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Oppsummering og anbefaling fra Fylkesmannen

In document På vei mot rein fjord i Grenland (sider 74-78)

Tudo começou a 12 de setembro de 2008, onde uma das maiores entidades bancárias do sistema financeiro americano – o Lehman Brothers – ficou sem dinheiro e, toda a atividade do banco falhou dando-se assim uma instabilidade em todo o sistema financeiro. O banco britânico, Barclays, apresentou uma proposta de compra do Lehman Brothers com a ajuda do FED ao secretário do tesouro (correspondente ao ministro das finanças na Europa) contudo, esta proposta seria recusada. Henry Paulson, secretário do tesouro da altura, tinha sido CEO do Goldman Sachs, um dos maiores concorrentes do Lehman Brothers.

Importa referir que no período anterior a esta sexta-feira negra alguns indicadores não foram compreendidos pelas entidades competentes do sistema financeiro, e por isso nada fizeram, deixando assim a bolha financeira explodir com o desmoronamento do Lehman.

Em Março, do mesmo ano, o banco de investimento Bear Stearns ficou sem liquidez e, para evitar problemas a J.P. Morgan comprou-o. Por esta altura já seria tarde a intervenção de um plano por parte das entidades responsáveis do sector, no entanto a falta de liquidez de uma entidade bancária como o Bear Stearns ainda não tinha sido um sinal claro de que o sistema possuía algumas lacunas.

As agências de rating também tiveram um papel muito negativo até ao momento da queda do Lehman Brothers, como referido no capítulo anterior. Tanto o Lehman como a AIG (que haveria de ser assumida pelo governo na semana seguinte ao desmoronamento do Lehman) eram classificados com AA e, no caso da Fannie Mac e Freddie eram denotados com um triplo A (rating mais alto que as agências podem classificar) quando foram resgatados.

Por outras palavras, a bolha imobiliária (os preços das casas americanas aumentaram em mais de 120% entre 1996 e 2007) e a crise financeira foram provocadas por um lado pelo sobreaquecimento do mercado imobiliário, e por outro pelo encorajamento dos bancos à subscrição de hipotecas, pela supervisão regulamentar incompleta dos mercados financeiros, por um ambiente de baixas taxas de juro e pelo principal agente, o Homem, que não só deixou a bolha financeira e imobiliária desenvolver-se ao longo dos anos, enquanto algumas entidades tiravam partido disso,

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como nada fez para prevenir as consequências na economia mundial após o colapso do Lehman Brothers.10

O stress nos mercados financeiros intensificou-se dramaticamente após a sexta- feira negra e, nem um resgate de 700 milhões de dólares serviu para acalmar os mercados, não só as praças financeiras americanas mas, todo o sistema financeiro mundial que havia sido contagiado pelo sucedido nos EUA.

Importa referir que nos dias após a rutura, a volatilidade dos mercados financeiros atingiu picos desconhecidos e os spreads de crédito aumentaram exponencialmente, o que levou a uma queda do valor do dólar de forma dramática.

Estas circunstâncias levaram a uma perda da confiança nos mercados que, por sua vez, conduziu à falta de liquidez para as entidades bancárias, tornando-se assim insustentável. Mesmo para os maiores e mais fortes bancos o acesso a qualquer tipo de

financiamento a curto ou a longo prazo estava interdito.

Com a falta de liquidez a surgir nos mercados e o stress de quem necessitava a aumentar, foram-se revelando grandes falhas no mercado interbancário global.

Uma revisão da lista das instituições falidas veio a demonstrar que muito dos bancos mais pequenos (principalmente na europa) tiveram pretensões de ser grandes, aquando do crescimento do sector no início do século XXI. Como, nessa altura, o sistema financeiro vivia de uma liberalização sem grande regulação e era aceitável expor-se a grandes riscos para um aumento dos seus lucros, eram emprestados valores que na maioria das vezes ultrapassava o capital dessas entidades bancárias.

De salientar que resultado da falta de liquidez do mercado interbancário e da intervenção dos governos em diversos bancos, devido à iminência de falência, os

investidores tornaram-se mais inseguros perante os seus depósitos. O problema sobre esta questão centrava-se no sistema de garantia de depósitos, principalmente na Europa, que geralmente eram inadequados ou baixos, dada a natureza da crise (mesmo que o sistema de garantias de depósitos estivesse melhor preparado para um crise nunca iria conseguir suportar o nível da crise financeira de 2008).

Os recursos disponíveis foram insuficientes e rapidamente se esgotaram. Contudo, para combater esta questão, uma série de medidas foram tomadas para salvaguardar os depósitos dos cidadãos e tentar restaurar a confiança dos mesmos.

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Destas medidas destacam-se o aumento do nível de depósitos segurados e a harmonização dos mesmos em toda a união europeia.

Embora o desaparecimento de liquidez nos mercados interbancários tenha sido a consequência mais visível, para o sector bancário, após a falência do Lehman, instrumentos de liquidez no mercado de capitais tenderam a desaparecer à medida que novas falências iam surgindo por todo o sistema financeiro global.

As entidades financeiras, devido ao problema atrás evidenciado, tentaram obter financiamento através da venda em larga escala de ativos financeiros dos seus balanços. Contudo, esta medida apresentou um problema, a inexistência de investidores interessados em comprá-los. O diferencial entre as taxas de juro de obrigações das empresas e os seus respetivos swaps de crédito aumentaram acentuadamente, isto deveu-se ao facto dos investidores já não estarem dispostos a pagar tão pouco por uma maior quantidade de risco e, após 2008 só a palavra risco acarretava, automaticamente, uma grande taxa de juro para qualquer empresa (financeira ou não financeira).

Este foi o sinal claro de como o desmoronamento do sistema financeiro em 2008 tinha alterado a maneira dos agentes e dos investidores olharem para os mercados financeiros mas, principalmente, para o preço do valor do risco. Se antes de 2008 uma empresa conseguiria financiar-se através da emissão de obrigações ou nos mercados de capitais a taxas de juro absolutamente baixas, uma vez que a procura era superior à oferta e todos os investidores estavam dispostos a tomar um risco mais elevado, após 2008 a ideia passou a ser exatamente o oposto, ou seja, os investidores para tomarem uma pequena quantidade de risco precisavam de obter um grande retorno, através da taxa de juro, mas também passaram a assegurar que a entidade em questão estaria em boas condições económicas e, sobre esta questão a área da consultoria, as notas dadas pelas agências de rating e a especulação foram determinantes (Liikanen, 2012).

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