• No results found

Oppsummerende diskusjon

Entre as atividades realizadas pela professora, e que recebiam o nome de “atividades de leitura”, estavam a decodificação de listas de instrumentos musicais. Embora as atividades de língua portuguesa estivessem ligadas ao Projeto da Orquestra, durante a sua realização não era explicitado o porque de fazê-las. Apenas era falado aos alunos que era o momento de leitura e todos deveriam ler juntos. Portanto, realizava-se apenas a decodificação das palavras, não sendo possível construir sentidos a partir do material dado. Esses momentos eram, antes, dedicados à oralização da escrita de forma homogênea, uma vez que a lista, da forma como estava sendo apresentada, sem um motivo explicitado aos alunos, não exigia nenhuma compreensão da linguagem verbal, na modalidade escrita, apenas a verificação da pronúncia. Tampouco, a leitura era efetivada como um processo interlocutivo e como prática social, uma vez que as atividades de leitura em voz alta levam o sujeito a se atentar à pronúncia, pontuação e não ao sentido que o texto encerra, enquanto produção intencional de um escritor (FOUCAMBERT, 1994). A própria professora parava a atividade e dizia que era para todos lerem juntos, uma vez que nem todos conseguiam acompanhar, durante a leitura, os que já estavam alfabetizados.

Dentro do projeto sobre a “Orquestra”, a professora fez a leitura de um livro, intitulado “A Orquestra Tintim Por Tintim”, da Editora Moderna. Junto com esse livro, acompanhava um CD contendo os sons dos instrumentos apresentados no livro e outro de um concerto da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Sul. A professora apresentou o livro à sala, lendo o

título e falando a respeito do assunto. No decorrer da leitura, havia a utilização do rádio para que os sons dos instrumentos descritos no livro fossem ouvidos pelos alunos.

Abaixo segue um registro no qual foi feita uma transcrição da fala da professora regente antes de iniciar a leitura:

P10: Cadernos em baixo da mesa para leitura do livro. Não quero nada em cima da mesa, agora. Agora, então silêncio. Agora ouvindo aqui. Esse é um livro que tem aqui na biblioteca daqui da escola e se chama “A Orquestra Tintim por Tintim”.

Então, esse livro... Agora esse livro vai ensinar a gente um pouco mais sobre a orquestra.

Após, apresentação de cada instrumento, era mostrada a sua ilustração no livro e feita a apresentação do seu respectivo som.

Realizada a leitura completa do livro, a professora realizou uma atividade em que, por meio do som, os alunos identificariam o instrumento e o nome deste seria escrito na lousa. As crianças prestavam atenção no som para, assim, poder identificar o instrumento. Cada uma falava o instrumento que considerava que fosse. Cada instrumento citado era escrito na lousa, sendo realizada a separação de sílabas de algumas dessas palavras.

A leitura do livro supracitado estava dentro de um contexto, o projeto sobre a Orquestra, valendo-se de mais uma linguagem: o código verbal e o visual, além da exploração do recurso sonoro para falarem sobre os instrumentos de uma orquestra, tal como seu funcionamento. Pela participação dos alunos, que consistiu em nomear os instrumentos que eram mostrados e, posteriormente, ouvidos; as previsões que elaboravam acerca do som dos instrumentos que estava tocando durante a leitura (mesmo sem a interferência intencional da professora), podia se perceber que eles gostaram da atividade, já que procuraram prestar atenção aos sons.

No entanto, a professora acabou realizando, depois, uma atividade de escrita com palavras do livro lido. Às vezes, associava-se a atividade de leitura a uma de escrita dentro da sala de aula. Não obstante a isso, não se explora a fruição dos recursos fonaudiológicos, como consonância, aliteração, rima, musicalidade, etc., que o texto proporciona nem os aspectos mais amplos como as características próprias do gênero e do portador no qual o texto é veiculado. Uma atividade de leitura sempre era seguida por uma atividade de escrita, tal qual

era feito nas práticas cristalizadas nas escolas: ditado e separação de sílabas, como se a leitura por si não possibilitasse um momento rico de aprendizagem.

A atividade de escrita deve transcender a ortografia ou a simples prática de escrever por escrever, sem um objetivo, uma intencionalidade, uma interação que a produção textual exige. A leitura deve possibilitar que o aluno veja o texto enquanto uma produção intencional de um autor e que apenas o texto não traz todas as informações necessárias para que haja entendimento das intenções do escritor. As informações contextuais em que a obra foi produzida, sobre o autor e os conhecimentos prévios do leitor contribuem para que seja realizada uma leitura mais fidedigna da obra, exigindo, portanto, do leitor a compreensão dos aspectos além do código (KLEIMAN, 2008; TREVIZAN, 2000). As situações de escrita, nessa perspectiva, precisam ser mais laboriosas como nas palavras de Foucambert (1998, p.106), quando estende ao aprendizado da leitura a produção escrita.

Para aprender a ler, as crianças devem trabalhar sobre melhor utilização da escrita como instrumento de pensamento, portanto, textos resultantes de uma escrita laboriosa, indo buscar além da experiência o que faz ser o que ela é e testemunhando a “aventura de uma escritura”. Trata-se, assim, de textos e não de frases ou de palavras, pois é o texto a menor unidade indivisível da intenção da escritura.

Portanto, analisando as atividades de leitura em situação escolar, esta por mais lúdicas que sejam sempre precisam, após a sua realização, passar por uma atividade de avaliação, como se só efetivasse o ensino por meio de um processo avaliativo, neste caso, o registro escrito em alguma atividade.