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A residência Júlio Mascarenhas, localizada em lote urbano de esquina, foi projetada em 1974. A cobertura, com estrutura independente em madeira, deiniu o parido, ocupando toda a ex- tensão longitudinal do lote e determinando o volume principal da construção. Foi resolvida em caimento único com pergolado nas extremidades das divisas.

A modulação da estrutura de cobertura não tem correspondência com a dos volumes constru- ídos; as soluções são independentes. O corpo da casa, portanto, ica recuado dessa estrutura, com pavimento superior que se sobrepõe, em balanço, ao térreo, criando um jogo discreto de volumes que desconectam os pavimentos. O térreo se estende ao fundo do lote, conformando o páio de lazer e convivência; solução diversa da adotada na residência Dolabella, vizinha a esta, onde o lazer estava voltado à rua. O setor de serviço foi resolvido no subsolo.

Neste projeto percebemos um espaço mais reservado na relação com o entorno, talvez por um pedido dos proprietários, que solicitaram, inclusive, que a casa ivesse cobertura em telha cerâmica8.

[158] Residência Mascarenhas. Planta do pavimento térreo. [159] Residência Mascarenhas. Planta do pavi- mento superior.

Estar Hall Jantar

Es tar ín imo Co zinha Setor ínimo

[160] Residência Mascarenhas. Planta do subsolo. [161] e [162] Residência Mascarenhas. Garagem Ateliê

A esquina seria referenciada com marcação lateral de dois pilares dispostos no alinhamento do terreno em relação à rua: rasgariam o muro de pedra no qual se apoiam, criando um detalhe de projeto que era importante para o arquiteto, mas que não foi executado. Como airma Serpa9:

Uma das coisas fundamentais do projeto era esse pilar que está no ali- nhamento. Ele tinha um detalhe bonito, a pedra abria e ele ia até o chão. Fundamental o detalhe.

Durante a obra o projeto sofreu alterações, fazendo com que Serpa se afastasse da construção. Hoje, a telha cerâmica foi subsituída por ibrocimento.

Tanto pelos elementos construivos, pedra, madeira e alvenaria pintada, quanto pela relação entre a estrutura de cobertura e os volumes construídos, esse projeto se aproxima da residên- cia Magalhães, de 1968. Nos dois casos, a cobertura única estruturada por pilares em madeira

O ano de 1974 foi marcado pela morte de um dos arquitetos mais importantes para essa geração: Louis Kahn e também pela inauguração do Yale Center for Briish Art, projetado por ele em 1969.

Serpa conta que seniu muito a morte do arquiteto americano: “sofri com a for- ma como ele morreu, dentro de um sanitário público, da maneira mais indigna.”10

CARACARAÍ

Em 1974, Serpa foi contratado para elaborar o projeto para o Centro Cívico de Caracaraí, cidade localizada no Estado de Roraima, por solicitação da Fundação João Pinheiro11, para a qual o

arquiteto faria outros projetos no mesmo segmento.

[165] Centro Cívico de Caracaraí. Foto da maquete. [166] Centro Cívico de Caracaraí. Foto da maquete.

O programa era consituído por prefeitura, fórum, biblioteca e aniteatro. A proposta pariu de células modulares independentes, ariculadas entre si de acordo com as intenções espaciais e as necessidades de uso do espaço. Sua disposição determinava os cheios e vazios construídos, organizando setores descobertos e proporcionando conexão visual com o entorno, conforman- do um sistema espacial passível de expansão e coninuidade.

Cada célula possuía um poricado periférico mais baixo, responsável por adequar os eixos de circulação do conjunto, de acordo com a distribuição das unidades. O nível térreo, sobre pilois, era uma área de circulação livre.

As chaminés de venilação, que resultaram no coroamento dessas unidades, foram adotadas como solução de conforto térmico, insulando o ar quente e esimulando a circulação do ar fresco no pavimento superior. Concreto armado nas vigas de cobertura e ijolo maciço aparente nos pilares foram os materiais uilizados na proposta arquitetônica.

Apesar da diferença formal das unidades, podemos aproximar o Centro Cívico de Caracaraí ao Centro Cívico de João Monlevade, projetado em 1968. Nos dois projetos houve a preocupação com a permeabilidade espacial, tirando partido de células modulares como conformadoras do espaço a ser trabalhado, buscando relação com o entorno imediato.

Outra inluência que podemos ideniicar é o projeto para as casas de banho do Centro Comu- nitário Judaico (1954-58), em Trenton, Nova Jersey, do arquiteto Louis Kahn. Este “desenvolveu

Severiano Porto e Mário Emílio Ribeiro projetaram a Suframa (Superintendência da Zona Fran- ca de Manaus), em 1971. Pela equivalência climáica e pelo próprio momento da arquitetura vivida no país13, percebe-se uma similaridade entre esse projeto em Manaus e o de Caracaraí.

O uso de módulos estruturais independentes entre si foi uma solução ade- quada para um período desenvolvimentista, em que a possibilidade de am- pliações futuras parecia condição primeira para fazer frente a uma ideia de progresso e desenvolvimento ingentes que tornava impossíveis as previ- sões de necessidades futuras. (BASTOS; ZEIN, 2010, p. 153).

A fábrica da Transit, analisada anteriormente, também pode ser compreendida dentro dessa mesma descrição de ocupação modular expansível.

13 De acordo com Bastos e Zein: ...”foi nos extremos norte e sul do país que a resposta a progra- [170] Centro comunitário judaico. Arq. Louis Kahn.

O centro cívico não foi construído. Acumulavam-se trabalhos engavetados, projetos bem conceituados, parte de uma conduta particular e contínua de pensamento, que não se via- bilizaram.

Não eram projetos estanques. Era uma questão de coerência de ser, de fa- zer, o que eu acho que era mais grave. As soluções eram profundas e não proposições segmentadas.1412

A Europa e os Estados Unidos, nesse período, vivenciavam o amadurecimento do pós-moderno, enquanto a América Laina seguia na repeição das fórmulas modernistas. Vemos em meados da década de 1970, um momento de inlexão na produção arquitetônica, onde a inluência pós-