Del 4. Unntakene fra taushetsplikten etter forvaltningsloven
4.4. Begrensninger i taushetsplikten ut fra private og offentlige interesser etter
4.4.3. Opplysningene brukes til det de er innhentet for
cidades com museus
Em minha recente dissertação, procurei desenvolver uma teoria que explicasse como a emancipação humana, ou o processo de desenvolvimento humano poderia se dar dentro dos museus. Revisitando o campo, ouvindo museólogos e pessoas mais ligadas aos museus provenientes de diferentes países, fui impelida a refazer minhas análises. Nessa primeira etapa do trabalho, construí uma linha argumentativa com base na teoria e nessas observações, pretendendo, no entanto, expandir essa pesquisa coletando mais dados primários.
Orientação econômica
Orientação política
Orientação sociológica
Perspectiva dos curadores e gestores de museus • Racionalidade Instrumental • Racionalidade Instrumental • Racionalidade Substantiva • Racionalidade Substantiva • Racionalidade Instrumental • Racionalidade Substantiva
A partir dessas primeiras observações, acrescidas de visitas ao recém-inaugurado MAR, pude perceber, ao confrontar minha visão de estudante organizacional com a dos museólogos (ambos apaixonados pelos seus temas e talvez por isso “dentro de suas caixas”) que talvez o caminho para a emancipação não esteja propriamente dentro dessas organizações, mas que o lugar pode estar momentaneamente deslocado para o seu entorno. Ou seja, que o lócus onde esse desenvolvimento ocorre esteja no pátio, no fora (entorno, no muro e contorno) e não no conteúdo. Traduzindo para os Estudos Organizacionais, o potencial de desenvolvimento humano que os museus podem desenvolver estaria na relação dessa organização com seu público, e o lugar de encontro desses “dois mundos” está se evidenciando em um espaço híbrido que não é nem fora nem dentro. Eu chamaria isso de uma zona de contorno, que se, por um lado separa o “resto” da cidade, por outro, não é o conteúdo principal dessas organizações.
Mas a “razão de ser” dos museus, apesar de ter mudado, ainda não despreza o seu conteúdo, seja ele um patrimônio material ou imaterial. Por mais efêmero que seja, os organizadores e administradores dos museus parecem se incomodar com usos que não envolvam esse patrimônio a tal ponto que eles chegam a ignorar ou considerar alienado outros usos (por exemplo, namorar ou descansar à sombra de um museu). Eles acham que as “pessoas” são alienadas porque não “olham” para os “seus” objetos. Os visitantes, por sua vez, provavelmente achem que gestores e artistas não sabem o que é bom e são arrogantes. Mas fato é que gestores e visitantes em algum momento se encontram nessa “zona de contorno”. Assim, resumi um modelo teórico proposto para o desenvolvimento humano a partir dos projetos de desenvolvimento de partes das cidades com museus, conforme desenho a seguir:
Figura 6: Zona de Contorno - Modelo Teórico Proposto para o Desenvolvimento Humano a partir dos Projetos de Desenvolvimento com Museus
Fonte: elaboração própria.
O termo Zona de Contorno se refere a ser um contorno para o conteúdo (patrimônio) do museu (ou exposto temporariamente no museu). Não quer dizer uma membrana rígida, mas ela é delineada, representada simbolicamente. O museu tem seu espaço, assim como a organização formal tem delimitado seu terreno. É nele que se constroem os muros, as grades, os portões, os jardins e as praças. É dentro dele que deve ficar o que é exposto, ou o conteúdo disponível para a visitação do público. A organização formal do museu dificilmente se realiza estrategicamente apenas dentro desses muros. Por exemplo, a criação do MAC e do MAR foram fruto de vontades políticas e também de situações postas.
No caso do MAC houve a doação em comodato de um acervo pré-existente, aliado a um desejo estratégico e político de revitalização de uma área de Niterói e também de um desejo igualmente estratégico e político de mudança de imagem da cidade de uma significação de dependência com o Rio de Janeiro para uma relação de independência, ou “desprovincialização”, ou “negação do sentimento de subúrbio” ou de “cidade-
dormitório”. Depois da criação, o MAC continua a influenciar a cidade, quer na criação de uma imagem, quer na valorização imobiliária da área. Sua direção continua obedecendo uma vontade política e seu financiamento também é subordinado à prefeitura de Niterói. O que interessa mostrar ou não, quais serão os novos acervos ou exposições, e como mostrar continua sendo uma questão de influências externas.
O Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro também foi um prédio erguido em prol da cultura, e do desenvolvimento da cultura. Tem dentro dele um patrimônio enorme e representativo da arte brasileira. Tem fora dele murais igualmente importantes. Mas é justamente o desenho de seu jardim (terraço-jardin de Roberto Burle Marx, suspenso e restrito a um pequeno público) o eleito para inspirar a marca Brasil, ou seja, o maior símbolo iconográfico da cultura brasileira, e também o símbolo de “venda” ou marketing do que seja brasilidade. Aqui percebo novamente o uso de “espaços híbridos”20, nem dentro, nem fora, nem contexto pura e simples, nem conteúdo protocolar.
Esses “espaços híbridos” ou “lugares de contorno” podem ser lugares de encontro. O encontro que me interessa é o da organização com seu público, e buscar aí potencialidade ou não para um desenvolvimento humano. Existe uma relação de dentro-
fora que não é necessariamente uma relação de pátio ou jardim do prédio e prédio. Apesar de jardins, terraços e praças serem ícones de museus e casas de cultura, alguns museus não tem espaços não construídos, mas todos podem ter (ou os visitantes podem criar) espaços dedicados a outras atividades que não a fruição, observação ou admiração do acervo. São lojas de conveniências, bares, corredores, estacionamentos, e até banheiros que subvertem o uso “sacralizado” às obras, objetos e memórias. São espaços híbridos também entre o “eu” e o “outro”, o “público” e a “organização”, o explícito e o implícito, o oficial e o oficioso. É um espaço de produção de sentido e ao mesmo tempo um espaço sem sentido (pré- determinado, ou pré-definido). É um espaço que se institucionaliza (ou não) por burlar a suposta instituição. É um espaço de encontro e de conflito.
20 O termo “espaços híbridos” têm sido usado ultimamente para designar uma espécie de ciberespaço, ou
uma junção entre o espaço “real” e “virtual” mediado por novas tecnologias de comunicação. Esse não é, obviamente, o meu interesse no presente trabalho.
A zona de contorno é o espaço onde a organização encontra o público leigo e é onde a organização conflita ele, impondo limites, modos de caminhar, circuitos, modos de olhar, se comportar (manter silêncio/falar; não tirar fotos/tirar fotos; não comer/comer...). É na zona de contorno que a organização pode perceber a incongruência entre sua suposta razão de ser e a razão de ser que está sendo realizada e percebida pelo “resto” das pessoas. É para onde creio que a organização deveria olhar se quiser descobrir qual realmente é sua razão de ser e seu papel para o desenvolvimento.
Então, a partir dos arranjos argumentativos dessa fase ensaística posso organizar a percepção (parcial) do museu de dentro para fora ou de fora para dentro. De dentro para fora, como sendo a visão a partir de seu conteúdo, ou do patrimônio, ou de parte da memória conservada ou da própria estrutura da organização. De fora para dentro como sendo a percepção do museu a partir de teorias museais ou organizacionais e das circunstâncias e interesses sociais, políticos e econômicos.
Parece-me, no entanto, que não é nem de dentro para fora, nem de fora para dentro que os museus devem se rever e reavaliar, mas sim a partir do que estou chamando de “zona de contorno”. Acredito ser importante olhar para essa zona desvelando os conflitos subjacentes aí, entendendo o que já não é mais conflito, mas é uso real e aprendizado tácito. A seguir, compreendendo o que está implícito nessa realidade e o que está sendo transformado e recriado nela para que o museu enquanto organização pode se reconceituar e reformular.
Portanto, a zona de contorno parece, de acordo com essa primeira análise argumentativa e conceitual, um local onde o planejamento e a gestão de forma mais ampla (de todos os interessados) deva focar como lócus possível onde o processo emancipatório pode acontecer, já que, ao menos nessa primeira análise, o foco no conteúdo do museu não parece oferecer possibilidade de desenvolvimento humano por não promover inclusão social necessariamente, tampouco o foco no entorno pode promovê-lo porque é pautado por uma lógica comercial e de crescimento econômico apenas.