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5 Analyse og resultater

5.7 Oppsummering av funn

Em Felipe Neto responde - 1, aos modos do primeiro vídeo analisado, Felipe respon- de a algumas questões e comentários levantados pelas audiências. O vídeo em questão é o quinto vídeo postado no canal Vlog do Felipe Neto e o primeiro mais popular dentre os víde- os desse canal. A postagem do vídeo ocorreu em 29 de junho de 2010.

O vídeo começa com Felipe esfreguando o olho direito com os dedos (FIG. 26). O performer olha fixamente para a câmera e inicia dizendo que está de volta ao seu segundo canal – estrutura que é utilizada na abertura dos próximos vídeos publicados – e que possui uma novidade para as audiências: a criação de um bloco de perguntas e respostas. Como nos evidencia Felipe ao longo da gravação, as respostas devem ser enviadas por meio de vídeos, os video responses.

A respeito das respostas, é interessante perceber que Neto diz que o Felipe é quem vai responder as dúvidas dos usuários. Tal proferimento nos permite destacar o personagem que Neto criou para se expressar nos vídeos, como ele alega em sua entrevista para o site TechTudo: “Eu comecei a gravar de forma intencionalmente interpretada, mas somente por- que eu já fazia teatro desde menino. Eu só queria me divertir e ver o que iria acontecer. Acho

que na internet quanto mais você pensa em querer fazer sucesso, menos original você fica.” (BARROS, 2012).

De acordo com Neto, a intenção em realizar essa dinâmica de perguntas e respostas é possibilitar um diálogo, uma conversa, um bate-papo entre o performer e as audiências que se formam em seu entorno: “É... por mais que seja idiota, eu acho que... é um bom meio deu... poder falar mais com vocês, me comunicar, criar mensagem de interação.” (NETO, 2010d). A sentença transcrita acima, de certa maneira, torna clara e evidente a ideia de sociabilidade res- saltada por Zumthor (2007) a respeito da fala, que sempre se dirige a alguém e clama por um ouvinte, por uma audiência, uma vez que declaramos que não estamos sós no mundo. A pro- posta, ao mesmo tempo convite à interação, é tornada possível pelos recursos técnicos a serem empregados: a câmera, para registro das perguntas dos usuários e da resposta do performer, como também a plataforma YouTube, que permite o upload e visualização do material audio- visual produzido e posto em circulação. Novamente, percebemos a configuração de uma “sociabilidade midiatizada”, que requer das partes a utilização de uma ferramenta, de uma tecnologia, como nos aponta Braga (2006), e a mediação pelos media.

Em um instante de quebra do que vinha sendo dito, Neto anuncia que sua cadeira está fazendo barulho. O olhar se desloca da câmera para a cadeira preta sobre a qual ele está sen- tado. Cadeira que serve como balanço, quase que como em um movimento sexual, em que o performer se desloca para frente e para trás repetidas vezes. Objeto que serve também para gi- rar em sentido horário e ajustar o corpo de modo confortável (FIG. 26).

Dando continuidade à performance, o vlogueiro sugere que os usuários lhe perguntem qualquer coisa: “Pode perguntar qualquer coisa. Pode me perguntar: qual é a idade da minha mãe. Pode me perguntar...” (NETO, 2010d). Para dar início às respostas, Neto justifica que pelo fato das audiências ainda não terem enviado seus questionamentos, ele vai “fazer um apanhado das perguntas que eu mais recebo e respondê-las aqui de uma vez por todas.” (NETO, 2010d). As mãos se deslocam livre e rapidamente pela tela e a expressão facial nos dá a impressão de confiança e orgulho, como se Neto estivesse posando para a câmera ou adimirando-se frente ao espelho (FIG. 26).

As perguntas e comentários que Felipe irá responder aparecem escritos em branco (lettering)97 sobre um fundo preto. Os quadros em que o texto escrito se encontra intercalam a

                                                                                                               

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Letreiro, em português. “Texto que aparece num filme [ou vídeo] para esclarecer situações. Era muito utiliza- do nos filmes mudos para estabelecer os diálogos entre os personagens ou para introduzir as cenas.” (RABAÇA; BARBOSA, 2001, p. 424).

gravação por meio de recursos técnicos, como o fade out98 e o fade in.99 O emprego de tais técnicas deixam claro o conhecimento que Neto possui sobre edição e produção de vídeos, ainda que sejam recursos simples e de fácil manuseio por programas de edição de vídeo, como deixa transparecer Felipe.

Figura 26 – Quadros do vídeo Felipe Neto responde - 1 – YouTube – 2010

Fonte: NETO, 2010d

A primeira indagação a ser respondida é: “Por que você só fala mal das coisas?” (FIG. 26). Neto nos diz que ele recebe muito essa pergunta. Com o movimento da cabeça de trás para frente, como em um “sim”, o performer atesta a veracidade daquilo que é dito. Antes de dar uma resposta, Felipe propõe um exercício às audiências. Ele solicita que os usuários fe- chem os olhos e pensem um pouco, ao modo como ele está fazendo no vídeo. De olhos fecha- dos, Neto pede para que as audiências reflitam sobre a condição do mundo nos dias de hoje e questiona se os usuários estão satisfeitos com a situação em que vivem: “Cê tá feliz com as                                                                                                                

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“Desaparecimento gradual da imagem, por escurecimento.” (RABAÇA; BARBOSA, 2001, p. 296).

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coisas que você tá observando no mundo com essa socidade? Cê tá feliz? Cê acha que tá bom? Cê acha que a sociedade tá boa? Que tá tudo bem resolvido?” (NETO, 2010d). Mais uma vez, notamos que as interrogações lhe servem como um recurso retórico para estabelecer e firmar uma conversação, um processo dialógico, ainda que o vídeo seja um monólogo. A pergunta, nesse sentido, é um proferimento que clama por uma resposta, que suposta e poten- cialmente deve ser dada pelas audiências.

Ao se posicionar frente ao questionamento, Felipe se pronuncia em desacordo com a situação atual da sociedade, ou seja, ele não está feliz com o contexto em que vive. Em função dessa posição que ele assume, o performer pergunta às audiências porque elas não falam mal das coisas ao seu redor. De acordo com Neto, se as pessoas fossem mais críticas a respeito dos assuntos e falassem o que pensam, a sociedade seria diferente.

As frases são ditas com o rosto próximo à câmera e o olhar fixo para o instrumento, dando a impressão de que Felipe está certo sobre o que diz. Esse movimento de se aproximar à tela se aproxima de um tom confessional e que se pretende amigável, no sentido de que o interrogatório passa a ser realizado “olho no olho”, de modo que ambas as partes implicadas na performance se tornam confidentes uma da outra. Nessa relação, defendemos que a responsabilidade mútua entre ambos se consolida.

Felipe não confere tanta importância para as perguntas que se seguem (2, 4 e 5), de modo que ele se movimenta na cadeira em que está sentado, deslocando-se em um breve giro, olhando de um lado para o outro, de cima para baixo ou até mesmo bocejando, demonstando, assim, uma despreocupação, respondendo às perguntas à sua maneira e como bem lhe agrada (FIG. 26). Precisamos atentar, no entanto, para a terceira resposta. Ao receber o seguinte co- mentário: “Tira os óculos. Põe os óculos. Tira o bigode. Deixa o bigode. Mimimi.”, Neto rela- ta que não se importa se as pessoas o acham bonito ou não. Para ele, o importante é se sentir confortável com as roupas que está usando e satisfeito com sua própria aparência: “Eu não fa- ço o meu cabelo desse jeito pra você me achar bonito, eu não não deixo esses pentelhos na ca- ra pra você me achar bonito, eu não uso roupa nenhuma pra você me achar bonito...” (NETO, 2010d).

Os gestos empregados sustentam a argumentação ao mostrarem as mãos que tocam as vestes e o rosto, mostrando o cabelo e a barba por fazer. Em toda a performance, não apenas neste vídeo, como em todos os outros, a face é o display que corporifica a intenção comunica- tiva do performer para com suas audiências e ao mesmo tempo o espelho para onde o público deve mirar. Por mais que Neto alegue que não se preocupa com sua aparência neste vídeo, percebemos que ele apresenta aquilo que Primo (2010) considera como “personalidade

narcísica”, uma conduta própria às subjetividades que possuem o desejo pela fama potencializado pela visibilidade implicada nos media.

O “narcisismo”, dessa maneira, “se caracteriza por uma visão de si inflada, sentimen- to de superioridade e excessiva autoadmiração.” (PRIMO, 2010, p. 161). Mais do que rece- ber a admiração de uma audiência, que valide sua autoestima (LASCH, 1983), o narcisista é aquele que contempla a si mesmo, que se sente desejoso pela própria imagem, mesmo que ela não agrade aos outros. O mundo, de acordo com essa visão, é visto como um espelho, em que Narciso precisa olhar e ser olhado, buscando se reafirmar constantemente frente aos outros e perante a si mesmo.100

Prosseguindo, Felipe diz que não irá abordar temas que não lhe pareceçam interessan- tes e que não rendam interesse a suas audiências. A indicação por parte do vlogueiro de um usuário em seu vídeo ou Twitter, bem como a possibilidade dele seguir alguém está atrelada ao mérito que ele mesmo alcançou. Como o performer enfatiza, em sua trajetória no YouTube, não foi necessário que outros “vloguerios” ou usuários o indicassem e o seguissem; dessa maneira, ele também não fará tal prática, uma vez que cabe à própria pessoa se promover e conquistar o seu espaço, pois, se não, ele teria que fazer o mesmo a cada usuário que lhe pede que o faça. Mais uma vez, notamos o caráter individualista do performer e percebemos que Neto ressalta o modo como administra a si mesmo, como alguém que se autopromove pelos media.

Ao final, Felipe se despede falando que é bem simples enviar um vídeo em resposta à proposição feita por ele ao início da gravação. Para tanto, basta aos usuários postarem seus comentários abaixo do vídeo, como ele indica com as mãos. Apesar de Neto sublinhar que os melhores vídeos enviados pelos usuários serão postados e divulgados em seu próximo vídeo, percebemos que ele abandona a ideia, pois os vídeos que posteriormente são alocados no canal tematizam outras questões e não retomam a promessa feita anteriormente.