns motivos que possam levar a que os indivíduos poupem são, por exemplo, ajustar e adaptar os gastos às alterações futuras de rendimento, como na reforma; conseguir controlar situações de emergência; ser capaz de dar apoio económico à família ou deixar uma herança; ter a possibilidade de comprar pertences de grande valor. Sturm (1983) diz que estes três primeiros motivos estão relacionados principalmente com a poupança a longo prazo, já o último, está relacionado com a poupança a curto e médio prazo. Uma investigação realizada por Aizcorbe, Kennickell e Moore (2003), confirma dois destes motivos, defendendo estes autores que poupar para auxiliar a família e para ter a possibilidade de adquirir pertences de grande valor estão entre os maiores motivos para poupar. Para Owens (1993), decidir o que leva a poupar vai para além destes motivos, não os tornando exclusivos. Aizcorbe, Kennickell e Moore (2003) defendem que um dos grandes motivos para poupar, é a chegada da reforma.
b) Metas
Um fator que aumenta a motivação e a propensão dos indivíduos a poupar é a existência de metas, pois a estes interessa-lhes caminhar rumo aos objetivos que procuram atingir (Bayuk; Janiszewski e Leboeuf, 2010). Keynes, em 1936 analisou o facto de as metas motivarem e levarem a comportamentos de poupança, descrevendo diversos motivos que motivam esses comportamentos como: precaução, prospeção, cálculo dos gastos, melhoria, independência, avareza e vontade de empreender. Katona (1975), também realizou uma pesquisa relativamente a este tema, reconhecendo quatro motivos para os indivíduos constituírem poupanças, sendo eles emergência, aposentadoria, suprir necessidades familiares e outros propósitos.
Já em 1981, Lindqvist apresentou um conjunto de ideias, com quatro motivações para poupar, sendo elas gestão de caixa, reserva para imprevistos e emergências, atingir metas financeiras e o controlo dos investimentos. Neste conjunto de ideias, os indivíduos poupam com o objetivo de adquirir bens, e isso torna-se uma meta (poupar para adquirir bens são exemplos de metas que motivam os indivíduos a pouparem).
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c) Seminários
Clark, Morrill e Allen (2011); Clark e D'Ambrosio (2002); Clark et al. (2003, 2004) e Collins (2011) referem algumas medidas que se tentaram implementar no sentido de auxiliarem os trabalhadores na realização de práticas de poupanças, que segundo o seu estudo, uma delas seria a realização de seminários sobre o tema da reforma, oferecidos pelas empresas, funcionando como um programa de incentivo e esclarecimento a nível financeiro patrocinado pelo governo.
Outros autores que confirmam essa mesma proposta, são Bernheim e Garrett (2003), que apontam que os seminários de reforma disponibilizados pelos empregadores têm como consequência maiores hábitos de poupança.
Diversos estudos mostram que quem tenha participado em seminários de planeamento financeiro, terá maior probabilidade de constituir poupanças e de realizar um planeamento antecipado da reforma. Há uma grande probabilidade de que quem tenha frequentado tais seminários tenha mais tendência a poupar, o problema é que muitas das vezes essa participação é voluntária, ou seja, isto torna-se complexo quando vamos tentar perceber se os indivíduos estão a poupar devido aos seminários, ou por intuito próprio (Bernheim e Garrett, 2003 e Lusardi, 2002).
d) Planos de Poupança Reforma
A estimulação e o crescimento dos incentivos à poupança são essenciais, e para isso deveriam existir mecanismos que facilitassem e/ou recompensassem o crescimento da poupança. Em 1989, foram criados, em Portugal, Planos de Poupança Reforma, com o objetivo de motivarem os indivíduos a pouparem. Estes planos de poupança vieram suportar a possibilidade de os indivíduos poderem manter a sua qualidade de vida durante o período de reforma, sendo a maior prioridade motivar a poupar e diminuir as dívidas dos indivíduos. Estes planos de poupança trazem diversas vantagens aos indivíduos, como benefícios fiscais, e a obrigação de efetivamente constituírem poupanças. Mas estes planos de poupança também apresentam uma desvantagem relacionada com os custos associados, como a subscrição, gestão, transferência,
25 depósito e outras comissões. É o indivíduo que opta por fazer ou não um plano de poupança reforma, dependendo este plano das possibilidades de cada um, e das ofertas dos Bancos.
Alguns estudos defendem que do aumento da esperança média de vida resultam maiores poupanças, mas heranças mais baixas, pois vive-se até mais tarde (Zhang et al., 2003). Bloom, Canning e Graham (2003) também defendem que o aumento da esperança média de vida trás maiores níveis de poupança, níveis estes que podem resultar da maior necessidade de consumo durante a reforma.
e) Segurança Social
Contrariamente ao que foi dito anteriormente em relação à negatividade da Segurança Social, os autores Katona (1965) e Cagan (1965), em algumas pesquisas que realizaram, indicam que a Segurança Social pode ser um motivo que incentive os indivíduos a constituírem poupanças, defendendo que os que estão ao abrigo deste mercado constituem mais poupanças do que aqueles que não estão, pois este relembra aos indivíduos a relevância de poupar para a reforma, fazendo com que poupem mais e oferecendo assim um suporte que integre rendimentos seguros para a reforma. Cagan (1965) defende que um indivíduo só se apercebe da relevância de poupar quando é forçado a participar num plano de apoio social. Já Leimer e Lesnoy (1982) não tomam qualquer partido, defendendo que a Segurança Social não afeta a poupança, quer de forma positiva quer negativa. Existem, no entanto, mais contras do que prós, no que diz respeito à influência da Segurança Social nos hábitos de poupança.
f) Literacia Financeira
Algo que poderia melhorar a informação que os indivíduos têm relativamente à situação económica, a constituírem mais poupanças e a alcançarem uma maior estabilidade económica e financeira durante a reforma, seria a literacia financeira. A literacia financeira é o entendimento de definições financeiras sucintas e não muito complexas, de fácil entendimento e que auxiliem no controle dos rendimentos das
26 famílias e na tomada de decisões económicas e financeiras. Os autores Gale, Harris e Levine (2012) atribuem a literacia financeira a seguinte definição: literacia financeira é ter a competência de poder decidir e opinar corretamente relativamente a assuntos financeiros, e Pang (2010), defende que é o entendimento de variadas ideias com base na economia, com o intuito de serem aplicadas em diversas situações e que possibilitem a tomada de decisões acertadas.
Existem vários estudos que mostram que os indivíduos têm poucos conhecimentos sobre finanças e conceitos financeiros, e que esta falta de conhecimento prejudica os hábitos de poupança, indivíduos com níveis mais baixos de educação financeira, estão menos propícios a criarem um plano de reforma ou terem hábitos de poupança, sendo o mais provável criarem situações de dívida (Jappelli e Padula, 2013), é por todos estes fatores que a educação financeira poderia fazer a diferença na decisão de poupar.
g) Recursos pessoais
Também é importante a existência de determinados recursos pessoais que os indivíduos mais velhos possam ter acesso no caso de encontrarem alguns desafios ou dificuldades, recursos como apoio social, rendimento e poupança, saúde e apoios psicológicos. Os indivíduos têm de ver que o hábito de poupança é altamente importante, pois em algum momento das suas vidas, obter poupanças tornar-se-á um recurso básico para diversas situações, tanto nas mais óbvias como dificuldades materiais, como nas menos óbvias, como por exemplo em casos de trauma e perdas emocionais, e o apoio social é capaz de disponibilizar apoios também a nível emocional. Aqueles com maiores recursos financeiros estarão abertos a experienciar vivências positivas de reforma, mas nem sempre a poupança antes da reforma leva a essas vivências positivas, pois acontecimentos relacionados com a saúde e decisões individuais influenciam o futuro e o rumo onde essas poupanças serão investidas, e por isso é também importante continuar a poupar após a reforma.
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h) Estudos que pesquisam motivos para poupar
Os estudos que pesquisam os motivos que levam à poupança, são eles próprios um fator que pode levar a uma diminuição das dívidas dos indivíduos, principalmente aqueles de baixos rendimentos, dando-lhes mais conhecimentos e ajudando ao seu acesso a apoios financeiros. O papel dos gestores de políticas públicas é importante, pois conseguem obter um maior conhecimento em relação a fatores que estimulem a poupança dos indivíduos. Por exemplo, um conhecimento mais aprofundado sobre o facto de indivíduos de baixos rendimentos tenderem a poupar menos, nomeadamente procurando entender os determinantes dessa decisão, pode originar a formulação de políticas que visem alterar a decisão dos agentes.
i) Sensibilização da população
A sensibilização da população deveria ser um possível aspeto a melhorar, para que esta adotasse planos de preparação para a reforma, e que lhes proporcionasse o supervisionamento das suas despesas e rendimentos, evitando assim posteriores situações de dívida.
Uma possível forma de sensibilizar os indivíduos, poderia ser através de campanhas de informação e educação, Parker e Preston (2005), defendem que essas campanhas, para abranger o maior número de indivíduos, deveriam ser realizadas a nível nacional. Já que os privados investem milhões em publicidade atraindo os indivíduos a consumirem e gastarem, poderiam investir mais no incentivo à poupança e à precaução futura. O governo poderia apoiar esta diferente forma de incentivo, aumentando os níveis de poupança das famílias.
j) Planeamento
Um adequado conhecimento dos riscos e possíveis acontecimentos adversos no futuro pode influenciar positivamente o planeamento da reforma e com isso diminuir a probabilidade de enfrentar dificuldades financeiras.
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2.4 Desenvolvimento de novos produtos e serviços associados a hábitos de