Além de saber como concebiam questões relacionadas ao ensino da língua portuguesa, também foi perguntado aos sujeitos da pesquisa acerca de questões relacionadas às necessidades formativas do corpo docente e as suas dificuldades. Muitos apontaram questões relacionadas à sua própria formação. As respostas obtidas foram transcritas no quadro abaixo:
Professores Necessidade Formativa Dificuldades para o ensino da leitura
P1 Sinto necessidade de entender como a criança constrói o processo de leituras, quais etapas, sua relação com a escrita.
Não colocou dificuldades.
P2 Conhecimento teórico. Contato com vários gêneros textuais. Didática.
Falta de contato por parte dos alunos.
P3 Acredito que há falta de esquematização, ou seja, ordenar e coordenar os conhecimentos. A práxis pedagógica, acredito ser um dos maiores problemas tanto para mim, quanto para os demais professores. Muito do que estudamos a respeito da leitura, fica difícil na hora de transmitir aos alunos.
Cumprir o currículo em sua totalidade e acrescentar assuntos considerados importante. E estimular a leitura mesmo entre os professores.
P4 É importante que o professor conheça as hipóteses de leitura na qual as crianças passam. E também deve saber que apesar da criança não saber ler do modo convencional, ela faz a leitura de tudo que está ao seu redor.
Fazer a intervenção correta na hora dessa atividade [leitura].
P5 Didática. Conhecimento teórico. Gêneros textuais.
Falta de contato e desinteresse por falta dos alunos.
P6 Para começar o professor deve gostar de ler, ninguém passa com prazer aquilo que não é prazer para ele. Trazer para sala vários tipos de texto apresenta-los e trabalhar o contexto.
Conseguir material atualizado e direcionado para educação. (jornais, revistas, panfletos, etc.)
P7 O professor precisa ser bom leitor. Para ter a capacidade de orientar e incentivar seus alunos a prática da leitura.
O interesse ou a falta de interesse do aluno pela leitura e a dificuldade de interpretação de textos.
P8 Conhecimento dos diversos gêneros textuais, conceitos e formas.
Um certo tempo para escolha, a falta de conhecimento dos gêneros textuais (optando por manusear apenas os conhecidos, aos que se domina).
P9 Eu entendo que, primeiramente o professor
deve gostar de ler e que essa capacidade (ler) deve ser orientada (a criança) na escola. Pois não acontece espontaneamente. Penso que, como professor devo fazê-la freqüentemente, pois o trabalho com leitura tem a finalidade de formar leitores competentes e conseqüentemente em escritores, a leitura é fundamental para a criança, quando o professor sabe utilizar os recurso que o texto nos propõe.
No meu caso, em especial, apenas cinco alunos ainda não leem completamente, ainda estão em processo de alfabetização, mas quando ouvem, sabem identificar os elementos principais do texto, inferem no texto, mas percebo que reproduzem o repertório usual familiar, aí então o vocabulário fica prejudicado.
Quadro 6: Necessidades formativas acerca da leitura e dificuldades de ensino de leitura
Entre as necessidades formativas apontadas pelos professores é possível perceber que estes estão cientes de que são fundamentais alguns conhecimentos e atitudes para o ensino da leitura em sala:
• Apresentação de vários tipos de textos (embora essa variação seja equivocadamente confundida com as tipologias textuais, os professores sabem da necessidade de apresentar diversos tipos de textos para o ensino da leitura); • Ser um exemplo de leitor para que os alunos tenham em que se mirar;
• Compreensão de como a leitura se efetiva com as crianças, de acordo com suas habilidades;
• Conhecimento teórico acerca dos gêneros textuais, uma vez que toda produção humana encontra-se materializada nos diferentes tipos de textos, tanto orais quanto escritos.
Assim, nota-se que as necessidades formativas elencadas pelos professores são pertinentes e trazem certos questionamentos, uma vez que as habilidades necessárias aos estudantes para que concluam o ensino fundamental são as competências básicas de leitura e escrita, junto com a de cálculo (Artigo 32 da LDB). Diante dessa realidade, de que os professores não têm clareza do que seja um gênero textual e, logo, acerca de como ensiná-lo, fica questionável o tipo de formação do comportamento leitor e escritor que estes apresentem nas escolas de ensino fundamental, primeiro ciclo, mesmo que tenha sido pesquisada apenas uma escola.
basta apenas gostar de ler, pode-se explicar as dificuldades dos professores em trabalhar esse conteúdo procedimental no cotidiano escolar.
Dos nove professores que responderam ao questionário, apenas o P1, nesta questão, não informou nenhuma dificuldade em relação ao ensino da leitura, embora tenha apresentado necessidade formativa na questão anterior.
Foi levantada a questão de a leitura também ser incentivada entre o corpo docente. Como Kleiman (2008), afirma que, para formar leitores, é preciso que o professor tenha paixão em tal prática.
Um ponto interessante destacado pela P9 é o fato de o vocabulário ser uma das dificuldades para o ensino da leitura: Como a língua não é um sistema de códigos imutáveis, mas que sofre influências dos seus usuários, essa reprodução do vocabulário familiar, não se torna algo prejudicial ao trabalho da leitura em sala de aula. Por meio dessa variação, são possíveis que sejam explorados aspectos importantes da língua, enquanto prática social que permeiam as relações dos indivíduos e, por isso, sofre as transformações que estes fazem durante o ato comunicativo. Ao usar a conjunção adversativa “mas” que introduz a oração “percebo que reproduzem o repertório usual familiar, aí então o vocabulário fica
prejudicado”, dá destaque a esse aspecto em detrimento da capacidade dos alunos terem de fazer inferências no texto, que é uma qualidade de um leitor proficiente (KLEIMAN, 2008).
Ainda como dificuldade para o ensino dos gêneros textuais, os sujeitos apontaram o fato de os alunos não serem leitores e da dificuldade também de se desenvolver tal ato entre o corpo docente. Soma-se a isto outro ponto que serve de escora para situação: a questão dos alunos não terem interesse pela leitura e também a falta de conhecimento dos gêneros textuais. Embora saibamos que o prazer pela leitura deva iniciar-se na família (AGUIAR, 1982), é na escola que tal prática deve ser sistematizada. Dessa forma, e o ensino da língua portuguesa deve estar pautado nos diversos gêneros textuais de modo que o aluno tenha acesso a esses construtos sociais para, a partir deles, estabelecerem suas interações. Portanto, se os alunos não têm conhecimento desses gêneros, essa falha está no procedimento de ensino ao qual se submetem.