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Oppsummering av, og oversikt over, diskursene

In document Cuba – best i klassen? (sider 83-97)

5.3 Diskurser om Cubas orkanrespons

5.3.4 Oppsummering av, og oversikt over, diskursene

Como sempre acontece neste domínio do saber, os importantes elementos de ordem epidemiológica que acabámos de referir, não expressam mais que meros indicadores gerais. A procura de olhares mais concretos do problema impõe análises sobre regiões concretas, locais e populações específicas.

Na perspetiva individual há, como sempre acontece, razões ambientais e fatores individuais que assumem responsabilidades acrescidas enquanto condições pré-neoplásicas. No cancro da mama, a evidência científica já identificou como importantes fatores de risco:

• A idade que, como a incidência ajustada à idade claramente comprovada, persiste como o mais marcante destes fatores. São razões centrais para que assim aconteça, a interação da influência dos estímulos hormonais e o aumento da esperança média de vida;

• O ciclo de vida reprodutiva da mulher. A relação fisiopatológica do cancro da mama com os estrogénios, enquanto hormona feminina, está comprovada em bases clínicas, epidemiológicas e de investigação básica e de translação. Fisiologicamente os estrogénios regulam e estimulam a função endotelial de todos os órgãos do aparelho sexual da mulher e, por isso, também a atividade celular dos estrogénios endógenos, como acontece nos casos de menarca precoce e menopausa tardia, nuliparidade ou idade tardia da primeira gravidez, bem como o longo e continuado uso de anticoncecionais orais e da terapêutica hormonal de substituição (Lacey et al., 2009);

• A Infertilidade. Reforçando o anteriormente referido, diremos que a gravidez tem uma correlação direta negativa com o cancro da mama, tal como (Fan et al.)

demonstraram, na China, em 2009, quando constataram a existência de uma relação inversa existente entre a gravidez e o cancro da mama. No trabalho

desenvolvido por estes autores foi possível perceber que enquanto reduzia a taxa global de natalidade – que dos 6.4 registados em 1955, passou para os 0.81 em 2006 - aumentava proporcionalmente os registos de novos casos de cancro da mama (Fan et al., 2009).

• A história individual, porque “ … o principal fator de risco de cancro da mama, é a pré- existência de cancro na mama contralateral …”. Em duas situações distintas, a história familiar associa-se a um risco acrescido de cancro da mama. Nas formas esporádicas, em que há familiares próximas (mãe, irmãs, filhas) com doença, a probabilidade de uma mulher vir a contrair a doença em idades jovens (abaixo dos 45 anos), tem um risco duas a três vezes, superior ao da população geral (Lacey et al., 2009). Estes tipos de situações representam a esmagadora maioria, superior a 90%, dos casos. Por esta razão, as mulheres nestas circunstâncias devem iniciar programas de vigilância logo a partir dos 40 anos. Diferentes são os casos das formas familiares consequentes à desregulação da reparação molecular do DNA pela transmissão da mutação dos genes BRCA - breast cancer- dos tipos 1 e 2 e p53 -

protein 53 or tumor suppressor protein 53 -. Estas formas familiares de cancro da

mama, apesar de inferiores a 10% dos casos, constituem um tipo muito particular da doença, porque o risco de cancro da mama e do ovário é, praticamente, absoluto, levantando problemas éticos, de diagnóstico e terapêutica profilática (Lacey et al., 2009);

• Hábitos e Estilos de Vida. A migração dos meios rurais para os urbanos, própria das sociedades em desenvolvimento, trouxe, entre outras condicionantes, alterações aos hábitos e estilos de vida, onde os desvios nutricionais e o sedentarismo assumem, particular e negativa, relevância global. A obesidade, diretamente relacionada com o excesso de consumo de fast food e álcool, tem uma interação direta e muito marcada com o cancro da mama, tanto na China (Fan et al., 2009; Li et al., 2008), como na Europa (Totio et al., 2009) e nos EUA (Prentice et al., 2006). • Todavia, este dado é tanto mais interessante quanto os estudos da Women´s Health

Initiative Dietary Modification, da Iowa Women´s Health Study Trial, e da Nurses Health Study, que mostram que a perda ponderal reduz muito significativamente o

risco de cancro da mama.

O Women´s Health Initiative Dietary Modification Trial,de grande dimensão e rigor científico, analisando mais detalhadamente o problema confirma, não só, a relação da dieta com o risco da doença como constata a redução deste risco na sub-população de mulheres que perdem peso, antes ou depois da menopausa (Prentice et al., 2006). Neste âmbito, não menos curioso é o Iowa Women´s Health Study que, analisando o momento da perda de peso com o risco de cancro da mama, comprova que as mulheres que perdem 5% do peso antes da menopausa, veem o risco de cancro da mama baixar, após a menopausa, em cerca de 40%, enquanto que as que

perdem essa mesma percentagem de massa corporal depois da menopausa, a redução do risco do cancro, não passa da ordem dos 25% (Harvie et al., 2005). Porém, a menopausa não será, seguramente, o non return point deste problema porquanto, ainda nos EUA, na mesma época e instituições com igual estatuto de rigor, de que é exemplo o Nurses Health Study, pode constatar-se uma redução de 56% da incidência da doença no grupo de mulheres que perderam pelo menos 10kg após a menopausa (Eliassen et al., 2006).

Particularmente preocupantes são as perspetivas que, no âmbito da vulgarização da doença e no domínio da saúde pública, são esperadas por instituições com dimensão responsabilidades globais, como são a International Agency for Research on Cancer (IARC) e a OMS. Pela reconhecida correlação entre cancro, ambientes e estilos de vida inerentes à melhoria sócio- económica das sociedades, modernas e urbanas, a OMS e a IARC estimam que, no decurso das próximas duas décadas, a incidência do cancro duplique. Ou seja, face aos índices conhecidos de 2010, é previsível que em 2030, com valores duplos dos atuais, o cancro assuma a primazia entre as causas de morte, constituindo o principal problema de saúde pública dos países desenvolvidos. Apesar dos esperados alargamentos dos programas de rastreio, o aumento da esperança média de vida, e o impacto ambiental, levam a OMS a admitir como expectáveis para 2030 e por ano, 27 milhões de novos casos e 17 milhões de mortes por cancro, com a corresponde correlação direta positiva do aumento epidemiológico do cancro da mama.

Por assim ser, mau grado os esforços dos programas de rastreio e os enormes avanços terapêuticos, o cancro passará a ser a primeira causa de morte, enquanto o cancro da mama persistirá como principal causa de morte na mulher entre os 35 anos e os 55 anos e a segunda, independentemente da idade, onde o cancro do pulmão manterá posição cimeira.

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