B. Endringsmodeller relatert til mellommenneskelige faktorer og system
5.6 Oppsummering av diskusjon og analyse
As obras de correção do canal do Reduto foram realizadas na administração do Intendente Antonio Almeida Faciola (1930) e registradas em imagens fotográficas impressas no Relatório Municipal de 1930 (figuras 10 e 11).
28 Relatório apresentado ao Conselho Municipal. Belém. 1930 p.71.
As imagens visuais não são produzidas despretensiosamente. Existe uma objetividade na sua elaboração. No caso dos documentos oficiais como os relatórios da intendência municipal, essa objetividade era explicita. As imagens eram “encomendadas pelo poder público” para serem utilizadas como instrumentos de divulgação da cidade, mas, sobretudo da laboriosidade da administração pública.
A obra de correção do canal do Reduto foi levada a efeito porque a situação de insalubridade causada pelas enchentes da bacia do Reduto tornou-se aviltante para a Municipalidade. Vimos no Relatório de 1930 que a Intendência deixava bem claro que os erros cometidos na realização dos trabalhos de aterramento da área não eram da sua competência, entretanto, tomaria medidas a fim de solucionar o problema. Deste modo o registro da execução da obra era de fundamental importância para comprovar o cumprimento do compromisso assumido e, que, indubitavelmente, lhe renderia méritos.
As imagens das obras apresentadas no Relatório Municipal de 1930, comparadas com as dos álbuns e relatórios da Intendência de Antonio Lemos não apresentam o mesmo padrão de qualidade, mas demonstram que as fotografias continuavam a “fazer parte dos mecanismos de propaganda que atendiam aos interesses do governo e parte de um determinado segmento da sociedade belenense”(PEREIRA, 2006, p.174-175).
Havia fotografias que revelam o segmento social de baixa renda mesmo que, na maioria das vezes, aparecessem somente como figurantes compondo o cenário ora trabalhando, ora somente posando essas eram principalmente as publicadas nos relatórios municipais e álbuns governamentais. O registro fotográfico de pessoas trabalhando em lugares públicos tinha a intenção de informar a funcionalidade da
manutenção de um espaço ordenado e limpo, como era o caso da Intendência de Belém nos anos 30 na questão do canal do Reduto (PEREIRA,2006, p.155).
Na outra imagem da obra (fig. 11) aparece somente o espaço do canal aberto porque o foco principal que o fotografo pretendia mostrar era a amplitude da obra que estava sendo realizada, por isso destacou em primeiro plano a extensa abertura do canal e os tubos que seriam utilisados, ou que foram remanejados da obra anterior.
A propósito dos tubos, Orico (1956, p.81). expressando a saudade da paisagem que emoldurou seus dias de infância lamentava que dali restasse somente “a lembrança de suas velas na areia triste da doca aterrada. Na doca por onde hoje se estende a chamada ‘Vila Tubo’, com seus redondos e grossos canos de cimento”.
Após as obras de drenagem da Bacia do Reduto a praça foi reconstruída, recebendo uma nova denominação que perdura até os dias atuais - Praça General Magalhães (figuras 12 e 13). Não se tratava de uma homenagem ao próprio Interventor Magalhães Barata como muita gente acredita, e sim a um General-de-
Fonte: Relatório Municipal de 1930, p.62.
brigada baiano chamado Joaquim José de Magalhães que chegou a Belém como tenente e depois foi comissionado capitão por ter participado da Guerra do Paraguai29. A Praça Magalhães como ficou popularmente conhecida se constituiu por muito tempo num espaço por excelência de deleite para os moradores do bairro tão desprovidos de logradouros desta natureza. Dona Waded Rachid Viana, antiga moradora do bairro lembra: “Os mais jovens se reuniam na Praça Magalhães, lá onde tinha um coreto. Os amigos se encontravam lá” 30.
O Sr. Antonio Arruda, também morador do bairro, nas suas lembranças sobre a praça destaca as mudanças que foram sendo feitas naquele espaço:
Aqui no Canal da Magalhães tinha uns pés de tamarindo, uns bancos... Quando eu era moleque a gente vinha pegar tamarindo. Até que resolveram abrir de novo e tirar a praça. (...) O que é era a praça? Não era bem uma praça...tinha o coreto que ainda está lá, e para cá eram os tamarineiros e os bancos. Aí só fizeram tirar os tamarineiros e abrir de novo o canal31.
Monteiro e Rodrigues (1990, p.40) descreveram a Praça Magalhães com base nos seus entrevistados também antigos moradores do bairro, como “uma rua larga formada por três quadras plantadas com tamarineiros, onde havia bancos de mármore, vasos e animais de louças, complementadas por uma quarta quadra onde se encontra até hoje um coreto” 32.
Como se percebe a imagem da praça é bem nítida na memória dos moradores, pois as descrições são muito semelhantes o que ressalta a função social que ela desempenhou no bairro, desprovido de arborização, com predominância de ruas estreitas e irregulares e sem muita animação como foi relatado por muitos dos meus informantes.
29 Coluna Cidade - O Liberal de 04/ 02/ 1988, p.8. 30 Entrevista dada no dia 07|05|2007.
31 Entrevista dada no dia 12|11|2008.
32 MONTEIRO, Ana Claudia Cardoso. RODRIGUES, Alice. Uma Janela para o Reduto. Trabalho de
Conclusão de Curso. Centro de Arquitetura. UFPA.Belém, 1990.
Figura12 – Praça General Magalhães, antiga Doca do Reduto, com os pés de tamarineiros ainda pequenos.
As obras efetuadas pela Intendência em 1930 ajudaram a melhorar a aparência daquele espaço, entretanto, não solucionaram o problema que se estendeu até as décadas de 70 e 80, causando grandes transtornos aos moradores daquela área, guardados nas lembranças de muitos deles, como veremos mais adiante.
2.4 Um bairro mercado: “cheio de povo e pequenos comerciantes (...)”