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Oppskalering - måling av temperatur

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HBIW Syntese

3.3 Oppskalering - måling av temperatur

Martin-Baró (1989) busca conhecer aquilo que define um grupo, ou seja, o elemento que unifica uma pluralidade de pessoas, transformando-as num grupo. Com o objetivo de chegar a uma definição mais precisa do ponto-de-vista psicossocial, ele analisa seis enfoques psicossociais dominantes sobre grupos. Conclui que por um lado temos os modelos que postulam, como elemento unificador, a existência de um caráter comum a todos os indivíduos aceitos como membros (foco sobre características dos indivíduos: percepção da unidade, motivação compatível ao buscarem nas relações a satisfação de necessidades próprias, objetivo comum), e por outro, os modelos que ressaltam algum tipo de vínculo entre os membros (o foco não está nos indivíduos ou em alguma característica comum que possuam, mas sim na estruturação organizada de suas relações mútuas, na interdependência e na interação).

Para Martin-Baró (1989), por mais que esses critérios sejam válidos, nenhum deles é suficiente para definir um grupo. Segundo o autor, em essência eles coincidem com as duas formas de solidariedade social pensadas por Durkheim: a mecânica e a orgânica. Para ilustrar esta idéia, o autor utiliza duas teorias de grupos, dominantes na psicologia, que na sua opinião melhor representam os enfoques descritos anteriormente: a teoria psicanalítica de grupo de Freud, e a teoria de campo de Kurt Lewin.

Na teoria de Freud, a identificação com um mesmo líder é o que vincula os membros, e com isso a união entre eles se dá por um caráter comum: a natureza libidinal e afetiva,

vivida por uma repetição psicossocial do conflito edipiano. Por se basear num aspecto que iguala os membros de um grupo, Martin-Baró (1989) compara o pensamento freudiano ao modelo de solidariedade mecânica. De maneira diferente, Lewin afirma que os vínculos de mútua dependência são o elemento de aproximação dos indivíduos, garantindo a unidade grupal. Com base nisso, Martin-Baró (1989) o associa à idéia durkheimiana de solidariedade orgânica.

Na teoria de Lewin, a união entre os membros surge da confluência de necessidades, motivações ou aspirações. No entanto, inclusive pela semelhança com as definições de Durkheim, embora reconheça a contribuição de ambos os modelos para captar o que transforma uma diversidade de pessoas num grupo, Martin-Baró (1989) os considera limitados e insuficientes para uma perspectiva psicossocial. Esta crítica se fundamenta: na parcialidade dos paradigmas dominantes e no perigo reducionista que isso acarreta (o fato das teorias de Lewin e de Freud terem sido desenvolvidas a partir da observação de grupos muito pequenos e específicos para serem generalizados); na ênfase sobre elementos subjetivos de um (Freud) e no caráter não-histórico do outro (Lewin define o espaço vital a partir de elementos que exercem influência no aqui e agora, o que encerra a possibilidade de compreensão do caráter ideológico por trás das realidades dos grupos).

Martin-Baró (1989), a partir de uma perspectiva dialética, acaba definindo grupo humano “(...) como aquela estrutura de vínculos e relações entre pessoas que canaliza em cada circunstância suas necessidades individuais e/ou os interesses coletivos.” (p.14, tradução nossa). Ou seja, o grupo é uma estrutura social que supõe uma relação de interdependência entre seus membros, dotada de um caráter histórico e constituída pelo fato de unir-se em grupo ter sido a melhor maneira de satisfazer às suas necessidades que os homens encontraram. Portanto, ele afirma que

“cada grupo constitui, assim, a realização (...), a configuração histórica de algum aspecto das exigências ou potencialidades humanas. Daí a imensa variedade de grupos, desde aqueles diretamente orientados à satisfação das necessidades biológicas mais fundamentais, até aqueles que surgem como produto das opções mais peculiares e exóticas ou de coincidências circunstanciais.” (Ibidem, p. 14, tradução nossa).

Os interesses pessoais e coletivos são dimensões que, de acordo com esta definição, estão interligadas e constituem mutuamente um grupo. A possibilidade de uma análise psicossocial se dá através de um exame da ideologia que influencia as ações de um grupo, e esta é essencialmente dotada de historicidade. A partir daí, o autor define três principais

parâmetros para análise do grupo: a identidade do grupo – o que o distingue de outros; o poder e a significação social. A identidade grupal se desdobra em outros três elementos que acreditamos serem de valia para nossa análise de solidariedade: sua organização, suas relações com outros grupos e a consciência de pertencimento de seus membros. Faremos uma breve análise desses aspectos.

A formalização organizativa, ou normas de pertença, podem nos ajudar a refletir sobre as regras de sociabilidade existentes num bairro. Estas normas regulam as atividades dos membros de um grupo, distinguindo quem está inserido nele e quem não está. Segundo Martin-Baró (1989), elas existem e são estabelecidas de diferentes maneiras para os diferentes grupos existentes: formal ou informalmente, direta ou indiretamente, flexível ou rigidamente, estaticamente ou em constante mudança, mas o que existe em comum é que elas definem a identidade do grupo. Vejamos nossa comunidade em estudo. Poderia a cooperação entre seus moradores ser compreendida como uma norma de pertença? Se assim fosse, aqueles cujas ações não se orientam por esta regra seriam excluídos, de alguma maneira, do convívio com o grupo ou rechaçados de alguma forma, não podendo, por exemplo, contar com seus vizinhos num momento de necessidade. Ao admitir a ajuda mútua como uma norma de pertença, estamos definindo um caráter condicional para essa ação.

Considerando que as práticas solidárias são ações do dia-a-dia não previamente planejadas em reuniões ou previstas em estatutos, podemos afirmar, como Martin-Baró, (1989) que elas se dão de uma maneira implícita mas não menos importante, pelo contrário, já que para o autor refletem com maior precisão a característica do grupo.

Um aspecto bastante interessante é que, para o autor, a identidade do grupo e suas raízes históricas serão tanto mais claras e profundas quanto mais vinculados a uma classe social seus interesses estiverem. Sobre a questão do pertencimento, o autor faz uma distinção entre pertencer (fato objetivo) e consciência de pertencer (fato subjetivo). Essa pertença subjetiva sugere que a pessoa use o grupo como referência da sua própria identidade. Essa referência depende da identificação do membro com o grupo, ou seja, da aceitação do grupo. Consciência e identificação levam a um profundo compromisso com o grupo.

Compartilhamos desta preocupação do pesquisador em ir além dos aspectos apenas sociológicos ou individuais, buscando uma precisão maior do que ocorre neste encontro de ambos.

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