Procurou-se analisar, nest a pesquisa, se o Curso Gest ão Escolar e Tecnologias (GET) possibilit ava, at ravés das emergências f ormat ivas, a melhoria da f ormação e conseqüent ement e da aprendizagem, nas escolas públicas em que era aplicado.
É possível af irmar que as análises aqui apresent adas, t ant o quant o as int ervenções durant e o curso, explicit aram algumas emergências que signif icaram melhorias, em dif erent es aspect os educacionais, como pode ser observado a seguir:
1. O curso f avoreceu a int rodução da cult ura da colaboração, ou da cooperação pela equipe gest ora, ent re a comunidade escolar, mesmo que t imidament e e co- exist indo com out ras f ormas de cooperação, muit as vezes não desej áveis, porém pert inent es ao processo, como a cooperação assist encialist a, cit ada por Demo (2002).
O f at o de t odas as escolas chamar represent ant es dos dif erent es segment os da comunidade escolar para f azer um diagnóst ico das t ecnologias exist ent es na escola e, após est e diagnóst ico, ouvir as necessidades de cada segment o, para depois elaborar o proj et o, indicou a presença de uma cooperação, inexist ent e em período ant erior ao curso.
Port ant o, a prát ica de desenvolver um proj et o j unt o à comunidade escolar t ambém f oi um aspect o de inovação e melhoria na f ormação dos gest ores que part iciparam do curso. Para muit os, era um sonho impossível, para out ros, um
pesadelo. Porém, penso que f oi a experiência que proporcionou uma cobrança post erior, do desenvolviment o do proj et o.
Est a responsabilidade, pelo pert enciment o, pela co-aut oria, possibilit ou a meu ver, a implement ação do proj et o. Port ant o, penso que, a elaboração dest e proj et o, com a cooperação ef et ivada, pela necessidade e pela responsabilidade de um conj unt o de indivíduos que pert encem à escola, possibilit ou, ou melhor, aument ou a probabilidade de implement ação do mesmo na unidade escolar, pois haveria cobrança de result ados.
2. A parceria com os órgãos cent rais (SUME e NTE) t ambém se est abeleceu durant e est e curso, vist o que monit ores que auxiliaram, t rabalhavam nest es órgãos. Est a parceria possibilit ou um olhar global sobre a educação como polít ica pública e uma ref lexão sobre as dif iculdades que cada inst ância apresent ava.
As duplas pedagógicas, no período em que se desenvolveu o curso, ainda não haviam se est abelecido na SUME e nem perant e as escolas, com a clareza das f unções exercidas. Port ant o, havia uma discret a, porém sent ida, f alt a de respeit o quant o às at ividades exercidas pela Dupla Pedagógica.
Percebeu-se, durant e o módulo presencial 3, após a t eleconf erência, com a f ala de represent ant es educacionais da SEE / GO e da PUC/ SP, quando houve uma discussão acalorada ent re os cursist as em que se crit icavam, ora a at uação dos governant es, ora a at uação das Duplas e t ambém da SUME, necessit ando a int ervenção da prof essora e da coordenadora que lá se encont ravam.
Durant e o curso, as insat isf ações f oram cit adas e geraram at it udes, como a da Subsecret aria Met ropolit ana de Goiânia, que aceit ou mudanças no cronograma das escolas envolvidas no curso, para que as ações f ossem realizadas.
Uma das unidades da Dupla Pedagógica, que exercia a f unção de monit oria no curso, part icipou exaust ivament e durant e os moment os presenciais e virt uais, coment ando, incent ivando e dialogando com os gest ores e acompanhou t ambém o desenvolviment o do proj et o em algumas escolas.
Out ra parceria, muit o coment ada e elogiada durant e o curso f oi est abelecida pelas escolas e o NTE- Núcleo de Tecnologia Educacional de Goiânia- que organizou um cronograma de at endiment o aos gest ores, em sua unidade, com plant ões nos 3 períodos: manhã, t arde e noit e, devendo soment e ser agendado pela equipe gest ora agendar.
Além dest es plant ões, a mult iplicadora do NTE, que at uava no curso como art iculadora t écnico-pedagógica, f ez o acompanhament o nas escolas, durant e as reuniões de elaboração do proj et o f inal.
Creio que est as parcerias desenvolvidas, durant e a realização do curso, f oram consist ent es, pois envolveram, além de uma rede de apoio, uma rede de conf iança ent re os part icipant es.
3. A rupt ura do paradigma local, de que o ensino a dist ância não era possível e de que a prát ica local evidenciava a desist ência da grande maioria dos alunos cursist as no decorrer do curso f oi algo signif icat ivo e import ant e. No primeiro dia de aula presencial, durant e a apresent ação, vários gest ores, a monit ora do NTE e as duplas pedagógicas most raram-se quase unânimes no discurso sobre a desist ência em cursos a dist ância. O cet icismo quant o à real aprendizagem nest a modalidade de ensino a dist ância e quant o à met odologia ut ilizada era evident e, apesar de respeit arem e cit arem const ant ement e a sat isf ação de t er como parceira a PUC / SP.
Est a rupt ura, segundo as análises aqui realizadas, f oi possível at ravés dos processos ref lexivos proporcionados durant e o curso, pois os part icipant es colocaram em prát ica a f undament ação t eórica est udada, em suas próprias unidades escolares, a part ir da ref lexão na ação.
Durant e est a f ormação ref lexiva, o curso f avoreceu t ambém a ref lexão sobre a ação, ou sej a, at ravés da cont ext ualização de dif erent es realidades e da socialização dest a cont ext ualização, houve um af ast ament o, necessário para uma análise global, das ações, das dif iculdades enf rent adas, do envolviment o pela cult ura da colaboração e dos result ados obt idos nas at ividades propost as.
É possível acredit ar que, nest e moment o, ent re a t ransição do módulo 2 para o módulo 3, os cursist as, segundo a análise dos dados, perceberam o dif erencial do curso e as possibilidades que o mesmo of erecia de ação na própria escola.
A const rução do conheciment o pela f ormação ref lexiva, dialógica e recursiva possibilit ou novas parcerias, gerando mot ivação para a elaboração do plano est rat égico, e a gest ão em algumas escolas, nest a época, ocorreu a part ir de uma nova concepção.
Devemos considerar t ambém:
A mediação, como um aspect o posit ivo, de int ervenção, de valorização, de f eedback e geradora de ent usiasmo, de “ vai dar cert o” , t ambém f oi cit ada como um aspect o inovador e grat if icant e do curso.
O resgat e de valores como respeit o às diversidades, disciplina e organização t emporal, polit icidade f oram e são f undament ais para a mudança de paradigmas nas escolas.
As dif iculdades mais cit adas f oram: a) Domínio t ecnológico:
Muit os cursist as apresent aram dif iculdade durant e o módulo 1 presencial, em relação à ut ilização dos comput adores e do ambient e virt ual de aprendizagem. Not ando est a dif iculdade de alguns cursist as, f oi import ant e a ênf ase dada pela prof essora, para que se alt ernassem as duplas de um mesmo comput ador, ou sej a, que f izessem um revezament o, oport unizando assim, o manuseio da f errament a por t odos os cursist as.
Durant e o módulo 3 presencial, percebeu-se que est a dif iculdade j á havia sido superada, e a monit ora art iculadora t ambém expressou est a mesma percepção, pela diminuição da quant idade de pedidos de aj uda.
Alguns cursist as cit aram a f alt a de compreensão dos t ext os e art igos inclusos no módulo 2b.
Percebeu-se que, na verdade, os t ext os anexados nest e módulo, que deram o embasament o t eórico para o desenvolviment o de ações e proj et os na escola, por serem ext ensos, e pela f alt a de t empo dos gest ores, não f oram lidos na ínt egra.
Est e f at o não impediu, cont udo, a elaboração e o exercício da ação, porém, pensando que est as leit uras são a f undament ação t eórica necessária para a ref lexão na e sobre a ação, além de subsidiar a elaboração do proj et o f inal, acredit a-se que as est rat égias de leit ura pudessem t er sido revist as pela equipe coordenadora do Proj et o GET.
Sabendo, ainda, que a f undament ação t eórica é um dos t ripés da f ormação do curso, j unt o à prát ica cont ext ualizada e à gest ão das t ecnologias da escola, vale a pena repensar est rat égias que viabilizem e f avoreçam as leit uras e a conseqüent e ref lexão ent re as equipes.
c) Falt a de t empo:
Em qualquer f unção j á assumida nest e Proj et o, est a é a dif iculdade mais cit ada em t odas. Ela pode ocorrer devido à f alt a de prát ica do cursist a em realizar cursos a dist ancia, ou t ambém, devido à f alt a de domínio t ecnológico.
Os mot ivos mais cit ados pelos cursist as são geralment e os mesmos: acúmulo de proj et os e t rabalho nos 3 t urnos.
Porém, ao ref let ir sobre as realizações que as equipes gest oras conseguiram execut ar, percebe-se que Gat t i (2006) t em razão, quando em seus est udos diz que nos cursos a dist ância é f undament al a disciplina e a organização na execução das at ividades propost as, para a ot imização do t empo.
Port ant o, est a dif iculdade cit ada deve ser mais bem est udada para que se analise se o que ocorre se deu devido ao acúmulo, sempre cit ado, de serviço e proj et os, ou se t rat a de f alt a de hábit o de organizar e planej ar o t empo de est udo de um curso de f ormação em serviço a dist ancia.
d) Mudanças na equipe gest ora:
A rot at ividade nas escolas públicas brasileiras é muit o grande. Os educadores que não são ef et ivos em seus cargos, a cada ano se encont ram em escolas dif erent es, dependendo da classif icação de pont os.
Em Goiás, ainda t em-se a rot at ividade dos diret ores, que são eleit os para o cargo, por um período de 2 anos, com direit o a uma re-eleição, permanecendo, assim, na mesma escola, por no máximo 4 anos. Deve-se considerar que é um período curt o para a apropriação de qualquer mudança, f adando qualquer proj et o ao insucesso, em virt ude da rot at ividade da equipe de educadores, que recebe a f ormação, mas não permanece na escola. Embora a f ormação, quando bem f eit a, t ransf orme-se em part e int rínseca const it ut iva da pessoa humana, os benef ícios à educação esvaem-se quando a equipe gest ora é desest rut urada.