KAPITTEL 2. DEN RYTMISKE TRADISJON OG RYTMISK
2.4 D EN RYTMISKE TRADISJON – UTVIKLINGSTREKK
2.4.3 Oppsummering
As agências criadas para a inteligência de Guerra (ONI e G-2)130 também estiveram presentes no Brasil porém os grandes fornecedores de informações para o Departamento de Estado foram o O.S.S., o FBI e o OCIAA. Não nos referimos, aqui, à ação dos Adidos Trabalhistas pois defendemos a tese de que o trabalho de inteligência, desenvolvido por esses “agentes”, funcionários de Embaixada , teve papel preponderante no envolvimento norte-americano no movimento operário brasileiro. Reservamos o próximo capítulo para a defesa dessa tese.
Enquanto a Guerra ocorria na Europa, os Estados Unidos lideravam, na América, uma cruzada contra o Nazi-Fascismo. As Conferências uniam os países da América Latina com propósitos únicos porém alguns deles, como a Argentina e o Brasil, por exemplo, não dirigiam suas forças de forma tão efetiva na luta contra o Eixo, como o governo de Washington. Provavelmente, porque não lutavam pela hegemonia da América!
A reconstituição das práticas dessas agências no Brasil, durante a guerra, nos leva a compreender quais foram os mecanismos usados pelos Estados Unidos na construção de uma hegemonia no Hemisfério Ocidental. Guardadas as devidas proporções, o que ocorreu aqui , não foi exceção e sim regra dentro do projeto do Departamento de Estado Americano.
Presentes no Brasil, quase concomitantemente a sua fundação, os agentes da COI - agência que antecedeu a O.S.S. -, em relatório enviado ao Presidente Roosevelt em 13 de outubro de 1941, assim se referem a nosso país:
“O Brasil ocupa tanto uma posição estratégica quanto incerta em relação à emergência presente e o futuro desenvolvimento do Hemisfério Ocidental”131.
Como o próprio titulo do relatório denuncia, é “Relatório preliminar sobre os elementos de insegurança no Brasil”. Aqui, estão relacionados pontos que naquele momento, segundo os interesses do governo norte-americano – políticos e econômicos - , poriam em risco a manutenção de sua hegemonia na América como, por exemplo: a fraqueza de nosso exército, com relação até ao da Argentina, o que dificultaria uma reação contra uma provável invasão alemã; recursos naturais e posição estratégica do Brasil que o fariam uma área de exploração desejada pela Alemanha ; predominância da raça branca sobre a negra e indígena, o que aproximaria o Brasil das idéias de superioridade de raça dos nazistas; os elementos de insegurança no Brasil representados pelas colônias germânica e italiana e o perigo de um governo, segundo os técnicos,
“controlado, no momento, por um ditador que tem professado sua aderência à frente pan-americana, mas tem, de tempos em tempos, pessoalmente ou através de seus porta-vozes, professado grande admiração pelo fascismo” e cuja “orientação ideológica (...) está aberta a dúvidas.”132
A postura de independência de nossa política externa e a indefinição do apoio brasileiro aos Estados Unidos irritava os “policy-makers” do Departamento de Estado. Como lembra Elio Gaspari,
“De um lado estava o chanceler Oswaldo Aranha, ex-embaixador em Washington. De outro Goes Monteiro e o ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra. O Estado-Maior de Goes via a guerra à sua maneira”133.
De acordo com Gaspari, Goes Monteiro e Dutra não levavam em consideração a posição privilegiada que o Brasil tinha, na região nordeste. Não reconheciam que se os Estados Unidos entrassem na guerra, este espaço seria essencial às tropas
131 O.S.S./ State Department Intelligence and Research Reports - Latin America - 1941-1961 - Brazil
- “Reel VI” - Preliminary report on the elements of insecurity in Brazil -13/10/1941, pág. 1
132 idem pag. 2 e 4.
Americanas; desconheciam , ou não davam importância134, também, ao fato de que quatro eram os pontos de maior valor estratégico para o Estado-Maior Americano – Canal de Suez, estreito de Gibraltar , estreito de Bósforo e Nordeste do Brasil – numa guerra futura.
Apesar de todo cuidado em não adotar táticas antigas (a invasão de países latino-americanos, principalmente, após as Conferências Interamericanas e sua “Política de Boa Vizinhança”, como aponta em seu relatório de 4 de novembro de 1941135), os Estados Unidos quase deflagram a Operação Pote de Ouro, na qual 100 mil soldados tomariam a costa, de Belém ao Rio de Janeiro, em maio de 1940. O presidente Roosevelt chegou a autorizar a organização dessa operação devido a informes ingleses que davam conta de um golpe pró-nazista na Argentina, com apoio da população do Sul do Brasil136
Era imprescindível, aos Estados Unidos, o apoio do Brasil naquele momento. O Departamento de Estado não queria perder tudo que havia conquistado com a “Política da Boa Vizinhança” e outras tantas ações de aproximação com os países latino-americanos , o que garantiria sua hegemonia na América, após a vitória contra as forças Nazi-Fascistas.
O COI , agência recém fundada137 , responsável pela coleta de informações e dados, e que fornecia ao Presidente subsídios importantes para garantir ações enérgicas rumo à defesa da segurança nacional americana, estava, também no Brasil, já a partir de 1941, apesar da afirmação de Michael Warner de que o OSS não pôde atuar no Hemisfério Ocidental138. Sua presença asseguraria ao governo dos Estados Unidos que seus planos na luta contra o Fascismo e na garantia do controle do Mundo Ocidental não fossem arranhados por outras pretensões. Os agentes da COI mandavam relatórios extremamente completos para Washington, municiando de
134 “Antes mesmo do início da guerra o comando militar americano, às vezes com o conhecimento dos
militares brasileiros, planejava operações destinadas a assegurar o controle do extremo nordestino” “o primeiro plano de contingência do Departamento da Guerra Americano, denominado Rainbow I, é de agosto de 1939”. Idem.
135 “A necessidade imperativa de estabelecer bases militares nessa área leva os Estados Unidos, face a
face , pela primeira vez, desde a adoção da Política da Boa Vizinhança, com o problema da obtenção de permissão para colocar forças armadas no território de um estado Latino Americano” O.S.S./ State Department Intelligence and Research Reports - Latin America - 1941-1961 - Brazil - “Reel VI” –
The relation of Brazil to the defense of the northeast. -04/10/1941, pág. 1 - CEDEM - Coleção UPA
- University Publications of America.
136 McCANN JR., Frank D. The Brazilian-American Alliance – 1937/1945, p/203 APUD : GASPARI,
Helio. A Ditadura Derrotada..2003. Op. Cit. pag.41
137 COI - Coordinator of Information, criada em julho de 1941 e ligada , diretamente à Casa Branca,
foi transformada em OSS, pelo presidente Roosevelt em 13 de junho de 1942.
dados não só o presidente, como os policy-makers, de forma a fazer cumprir os planos traçados para a América Latina.
No período de vai de 1941 a 1945139 a COI e depois o OSS produziram 20 importantes relatórios que, em linhas gerais, subsidiavam a construção de estruturas que garantissem a ocupação do Brasil por tropas norte-americanas na luta contra Hitler e dessem informações necessárias a agentes e autoridades norte-americanas para que soubessem como lidar com os políticos e a sociedade brasileira sem provocar melindres. Esses relatórios faziam levantamentos sobre a posição brasileira com relação à defesa do nordeste e sua atitude com respeito ao estabelecimento de Bases Aéreas e Navais pelos Estados Unidos em território brasileiro. Os técnicos da Divisão de Geografia e Psicologia da Seção Latino Americana de Pesquisa e Análise preparavam, igualmente, estudos estratégicos sobre Amazonas, Acre, Matto Grosso e Goyaz e até um
“Guia para o conhecimento do Brasil, que deveria ser usado por agentes, funcionários da Embaixada e representantes do governo Americano que visitassem nosso país”140
Mesmo antes de o Brasil ter aceito a instalação das Bases no Nordeste e declarado guerra ao Eixo, o O.S.S. continuava a municiar o Departamento de Estado e Roosevelt com dados relevantes quanto à situação dos portos brasileiros, nova orientação do governo brasileiro, estimativas da situação do sul do Brasil; Inventário sobre o sistema de comunicações, Inventário sobre o Interior do território brasileiro; Inventário sobre o sistema de transportes; Características das principais cidades brasileiras ; A Borracha ; As cidades da região sudeste e até um glossário de termos geográficos.
O trabalho dos agentes do O.S.S. era, vez por outra, limitado pela ação do FBI. No Brasil, desde a década de 30, o Bureau Federal de Investigação tinha já alcançado posição de destaque, mesmo entre as autoridades brasileiras, e certo domínio de “campo”. O choque de interesse entre essas agências - que não deveria ocorrer porque as informações estratégicas para a guerra eram muito importantes
139 A O.S.S. foi extinta pelo Presidente Truman em 20 de setembro de 1945.
140 Short Guide to Brazil . Report nº 60 – July 10, 1942. (Office of Strategic Services – Research and
Analysis Branch – Latin American Section and Psychology Division In collaboration with the Geography Division) (16 páginas) - RESTRICT - 0231- O.S.S./ State Department Intelligence and “Reel VI” – Brazil. – CEDEM – Coleção UPA – University Publications of America.
naquele momento - propiciava uma disputa interna que somente seria resolvida no final do conflito mundial.
O FBI , cuja função era a de atividade de inteligência estrangeira, já estava no Brasil muito anteriormente à Segunda Guerra. Como constatou Paulo Sergio Pinheiro, em seu trabalho de pesquisa no National Archives de Washington nos anos 70, desde os anos 20, o governo brasileiro já recebia promessa de auxilio e assistência policial dos Estados Unidos. O fato se devia à Revolução Soviética de 1917 e à conseqüente ação do Comintern no continente Americano. O aprofundamento de sua pesquisa levou-o a constatar que
“depois de 1930 , a cooperação entre a polícia brasileira141 e a
embaixada dos EUA era tamanha, que todos os documentos seqüestrados do Partido Comunista em 1935 eram imediatamente fotocopiados e remetidos pela embaixada para Washington”142.
Conclui que o objetivo da oferta norte-americana de treinamento das polícias do Brasil e da América Latina era assegurar condições ideais para a presença política e econômica dos Estados Unidos nessa região.
Como nos anos 30, a postura norte-americana, alicerçada na “Política da Boa Vizinhança”, exigia cuidados das autoridades estadunidenses, o nível de interferência dos EUA nas organizações policiais do continente alterava-se e assumia formas indiretas. O FBI, desenvolvendo trabalhos de espionagem no Brasil ,
“com o pretexto de lutar contra a infiltração nazista, procurava ter acesso às informações coletadas pelos serviços de espionagem latino- americanos. Um dos expedientes foi infiltrar-se nas organizações policiais existentes ou criar outras forças controladas por funcionários dos governos ligados aos EUA”143
Aqui, após a insurreição comunista de 1935 e a franquia dos arquivos secretos do Departamento de Ordem Política e Social à embaixada dos EUA, esta agência americana ganharia condições de enviar agentes do Special Intelligence Service (SIS) ao Brasil e praticar seus planos ligados à
141 O DOPS franqueava seus arquivos secretos ao FBI, antes mesmo de abri-los às autoridades
brasileiras, inclusive ao Ministério das Relações Exteriores.
142 Paulo Sergio Pinheiro, prefácio à edição brasileira do Livro, HUGGINS, Martha K. Polícia e
Política: relações Estados Unidos/América Latina. São Paulo: Cortez, 1998, pag. X
“proteção do Hemisfério Ocidental contra as atividades de organizações comunistas e de espionagem fascista”144.
Os “policy makers” do Departamento de Estado viam o trabalho dos agentes do SIS, como elemento importante para garantir os interesses norte-americanos na América Latina. À guisa de fortalecer a segurança interna do Brasil, por exemplo, os agentes do SIS preparavam agentes policiais brasileiros que seriam fiéis e leais aos Estados Unidos. Este expediente foi usado, igualmente, em Colômbia, Nicarágua, Cuba , Haiti, Costa Rica, El Salvador, Honduras, República Dominicana, Argentina, etc. Como pontua Hannah Arendt, em seu trabalho Origens do totalitarismo, a penetração de uma polícia estrangeira em outro país funciona como uma
“correia de transmissão... que... transforma [a política externa de um país] em... assunto interno de [outro]”.145
Após a alcunhada “intentona comunista” de 1935, o FBI, presente no Brasil , fazia um trabalho apurado de coleta de dados e de inteligência, com a Embaixada norte-americana e o DOPS. Memorandos do Embaixador Hugh Gibson ao Departamento de Estado comprovam sua ligação com as autoridades brasileiras146. Segundo Huggins, eram três os colaboradores e informantes do Embaixador norte- americano no Rio de Janeiro: Filinto Mueller, chefe do DOPS e os capitães Henrique de Miranda Correia e Francisco Jullien. O embaixador havia informado ao Departamento de Estado que esses militares tinham “sido extraordinariamente
cordiais e cooperativos com a Embaixada e no empenho em perseguir comunistas”
147. Esses fiéis colaboradores ganharam , com o apoio do diplomata, viagens aos
Estados Unidos para treinamento especial e preparo nas instituições federais, principalmente no FBI . A carta de Gibson ainda enfatiza que se os Estados Unidos treinassem funcionários da policia brasileira que tivessem influência, “provavelmente
continuaremos a ter facilidades para saber o que está acontecendo”148
144 HUGGINS, Martha K. Polícia e Política: relações Estados Unidos/América Latina. São Paulo:
Cortez, 1998, pag. 3
145 ARENDT, Hannah. The Origins of Totalitarism. Nova York:Lyle Stuart. 1951. Pag. 421 , APUD
HUGGINS, Martha K. Polícia e Política: relações Estados Unidos/América Latina. São Paulo: Cortez, 1998, pag. 4
146 Dois telegramas e duas cartas enviadas por Gibson ao Departamento de Estado, são citados por
Martha K. Huggins. National Archives, Old State Department Division, Washington D.C.
147 GIBSON, Hugh. Carta do embaixador norte-americano, Rio de Janeiro, a Lawrence Duggen,
Departamento de Estado dos EUA, 30 de Janeiro de 1936. National Archives, Old State Department Division, Washington D.C. APUD HUGGINS, Martha K. Polícia e Política...1998, pag. 54
Outra evidência documental da ligação de autoridades brasileiras com norte- americanas é a carta de Oswaldo Aranha, Ministro das Relações Exteriores do Brasil, enviada em outubro de 1938 ao Departamento de Estado, solicitando ajuda para combater um suposto complô nazista que provocaria a desestabilização política do Sul do Brasil, Uruguai e Argentina. Oswaldo Aranha pedia a Washington que enviasse agentes do FBI para “organizar e dirigir um serviço [secreto brasileiro]
adequado”149. O FBI enviou um agente para o serviço de organização dessa “policia secreta”, Edgar K. Thompson, que, pago pelo governo brasileiro150, permaneceu aqui por seis meses, concluindo que não era possível incorporar o DOPS do Rio de Janeiro em um aparelho de coleta de informações controlado pelo FBI. Na realidade, havia conseguido grande quantidade de informações importantes que abasteceriam os arquivos do Bureau Federal de Investigação.
Os agentes do SIS, como não podiam contar com o apoio oficial do governo norte-americano porque nem o Congresso sabia de sua existência, agiam como representantes de empresas norte-americanas no exterior. “No Brasil, tinham um escritório do “Serviço Secreto” na Avenida Presidente Wilson, no Rio de Janeiro, tudo com “ajuda de brasileiros” e supervisionados pelo adido cultural americano, como nos informa Huggins. Isso permitia aos agentes desse serviço que estivessem conectados com tudo que acontecesse nos mais altos escalões da política brasileira” 151 . Os agentes do SIS chegaram a colaborar com a Policia Política (DOPS) em interrogatórios de suspeitos de espionagem e, mais tarde, com Alcides Etchegoyen, chefe do DOPS , depois da renúncia de Filinto Muller . A ligação desses agentes com a embaixada norte-americana era tão próxima que em 1942, o embaixador Jefferson Caffrey chegou a recomendar a admissão, promoção e até demissão de pessoal da polícia do Rio de Janeiro.152
149 ARANHA, Oswaldo. Carta a Cordell Hull, 3 de dezembro de 1938. Arquivos da Fundação Getúlio
Vargas, CPDOC. OA, 38.ll.03/11, Rio de Janeiro, e SCOTEN, R. Carta ao subsecretário de Estado Summer Wells, 4 de novembro de 1938, National Archives, Old State Department Division, Washington D.C. Ibidem pag. 59
150 Quando a média dos ganhos nos Estados Unidos era de 1.784 dólares anuais, Thompson ganhava,
aqui, a média de 8.9l0 dólares anuais, segundo o que informa Martha K. Huggins.
151 DOPS 00001, Serviço Secreto Americano, 19/02/1041. Arquivos do Departamento de Ordem
Política e Social (DOPS) da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Arquivo Público do Rio de Janeiro, Niterói. APUD HUGGINS, Martha K. Polícia e Política...1998, pag. 71
152 RG59 - Telegrama do embaixador norte-americano, Rio de Janeiro, ao Secretário de Estado,
Nem sempre, porém, os agentes do FBI eram fiéis aos embaixadores. Em abril de 1945, Adolf A. Berle não soube do envio de Joaquim de Oliveira Sampaio153- com carta de apresentação do adido legal do FBI no Rio de Janeiro - aos Estados Unidos, para compra de armas e equipamento técnico para o Departamento de Polícia do Rio de Janeiro.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o FBI, no Brasil, através do SIS, cumpria uma missão pessoal de Roosevelt, ou seja, perseguia nazi-fascistas e guardava suas forças para, no final da Guerra, perseguir, reprimir e combater sublevações comunistas. A tática usada – para garantir a segurança dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental – era, como nos mostra Huggins, estabelecer vínculos pessoais com policiais brasileiros e, em seguida, conseguir influência sobre o sistema de segurança interna do país.154
O OCIAA não era uma agência de espionagem155, como o FBI e o OSS,
porém, desde sua criação, em 16/08/1940, desempenhava papel de extrema importância - até de inteligência - dentro dos planos do liberalismo americano e dos interesses de grandes empresários, como Nelson Rockfeller, que chefiou o escritório.
O mecanismo pensado por Rockfeller e referendado por Roosevelt e os “policy-makers”, no trabalho do OCIAA e na “política da Boa Vizinhança”, não era uma construção que referenciava apenas a amizade que os Estados Unidos desejava ter com a América Latina e que se faria representar pela diminuição da exploração dessa região. A redução de impostos alfandegários a produtos importados da Latina América e a proposta de empréstimos, por exemplo, para o desenvolvimento econômico dessa região , além de sua política de bom vizinho, não se ligava apenas à nova impressão que os Estados Unidos desejavam exportar para os países latino- americanos. Os mecanismos usados pelo Escritório para a Coordenação das Relações Comerciais e Culturais entre as Américas - depois, Escritório do Coordenador dos Assuntos inter-Americanos (OCIAA) - devem ser entendidos, como esclarece Otavio Ianni, dentro de um contexto ligado à construção da hegemonia norte-americana sobre o Hemisfério Ocidental que se efetivará logo após o conflito mundial. A carta de
153 Irmão do presidente da Panair do Brasil.
154 HUGGINS, Martha K. Polícia e Política...1998,Op. Cit. pag. 79
155 O OCIAA não pode ser visto como um simples programa de colaboração norte-americanos para a
América Latina, principalmente, porque estava ligada ao Conselho de Defesa Nacional dos Estados Unidos.
visita do OCIAA era o cinema, o rádio e a mídia impressa. Nesse sentido, como esclarece Ianni ,
“a industria cultural do imperialismo é parte intrínseca das relações imperialistas de produção. Essa industria está basicamente determinada pelas exigências das relações, processos e estruturas de apropriação econômica e dominação política que garantem a reprodução do sistema capitalista em escala mundial. Assim sendo, a industria cultural do imperialismo está organizada para manipular, sob as mais variadas formas, as pessoas, os grupos e as classes sociais subalternas. Mas essa manipulação não se limita a este ou àquele aspecto dessa indústria. Realiza-se em múltiplas e continuadas formas, implicando vários graus de repressão do pensamento. As pessoas, grupos e classes sociais alcançados por essa indústria são induzidos a pensar e a expressar-se principalmente nos termos e segundo os objetivos dos que a controlam. Todo um conjunto de possibilidades de pensamento e expressão é esquecido, proibido ou reprimido. A própria maneira de transmitir informações e interpretações, além da seleção de umas e outras, induz as gentes a um modo de pensar e expressar-se alienado.
(...) Nessa acepção, a industria cultural (...) envolve a produção e a comercialização dos elementos da cultura espiritual que favorecem e permitem aperfeiçoar a reprodução das relações capitalistas de produção. Por isso, compreende tanto os meios de comunicação e vulgarização das artes como também a produção e a difusão de ciência e tecnologia. Compreende as idéias do Pato Donald da mesma forma que as doutrinas da contra-insurreição e da ação cívica das forças armadas e policiais”.156
O OCCIA, no Brasil, como no resto da América, contava com as divisões de comunicações/informação, relações culturais, saúde e comercial/financeira. Cada uma dessas divisões subdividia-se em seções: rádio, cinema, imprensa; arte, música, literatura; problemas sanitários; exportação, transporte e finanças.
O DIP e o OCIAA.
O DIP157 havia sido criado quase um ano antes do OCIAA. Pelo decreto número 1.915, de 27 de dezembro de 1939, o Departamento de Imprensa e Propaganda substituiria o DNP (Departamento Nacional de Propaganda) e sua função