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Oppsummering, diskusjon og konklusjon

O DNA (do inglês, Deoxyribonucleic acid) sofre alterações denominadas mutações, que podem ser causadas por erros durante a duplicação do DNA, no processo de divisão celular. O aparecimento de mutações ocorre em todos os seres vivos, sendo um processo fundamental para a evolução e diversidade das espécies. Muitas das mutações não implicam em mudanças detectáveis na atividade metabólica da célula ou do organismo e, portanto, passam despercebidas. Outras, porém, podem determinar a morte celular e, por consequência, não são, também, detectáveis. Dessa forma, apenas um pequeno número de

mutações que ocorrem em genes específicos pode determinar vantagens ou um crescimento desordenado das células (RIBEIRO; MARQUES, 2003).

Genotoxicidade pode ser definida como a capacidade de um agente danificar o DNA ou alterar a sequência de DNA de tal maneira que possa causar mutação. Os efeitos mais sérios dessa mutação podem ser neoplasmas (tumor), neoplasmas herdados e defeitos ao nascimento (DORATO; BUCKLEY, 1998). Os chamados agentes mutagênicos são aqueles que alteram a sequência de bases no DNA, provocando a aceleração ou aumentando o aparecimento de mutações, que estão associadas ao desenvolvimento de neoplasias (RIBEIRO; MARQUES, 2003).

Os estudos de genotoxicidade são testes in vitro e in vivo desenhados para detectar substâncias que induzem danos genéticos de forma direta ou indireta por vários mecanismos. Esses testes são de curta duração (RIBEIRO; MARQUES, 2003) e possibilitam a identificação do risco com o respectivo dano ao DNA e sua fixação. Fixação do dano ao DNA na forma de mutações genéticas, escala de danos cromossomais, recombinação e mudanças numéricas no cromossomo são geralmente consideradas essenciais para efeitos herdados e o complexo processo de malignidade onde possam ocorrer mudanças genéticas (ICH, 1997).

A Genética Toxicológica avalia os efeitos genotóxicos em potencial, uma vez que são considerados pré-requisitos importantes para o desenvolvimento de efeitos adversos à saúde, como o câncer (RIBEIRO; MARQUES, 2003).

A toxicidade genética não é uma medida da carcinogenicidade, mas é frequentemente usada como um indicador para o câncer uma vez que os testes de mutagenicidade medem um evento inicial ou intermediário da tumorigênese, havendo associação elevada entre respostas positivas em testes de toxicidade genética e carcinogenicidade, tanto em roedores como no homem (RIBEIRO; MARQUES, 2003).

1.2

CÂNCER

Câncer é o nome dado ao crescimento desordenado de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo. (http://www1.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=322, acesso em 23/08/2012). Existem mais de 100 tipos de câncer, de acordo com o tipo de células, tecido ou órgão em que ocorrem. Geralmente, as células cancerosas levam à formação de uma massa tumoral, podendo essa ser beninga ou maligna (NATIONAL CANCER INSTITUTE, 2008).

O câncer é um enorme problema de saúde mundial, alcançando cada região e nível socioeconômico. Hoje, câncer responde por uma em cada oito mortes no mundo - a tuberculose mais do que o HIV (do inglês, human immunodeficiency virus) e malária juntos. O ônus global do câncer está crescendo a um ritmo alarmante, em 2030 sozinho, cerca de 21,4 milhões novos casos de câncer e 13,2 milhões de mortes de câncer são esperados para ocorrer, simplesmente devido ao crescimento e envelhecimento da população (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2012). No Brasil, as estimativas para o ano de 2012 (Figura 1), que serão válidas também para o ano de 2013, apontam a ocorrência de aproximadamente 518.510 casos novos de câncer, incluindo os casos de pele não melanoma, reforçando a magnitude do problema do câncer no país. Sem os casos de câncer da pele não melanoma, estima-se um total de 385 mil casos novos. (SILVA, 2012). Figura 1: Representação espacial das taxas brutas de incidência por 100 mil homens e mulheres, estimadas para o ano de 2012, segundo Unidade da Federação (todas as neoplasias malignas). Fonte: SILVA, 2012.

As neoplasias malignas estão intimamente relacionadas a alterações no genoma. O agente carcinógeno quando incide sobre uma célula normal, causa alterações na molécula de DNA. Essas alterações são denominadas de mutação. Qualquer célula normal pode sofrer alterações no seu material genético. As mutações de maior relevância encontradas no câncer tornam o funcionamento dos oncogenes dominante e o dos genes supressores tumorais recessivos. Normalmente essa alteração é reparada, ou então a célula entra em processo de morte. Na verdade, para que a mutação de fato ocorra, é necessário que o DNA alterado seja replicado e passado para as células-filhas. Na carcinogênese, não apenas uma mutação, mas uma série de eventos acumulados ao longo dos anos é

necessária para desencadear esse processo (CORTNER; WOUDE, 1997; HANAHAN; WEINBERG, 2011).

Os vários tipos de câncer possuem em comum, além da instabilidade genética, outras alterações celulares intrínsecas: autossuficiência em fatores de crescimento que induzem a proliferação, indutores de neovascularização, potencial replicativo ilimitado, evasão da apoptose, “invisibilidade” à imunovigilância, poder de invasão e metástases, capacidade de reprogramar ou mudar o metabolismo energético da célula (DUNN et al., 2004; HANAHAN; WEINBERG, 2011).

Recentemente, também tem sido discutida a importância crucial do microambiente inflamatório tumoral (MIT) no favorecimento da progressão tumoral através do recrutamento e diferenciação subsequente de linfócitos, macrófagos e células dendríticas que podem ser ativamente promotoras tumorais, uma vez que tais células são capazes de induzir angiogênese, proliferação das células tumorais e invasividade (HANAHAN; WEINBERG, 2011).

Inicialmente, na progressão tumoral, por efeito autócrino ou parácrino, as quimiocinas podem estimular o crescimento tão rápido do tumor que a imunovigilância não é capaz de erradicar todas as células alteradas (BALKWILL; MANTOVANI, 2001). Além das citocinas liberadas pelas células inflamatórias, existem também outros componentes do microambiente tumoral que contribuem para o desenvolvimento dos tumores, como células- tronco tumorais, células endoteliais, fibroblastos associados ao tumor (HANAHAN; WEINBERG, 2011).

Células-tronco tumorais são a base da doença; elas iniciam o tumor e conduzem a direção da progressão dos tumores, carregando consigo os oncogenes e mutações supressoras tumorais que definem o câncer como uma doença genética. Muitos tumores são histopatologicamente diferentes, contendo regiões demarcadas por vários graus de diferenciação, proliferação, vascularidade, inflamação e/ou invasividade (HANAHAN; WEINBERG, 2011). Células-tronco tumorais são definidas operacionalmente por sua capacidade de semear eficientemente novos tumores sob inoculação em camundongos hospedeiros (LOBO et al., 2007; CHO; CLARKE, 2008) .

Após a última década, novas vias de sinalização têm sido identificadas e têm sido funcionalmente implicadas no desenvolvimento de angiogênese associada ao tumor e ilustram a complexa regulação de fenótipos de células endoteliais (CARMELIET; JAIN, 2000; AHMED; BICKNELL, 2009; DEJANA et al., 2009; PASQUALE, 2010). Perfis de

expressão de diferentes genes de células endoteliais associadas ao tumor e a identificação de marcadores de superfície celular revelam a diferença das células endoteliais normais e as que são associadas ao tumor (RUOSLAHTI, 2002; NAGY et al., 2010; RUOSLAHTI et al., 2010). Diferenças na sinalização em perfis de transcriptomas e em códigos vasculares “empacotados” serão importantes para o entendimento da conversão de células endoteliais normais em células endoteliais associadas ao tumor (HANAHAN; WEINBERG, 2011).

Fibroblastos associados ao tumor agrupam dois tipos distintos de células: (1) células similares aos fibroblastos que criam o suporte estrutural suportando os tecidos epitelais mais normais e (2) miofibroblastos, cujo papel biológico e propriedades diferem marcantemente daqueles derivados dos fibroblastos teciduais. São identificados pela expressão da actina de músculo liso α (α-SMA, do inglês, α–smooth muscle actin) e raros na maioria dos tecidos epiteliais saudáveis. Estas células de tecidos sadios, quando são recrutadas e reprogramadas podem permitir o fenótipo tumoral, notadamente a proliferação celular cancerosa, angiogênes, invasão e metástase (DIRAT et al., 2010; PIETRAS; OSTMAN, 2010; RÄSÄNEN; VAHERI, 2010, SHIMODA et al., 2010). Devido à secreção de vários componentes de matriz extracelular, fibroblastos associados ao câncer estão relacionados à formação do estroma desmoplástico que caracteriza muitos carcinomas avançados (HANAHAN; WEINBERG, 2011).

A cirurgia, quimioterapia e radioterapia são estratégias terapêuticas clássicas para o tratamento de pacientes com diferentes tipos de câncer. Hoje se contam muitos casos de sucesso no tratamento de diversos tipos de tumor, mas ainda não se chegou ao fármaco ideal e as terapias existentes nem sempre alcançam resultados satisfatórios, como a remissão de tumores e a prevenção de metástase, além de induzir muitos efeitos colaterais (SALGALLER e LODGE, 1998).

Uma característica comum a grande parte dos quimioterápicos antineoplásicos, dos quais 61% novos são de origem natural (NEWMAN; CRAGG, 2012), é a citotoxicidade, que tem como resultado final, na maioria das vezes, a morte por apoptose das células tumorais. Diferentes alvos, como o DNA, microtúbulos, tubulina, topoisomerase, proteassomo, tirosinas quinase, telomerase, porteínas de checagem do ciclo celular, dentre outros, são capazes de induzir a célula tumoral a entrar em apoptose (BAILLY, 2000; JORDAN, 2002; LOS et al., 2003; KAWABE, 2004; CHASE; CROSS, 2006; HUWILER; ZANGEMEISTER- WITTKE, 2007).