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4.1 Generelt om innføring av femårig MAGLU

4.1.1 Opplevelse av endringer og utfordringer med reformen

A família deveria ser um lugar seguro, de reconhecimento mútuo. Espaço de diálogo, de trocas afetivas, ambiente privilegiado para o desenvolvimento psíquico e o exercício das relações sociais. Apesar do número crescente de separações e divórcios e do surgimento de novas configurações familiares – em que os filhos são criados apenas por um dos pais ou por pais do mesmo sexo ou, ainda, por cônjuges separados que geram novos filhos, além de conviver com os que já têm – a estabilidade que de fato importa do ponto de vista psíquico é a dos laços afetivos, da palavra constante, viva e empenhada dos adultos em relação aos mais novos

(LEYMARIE, 2008).

Para as famílias da camada popular “ser família” está ligado majoritariamente ao modelo de família nuclear tradicional com pai, mãe e filhos, num modelo idealizado de família que vive em união e harmonia, embora haja em algumas falas a revelação da existência de conflitos.

A família como espaço de união, compreensão e compartilhamento está presente nas falas de Anita, Clarice Fernanda e Hilda, ao dizerem que ser família é viver tudo numa casa unido, um compreender o outro; é estar junto, ser unido, conversa r, dividir problema , contar com alguém; é união e compartilhamento; é ficar em casa unida com os filhos, sem ter brigas, discussão e violência.

No momento em que se cruzam sobrevivência e regras culturais que organizam modos de vida, estrutura-se um universo moral, onde ocorre “a valorização da „família unida‟,

tão presente no universo popular” (TELLES, 2001:107).

A família é percebida também como suporte diário, rede de solidariedade e referência de afeto como traduzem as falas de Anderson, Bela, Bento, Dora, Glória e Ieda referindo-a

como espaço para viver bem, ter saúde; é muito importante para ter aquelas condições para não andar cansado, sacrificado, cuidando só dos filhos; é ter marido e filhos estudando e trabalhando e trabalhar também; é a base de tudo, é ter os nossos pais que só querem o nosso bem e o que é melhor pra gente; é tudo, os filhos, o marido, os netos, é bom demais ter família; é ter respeito por pai e mãe.

Essas falas demonstram que a rede de parentesco é e continua sendo “decisiva na dinâmica das relações familiares, sobretudo num contexto em que os vínculos conjugais são

tênues” (SARTI,1996: 2).

Quando a família não atende aos anseios ou necessidades do grupo familiar abre espaço para sentimentos de tristeza e decepção como o vivenciado por Bento ao procurar a família em momento de desemprego e dificuldades e não encontrar apoio e solidariedade eu tenho irmãos que vivem bem, mas nem eu indo lá eu não trago alguma coisa, são tudo mais ou menos, mas não manda um palito de fósforo pra mim, eu não vou nem lá... um dia eu fui lá e quando ela veio no portão foi logo se maldizendo que as coisas tão muito caras.

O significado de “ser família” para as famílias da camada média não diverge

muito daquele revelado pelas famílias da camada popular, embora se perceba uma visão mais ampliada no modo de expressar como a vivem e a percebem.

A família é retratada como o local da busca e expressão de sentimentos como amor, segurança, respeito, carinho; o suporte para enfrentar as dificuldades e problemas do dia-a-dia; local de compartilhamento de alegrias, tristezas, felicidade, problemas, palavras de conforto e de repreensão; espaço onde se vive a individualidade e a unicidade de cada pessoa; espaço referencial de formação do indivíduo pela transmissão das primeiras noções de caráter, de limites, de convívio em sociedade; família como espaço de troca e não de favor; espaço de transmissão de valores. Na maioria das falas a família deveria ser um espaço de maior diálogo entre as pessoas, o que nem sempre acontece por várias razões, citada dentre elas a falta afinidade.

A família é vista como uma rede de solidariedade e união nos momentos de dificuldades, levando em conta não só o seu próprio núcleo familiar e sim incluindo as famílias de origem dos cônjuges.

A família da camada popular não tem como característica a transmissão de status ou poder, assim, o que a define na sua extensão basicamente é esta rede de obrigações em que

“são da família aqueles com quem se pode contar, isto quer dizer, aqueles que retribuem ao

que delimitam os vínculos (...) A noção de família define-se, assim, em torno de um eixo

moral” ( SARTI, 1996: 63).

Embora já tenhamos apresentado a síntese do significado do “ser família” na perspectiva dos entrevistados pomos em destaque a transcrição das falas dos casais e das demais mulheres das famílias da camada média, a fim de desvelar semelhanças e diferenças entre si e entre as famílias das diferentes camadas sociais.

Ser família é ter um marido, o pai que partilhe, que converse, seja amigo dos filhos...eu acho que uma família é pai, mãe e filho.(Margarida)

Ser família é você tá com todos os seus familiares, é viver em harmonia, sem briga. Família é tudo. Se você tem uma família junto com você, coerente sem briga, sem nada, você vence, mas se você tiver uma família que um tem intrigado do outro, com aquele despeito porque um tem poder aquisitivo melhor e o outro não tem, viver em conflito, aí família não tem muita finalidade. Família é reunir todos eles e procurar sempre ajudar uns aos outros. (Moisés)

Família pra mim tem que ser pessoas de congregar, pessoas que se amam, de carinho, isso é fundamental. Eu acho que família tá muito em se ajudar, contribuir pra ajudar a crescer, pra ajudar a resolver problemas, pra dividir felicidade, de ser facilitador na vida de cada um, família pra mim é isso. A família genética no meu caso não é tão importante como alguns amigos que dividem, que participam, contribuem, então família é isso, a minha relação com família é muito restrita, poucas pessoas. A família é que dá as primeiras noções de caráter, de limites, de convívio em sociedade é um referencial nesse sentido de formação. Eu acho extremamente importante, é como eu digo, é um estágio na formação do indivíduo, acho que é o papel dela. (Núbia)

Ser família é o que nós estamos tentando fazer aqui, é ter o mínimo de paz dentro do lar, de harmonia. Você conseguindo criar teus filhos e ainda estando juntos, isso é família nos dias de hoje... você conseguir manter essa família junta, unida, num padrão razoável de harmonia acho que é essa família dos nossos tempos, do tempo contemporâneo. (Nelson)

É tá junto, tá unido, ter Cristo, rezar, saber que um depende do outro, ninguém vive sozinho. (Olga)

É ter em casa todo mundo unido, os filhos e o casal. (Osmar)

É ter união e a parceria que é importante, a parceria do homem, do marido e da mulher, senão não tem como equilibrar. É tá sempre em concórdia, tá sempre um concordando com o outro para que tenha o equilíbrio na família. (Tereza)

Família é a base de tudo, se você não tiver uma família com harmonia isso irá refletir no futuro dessas pessoas...eu tenho certeza que eu tive essa base no seio da minha família, através do meu pai, da minha mãe, dos meus irmãos e o que eu aprendi lá eu trouxe pra minha família e creio que também o mesmo aconteceu com a Tereza. A família é a base pra tudo, inclusive pra gente ultrapassar todo e

qualquer tipo de dificuldade e se você não tiver essa unidade você não consegue.

(Tarso)

É aquela pessoa que prioriza filho, casa, estabilidade...então eu acho que nesse ponto eu sou muito família porque o lugar melhor do mundo pra mim é a minha casa, eu não troco a minha casa por lugar nenhum. Família é isso...é priorizar, gostar de tá em casa, gostar de estar junto dos filhos, pode ser a festa melhor do mundo, mas se você me perguntar...às vezes eu até vou mas eu gosto mesmo é de

ficar em casa”. (Úrsula)

Ser família é viver com os que tem dentro de casa, a gente tem que viver só com os que tem, que tá perto da gente porque com gente estranho já dá confusão, cada qual faz sua vida, eu não aceito interferência de ninguém porque se vier uma pessoa interferir não dá certo. (Ulisses)

Além dessas falas nos chamou atenção as reflexões sobre família que foram apresentadas pelo casal Nelson e Núbia. Nelson estabeleceu um paralelo entre as famílias de hoje e as de antigamente, centrando a questão na união da família em contraponto ao número de separações que se observa hoje em dia. Faz alusão às mudanças na família com a inserção da mulher no mercado de trabalho, à provisão familiar e à mudança de comportamento da mulher. Núbia comenta sobre as mudanças de padrões de comportamento das famílias, nas mudanças que decorrem das alterações desses padrões, no número de separações entre casais e sobre a falta de diálogo na família.

Antigamente era um pouco diferente, era aquela mulher dentro de casa suprindo todas as necessidades do ponto de vista da criação e o pai era o provedor... chegava que em casa de noite, tomava o seu banho, ia jantar e a mulher muitas vezes era o objeto sexual do cara, não tinha muito o que negociar e tal... quer dizer... com minha mãe deve ter acontecido isso e evidentemente com essa nova geração não é isso que tá acontecendo... as mulheres não vão se sujeitar a isso não.(Nelson)

Eu acho que mudou completamente os padrões ... tem família com pai, a mãe e os filhos morando junto, talvez estatisticamente é uma percentagem muito pequena ainda ou sei lá eu não tenho idéia, de percentagem, mas você vê a grande maioria é de pais separados...então assim acho que a família tem os seus padrões completamente modificados. Eu não sei se essas mesmas pessoas que compõem a família conseguem trabalhar tão bem com essas mudanças, discutir essas mudanças...eu quero dizer o seguinte...as pessoas mudam os padrões, descasam, casam mas não sei o quanto isso tá sendo trabalhado... essas mudanças o quanto afeta...afetar afeta, mas eu não sei o quanto se discute isso internamente entendeu? Eu acho que o maior problema hoje é discutir sobre essas coisas não como um fato hoje... é uma realidade discutir sobre essas questões... não é porque os padrões mudaram e esses parâmetros também foram meio que desfazendo porque continua o pai lá, continua a mãe, isso poderia ser resolvido... o que falta é essa capacidade de continuar conversando, continuar dialogando.(Núbia)

Outra reflexão é apresentada por Olga sobre como as famílias tem se formado hoje e, em seu modo de ver, como deveriam se formar para que as uniões sejam mais

duradouras. Osmar faz referência como o fez Núbia sobre a questão dos pais separados e as implicações disso sobre os filhos que podem enveredar pelo caminho das drogas.

As famílias que estão se formando aí não duram nada porque não tem um pingo de base de nada e a base é fundamental, saber o que quer, saber que quer realmente formar uma família, o que quer naquela família, o que pode dar e ter mais tempo pra se dedicar...as famílias devem se formar com uma base mais sólida, com uma cumplicidade maior entre os formadores, genitores, progenitores.(Olga)

E hoje eu vejo que tem família só com a mãe de família, os filhos separados dos pais, os pais que têm outras famílias, e os filhos viciados nas drogas (Osmar)

As demais mulheres falam sobre o ser família expressando a importância que a família tem em suas vidas como Lena e Úrsula; falando sobre as funções da família na vida cotidiana como Paula; fazem referência a ela como espaço de troca, convivência, participação e diálogo na percepção de Roberta e Sueli. Por último, Quênia diz o que família representa na vida dela e faz uma avaliação sobre sua própria família.

Para Lena a família vem em primeiro lugar eu deixo trabalho, eu deixo mil coisas se eu tiver que ter família, tudo primeiro pra mim é a família, aí é que vem o meu trabalho. Essa atitude é adotada também por Úrsula, que prioriza a família abrindo mão de sair de casa para algum lazer.

Ser família para Lena é amor, segurança confiança, acho que é tudo de bom, se for com harmonia, é o suporte de ter segurança suficiente pra enfrentar todas as situações que a gente enfrenta, se eu não tivesse família eu não teria estrutura pra agüenta r esses hoje 25 anos que eu tive de casamento, de família, não pelo fato de abrir mão de alguma coisa material, mas pela segurança.

Para Úrsula “ser família” é prioriza r filho, casa, estabilidade...então eu acho que nesse ponto eu sou muito família porque o lugar melhor do mundo pra mim é a minha ca sa, eu não troco a minha casa por lugar nenhum.

Paula diz que ser família para ela é conviver junto, é partilhar da s alegria s, da tristeza, e não é esconder os maus tempos e os erros dos entes queridos, tem que chamar a atenção e dizer quando a pessoa está errada...é irmã, é pai, é mãe. Ser família é sentar e se ajustar, não deixar as coisa s pa ssarem pra resolver amanhã, se tem algum problema pra resolver, resolver hoje, pra não ficar acumulando pra depois resolver tudo.

Roberta fala que em família a gente não faz favor a gente troca ...um dia eu faço, um dia você faz...se é uma coisa pra pagar você paga e se não pode pagar não paga...eu

penso assim ... eu não consigo pensar em não ter minha família e eu procuro a ssim construir, como é o caso de conquistar as noras.

Para Sueli “ser família” é você conviver o dia-a-dia, é você conversa r, é você participar dos problemas, é você viajar junto, é você ter uma pa rticipação direta entre marido e entre filhos, é o convívio do dia -a-dia.

Quênia considera que família é antes de tudo união e aconchego, é aquele luga r onde você pode falar das coisas que você tá sentindo, dos aborrecimentos ou das alegrias que você tem. A avaliação que ela faz de sua família parte da consideração de que ela não teve família, que sua família se resumia a ela e a mãe, a única pessoa com quem contava e convivia. A partir desse fato diz eu tinha uma grande vontade de ca sar e ter filhos para constituir a minha própria família. Avalia que por causa dessa ânsia em realizar esse desejo e pelo medo de terminar os dias sozinha, só com a mãe, casou sem escolher bem o parceiro. A idéia de família para ela era um ambiente de total aconchego em que as pessoas fossem muito unidas com uma boa convivência. Ela se mostra muito decepcionada porque não foi isso que aconteceu, pois teve problemas de relacionamento com o marido e com o filho, que passou por transtornos psicológicos e hoje como ela fala dentro de casa são cinco pessoa s cada um tem seu mundo, eu sou mais próxima de mamã e, a gente briga muito, mas a gente conversa muito, tudo meu eu conto a ela, ela é minha confidente, os filhos já não são. Então a minha família é uma família muito esquisita, cada um tem o seu mundo, cada um tem o seu canto da casa.

As mulheres da camada popular identificam que os maiores problemas nas famílias hoje são decorrentes dos vícios de álcool e drogas, desemprego dos cônjuges, desunião familiar. Além disso, consideram que as mudanças no comportamento da mulher ao longo de décadas trouxeram implicações sobre a vida familiar, e sobre o comportamento das crianças e adolescentes.

A bebida acaba com a família, com qualquer relacionamento. A droga também, tudo isso aí acaba porque hoje em dia é só o que você vê...matou não sei quem por causa de bebida...é um problema que só Deus mesmo...porque muitos dizem...o meu

marido mesmo dizia „eu não vou deixar disso por causa de mulher‟. É por aí que

começa a destruição, a confusão na família...por causa da bebida, da droga, isso é um problema. (Anita)

Existe muita coisa que não era assim não...antiga mente era tudo diferente, agora tudo mudou, o homem quer sair pra um lado a mulher quer ir atrás. (Bela)

Existe muita desunião da parte das famílias. Eu não sei o que causa isto, mas eu acho que é o desemprego. Na minha família o principal problema é o desemprego.

(Glória)

Eu acho que é esses meninos que viram marginal muito pequenos, é porque as mães que tem muito menino não trabalha, bota os meninos pra ficar pedindo, e também botam pra vender alguma coisa no meio da rua, se mistura com os outros e assim vira problemática por causa disso. (Hilda)

Beber, roubar, usar droga...é só o que a gente vê ... os meus filhos são uns menino

muito bom e minhas amigas dizem „mulher tu tem que arribar as mãos pro céu e

orar muito porque aqui nesse conjunto que a gente mora ter dois rapazes assim

desse jeito é dificil‟. (Ieda)

As mulheres da camada média percebem e citam outros problemas que estão presentes nas famílias de hoje que não foram citados pelas mulheres da camada popular como a traição, a falta de confiança, a falta de diálogo, a falta de limites aos filhos, a interferência da televisão e da internet nas relações familiares, a falta de participação dos pais na vida dos filhos e os problemas financeiros.

A falta de diálogo é o problema mais comum nas famílias de hoje. Então o principal na família é o diálogo porque quando a gente dialoga a gente define o papel de cada um, o que eu faço, o que você faz, o que nós devemos fazer. (Paula)

A internet e televisão afastaram mais as famílias. Os pais gostam de estar com os filhos, mas os jovens hoje gostam mais de estar é junto da sua galera, dos seus amigos. (Quênia)

Os problemas de hoje tem sua base na falta de limites aos filhos, eu não sei se pela ausência os pais vão sendo permissivos pras coisas... é limite de tudo... os filhos então acham que podem fazer tudo a qualquer hora... eu acho que a gente dando limite a gente vai ordenando, você vai construindo, as relações não estão prontas, tem que todo dia construir.(Roberta)

Eu acho que de modo geral falta muito a participação dos pais na vida dos filhos, eu vejo os filhos muito perdidos, sentindo falta do acompanhamento dos pais. Na minha família o principal problema hoje é o financeiro pelo fato de ser eu só trabalhando e as necessidades de uma família com qua tro filhos serem inúmeras e nem sempre dá para atender a todos. (Tereza)

Anderson e Bento consideram que o maior problema nas famílias é a desunião o que gera os conflitos, a violência, além da falta de solidariedade nos momentos de dificuldades.

Tem muita desunião nas famílias, o pai brigando com os filhos, o filho matando o pai, irmão intrigado de outro, tá diferente hoje...antigamente era mais fácil...era

Os problemas familiares reconhecidos pelos homens da camada média são em sua maioria os mesmos citados por suas esposas/companheiras, ou seja, a dificuldade financeira, a falta de diálogo, a falta de limites aos filhos, os vícios e a falta de sustentação e unidade da família.

A situação financeira é o baluarte de todo relacionamento, tendo uma situação financeira estável e tranqüila não existe briga, não existe nada, aí quando você tem uma situação financeira instável aí complica muito mais. O principal problema na família é a instabilidade da situação financeira. (Moisés)

Um dos problemas da família diz respeito a perda da noção de limites,a criança sai de casa sem a mínima noção de limite. Outro problema é a perda da noção dos papéis de pai e mãe na família, advindas de todas as mudanças na sociedade que por sua vez alteraram as próprias relações. (Nelson)

Os problemas mais comuns que se vê nas famílias hoje são as separações e os