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Os militares identificavam a produção em massa das indústrias de bugigangas dos norte-americanos com os desvarios de uma sociedade excessivamente materializada e mercantilizada. Naquele momento [início da Segunda Guerra Mundial], o modelo autárquico experimentado pela Alemanha nazista era um paradigma aparentemente mais adequado para muitos militares brasileiros.

Antonio Pedro Tota176

O domínio do cinema norte-americano na exibição de filmes nas salas de projeção brasileiras se consolidou após o advento da Primeira Guerra Mundial, quando a produção cinematográfica européia entrou em colapso devido ao fim do conflito. Apesar do domínio dos Estados Unidos na distribuição de películas para o mercado cinematográfico brasileiro, entretanto, os filmes europeus continuaram a serem exibidos para o público dos cinemas belenenses.

As películas francesas, inglesas, alemãs e italianas faziam parte do programa apresentado pelas empresas Cinematographica Paraense e Cardoso & Lopes, donas das salas de projeção, junto à maioria dos filmes produzidos por Hollywood. Deve-se ressaltar que nesta parte do trabalho são discutidas a produção e repercussão de alguns filmes alemães e italianos que foram apresentados nos cinemas da cidade.

Ao analisar as fontes percebe-se que a política desenvolvida pelo Governo de Getúlio Vargas, através do DIP e da censura cinematográfica, repercutiu na exibição de filmes nazi-fascistas, seguindo direcionamentos, às vezes dúbio, às vezes tendencioso para os países do Eixo.

Augusto (1989), ao trabalhar com o momento político vivido pelo Brasil no início da Segunda Guerra, descreve a política desempenhada por Vargas em relação aos Estados Unidos e Alemanha.

O governo brasileiro namora o Eixo e barganha com os ianques. Militares simpatizantes da ordem e do progresso nazi-fascistas fazem ponto no clube Germânia, na praia do Flamengo, enquanto Oswaldo Aranha cuida de nossa proeminência nos quadros da Política da Boa Vizinhança, pacientemente tecida por Franklin Roosevelt e Nelson Rockefeller. O

general Góis Monteiro, eminência verde-oliva de Getúlio, convoca os empresários do rádio e da imprensa para um conselho: menos notícia sobre a Inglaterra, mas apreço pela Alemanha.177

Enquanto Vargas fazia jogo duplo e alianças para barganhar com os dois países, através de medidas mais propensas aos regimes totalitários europeus, o reflexo dessa política pode ser visto no cinema a partir dos filmes exibidos nas salas de projeção da cidade. Apesar da maioria das películas serem de procedência norte- americana, verificou-se que a exibição dos filmes alemães e italianos não se extinguiu e possuíam um público que apreciava a arte desenvolvida pela UFA alemã. Como ressalta uma nota no revista A Semana de novembro de 1942.

Quando teremos novamente os filmes bons da UFA?

A Alemanha se militarizou barbaramente, quando terá outra vez a felicidade de pensar na arte?

Ou desaparecerá, como todo bruto que esquece de plasmar o espírito para a plena obtenção da matéria sadia?

Quando nada, esperamos assistir ainda os astros da UFA que nenhuma culpa tem da tragédia louca em que faz o papel principal de “furioso” o astro alucinado: Hitler.178

As perguntas pareciam ter uma resposta óbvia, para a Alemanha voltar a produzir grandes filmes artísticos o astro do momento precisava sair de cena: Hitler, além do que, em 1942 a guerra já havia ganhado contornos mundiais com o envolvimento direto dos países americanos e asiáticos. De fato, o ano de 1942 foi essencial para definir os rumos da guerra a favor do Aliados, com a entrada dos Estados Unidos e as derrotas sofridas na segunda frente de combate com a União Soviética.

Contudo, os ressentimentos expressos na nota podem ser brevemente debatidos para se entender como a arte na Alemanha nazista voltou-se para outros fins. Para uma breve análise foram utilizadas as idéias de Diehl (1996) sobre propaganda e persuasão na Alemanha nazista, fazendo-se um apanhado histórico do país desde o fim da Primeira Guerra Mundial até a ascensão do regime nazista.

179

177 AUGUSTO, Sérgio. Este mundo é um pandeiro: a chanchada de Getúlio a JK. São Paulo: Companhia das

Letras, 1989, p. 32.

178 A Semana – Belém, 21 de novembro de 1942, nº 1203.

Explica a autora que a constituição da República de Weimar, após a abdicação do Kaiser Guilherme II em novembro de 1918, foi uma forma de conter o avanço comunista na Alemanha, formando uma coalizão entre monarquistas e conservadores. Porém, a assinatura do tratado de Versalhes e a instabilidade econômica, social e política na Alemanha durante a década de vinte favoreceu a derrubada da República e a conseqüente subida ao poder do Partido Nacional- Socialista dos Trabalhadores Alemães em 1933, culminando com a nomeação de Hitler a chanceler em 30 de janeiro do mesmo ano. Esclarece mais:

Na opinião da alta burguesia alemã, Hitler seria facilmente controlável pela classe que o favorecia. Mas essa esperança não se concretizaria. Apesar de favorecer a burguesia nacional, o novo chanceler pouco se curva a suas exigências, subjugando-a em nome do Estado totalitário. Esse novo Estado seria celebrado na noite da tomada de posse de Hitler com um desfile monstruoso da S.A.180

O regime totalitário nazista se manteve a custa da propaganda e persuasão imposta à população com a manipulação da realidade, transformada em algo artificial pelo governo. Sendo assim, com a tomada de poder:

A propaganda terá seu próprio ministério, que trabalhará incessantemente para, a cada nova campanha, mobilizar a população. Assim a propaganda se expande ao poucos para o cinema, música, comícios eventos e arquitetura.181

Como visto na nota, a produção cinematográfica voltou-se para atender aos interesses do Partido Nacional-Socialista em propagar e persuadir, a partir dos ideais nazistas, a população. Com a criação do Ministério da Instrução e Propaganda, sob o comando de Gobbels e a crescente militarização da Alemanha, as produções de películas da UFA visavam enaltecer o nacionalismo alemão e sua estrutura de governo. Em Belém, durante a guerra, esses filmes retrataram o que foi exposto na nota: a movimentação militar da Alemanha e as vitórias nos anos iniciais do conflito.

Ao analisar o cinema alemão na imprensa de Porto Alegre e Santa Cruz do Sul na década de trinta, Isolan (2006) destaca o papel da UFA para o Partido Nacional-Socialista alemão como um dos principais veículos de informação.

180 Ibid., p. 62. 181 Ibid., p. 82.

Ressalta o papel do estúdio alemão como um dos principais distribuidores de filme na Europa nas décadas de 20 e 30. Para o autor, tanto na República de Weimar quanto nos anos de governo nazista na Alemanha, a empresa cinematográfica esteve atrelada aos interesses do Estado, criando “filmes com apelos pacifistas,

progressistas ou mesmo esquerdistas eram produzidos e expunham suas críticas às tendências autoritárias, conservadoras e belicistas de setores da sociedade alemã, incluindo o próprio nazismo”.182

Antes do troar dos canhões anunciando o início da guerra os filmes sobre as movimentações militares foram destaque nas produções cinematográficas exibidas nos cinemas de Belém. Como já abordada anteriormente, a produção cinematográfica hollywoodiana se empenhou em ressaltar a preparação do poderio bélico dos Estados Unidos para uma possível guerra, porém não foram exibidas somente películas norte-americanas.

De 1939 a 1941 filmes de longa metragem ou cinejornais produzidos pela UFA, a principal produtora cinematográfica alemã, também passaram nas salas de projeção de Belém. Em fevereiro de 1939 foi exibido nos cinemas Olímpia e Iracema um filme sobre a movimentação militar alemã.

Um espetáculo nunca visto!

Milhares de tanks em luctas tremendas. Centenas de aviões lançados na perseguição do espião mais audacioso da Europa! O film que combate a guerra mostrando como a guerra é preparada.

Uma pequena demonstração das forças bellicas do Reich! Gigantesca super-produção da UFA...183

O filme “Traidores” trazia no elenco a atriz Lida Baarova, como estrela principal, Willy Birgel e Irene Von Mayendorff e, segundo o anúncio, tinha como tema central do enredo a espionagem e a contra-espionagem. O enredo propiciava uma demonstração militar alemã através do filme, com a movimentação por terra (a partir dos “Tanks”) e pelo ar (com os aviões). Na perseguição do espião a apresentação do “film que combate a guerra mostrando como a guerra é preparada”,184 aparentando uma correlação de forças para a paz na Europa, sendo que para isso

182 ISOLAN, Flaviano Bugatti. Das páginas às telas: cinema alemão e imprensa na década de 1930 (Porto Alegre

e Santa Cruz do Sul). Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2006, p. 139.

183 Folha do Norte – Belém, 07 de fevereiro de 1939, p. 05. “Traidores”. 184 Ibid., p. 05.

era necessário mostrar que o regime nazista estava preparado para rechaçar qualquer ataque à soberania alemã.

Uma superprodução voltada para fazer uma “pequena demonstração” do poderio militar do regime nazista foi apresentado ao público pela empresa cinematográfica alemã.185 Os filmes de propaganda nazi-fascistas não tiveram a mesma amplitude, em termo de quantidade, como os produzidos em Hollywood, mas passaram nos cinemas, reverenciando intensamente os conteúdos políticos professados pelos regimes totalitários.

Em abril do mesmo ano, o cônsul italiano promoveu uma sessão cinematográfica na sala de projeção do Olímpia exibindo um filme sobre a viagem de Adolf Hitler a Roma, sendo que nos periódicos o evento causou polêmica em relação ao conteúdo. Na reportagem publicada no jornal Folha do Norte de 13 de abril de 1939 o autor, que se identificou pelas iniciais S. M., criticou a postura de determinados bacharéis em direito por considerarem a sessão como propaganda política.

A reportagem da FOLHA, que hontem, pela manhã, no foro, “ouviu commentario de bacharéis em direito sobre a exhibição no Olympia de um film de intensa propaganda nazista”, andou precipitado, publicando essa notícia, alias fora de propósito e fora da ethica jornalística (...) A propaganda seja ella qual for – feita por meio de convites especiais, de portas fechadas, não pode ter o effeito daquella propaganda feita abertamente na praça pública, na imprensa, nos theatros e nos cinemas, onde, mediante pagamento, entra quem quer...186

A iniciativa do Cônsul italiano foi entendida por alguns segmentos da sociedade como propaganda dos regimes nazi-fascistas, porém para o autor do artigo a sessão cinematográfica não chegava a se configurar como propaganda pelo seu efeito restrito na sociedade. Ou seja, por ter sido uma sessão para convidados, os interesses maiores da propaganda, que seria atingir com ampla intensidade um número grande de pessoas, não haviam acontecido. Continua a sua idéia criticando a postura da imprensa por transformar as opiniões sem fundamento em sensacionalismo jornalístico.

185 FURHAMMAR, e ISAKSSON, op. cit., p. 27-35. A UFA (Universum Film A. G.) foi criada em 1917

durante a Primeira Guerra Mundial pelo General Ludendorff, tendo o Estado Alemão um terço das ações da empresa. A partir da ascensão nazista a UFA virou a grande expressão da cinematografia na Alemanha produzindo filmes e cinejornais de caráter político.

186 Folha do Norte – Belém, 13 de abril de 1939, p. 03. A reportagem tinha como título “O film italiano sobre a

Por essa errada theoria, factos dessa natureza, que impressionam um povo, como visita a museus históricos, paradas militares de terra, mar e céo, illuminação nocturna de cidade em festa, enthusiasmo das massas, deviam também, por essa lógica, ser censurados e criticados.187

Ao se referir aos eventos que expressavam as diversas riquezas de uma nação, o autor, criticava veementemente aqueles que consideravam o filme como propaganda, pois essas películas serviam para mostrar ao mundo o grande desenvolvimento alcançado pela nação Italiana com Benito Mussolini.188 Se fosse nocivo aos interesses do governo brasileiro seriam vetados pelos órgãos censores.

Há ainda outro ponto a rebater: o cônsul da Itália não mandaria certamente exhibir um film sem prévio consentimento das auctoridades locaes, únicas competentes, e por isso a tal noticia tornou-se facciosa, ficando em contradicção com os factos que se passaram.189

Entende-se que o consentimento das autoridades locais reforçava a política de “neutralidade” e certo interesse pelo progresso dos países nazi-fascistas e sua estrutura de governo. Ao expressar sua opinião a respeito do filme, ele considerou como uma “reportagem fiel, nítida, artística, que orgulhando Roma, demonstra sua

riquezas de Arte, belleza de paysagens... exercícios militares de terra, mar e ceo, tudo como expressão de uma raça que corajosamente evoluiu...”.190 Assim concluiu suas impressões sobre o fato e o filme, exaltando o progresso alcançado com o governo fascista na Itália.

A Semana de 15 de abril de 1939 noticiou o evento promovido pelo cônsul

como um filme de propaganda “puramente” política, pois o filme mostrava a viagem de Hitler a Roma e a relação estreita existente entre os dois países.191

187 Folha do Norte – Belém, 13 de abril de 1939, p. 03.

188 Para Hobsbawm a crise do capitalismo liberal proporcionou condições para a tomada do poder estatal pelos

regimes totalitários de cunho fascistas, na Itália em 1922 com Mussolini e na Alemanha em 1933 com Hitler. Para ele a combinação de valores conservadores, a invenção de um passado glorioso e uma política antiliberal e ultradireitista, aliada a crise econômica e social do entre guerra, dentre outros fatores, favoreceu a instalação desses sistemas de governo, HOBSBAWM, op. cit., p. 113-143.

189 Folha do Norte – Belém, 13 de abril de 1939, p. 03. 190 Ibid., p. 03.

191 Na política de alianças feitas anteriormente ao conflito Alemanha e Itália tornaram-se aliadas em decorrência

A reportagem da revista não entrou em detalhes sobre os aspectos que caracterizaram o filme como propaganda política. Contudo, o que se percebeu ao analisar o documento foi que por se tratar de uma película referente aos chefes de estado da Alemanha e da Itália e a sessão ter sido promovida pelo cônsul o propósito seria divulgar o progresso desses dois países.

O Sr. Vitório Chinsano, cônsul italiano no Pará, convidou A Semana para assistir, quarta feira última, mo magnífico salão do cinema Olympia, um filme sobre a viagem do Sr. Adolf Hitler, chefe do governo alemão a Roma (...) O film está muito bem tirado; é nítido, claro; só importunando a vista quando no que o operador focou com o trem em desabalada carreira. O salão estava repleto de convidados, não tendo se registrado manifestações de desagrado ou de aplauso, apesar de se tratar de um film de cor puramente política.192

Para os redatores da revista o filme tinha bastante valor quanto a sua produção artística e sua manifestação política. Dentro da sala de projeção do Olímpia não houve manifestações a favor ou contra a película, todavia no lado de fora do cinema “estavam, em apreciável número, os estudantes, que cantaram o

Hino Nacional Brasileiro, vivaram o Presidente Getúlio Vargas e deram vivas à democracia”.193 A manifestação estudantil a favor da democracia era contrária à iniciativa do cônsul italiano em promover uma atividade a favor dos regimes totalitários.

Na coluna Focando, escrita por Everardo, encontram-se outros comentários sobre o filme da viagem de Hitler a Roma, porém não houve qualquer manifestação em relação ao caráter político, somente comentário sobre a película “boa fotografia,

melhor som e espetacular direção... O Sr. Hitler é fotogênico, já não acontecendo o mesmo com Mussolini que estava mal maquillado”.194

Em junho de 1939 o filme italiano “Scipião, o africano” foi exibido nos cinemas

Independência e Moderno. Segundo Pereira (2003), os filmes de propaganda

política sobre os assuntos do período fascista não tiveram o efeito esperado perante

192 A Semana – Belém, 15 de abril de 1939, nº 1027. A reportagem tinha como título “Films de propaganda

política”.

193 Ibid. 15 de abril de 1939, nº 1027.

o público italiano. Por isso, foi necessário investir em temas históricos que pudessem relacionar as vitórias do presente fascista com as do império romano.195

Dentre esses filmes que caracterizaram o imperialismo colonial pode-se destacar “Cipião, o Africano”196 (produzido em 1937), que tinha como enredo a luta de Roma contra Cartago. Em 26 de junho de 1939 o anúncio do filme apresentava um resumo sobre o tema central, ressaltando o papel desempenhado pelo general romano “Scipião” na luta contra Aníbal “com seu exercito mercenário e tropas

bárbaras...”.197 O confronto foi caracterizado como uma dicotomia da civilização versus barbárie, ou seja, o império romano, símbolo da civilização ocidental e do regime fascista italiano, contra os bárbaros de Cartago, que poderiam ser representados pelos países que combatiam as idéias totalitárias da Itália.

No segundo semestre de 1939 e no ano de 1940 as informações sobre o conflito foram transmitidas, como já visto anteriormente, pelas lentes cinematográficas dos países Aliados através dos cinejornais. Não foram encontrados nos periódicos locais nem anúncios nem registros da exibição de filmes alemães e italianos.

No entanto, no ano de 1941 os cinejornais produzidos pela UFA voltaram a ser exibidos nas salas de projeção da cidade. O avanço alemão no decorrer dos primeiros anos da guerra foi surpreendente, anexando diversos territórios que se submeteram às forças das armas do Terceiro Reich. Esses avanços foram registrados pelos cinegrafistas alemães incumbidos de filmar o que se passava no

front de guerra.

As atualidades [jornais cinematográficos produzidos pelo regime nazista] são elaboradas com cuidado, como verdadeiros filmes de ficção, tendo, por exemplo, a música em sintonia com as pistas de som. A partir do verão de 1942 elas perdem um pouco de criatividade, mas continuam sendo as mais bem feitas de todas as atualidades de guerra. É verdade que os alemães dispõem de meios materiais consideráveis – dezenas de equipes de cameramen – enquanto as produtoras particulares inglesas e americanas tinham equipes menos numerosas e menores.198

195 Cf. PEREIRA, Wagner Pinheiro. Cinema e propaganda política no fascismo, nazismo, salazarismo e

franquismo. In: HISTÓRIA: questões & debates. Curitiba, PR: Ed. UFPR, ano 20, n. 38, jan./jun. 2003.

196 Folha do Norte, 26 de junho de 1939, p. 04. 197 Ibid. p. 04.

A eficiência alemã nos registros cinematográficos dos campos de batalha europeu foi assistida pelo público belenense nas salas de projeção. Os cinejornais da UFA exibiram as “BLITZKRIEGS” alemães ocorridas em vários momentos do confronto. Em 24 de agosto de 1941 o anúncio dos cinemas Independência e

Moderno destacava “a primeira reportagem fotográfica da guerra germano-russa” intitulada a “BLITZKRIEG CONTRA A RUSSIA”.199 Na reportagem cinematográfica foram apresentadas imagens sobre a invasão da União Soviética pelo exército alemão,200 ressaltando as façanhas dos “paraquedistas contra as fortificações

russas”.

Em 16 de setembro de 1941, outro anúncio dos cinemas Moderno e

Independência divulgava a reportagem cinematográfica produzida pela empresa

alemã sobre o avanço do Terceiro Reich na Europa. O anúncio realçava “A

BATALHA DE CRETA” como “SENSACIONAL!... EMPOLGANTE!...

INACREDITAVEL!...”, 201 com o intuito de incentivar o leitor do jornal e apreciador

das salas de projeção a assistir o transcorrer da luta através das telas e também destacando:

A sensacional reportagem filmada pelos operadores do alto comando alemão, vendo-se desde a descida do 1º pára-quedista até a rendição da ‘Ilha Fortaleza’, tomada finalmente por nuvens e nuvens de pára- quedistas.202

A participação do alto comando alemão demonstrava o interesse estatal nas informações transmitidas, repassando através dos cinejornais os ideais propagados pela Alemanha nazista.

Pode-se verificar a complacência da ditadura varguista com os ideais nazi- fascistas por meio da liberação dos filmes e cinejornais alemães. Entre tantos outros exemplos que já foram trabalhados, um chamou bastante atenção, não pelo seu tamanho, mas pelo conteúdo descrito. Em um anúncio da Empresa Cardoso e

199 Folha do Norte – Belém, 24 de agosto de 1941, p. 06.

200 Em 22 de junho de 1941 a Alemanha rompeu o pacto de não agressão, assinado com a União Soviética em 23

de agosto de 1939. Cf. DIEHL, P. op. cit., p. 146.

201 Folha do Norte – Belém, 16 de setembro de 1941, p. 05. A invasão desastrosa da Itália na Grécia levou Hitler

a auxiliar o aliado enviando para o território grego a Afrika Korps e a Lufftwaffe alemã. A batalha na Ilha de Creta ocorreu com intensidade no decorrer do mês de maio de 1941, envolvendo principalmente os pára- quedistas alemães e o exercito britânico. BALDWIN, Hanson W. Batalhas ganhas e perdidas. Tradução de Cel. Álvaro Galvão. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1978, p. 77-141.

Lopes, em que os destaques eram os filmes norte-americanos (sendo um deles