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6 Konklusjon og avslutning

6.2 Avslutning

O próximo vídeo a ser investigado nos possibilita destacar alguns outros pontos a res- peito de uma dimensão narcísica manifesta pelo comportamento exibicionista de Felipe Neto

                                                                                                               

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Mais detalhes sobre o narcisismo podem ser encontrados em Lasch (1983) e Primo (2010). Uma análise mais completa e detalhada sobre o vídeo Desabafo e coisas da madrugada pela perspectiva do narcisismo pode ser encontrada em Salgado e Silva (2012).

frente à câmera. O vídeo Desabafo e coisas da madrugada foi postado em 07 de julho de 2010, sendo o sexto vídeo do canal e o quarto mais popular.

Em performance, Felipe Neto segura a câmera em sua mão – como ele mesmo diz ao longo do vídeo. Ele se encontra sentado em uma cadeira, em um tom descontraído (gírias e palavrões), de modo que dialoga informalmente com as audiências, parecendo aconselhá-las. O foco está em seu rosto, que ocupa, praticamente, a totalidade do espaço destinado à exibi- ção da imagem videográfica (FIG. 27). Rosto que é interface entre performer e audiência. Após o rosto, surgem as mãos. Estas têm gestos aparentemente livres.101

Figura 27 – Quadros do vídeo Desabafo e coisas da madrugada – YouTube – 2010

Fonte: NETO, 2010c

                                                                                                               

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“O exame dos textos gestuais permite distinguir não somente a gestualidade significante da gesticulação des- provida de sentido como também obriga a definir a ‘substância gestual’ como aquilo que se exprime graças a esta matéria particular que é o corpo humano enquanto ‘volume em movimento’. A gestualidade não se limita mais aos gestos das mãos e dos braços ou à expressão do rosto, mas faz parte integrante do comportamento so- mático do homem e não constitui, enfim, senão um dos aspectos do que se poderia chamar linguagem somática.” (GREIMAS; COURTÉS, 2008, p. 237).

Em função do modo como corpo de Neto se ordena em performance, podemos consi- derar que a composição corporal no processo performático de Felipe é processual, de modo que, paulatinamente, o corpo se afirma perante a audiência. Ao longo do vídeo podemos com- provar esta afirmação por meio da relação que ele estabelece com a câmera. O vlogueiro olha para ela como se fosse um espelho, ele vira de lado e mostra uma espinha em seu rosto. Ele se aproxima do equipamento e conta quantos minutos da gravação já se passaram (FIG. 27).

Ao revelar seus traços e expressões, a face de Neto se funde ao rosto da audiência. Narciso fixado na inquietude corporal. Imagem numérica especular quando ele chama a aten- ção para a quantidade de acessos aos seus vídeos, indicando com os dedos onde os usuários podem conferir tais dados e curtirem um de seus perfis no YouTube.

Como alguém que tem consciência de ser acessado e visto por milhares de usuários, Narciso revela seu status de personalidade reconhecida nessa ambiência midiática. O aparato técnico utilizado para o registro da performance posiciona e delimita, assim, os papéis de per- former e audiência. Através do espelho, então, ambos se encontram em campos visuais com- partilhados.

As frases são construídas na primeira pessoa do singular, os verbos se encontram, em sua maioria, no presente do indicativo e as palavras utilizadas pertencem ao repertório lin- guajeiro das audiências convocadas à encenação. Tal como os termos empregados, o tema também aborda e recupera alguns assuntos que fazem parte do universo das audiências, tais como o filme Crepúsculo, “gente colorida” e “emos”, também presentes em outros vídeos.

Ao prestarmos atenção ao conteúdo deste vídeo, permeado por vários palavrões, nota- mos que ele é feito em resposta a comentários que Felipe recebeu sobre os vídeos que realizou anteriormente de pessoas que “não entendem os vídeos que eu faço”, como ele pontua ao evidenciar sua condição de sujeito da performance por meio da primeira pessoa do singular. Nesse sentido, as coisas que Neto diz em seus vídeos não são consideradas por ele como sendo “verdadeiramente verdade”, como ele mesmo ressalta:

Eu acho que tem algumas pessoas que acham que eu sou o dono... que eu me acho o dono da verdade. Eu não sou o dono da verdade. [...] Eu não comprei a verdade, então, eu não sou o dono dela. Eu não me acho o dono da verdade e eu não acho que as coisas que eu falo são verdadeiramente verdade. Não acho mesmo. Eu acho que elas são a minha verdade, as coisas que eu acredito. [...] Eu não faço vídeo para mudar a opinião de ninguém. Eu faço vídeo por um motivo muito simples: falar o que eu penso. Então, assim... eu criei uma espécie de um personagem para poder falar as coisas que eu penso de uma forma meio explosiva, mas nunca pensando que faria tanto sucesso. Então agora, eu meio que carrego a responsabilidade desse sucesso dos meus vídeos. (NETO, 2010c).

É importante evidenciarmos certa relação entre a performance de Felipe Neto em seus vídeos no YouTube e o fato do mesmo ter feito curso de teatro e trabalhar como ator. No que diz respeito a certas competências e habilidades ténicas, é preciso lembrar o preparo do per- former para se comportar frente à câmera. O querer mostrar-se, nesse sentido, ocorre por meio da criação de um personagem que se coloca perante várias audiências, ou como preferimos conceituar, enquanto performance. Ao recorrer ao instrumento técnico, podemos compreender que o performer estabelece com as audiências uma relação de confissão, reflexão ou desabafo, em que lhe é possível dizer o que pensa, falar com as audiências sobre aspectos de sua vida pessoal e a construção social desta vida como também criticar a sociedade.

A encenação do ator pode ser percebida, por exemplo, na cena final do vídeo, em que ele falseia um choro ao ficar em silêncio e dar um zoom-in102 em seus olhos (FIG. 27). O jogo da encenação coloca para as audiências o desafio em determinar onde está o Felipe Neto (pessoa) e o Felipe Neto (personagem) dos vídeos no YouTube, justamente porque o perfor- mer cita que criou um personagem para esses vídeos. A essa indistinção de papéis, somam-se os dois canais de Neto, que operam de maneira complementar: um sendo um “programa” e o outro o making-of desse programa.

A definição de qualquer um dos “eus” decretaria o fim da performance e o fracasso dos vídeos. Em decorrência disso, as duas faces não podem ser separadas e distinguidas, mas sim imbricadas na performance, em que podemos evidenciar o movimento do corpo por meio de gestos e entonações realizadas pela voz. Elas se imbricam para carnalizar o “eu performá- tico espetacular” e expressam, simultaneamente, um “não-eu” e um “não não-eu” como pon- tuado por Schechner (1985).

Até o momento temos priorizado uma análise que se volta para a “vocalidade” e a “gestualidade” próprias à performance de Felipe Neto em seus dois canais no YouTube. Am- bas as categorias, como temos demonstrado, caminham juntas com a categoria “eu performá- tico espetacular” durante o processo performático. É possível notar também que além de des- tacarmos a dimensão performática da prática exibicionista desse performer, procuramos aten- tar para a dimensão performativa que a ação dele evidencia.

Nessa direção, em consonância com o percurso que temos feito, as duas temáticas que expomos adiante procuram se centrar em aspectos narrativos da performance de Neto. Ao pri- orizarmos a narrativa de Felipe, não deixamos de atentar para as categorias que mencionamos, uma vez que elas nos auxiliam a analisar e compreender a performance desse agente. Dessa                                                                                                                

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“Ato de fechar o enquadramento com o auxílio de zum – forma aportuguesada de zoom.” (RABAÇA; BARBOSA, 2001, p. 778).

maneira, a exposição que segue busca entender ou apontar vestígios que nos possibilitam ave- riguar “Como é a adolescência?” ou “Como são as celebridades?”.103 As questões são, evi- dentemente, tratadas segundo o ponto de vista do performer e, em certa medida, aproximam- se dos modos como as audiências também as compreendem. Passemos, pois, às próximas te- máticas.