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A Santa Casa, hoje, é constituída por um complexo de sete hospitais totalizando aproximadamente 130.000 metros quadrados de área construída: o Hospital Santa Clara, o Hospital São Francisco, o Hospital São José, o Pavilhão Pereira Filho, o Hospital Dom Vicente Scherer, o Hospital da Criança Santo Antônio e o Hospital Santa Rita. Disponibiliza um total de 1.040 leitos, Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e centros cirúrgicos em todos os hospitais. Deste total de leitos, tendo como parâmetro todo o complexo, 60% deles são destinados ao atendimento aos usuários do SUS. Em alguns hospitais tal índice é maior (85% no Hospital Santa Clara, por exemplo) e em outros menor (30% no Pavilhão Pereira Filho, por exemplo).

Fig. 13

Implantação esquemática do complexo da Santa Casa de Porto Alegre. Fonte: acervo da Santa Casa de Porto Alegre.

Situação inanceira:

Para se entender a atual situação da Santa Casa de Porto Alegre, vamos buscar em sua história os motivos que fazem desta instituição o exemplo de sucesso tanto técnico quanto inanceiro que é hoje.

A instituição não é um hospital público. É uma instituição privada com ins ilantrópicos: uma fundação. Ela tem este modelo administrativo desde sua instituição.

Ao longo de seus dois séculos de existência, a Santa Casa passou por inúmeras crises que vieram se agravando e se tornando mais frequentes com o passar dos tempos até que na década de 1980 teve seu momento de maior diiculdade chegando inclusive a quase fechar suas portas e indar seu atendimento. Naquela época, a instituição atendia praticamente só o sistema público de saúde (95% dos atendimentos) e tanto a baixa remuneração quanto as diiculdades impostas pelos planos de repasse de verbas públicas incoerentes com a situação real pela qual passava o país, com altos índices de inlação, colocaram a instituição em situação inanceira bastante grave.

O então provedor, Dom Vicente Scherer, utilizou-se de uma providencia bastante comum na época que foi a busca de recursos junto ao governo do Estado. Foi então, frente à esta crise tão grave, que o governador do Estado do Rio Grande do Sul, Jair de Oliveira Soares, em inédita atitude colocou ao provedor que a ajuda inanceira aconteceria se, a Santa Casa passasse por um processo de mudanças administrativas que visassem a proissionalização da administração visando colocar a instituição como uma instituição voltada para obter resultados e consequentemente conseguir sua independência e auto-suiciência inanceira.

Foi neste momento que a Santa Casa de Porto Alegre iniciou um grande processo de mudanças que culminou em grande revitalização de toda a instituição e seu processo administrativo vigente até os dias de hoje como grande referência de sucesso.

Vale salientar que a Santa Casa, desde seu inicio de funcionamento até hoje, sempre primou pela alta qualidade técnica e de atendimento e que, mesmo nos momentos de maior diiculdade, tal qualidade nunca fora deixada de lado. Outro motivo que ajudou na sua recuperação, pois grande parte do sucesso atingido, deve-se também à comoção social que muito ajudou e ajuda até hoje a instituição. Tal comoção não existiria se a população não reconhecesse sua qualidade e necessidade.

Com o novo modelo administrativo em vigor, a partir de então, a Santa Casa passa a ter uma em instalação separada do complexo da Santa Casa. Neste ano então, suas novas instalações

junto ao complexo foram concluídas e atualmente ele está funcionando junto aos demais hospitais. Sua especialidade, como o próprio nome indica, é pediatria geral e especialidades, o que torna esta unidade uma unidade de alta complexidade assim como as demais. Suas atividades abrangem a assistência, o ensino e a pesquisa; seu atendimento abrange urgências, emergências, consultas eletivas, exames, cirurgias, internação e intensivismo. Possui 173 leitos (60% destinados ao SUS) incluindo as 25 Unidades de Tratamento Intensivo (UTI).

O Hospital Don Vicente Scherer foi inaugurado em 2002. Sua especialidade abrange centro de transplantes, centro cirúrgico ambulatorial, centro de imagem, centro integrado de emergências médicas e laboratório de imunologia de transplantes. Suas atividades englobam a assistência, o ensino e a pesquisa e o atendimento abrange urgência, emergência, consultas eletivas, serviços de diagnóstico e tratamento, cirurgias, internação e intensivismo. Possui 64 leitos (60% deles destinado ao SUS) incluindo 11 Unidades de Tratamento Intensivo (UTI).

De maneira esquemática, pode-se entender a implantação física do complexo como um modelo funcional orbital, onde os hospitais todos centralizam seus serviços de apoio enquanto se comunicam entre si, conforme busca-se mostrar no esquema a seguir.

Fig. 14

Figura Ilustrativa do sistema funcional orbital do complexo da Santa Casa.

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- Plano de qualidade total: plano este que vem sendo buscado e atingido desde a grande reforma administrativa. Aqui, vale ilustrar tal situação com o fato de os utentes atendidos pelo sistema SUS, através de pesquisa de satisfação, colocarem a instituição entre as mais bem avaliadas do Estado. Tal situação, não somente compreende qualidade ao atendimento cada vez maior como também, através de incentivos do governo, o que melhora o valor das verbas públicas. - Atividades acessórias: algumas atividades paralelas ao hospital, tais como exploração do cemitério, cafeterias e estacionamento entre outras atividades, têm se revelado altamente restáveis pois, apesar de seus faturamentos representarem de 3 a 4% do total, na realidade representam até 50% do resultado. Desta maneira, cada vez mais se investe em tais serviços. - Auto-suiciência dos serviços: enquanto em grande parte dos setores costuma-se ouvir que a terceirização de alguns setores ajuda na diminuição de gastos e consequente aumento de rentabilidade, a administração da Santa Casa entende o contrário. Entende que tais serviços, se forem bem geridos tornam-se lucrativos e rentáveis. Por exemplo, os setores de diagnósticos (laboratórios, imagens, etc.) de consultórios e até mesmo a gestão de obras no caso da instituição são feitos pela própria Santa Casa e revelam-se atividades lucrativas.

- Ganho de escala: como o complexo movimenta grandes montantes de material, de compras, de serviços, etc. a administração busca no ganho de escala melhorar seu desempenho inanceiro. - Trabalhar a marca: a marca Santa Casa de Porto Alegre é de forte expressão principalmente no Estado do Rio Grande do Sul tanto pela fama da qualidade de seus serviços prestados, quanto pela idoneidade da instituição. Desta maneira, trata-se a marca como um diferencial. Um exemplo prático é na contratação do corpo clínico pois tal situação torna mais viável a contratação de proissionais (médicos, enfermeiros, etc.) pois há um interesse em trabalhar na instituição que não somente o inanceiro.

- Qualidade da equipe técnica: sabe-se que a qualidade da equipe técnica é responsável por grande parte do sucesso de qualquer instituição de saúde. O motivo que faz com que a equipe técnica da Santa Casa de Porto Alegre seja referência regional e até mesmo nacional em algumas especialidades pode ser entendido por vários motivos que não somente o inanceiro. Um deles é o vínculo com a universidade e consequente ganho de conhecimento e atualização constante das teorias, técnicas e procedimentos técnicos. Além disso, para a equipe médica em especial, a Santa Casa de Porto Alegre é referência regional, ou seja, pertencer ao corpo clínico da Santa Casa de Porto Alegre é sinônimo de status proissional. Vale colocar que a equipe médica totaliza 2200 proissionais entre contratados e funcionários.

visão mais estratégica de negócio, visão esta que permitiu sua recuperação e evolução. Uma das grandes intervenções que ajudaram na recuperação, foi a visão de qualiicar e ampliar o atendimento à população através de atendimentos particulares e convênios. Neste momento, de certa maneira, parou-se de investir no grande hospital geral existente e passou-se a investir nos novos hospitais especializados como o hospital especializado em transplantes, do câncer, de pediatria, de pneumologia, de cardiologia e de neurologia. É a visão de que estes hospitais todos voltados para ins especíicos e visando maior atendimento particular e de convênios, que visavam garantir maior rentabilidade ao complexo e assim, de certa maneira subsidiar os altos custos do hospital geral de atendimento SUS. Foi o que aconteceu na prática. Atualmente, todo o complexo deixou de atender o índice de 95% dos usuários do SUS e passou a atender o índice de 60%. Vale salientar que em números reais, o atendimento não diminuiu, o que diminuiu foi o percentual um função do aumento do atendimento.

O percentual de atendimento SUS de 60% representa 30% do faturamento e esta defasagem é que é compensada pelos atendimentos particulares. Foi esta a alternativa encontrada para se viabilizar e manter o atendimento à população que é assistida pelo SUS sem, em momento algum, se diminuir a quantidade ou a qualidade do atendimento.

Como o grande montante dos investimentos foi destinado às novas instalações, o Hospital Santa Clara, pioneiro e geral acabou por ter seu processo de atualização deixado sem segundo plano. Atualmente, com todo o complexo em total funcionamento, é o momento de recuperação e ampliação tanto física quanto tecnológico do Hospital Santa Clara. Em função disso, encontra-se em vigor uma campanha junto à população, empresários interessados e ao governo federal que visa angariar fundos para tal investimento. Para se atender a todas as necessidades levantadas, busca-se hoje o montante de aproximadamente 65 milhões de reais que serão divididos em 5 grande etapas que passam desde adequação e atualização das instalações físicas, por modernização dos equipamentos e das tecnologias até construção de novos espaços (ampliação física).