Tendo em conta o mencionado anteriormente, primeiramente, vale passar por um posicionamento de Arendt acerca da noção de história, principalmente como apareceria em Marx e em Hegel:
Só existe uma diferença essencial entre Hegel e Marx, embora, verdade seja dita, de importância catastrófica: Hegel projetou sua visão histórico-mundial exclusivamente para o passado e deixou sua consumação esbater-se no presente, ao passo que Marx, “profeticamente”, projetou-a, ao contrário, para o futuro e compreendeu o presente como simples trampolim. (ARENDT, 2009, p. 118)
Há na passagem dois importantes elementos já mencionados. Quando a autora diz que Marx “projetou” o passado para o futuro, há de se perceber que este ato implicaria em perceber o passado com o fim de atuar no futuro. Ou seja, o “projetar” mencionado conteria um elemento considerado problemático pela autora: a relação entre meios e fins, presente no “trabalho”. Nesse sentido, a crítica anteriormente mencionada acerca dessas categorias está presente na passagem da autora, o que aparece com mais clareza quando a autora menciona que o presente, assim, é visto como “simples trampolim”. O presente, assim, seria um mero meio para um fim, estabelecido “profeticamente” por Marx, quem parece ser visto pela autora como aquele que teria desejado se imbuir de uma previsibilidade que seria impossível diante da contingência efetivamente presente no “mundo”. Em Marx e em Hegel, as relações presentes perderiam a sua autonomia e estariam sempre incluídas em um processo maior em que se encontram somente como partes de um todo que se impõe – tratar-se-ia da mencionada “visão histórico-mundial” a qual estaria presente em ambos os autores. Veja-se: na passagem, há elementos aos quais Hannah Arendt se contrapôs anteriormente: a preponderância do processo e do movimento em detrimento do singular e do “acontecimento”; a presença da relação entre meios e fins; e, por fim, a imposição do processo em que os meios tornam-se fins em si mesmos de maneira a suprimir a singularidade de cada elemento do “mundo” (o que aconteceria quando Marx tivesse em conta o presente somente como “trampolim”). Portanto, embora com as vestes de uma comparação entre Hegel e Marx, há na passagem importantes elementos constantes da crítica arendtiana ao “trabalho” que se desenvolvem em sua crítica à
noção de história. E mais: a questão apareceria, assim como ao se aplicar o “modelo do trabalho” ao “agir”, de maneira “catastrófica” quando a diferença entre Marx e Hegel manifesta-se no fato de Hegel, para Arendt, voltar-se para o passado enquanto Marx voltaria suas atenções para o futuro. Desta maneira, aparece também, mesmo que de relance, e já nesse ponto, a questão acerca da atuação consciente do homem diante de suas condições de existência. Essa atuação, pelo que se vê, apareceria em Marx na medida em que a haveria um apelo de instrumentalidade, um apelo técnico274
inerente a seu pensamento. No que se deve mencionar que logo no início do tratamento estabelecido ao pensamento de Arendt acerca da história, são claros aqueles a quem ela, tal qual os expoentes do irracionalismo de outrora, diga-se de passagem, se opõe: em primeiro Hegel e depois Marx.
Assim, há de se aprofundar esses aspectos somente tangenciados acima.
Em grande parte, ressaltaram-se, na rica passagem, importantes elementos presentes na crítica arendtiana – para que se confirme a importância desses elementos, no entanto, é necessária uma análise mais cuidadosa em que os nexos traçados acima estejam explícitos com mais cuidado. Para isso, primeiramente são necessários alguns apontamentos acerca do projeto de Arendt denominado “elementos totalitários do marxismo” para que depois se possa efetivamente explicitar a maneira como a história aparece em seu pensamento.
É preciso, pois, que se veja aqui pelo menos as linhas gerais do já mencionado projeto. Em Origens do Totalitarismo, Arendt trata do nazismo e do stalinismo sob a rubrica “totalitarismo”, fato esse muito criticado, sobretudo, nos meios da esquerda. É uma polêmica importante - que não pode ser tratada agora com todas as suas implicações - mas que é vista aqui no que diz respeito ao assunto tratado neste capítulo na medida em que a autora, um ano depois da publicação do livro, já em 1952, reconhece haver uma lacuna na obra. Elizabeth Young-Bruehl traz em sua biografia de Arendt o documento submetido à fundação americana Guggenheim como projeto para futuros estudos acerca dos “elementos totalitários do marxismo” em que Hannah Arendt aponta que “a mais séria lacuna em Origens do Totalitarismo é a falta de um tratamento histórico e conceitual adequado da base ideológica do bolchevismo”; (ARENDT, apud
274 A temática da técnica, como dito, marca muito o pensamento de Heidegger. Como indica Villa, o
YOUNG-BRUEHL, 2004, p. 276) 275
Assim, nos anos seguintes, Arendt dedica-se à supressão dessa lacuna, com um plano de estudos que passaria: 1) pela crítica à visão, que estaria presente em Marx, acerca de sua noção de trabalho enquanto metabolismo do homem com a natureza; 2) pela posição segundo a qual a história seria feita pelo homem; 3) por uma parte histórica em que se analisaria o desenvolvimento do marxismo europeu entre 1870 e 1917 e depois entre 17 e a consolidação do stalinismo e, finalmente; 4) pela consolidação dos chamados “elementos totalitários do marxismo” quando tanto os interesses do proletariado quanto os da revolução fossem abandonados em prol da realização de uma “ideologia” 276
com a polícia secreta e com o exército vermelho.277
Nesse sentido, os aspectos mencionados e analisados anteriormente, principalmente no que diz respeito à crítica da noção de “trabalho”, aparecem no projeto acerca dos “elementos totalitários do marxismo” relacionados com a noção de história também já mencionada anteriormente. E não só: a parte do projeto atinente à “análise conceitual” de Arendt sobre as noções de Marx de “trabalho” e de história (como “feita pelo homem”) a leva a tratar dos aspectos ligados à concepção política de Marx a qual, segundo a autora, teria partido da concepção errônea segundo a qual o modelo do “trabalho” pode ser usado para o “agir”.
Nesse sentido, a preocupação da autora acerca dos “elementos totalitários do marxismo” passa por um ponto que será central na obra posterior da autora: a relação
275 “The most serious gap in The Origins of Totalitarianism is the lack of an adequate historical and
conceptual analysis of the ideological background of Bolshevism.”
276 Há de se notar que o uso arendtiano do conceito de ideologia é muito distinto daquele de Marx. Para a
autora, a ideologia é sempre nefasta, sendo uma crença sem contato com a realidade e elevada a princípio de ação, como se mostrará mais à frente.
277 A noção de “ideologia” em Arendt será vista posteriormente. Aqui, é digno mencionar literalmente o
que diz Bruehl acerca do mencionado projeto: “originariamente, o estudo foi planejado em três seções. A primeira seria uma análise conceitual, lidando principalmente com o entendimento de Marx do homem como um “animal que trabalha”, do trabalho humano como “metabolismo com a natureza” e de sua concepção de história como feita pelo homem. Arendt pretendia primeiro explorar os conceitos políticos de Marx e depois a relação desses com seu conceito de história. A seção introdutória seria seguida por duas analises históricas, uma do marxismo europeu de 1870 a 1917 e uma da transição de Lenin a Stalin na Russia. A seção final mostraria “como os elementos especificamente totalitários do marxismo desenvolviam-se plenamente quando ambos, o interesse da classe trabalhadora e a causa da revolução eram abandonados em prol da realização global de uma ideologia co ajuda da polícia secreta e do Exército Vermelho.” (YOUNG-BRUEHL, 2004, p. 277) - “Originally, she had planned her study in three sections. The first was a conceptual analysis dealing chiefly with Marx understanding of man as a “working animal”, the relation between his conception of work as man´s” metabolism with nature” and his conception of history as man-made. Arendt intended first to explore Marx´s political concepts and then their relation to his concept of history. This introductory section was to be fallowed by two historical analyses, one of the European Marxism and socialism from 1870 through 1917 and one of the transition from Lenin to Stalin in Russia. The final section was to show “how the specific totalitarian elements in Marxism are fully realized when both, the interest of the working class and the cause of the revolution are abandoned for the sake of the global realization of an ideology with the help of the secret police and the Red Army.”
entre a política, a violência e a história (temas que, não é preciso insistir, são obrigatórios para quem quer compreender a noção de revolução).
No que se deve relembrar aqui que o projeto de Hannah Arendt entregue à fundação Guggenheim nunca foi desenvolvido como uma obra unitária, como destaca também Elizabeth Young-Bruehl:
Ela voltou sua atenção ao marxismo, e o que resultou foi uma critica persistente a toda a tradição ocidental. Seu projeto para o estudo dos elementos totalitários do marxismo se tornou um plano para que se estabelecesse a fundação de uma nova ciência política. (YOUNG-BRUEHL, 2004, p. 277) 278
Por conseguinte, percebe-se que o próprio foco da autora muda ao se deparar com o seu projeto acima mencionado. A preocupação de Arendt acerca das origens históricas do “totalitarismo” soviético, acima descrita, passa a ter uma ênfase que se prende somente aos primeiros dois itens mencionados, os quais tratam das noções de “trabalho” e de história em meio a uma discussão acerca da política. Veja-se: da crítica ao marxismo e ao desenvolvimento histórico concreto desse279
, a autora de A Condição
Humana passa a uma tentativa de reformulação de toda a tradição ocidental a fim de fundar uma “nova ciência política”; assim, sua teoria passa pela crítica à noção de história como “feita pelo homem” e à noção de “trabalho” como estaria presente em Marx e chega a uma concepção que tem a política como essencial. Há um movimento
278 “She did turn her attention to Marxism, and what resulted was a strenuous critique of the whole great
Western tradition. Her project for a study of the totalitarian elements of Marxism turned into a plan for laying the foundations of a new science of politics.”
279
É interessante perceber que, depois de Origens do Totalitarismo, a autora não mais terá abordagens “históricas” no sentido da obra mencionada. Lá, ela trata do imperialismo, do anti-semitismo e do “totalitarismo”, buscando mesmo a existência de nexos de causalidade presentes no desenvolvimento histórico. A autora, posteriormente, como se verá, será levada a criticar a sua obra e apontar sérios problemas no que toca a forma pela qual o livro foi tratado, como um livro de história. Isso deve ser ressaltado desde já, mas somente ficará claro posteriormente. Aqui, deve-se somente destacar que há pensadores que apontam justamente na fase imediatamente posterior a Origens do Totalitarismo o desenvolvimento pleno da metodologia arendtiana. Analisando desenvolvimento da obra mencionada, Domenico Losurso, quem diz que o método da autora é “dedutivista”, por exemplo, aponta o seguinte: “uma oscilação de caráter metodológico. Por um lado, Arendt se permite recorrer a uma interpretação dedutivista do fenômeno totalitário, claramente vizinha à dos autores liberais freqüentemente citados: o totalitarismo staliniano era, então, lido como a conseqüência lógica e inevitável da ideologia marxiana. Por outro lado, ela se vê constrangida a remeter às condições históricas particulares que explicam o advento do regime totalitário staliniano: guerra civil, agressões internacionais das potências vitoriosas na I Guerra Mundial (mas nossa autora apenas sobrevoa esse ponto), desagregação das estruturas organizativas etc. A distinção entre o leninismo e o stalinismo, entre ditadura revolucionária e o regime totalitário que a segue, interrompe aquela linha de continuidade férrea e meramente ideológica de Marx ao totalitarismo, instituída desde Hayek e Talmon.” (LOSURDO, 2006, p. 61)
em que as distinções entre o “labor”, o “trabalho” e a “ação” são essenciais não só por terem sido desenvolvidas sistematicamente no período imediatamente posterior a
Origens do Totalitarismo, mas porque fundamentam muitos dos posicionamentos de Hannah Arendt, como se pretende demonstrar. E isso ocorre na medida em que não só a “nova teoria política” de Arendt terá tais noções por centrais, mas também quando se percebe que as críticas da autora à noção de história enquanto “feita pelo homem” partem justamente do elemento de violência que seria inerente ao “trabalho”, como visto anteriormente. Assim, a autora não tratará do modo pelo qual as relações concretas se concatenaram para que tenham chegado a determinado ponto – sua preocupação, como mencionado, será o desenvolvimento de uma “teoria política” a qual, na autora, seguindo aquilo que fora dito no primeiro capítulo, vem a se opor à compreensão do desenvolvimento da história como um processo objetivo.
No que se deve ver como, nesse contexto, em que as preocupações da autora mudam, a sua crítica à história se delineia.
Quando se tratou do “trabalho”, por exemplo, destacou-se que esse teria em si a relação entre meios e fins e a violência. E nesse ponto, Arendt tem uma assertiva importante, que aparece posteriormente em Sobre a Violência:
A própria substância da ação violenta é regida pela categoria meio-fim, cuja principal característica, quando aplicada aos negócios humanos, foi sempre a de que o fim corre o perigo de ser suplantado pelos meios que ele justifica e que são necessários para alcançá-lo. (ARENDT, 2009 c, p. 18)
A mesma crítica que a autora estabelece à noção de “trabalho” agora aparece na seara dos “negócios humanos”, os quais, para a autora, seriam essencialmente ligados à esfera política e à “ação”. Para Arendt, “a violência, sendo instrumental por natureza, é racional à medida que é eficaz em alcançar o fim que deve justificá-la.” (ARENDT, 2009 c, p. 99) Hannah Arendt, assim, tentará com todas as forças retirar o “modelo” do “trabalho” e do “labor” da esfera política de maneira que a sua pretensão de uma “nova teoria política” terá por central tal tentativa. E é bom se enfatizar: a “nova ciência política” de Hannah Arendt é elaborada como resposta a indagações justamente acerca dos “elementos totalitários do marxismo”. Trata-se de um posicionamento concreto, pois. Ele, no entanto, somente restará claro em um maior grau de concretude de nossa
análise. Aqui, deve-se notar que em oposição à noção de história ligada à noção de “trabalho” a autora busca desenvolver uma “nova teoria política”, que escape à “racionalidade” da relação entre meios e fins. Ou seja, com isso a teoria política da autora busca justamente escapar de uma noção de liberdade, segundo Arendt, ligada ao livre-arbítrio para chegar a uma noção de liberdade como “novo começo” – as categorias de “meio” e de “fim”, assim, são vistas pela a autora somente na medida em que seriam “instrumentais”, o que se daria na medida em que, em oposição à novidade, há “justificação” – e isso é de grande importância para se tratar da teoria da autora acerca da história. Violência e instrumentalidade, assim, seriam indissociáveis para a autora e uma concepção de história que tivesse as duas por centrais seria absolutamente contrária à liberdade humana como vista na “ação”.
E aqui aparece algo essencial ao tema tratado no momento: para Arendt a teoria política ocidental não teria concebido corretamente a especificidade da política justamente por ter em conta demasiadamente o “modelo” do “trabalho”, da “criação”, o qual apareceria justamente na história. Veja-se a passagem da autora, passagem que é elucidativa acerca do tema aqui tratado:
A solução do Ocidente para escapar da impossibilidade da política no marco da criação é transformar a política em história ou substituí-la por esta. Na idéia de história mundial, a multiplicidade dos homens é dissolvida em um único indivíduo humano, que passa a ser chamado de humanidade. Tal é a origem do aspecto monstruoso e desumano da história, que atinge seu fim pleno e brutal antes de tudo na política. (ARENDT, 2009, 147)
Ao debater, e tentar superar a “tradição política ocidental”, na esteira de seu projeto acerca dos “elementos totalitários do marxismo”, Arendt vem a enfatizar que é justamente a noção de história que vem a propiciar uma “solução” para essa tradição, a qual critica; para ela, resta claro, tratar-se-ia de uma falsa solução. Amparando-se na criação, nas obras, no fazer, ampara-se igualmente no “trabalho”, o qual traria consigo todas aquelas vicissitudes apontadas anteriormente, a noção de história teria sido desenvolvida devido a uma falha e não a um mérito do “Ocidente”.280
Veja-se: o “Ocidente”, com sua tradição, não teria, assim, escapado da política no “marco da criação” e, desse modo, teria “transformado” a política em história, ou ainda substituído
280 Deve-se dizer que a temática acerca do “Ocidente” também é central a Heidegger, quem vê nesse a
a primeira pela segunda. A história, assim, aparece ao “Ocidente”, segundo a pensadora, na esteira do “esquecimento da política”, contrária à própria liberdade. Há, em Hannah Arendt um rechaço à noção de história enquanto um processo objetivo – tal noção é, segundo a pensadora, oposta àquilo que muito valora: a política.
Permaneceria a noção, analisada anteriormente, segundo a qual o homem faz a si mesmo – no “Ocidente” ter-se-ia retirado a ênfase na produção consciente do homem do âmbito político (haveria ocorrido isso por causa de uma “impossibilidade”), porém, a questão teria sido levada ao âmbito da história, o qual viria a suplantar a política na modernidade. E, assim, as críticas de Hannah Arendt acerca do automatismo e da necessidade presentes no “trabalho” aparecem essenciais em sua crítica à noção de história enquanto “feita pelo homem”. Para a autora, na noção de história, particularmente na noção de “história mundial”, em oposição à pluralidade que acredita ser inerente à esfera política calcada na “ação”, aparece uma unidade em que “a multiplicidade dos homens é dissolvida”; nesse sentido, a oposição entre sua noção de “ação” (calcada na contingência e no romper com as relações causais) e a noção criticada de história é clara. O que também se dá quando a própria centralidade atribuída por Arendt ao indivíduo (o qual daria base à novidade na medida em que cada um, pelo próprio nascimento, seria um “novo começo”) seria suplantada pela preponderância da totalidade dos indivíduos, vistos na história, na esteira do raciocínio da autora, como uma “massa” amorfa. Isso ocorreria, para a autora, quando a dissolução mencionada aparece como “um único indivíduo humano, que passa a ser chamado de humanidade”. A própria noção de “humanidade”, pois, é problemática para a autora e, pelo que se vê, liga-se a uma figura que é vista como “um único indivíduo humano”, não à pluralidade. Desde aqui, pois, há certa oposição entre a história e a política, sendo o desenvolvimento dado pela autora ao seu projeto acerca dos “elementos totalitários do marxismo” justamente aqueles que emergem em sua teoria sobre a política.
Contra o marxismo que teria “elementos totalitários” relacionados à noção de história, aparece a noção arendtiana de política, de maneira que o rechaço da autora quanto à história enquanto processo objetivo anda lado a lado com a sua valorização da contingência e da “ação”. Esse é o corolário da teoria política de Hannah Arendt.
Seria a noção de “historia mundial”, segundo a autora, essencialmente contrária ao pluralismo e contrária, portanto, à política – tratar-se-ia do “aspecto monstruoso e
desumano da história”. Assim, ao tentar retirar a política do “marco da criação”, a autora igualmente deixa de lado o processo objetivo – noção que rechaça, que se deixe claro - e concreto pelo qual as relações sociais desenvolvem-se; deste modo, antes, e de acordo com o método da autora, como já dito, ao homem fora “dada a vida”. Agora, o fato de os homens do planeta inteiro se relacionarem de modo concreto por meio do mercado mundial é, de certo modo, tomado como dado.281