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Da análise dos dados apresentados no ponto anterior optámos por discutir os resultados obtidos na perspetiva dos diferentes atores escolares, uma vez que constatámos que não existem discrepâncias significativas quer ao nível da localização, quer ao nível da constituição do mesmo. Desta forma analisaremos primeiro as perspetivas dos diretores, de seguida as dos coordenadores EpS e finalmente as dos professores.

No entanto previamente, à discussão dos resultados das entrevistas, procederemos à análise dos resultados de toda a análise documental realizada.

No 1.º Ciclo de avaliação externa, tal como referido no ponto anterior, dos 9 relatórios analisados em apenas 4 se observaram referências ao desenvolvimento de atividades no âmbito da promoção para a saúde; nos restantes 5 relatórios não é feita qualquer menção a esta área de trabalho.

Trata-se de uma constatação preocupante, sobretudo se tivermos em conta que um dos principais objetivos da Educação para a Saúde nas escolas, identificado no Protocolo assinado entre o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde, é o de “Dotar as crianças, os adolescentes e a comunidade escolar em geral, de conhecimentos, atitudes e valores que os ajudem a fazer opções e a tomar decisões adequadas e construtivas capazes de favorecer o seu equilíbrio e bem-estar futuros”. Não adotar atitudes e procedimentos escolares que contribuam para a consecução do objetivo referido é descurar e/ou adiar “a aquisição de competências das crianças e dos jovens, permitindo-lhes confrontar-se positivamente consigo próprios, construírem um projeto de vida e serem capazes de fazer escolhas individuais, conscientes e responsáveis” (Protocolo ME-MS, 2006, p. 1).

Relativamente ao 2.º Ciclo de avaliação externa, dos 6 relatórios analisados apenas 2 desses relatórios se faz referência à existência de atividades realizadas no âmbito da promoção para a saúde, o que demonstra que do 1º para o 2º ciclo de avaliação a importância consignada à Educação para a Saúde não sofreu qualquer evolução positiva, diríamos mesmo que regrediu.

Ora, no seguimento do que referimos anteriormente, adiar o envolvimento das escolas na prossecução de objetivos considerados fundamentais no domínio da Educação para a

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Saúde é privar os jovens de se apropriarem de saberes que lhes permitam opções informadas e sustentadas quer sobre determinados comportamentos preventivos, quer sobre modos e estilos de vida que concorram para o seu bem-estar físico e mental futuro.

No âmbito dos planos de melhoria produzidos pelas escolas, em consequência dos dois ciclos avaliativos, são feitas referências muito claras à necessidade de implementar iniciativas que concorram para a prevenção do insucesso escolar, do abandono escolar e da indisciplina nas escolas. Nos 5 planos de melhoria analisados, nenhum deles faz referência ao desenvolvimento de atividades de promoção da saúde na escola.

Os dados obtidos permitiram-nos constatar que os últimos planos de melhoria foram elaborados em sintonia com os pontos fracos e/ou as áreas de melhoria identificados nos relatórios de Avaliação Externa das Escolas (AEE).

2.1. Perspetiva dos diretores de escolas

A perspetiva dos diretores das escolas ao nível das percepções é muito similar, uma vez que nenhum deles discorda de que a avaliação passa por uma análise e monitorização do processo com vista a uma melhoria, à introdução de alterações, sobretudo quando é necessário introduzi-las para melhorar o processo e os resultados.

Os diretores estão, ainda, de acordo no que se refere à necessidade da AEE, reconhecendo que o modelo atual está bem construído e é abrangente. No entanto, consideram que a burocratização de todo o processo e a progressiva submissão de todo o processo avaliativo aos resultados da avaliação externa das aprendizagens é um aspeto negativo. Não defendem que estes resultados não possam ser utilizados, embora reconheçam que isso não deve impedir que o olhar dos avaliadores tente encontrar o valor que as escolas acrescentam aos seus alunos. Outra crítica que fazem à AEE resulta do facto do modelo não ser estendido às escolas privadas, o que permitiria uma leitura de dados mais correta e estabelecer comparações entre o ensino público e o ensino privado.

Os diretores afirmam, ainda, que os resultados exercem uma influência significativa sobre os restantes domínios e que os projetos desenvolvidos nas escolas, em função do seu público-alvo, são pouco valorizados pelas equipas inspetivas, em particular os projetos de educação para a saúde. Consideram, também, que o seu apoio ao desenvolvimento de projetos na escola é feito em função das necessidades do público-alvo e não em função da

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avaliação externa, tendo um dos diretores entrevistados afirmado o seguinte: “o meu apoio ao desenvolvimento de projetos é dado pela mais-valia que esses podem trazer para a formação dos alunos desta escola e não a pensar na avaliação externa de escolas!”

Os inquiridos referiram, ainda, que uma das suas principais preocupações, neste momento, é dotar os professores das suas escolas dos meios e ferramentas de que necessitam para o desenvolvimento de projetos, com vista à melhoria da escola, promovendo uma melhoria do ensino, cujo objetivo final é a promoção do sucesso escolar e de uma escola com qualidade.

2.2. Perspetiva dos Coordenadores da Educação para a Saúde

À semelhança do que se passa com os Diretores, os Coordenadores da Educação para a Saúde corroboram a sobrevalorização dos resultados da avaliação externa das aprendizagens pelas equipas inspetivas e assumem que valorizam pouco os projetos desenvolvidos nas escolas. Além disso, garantem que o seu empenho no desenvolvimento de projetos nas escolas, em particular de Educação para a Saúde, não depende da avaliação externa da escola mas da necessidade de atender aos problemas do seu público-alvo. Daí o afiançarem que se envolvem na conceção e dinamização de projetos sempre com “o intuito de melhorar a qualidade das aprendizagens e de contribuir para o sucesso escolar dos alunos.” (Participante F)

Na opinião dos Coordenadores da EpS, o que poderá dificultar a abordagem desta área de trabalho nas escolas é o facto de terem retirado do plano curricular as áreas curriculares não disciplinares, nomeadamente a Área de Projeto, uma vez que representava um espaço de trabalho para os alunos na metodologia de projeto, permitindo, simultaneamente, a operacionalização do mesmo numa perspetiva transversal a todas as disciplinas curriculares.

Os Coordenadores da EpS consideram, ainda, de que o desenvolvimento da Educação para Cidadania deve estar associado à promoção de competências por parte do individuo ao nível de todas as vertentes humanas: física, social, psicológica, ambiental, cultural, económica e de respeito pelos outros. Só assim será possível contribuir para que o estudante se transforme num cidadão que decide de forma consciente e reflexiva. Nesta linha de pensamento, a EpS é parte integrante da educação para a cidadania, pois para que existam cidadãos responsáveis estes, também têm de apresentar hábitos e estilos de vida

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saudáveis. A promoção da saúde integra-se desta forma, na vertente física, psicológica e ambiental da promoção da cidadania.

2.3. Perspetiva dos professores

Por fim, e em linha com os atores anteriores, também os professores corroboram a sobrevalorização dos resultados da avaliação externa das aprendizagens pelas equipas inspetivas e assumem que valorizam pouco os projetos desenvolvidos nas escolas. Além disso, garantem que o seu empenho no desenvolvimento de projetos, em particular de Educação para a Saúde, não depende da avaliação externa da escola mas da necessidade de atender aos problemas do seu público-alvo, em particular os estudantes. Daí o afiançarem que, com alguma frequência, se envolvem na conceção e dinamização de projetos sempre com “o intuito de melhorar a qualidade das aprendizagens e de contribuir para o sucesso escolar dos alunos.” (Participante C)

Além disso, e numa posição análoga à dos coordenadores, também os professores corroboram de que a EpS é parte integrante da Educação para a Cidadania, devendo, por isso, ser muito mais valorizada do que tem sido ultimamente. Não o fazer é estar a desperdiçar uma oportunidade de contribuir para que a geração futura, além de informada, seja capaz de adquirir práticas promotoras de uma vida equilibrada e com saúde.

Por outro lado, os inquiridos defendem a existência de um crédito horário para os professores que colaboram neste tipo de projetos, crédito esse que lhes permitiria proceder à monitorização do processo de forma mais frequente e mais ritmada, bem como à sua avaliação consequente reformulação, sempre com o intuito de aproximar tais projetos das necessidades efetivas do público-alvo. Acresce o facto de uma reestruturação desse género poder contribuir, por outro lado, para promover uma cultura colaborativa, criando novas formas de diálogo entre os professores envolvidos, potenciando, assim, quer o desenvolvimento de atividades conjuntas, quer o aprofundamento do trabalho interdisciplinar.

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Considerações Finais

Pretende-se neste último ponto, realizar uma reflexão crítica acerca das principais ideias a que chegamos neste estudo. Procuramos ao longo dos próximos pontos, explicitar ideias e elementos que permitam compreender em que medida o estudo realizado possibilitou responder à questão de partida que norteou a investigação realizada:

Quais os efeitos da avaliação externa no desenvolvimento de projetos de Educação para a Saúde nas escolas?