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A primeira categoria a ser analisada são os tipos de interações sociais, tendo em vista que, embora os pressupostos deste estudo coadunem com as considerações de Levy (1999), bem como Castells (1999), que apontam que as relações em redes constituem a sociedade e que a TIC é agente essencial neste processo, as respostas alcançadas, em sua maioria, durante aplicação do grupo focal, apontaram que, para o ambiente e público estudados, a interação presencial ainda supera aquela mediada por computador, no que diz respeito ao aprofundamento da interação.

Para caracterizar esta preferência pela interação presencial, quando se trata de relação mais aprofundada, apresentam as posições R20, R21 e R22.

R20: Essa questão de namorar ela acaba acontecendo você querendo ou não. Porque você manda um elogio, você comenta algo na foto que ela publicou no Facebook. Ali é um charlate, ali é um flerte, ali é um jeito de namorar, você está conquistando, não adianta. Porque o que acontece, pelo menos pra mim é assim, a rede social é boa pra se aproximar da pessoa, mas eu vou ver ela, mas não vou ver ela sempre, então por não vê ela sempre eu vou deixar de me comunicar com a pessoa.

R21: Eu também concordo com ele, porque pra conhecer e interagir pode ser, mas pra conhecer melhor tem que ser presencial. Para se aprofundar mesmo, tem que s presencial.

R22: Também concordo com ele, pra marcar alguma coisa ou até por urgência, tipo eu quero falar com ela alguma coisa que tem que ser pra agora, mas se for uma coisa mais intima, ai tem que ser presencial.

Esta constatação é sustentada por Goffman (2011) que aponta que a interação presencial permite maior aproximação das relações, tendo em vista o simbolismo, as expressões e os comportamentos dos atores sociais.

O avanço tecnológico e a configuração da sociedade do conhecimento parecem desafiar os meios tradicionais de interação social, estruturando novas formas de sociabilidades.

O ciberespaço toma, então, proporções que delimitam gerações e trazem a Internet como importante canal de comunicação e participação. Por outro lado, percebe-se uma dicotomia entre a hipótese de que os jovens em situação de

graduação preferem estabelecer suas relações sociais aprofundadas

preferencialmente pela interação presencial, segundo os dados revelados por esta pesquisa, e o fato do grupo focal da presente investigação ser constituído por

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acadêmicos dos cursos de tecnologia. Os aspectos citados confirmam as apreensões de Goffman (1974) para indutor de interação.

Esta percepção parece, ainda, coadunar com a perspectiva de Thompson (1995), quando coloca que o interacionismo simbólico compreende práticas interacionais por experiências mediadas, visto que “os indivíduos são continuamente confrontados com novas possiblidades, seus horizontes estão continuamente se alargando, seus pontos simbólicos de referência estão continuamente mudando” (THOMPSON, 1995).

É oportuno ampliar a discussão, vez que, como aponta Simmel (2006), o contato social permite que o indivíduo exerça uma influência recíproca sobre o outro. Portanto, há uma troca de influências entre os atores sociais, quer seja por meio físico ou por meio digital, mas fica evidente que, como ressalta o autor, as interações sociais, em sua maioria, possuem um caráter conflituoso, pois são derivadas de interesses individuais, o que favorece a sociedade, pois, ao solucionar a situação conflituosa, por meio da negociação, há uma sofisticação do indivíduo como parte da uma unidade coletiva. Os conflitos existentes nas interações iniciadas no ambiente virtual são mitigados quando ocorre a interação presencial.

Isso é evidenciado pelo grupo social estudado, tendo em vista que a opção pela interação presencial se dá, muitas vezes, como forma de mediar conflito, já que a desconfiança com relação ao outro é uma constante nas relações mediadas por tecnologia, como evidenciam as respostas abaixo:

R2: Acho que cara é o jeito mais certo de falar, porque às vezes pelo Facebook você pode ser uma pessoa e cara a cara é outra.

R5: Cara a cara é mais certeza.

R11: [...] Várias vezes, os assuntos são mal interpretados pelo whatsapp, por que lá não tem o tom.

Por outro lado, alguns entrevistados expressaram que a interação mediada por computador é melhor, pois a conversa flui com mais facilidade, ao contrário da presencial.

Percebe-se que, independente do tipo de interação, há a sociabilidade, pois a forma constitui seu próprio conteúdo, com finalidade em si mesmo, conforme elucida Simmel (2006).

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Os discentes se identificam como elemento de seu grupo social e o pertencimento ao grupo ocorre nas interações sociais, independentemente da forma como elas ocorrem, ou seja, de forma presencial ou a distância. Movidos por seus diversos interesses, os indivíduos pertencentes ao grupo social de alunos de cursos de tecnologia, da instituição estudada, apresentam, em suas falas, o sentimento e a satisfação de estarem socializados, o que demonstra a sociação, como definido por Simmel (2006), em qualquer meio de interação social.

Outro ponto importante a ser destacado é a compreensão da noção de face, como empréstimo e não uma característica intrínseca, unilateral e sem a concordância dos outros participantes na interação, como bem define Goffman (2014). O estudo demonstra que a opção pela interação presencial ocorre exatamente pela necessidade dos atores tomarem emprestada essa percepção sobre o outro, estreitando o relacionamento entre a face e a interação social, o que é evidenciado pela resposta R7 do grupo que “a mensagem não tem a expressão da pessoas”.

Como os interesses são diversos, os atores sociais utilizam estratégias diversas para que suas ações sejam bem sucedidas, especialmente quando há interesse sexual ou de namoro, como ficará demonstrado na discussão dos conteúdos transacionados, sendo que é possível iniciar a interação por meio virtual, mas os passos seguintes para sua concretização ocorrem na interação presencial.

É fundamental compreender as principais ferramentas tecnológicas utilizadas pelo grupo social, em suas interações sociais, o que se fará a seguir.