4. Diskusjon og resultat
4.1 Oppmerksomhet
O impulso das grandes escolas ligadas aos estudos de engenharia teve seu precursor na França, no século XVIII, com as chamadas Grands Écoles. Já em países como Inglaterra (1841), Escócia (1855) e Estados Unidos (1853) seu surgimento se deu no século XIX. Esse primeiro momento, destinado a desenvolver a formação nas engenharias, tinha como objetivo central formatar os quadros de gestão de um Estado moderno tanto nos países mais avançados como também em países do cone sul, como é o caso do Brasil. Já no século XX, com a expansão da grande indústria, abre-se espaço para uma nova formação diferenciada para os engenheiros, uma vez que, esses poderão desenvolver racionalmente as tarefas (a partir da administração científica) em um momento de reestruturação das profissões, não somente das de baixo escalão como as operárias do chão de fábrica, mas também de profissões como a do engenheiro.
De acordo com Crivellari (2000), a fragmentação das tarefas, no seio das fábricas, em função do processo taylorista-fordista, implica na transformação das escolas de engenharia e na formação do engenheiro, colocando em voga a especialização da profissão. No Brasil, de acordo com Carvalho (1995), as escolas emitem os diplomas nas seguintes especialidades: civil, industrial, mecânica, etc. No quadro abaixo, podemos ver a evolução quantitativa das escolas de engenharia no Brasil.
62
Figura 4 - Evolução dos cursos de engenharia no Brasil
ANO Nº CURSOS 1957 1 1967 2 1993 17 1996 20 1998 35 2002 76 2004 110
Fonte: Adaptado da Revista Pesquisa e Tecnologia FEI, 2002, com alterações feitas pela autora.
Mas diferentemente das escolas francesas, cada uma delas operava várias especialidades. Já na Inglaterra, por exemplo, os engenheiros exerciam suas especializações, dentro das próprias firmas, desde a revolução industrial. Era uma aprendizagem não- universitária e, após esse processo, a associação dos engenheiros faria um exame aplicado aos candidatos, de acordo com suas especialidades. Nas indústrias, essa mudança transformará a formação da engenharia, que passará da representação de uma profissão mais generalista a uma profissão mais especializada, de acordo com Grelon (1986).
Na França, existe uma diferença entre os engenheiros formados nas pequenas, médias e novas escolas e os engenheiros formados nas grandes escolas. Os primeiros não possuíam uma grande rede de relações sociais com antigos alunos para que lhe abrissem portas na entrada do mercado de trabalho e para que não sofressem com possíveis demissões. Dentro dessa discussão, a divisão entre velhos e novos títulos implicaria, na verdade, em uma divisão entre classes sociais distintas. Os engenheiros das novas escolas (recrutados na classe média) têm sua formação centrada no trabalho técnico em indústrias, já os engenheiros formados nas grandes escolas (recrutados nas classes mais abastadas), como a politécnica, têm sua formação destinada para o trabalho em altos cargos estatais. As novas escolas funcionam para os engenheiros formados como um trampolim para a ascensão social. As grandes escolas, por sua vez, conservam o título pelo privilégio garantido a seus candidatos, que afirma a sua distinção, seus diploma os asseguram de serem vistos como melhores engenheiros em nível de formação, segurança não certificada aos piores engenheiros.
Existe um ramo de estudos, na França, que converge aos estudos do professor e pesquisador André Grelon na École Superieur de Hautes Études em Paris: “sociologia dos
63
engenheiros” ou “história da engenharia”.57 Alguns desses estudos podem nos orientar e
esclarecer como eram feitas as escolhas e quais eram as opções de atuação dos engenheiros em distintos países. Podemos também desvendar as suas semelhanças e diferenças na cronologia de suas histórias. Nesse sentido, mencionaremos alguns trabalhos que irão nos ajudar a mapear, de forma global, o espaço social estudado sem dar ênfase a uma “história das engenharias”. Pensamos que o intuito central da tese centra-se nas escolhas profissionais e suas respectivas homologias.
Dadas tais explicações, mencionamos que, ao analisarmos diversos trabalhos sobre a história das engenharias, percebemos que as escolhas dos engenheiros eram bastante restritas no século XIX e um pouco mais abertas no século XX. Com o passar dos séculos, as opções de atuação para o engenheiro se multiplicam e, nesse sentido, vemos funcionar de maneira mais pujante o uso dos capitais simbólicos.
Konrad Hugo Jarausch (1990), em sua obra The unfree professions, irá nos mostrar que a maior parte dos engenheiros, na Alemanha, possuía uma alta origem social, advinda de famílias acadêmicas. Em contraste, outros engenheiros de classes mais baixas tinham origem social de pais artesãos, de empregados e de famílias de trabalhadores. Os engenheiros técnicos (muitas vezes associados aos movimentos de trabalhadores) ocupavam posições de liderança nas indústrias.
No entanto, a engenharia alemã sempre teve status prestigioso e foi consolidada com a criação da Associação Nacional de Engenheiros em 1856 (The Verein Deutscher Ingenieure). Posteriormente, ela se legítimou como uma profissão de liderança no país no final do império. Todavia, os engenheiros passaram por um processo de autenticação bastante complexo na Alemanha, devido a sua disputa constante com outras elites, burocráticas e industriais.
Outro momento muito complexo, que legítimou a desvalorização da profissão do engenheiro, foi o período nazista na Alemanha. Os engenheiros não arianos, por exemplo, eram condenados à marginalização e os judeus não poderiam atuar como engenheiros. No entanto, a outra parte dos engenheiros elogiava o terceiro Reich por sua atenção exacerbada aos investimentos em tecnologias. De certa forma, os engenheiros que realmente queriam
57 No primeiro semestre de 2013, estivemos em junto ao Professor André Grelon em Paris, para recolhermos
dados sobre diversos tipos de engenharia no mundo e suas respectivas histórias. Nosso intuito não era o de fazer uma análise comparativa entre a engenharia no Brasil e a de outros países, antes, mapear as especificidades de cada país quanto as suas escolhas profissionais, quanto a suas escolas de formação e mudanças cronológicas em suas profissões.
64
trabalhar e ocupar posições importantes nesse período, deveriam se submeter às ordens do Führer.
A partir de 1938, os engenheiros alemães se unem e formam um grupo distinto que irá discutir sobre os caminhos para a “unidade do ensino técnico”, esportes, e palestras sobre a ideologia alemã e tecnologia. Esses engenheiros não deixavam de ser grandes representantes do poder e do prestígio na Alemanha, logo, “Through his appearence, action and ingenuity the engineer shall enliven and galvanize war production so that he fully proves himself as lider of the inner front” (JARAUSCH, 1990, p.177).58
Concluimos que o engenheiro na Alemanha, no período do entre guerras e mesmo no início do período pós-guerra, era considerado um “soldado da guerra”, cuidando sempre da economia armamentista do país e cooperando profissionalmente para o extermínio em massa no holocausto.
Quanto às posições ocupadas militarmente, os engenheiros técnicos, advindos de famílias com origem social mais baixa, ocupavam posições de “segunda classe” no universo militar, todavia, acreditamos que era uma forma para que eles ascendessem na hierarquia social. Justificamos nossa afirmativa pela nomeação do engenheiro Albert Speer's (engenheiro técnico) como ministro do armamento que "placed the calling and the prestige of the engineer in a new level in the social order and more precisely in the hierarchy of occupations and professions." (JARAUSCH, 1990, p.187).59
Pensando em outro país, os autores Barygin e Heifets (2009) discorrem sobre a história da engenharia na Rússia.Reiteramos que não nos prenderemos na história, essa ficará por conta dos autores, mas é importante mencionar fatos que podem nos auxiliar na presente reflexão. A história da engenharia na Rússia pode cindir-se em momentos anterior e posterior à Perestroika Em um momento anterior, o Estado tinha o poder sobre as profissões e, principalmente, sobre as profissões dos engenheiros. A fala de Josef Stalin pode esclarecer esse aspecto: “the engineer, the organizer of the productive process shold work as he is told to do, and not as he would like to carry out his responsabilities [...] we should not think that
58 Por meio de sua aparência, trabalho e criatividade o engenehiro deve animar e estimular a produção de guerra
de modo que possa provar que ele próprio se fez lider da frente interna"
59 Colocado o chamado e o prestígio do engenheiro em um novo nível na ordem social e, mais precisamente na
65
the techinical intellectuals have the rigth to play a indepedent hole” (Barygin & Heifets, 2009, p. 242).60
Ao contrário, um engenheiro russo denominado Palchisnky irá afirmar que, em meados dos anos 1920, “the future belongs to engineers-managers and managers-engineers [...] the 20th century was not the epoch of internacional comunism but the epoch of techinical internasionalization”. (Barygin & Heifets, 2009, p. 242)61
Através dessa dicotomia, temos uma visão clara do que ocorre com relação à carreira dos engenheiros na Rússia. Esse cenário mais conservador mudou após a abertura econômica do mercado em 1985 (Perestroika). Entretanto, ele carrega, até os dias de hoje, as suas consequências. O grupo de engenheiros na Rússia com diversas especialidades (tecnologias, engenharia de transportes, engenheiros mecânicos) tem a sua educação financiada pelo Estado, mas não possuem muitas chances de conseguirem trabalhar na área. Somente com um diploma do ensino superior ou certificado especial de educação, em outras esferas próximas as suas áreas de atuação, é que conseguirão trabalhos altamente qualificados. Comumente, os jovens que terão rendas mais baixas terão que optar por carreiras técnicas oferecidas pelo governo, por não disporem de meios para pagar uma boa universidade.62 Alina Evstigneeva, jornalista do Gazeta Russa, indica que, no ano de 2013, a procura por engenheiros nas indústrias Russas foi muito grande, pois não se encontram engenheiros qualificados para trabalhar nos cargos disponíveis. A autora afirma que somente um a cada três engenheiros procura empregos em suas áreas, sendo que 2/3 dos formados pretende abrir seu próprio negócio e os demais buscam trabalhos em outras áreas.
Retomando aos autores Barygin & Heifets (2009), ambos afirmam que, antes da Perestroika, os estudantes buscavam na educação técnica elementos como a tradição e qualidade do treinamento. Posteriormente à Perestroika, a preocupação principal é a de escolher as especialidades de acordo com o prestigio da profissão. Após a abertura econômica, muitos grupos de técnicos especialistas abandonam a categoria das carreiras de
60 O engenheiro, o organizador da obra do processo produtivo deve fazer o que lhe é dito, e não como ele
gostaria de levar suas responsabilidades [...] a gente não deveria pensar que os intelectuais técnicos devem ter um papel independente.
61 O futuro pertence aos engenheiros gerentes e aos gestores engenheiros [...] o século XX não foi a época do
comunismo internacional mas da internacionalização técnica.
62 De acordo com Kremlim (2012), o sistema de ensino na Russia se divide entre instituições privadas
denominadas comerciais, e as públicas, administradas pelo Estado.Nas universidades administradas pelo Estado, há vagas pagas e gratuitas. As vagas gratuitas são muito disputadas nas universidades, pois dependem do desempenho e das notas dos alunos. Site: http://cafecomkremlin.com/2012/08/27/ensino-superior-russo-entre-a- modernizacao-e-velhos-entraves. Acesso em 05/06/2014.
66
prestigio e seguem trabalhando em outras áreas. Todavia, as áreas de grande reconhecimento na engenharia russa, atualmente, são as ligadas à internet, especialistas em computadores, programações e telecomunicação.
As escolhas dos engenheiros russos, nos dias de hoje, passam a ser não trabalhar em áreas associadas à perspectiva militar, pois as universidades os treinam para esse tipo de serviço e um dos motivos das “fugas” para outros cursos (mesmo não interessantes para o mercado de trabalho) é uma alternativa para evitar o serviço militar.
Já dentro das empresas, os autores citam três áreas em que os engenheiros podem trabalhar: 1- área cientifica e teórica: área de pesquisa que inclui projeção técnica, construção, pesquisas e invenções; 2- a função de expert: controle sobre as tecnologias e sobre as máquinas e a gerência e a organização do processo de produção; 3-distribuição universal de tecnologias pelos computadores.
Essa última seria a área mais promissora para os engenheiros detentores de capital econômico, pois eles teriam condições de optar por ela. Do contrário, lhes restaria optar pelas universidades com vagas gratuitas do Estado. Grande parte deles, evitando o treinamento militar dessas universidades, opta por outras áreas de atuação que não a engenharia.
Outro país cujas escolhas profissionais dos engenheiros se assemelham mais às escolhas dos engenheiros brasileiros é Portugal. Silva (2009) descreve a importância dos engenheiros na companhia Real dos caminhos de ferro no período entre 1870 e 1885. O autor relata que as opções dos engenheiros não se circunscreviam a técnica, mas também a política, exercendo a função de “opinion makers,” assessorando com soluções para promover o desenvolvimento econômico e social.
A saber, já dentro dessa companhia, no século XIX, nos deparamos com alguns cargos de importante renome para os engenheiros de uma hierarquia empresarial. Eles podiam trabalhar como: consultores, top-management (gerente de alto escalão), middle management (gerente médio), todos assalariados fazendo parte das características modernas do gerenciamento.
Os consultores detinham uma posição de extremo poder na empresa, estando sempre junto ao comitê de Paris e seus salários eram correspondentes ao dos diretores executivos da empresa (15.000 francos no ano de 1882). A posição de top mamagement era responsável por supervisionar os departamentos funcionais, fazer a contabilidade, “controle e estatística, trafico, saúde manutenção e trabalho, estoque de rolamento e de locomotivas, compras”, etc, (SILVA, 2009). Seu pagamento era o mais expressivo de todos, devido a sua alta responsabilidade com todas as tarefas da empresa (em torno de 25.000 francos em 1882).
67
A função middle management era responsável por gerir os departamentos técnicos da empresa. É muito importante ressaltar que nenhum desses cargos altos de gerência era ocupado por portugueses e sim por franceses, formados em grandes escolas altamente prestigiadas.
Quando pensamos na França, nos referimos ao maior centro das reproduções das origens sociais e também ao berço do processo de distinção entre as elites. Um autor que explica esse processo e recorre à posição das cadres e dos engenheiros para essa finalidade é Luc Boltanski (1982) e seu grupo de estudiosos.
De acordo com o autor supracitado, os engenheiros e algumas frações da burguesia, inseridos na esfera do assalariado, mudarão a composição de renda e outros fenômenos, tais como o peso do sistema de ensino e o crescimento dos instrumentos de reprodução social. A partir do ensino superior, seus estilos de vida serão modificados principalmente no período dos anos 50. Nesse sentido, o orgulho de ser engenheiro aparece em colocações que denotam que, dentro das usinas, nas minas, a direção das coisas e o comando efetivo dos homens é deles e, portanto, eles exercem sozinhos a função patronal.
As formações para os engenheiros se dividiam entre uma instrução dentro das grandes escolas o aprendizado em escolas de menor relevância. Em outras palavras, existiam formações propriamente técnicas, como é o caso dos engenheiros de usina, que trabalham para a indústria privada, sendo que estas últimas, recrutavam os seus alunos das camadas inferiores e médias da sociedade, ou melhor, de famílias de cadres médias, pequenos funcionários ou dentro da pequena burguesia. Em suma, arregimentavam indivíduos em que a carreira de engenharia seria um meio de galgar posições mais elevadas na hierarquia social. Engenheiros tais, que já são afetados pela desvalorização patrimonial e possuem como único meio de elevar sua posição social a obtenção do diploma.
A engenharia, portanto, é uma profissão que irá direcionar os indivíduos que a partilham e escolhem as posições de elite. Aqueles que participam de associações e sindicatos usam desses meios para defender a sua profissão e lembram, constantemente, da dignidade e qualidade de seus títulos e da alta cultura que lhes fornecerá a longa formação. Mas, não podemos nos esquecer de que o diploma é mais usado como um princípio de divisão, do que como um princípio de unificação. Ou seja, o diploma não deixa de ser um objeto que marca a distinção de alguns engenheiros em detrimento da exclusão de outros cadres sem diploma ou engenheiros formados em escolas de nível mais baixo. Esses últimos ocupam posições de autoridade relativa, tais como agentes técnicos, representantes, chefes de serviço comercial, contabilidade, etc, ou melhor, todos aqueles que não são diplomados. É a esse agregado
68
heterogêneo, sem organização, sem identidade, e sem nome que se começa a designar sobre o termo vago de “cadre”.
É interessante percebermos como esse processo de distinção é construído nas falas e nos discursos do grupo. Enxergamos que esse grupo se impõe, nessa circunstância, como elite e não mais como classe média, e muito menos se igualam à massa das classes subalternas. Enquanto grupo, seu posicionamento e suas reivindicações justificadas oralmente constituem uma das formas pelas quais esse grupo social consegue transformar seu papel social na França. Esse grupo consegue, por fim, adquirir vantagens salariais, direitos de trabalho, segurança social e uma aposentadoria particular. Ao mesmo tempo, ele trabalha para que suas estratégias de reprodução se consolidem através do sistema de ensino e pela reconversão do patrimônio econômico em patrimônio escolar. Esse processo, por sua vez, acelera a separação e distinção entre trabalhadores independentes e assalariados burgueses.
Simultaneamente, é importante lembrar que esse grupo encontra apoio para sua existência no corporativismo empresarial (instituições onde trabalham), além de contarem com o apoio do governo Vichy para se consolidar e legítimar seu papel social. A partir dos anos 60, esse grupo acaba encarnando a modernidade e a renovação da burguesia. Boltanski (1982, p.153) reitera nossas afirmações anteriores, assinalando que, “a igreja, o armamentismo e o poder do chefe, o comandante do combate para a produção dentro da usina, são substituídos pela celebração da inteligência, do diploma, do sucesso, do dinamismo, da abertura econômica, técnica, e da competência”. A grande inspiração que destacará as características já mencionadas será justamente a fascinação pelas ideologias dos Estados Unidos.
A ideia de trazermos à tona os fatos pontuais e concretos da história da engenharia sobre os países supracitados e, cronologicamente, díspares tem o intuito de mostrar como através de encadeamentos históricos distintos podemos identificar pontos de convergência para nossa reflexão sobre a determinação da origem social acompanhada de seus capitais simbólicos, o processo de distinção bem como a determinação das escolhas frentes às opções dadas.
Em suma, ao pensarmos na Alemanha, podemos perceber que existe uma divisão a partir da origem social, no que diz respeito à ocupação dos engenheiros em áreas distintas no período do Estudo de Jaraush (1990) referente à primeira metade do século XX. Podemos perceber esse dado, pois se constata que os engenheiros de classes mais baixas ocupavam áreas na indústria alemã e, com o advento de um elemento nacional, o nazismo, esse grupo mais subalternizado tem a chance de ascender economicamente. Observamos o mecanismo de
69
distinção dos alemães dentro dos espaços das associações entre os lideres engenheiros nesse período. E, por fim, quanto às escolhas, elas tiveram que ser feitas nesse período em que “became instruments of a criminal system”. Suas profissões eram reféns desse tipo de sistema e outras escolhas desse grupo se davam através da legitimação desse sistema. A via militar era o único modo da profissão do engenheiro existir e revelam consigo todo o prestigio e poder relativo à engenharia.
Na Rússia, a análise histórica aponta mudanças com a abertura econômica do país que, antes, se respalda na profissão do engenheiro através de um sistema de controle total de suas atividades. Hodiernamente, pode-se observar que também há uma tendência de que a origem social destine as ocupações dos engenheiros, uma vez que, somente os diplomas das universidades comerciais de renome levam o engenheiro a ocupar cargos de alta qualidade no mercado de trabalho. As escolhas mais recentes desses engenheiros estão ligadas às áreas fora de sua formação, a saber, como abrir seus próprios negócios e também investir nas áreas de computação, programação e telecomunicações que proporcionam posições de destaque e prestigio para grupos de engenheiros que possuem capital econômico para dispor de uma educação superior mais especializada.
Já no século XIX, temos o exemplo da construção das estradas de ferro de Portugal e da criação de cargos de destaque para os engenheiros dentro de uma companhia de estradas portuguesa. Essa companhia, por sua vez, só contrata engenheiros da alta elite francesa que tiveram suas formações em grandes escolas. No século XIX, observamos que as