Foi muit o dif ícil est abelecer uma met odologia de pesquisa adequada, que int erviesse o menos possível nos result ados observados e regist rados e, ao mesmo t empo, que compreendesse t odos os f at ores envolvidos no processo, pois, numa propost a de um curso a dist ância, ocorre uma int eração muit o grande ent re ambient e f ísico, virt ual, ações e reações dos gest ores-cursist as e dos prof essores, e a realidade de cada escola é cont ext ualizada.
Decidi-me pela met odologia qualit at iva, por melhor se adequar ao problema pesquisado, por dif erent es f at ores:
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A f ont e e a colet a de dados ocorrem no ambient e nat ural, port ant o, at os, gest os e palavras são int erpret ados e signif icados em cada sit uação explorada, sendo assim, imensuráveis em quant idade ou números;•
Nest e cont ext o, o processo se f az mais import ant e que o result ado em si, como diz a música do grupo Skank “o caminho só exist e quando você passa” , port ant o, as et apas do processo de pesquisa e as int erpret ações dest as implicam num conheciment o mais rigoroso que a análise simplif icada dos result ados;•
Part e de uma análise indut iva de dados, ou sej a, a part ir de um est udo part icular se chega a generalizações;•
Os regist ros ret irados do próprio ambient e pesquisado são f iéis às int erpret ações do pesquisadorTrat a-se de compreender, considerando at ent ament e, a nat ureza do obj et o de est udo, sua complexidade e o f at o de ser livre e at uant e, sempre cuidando para não def ormá-lo ou reduzi-lo [...] na realidade os f enômenos humanos repousam sobre a mul t icausal idade, ou sej a,
sobre um encadeament o de f at ores, de nat ureza e de peso variáveis, que se conj ugam e int eragem. (LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 41)
Segundo Bogdan e Biklen (2003), a pesquisa qualit at iva possui cinco caract eríst icas que conf irmam a minha opção por est a met odologia:
1. Os dados são colet ados no próprio ambient e e o pesquisador é o principal inst rument o da pesquisa, pois o mat erial colet ado e suas análises sof rem inf luência diret a de seu olhar;
2. É descrit iva, ou sej a, não se t raduz por números e quant idades, podendo ser complement adas por est es;
3. O int eresse maior é pelo processo e não pelos result ados obt idos, em razão do acompanhament o part icipant e do pesquisador;
4. Tende-se à análise de dados indut iva. Quando não se colet am soment e os dados necessários, abre-se um grande leque de possibilidades, que se af unilam e se agrupam em cat egorias para ref orçar ou não a hipót ese;
5. A cont ext ualização é muit o import ant e.
Todas est as caract eríst icas são pert inent es ao meu t rabalho de pesquisa, enf at izadas por uma t endência peculiar part icular, na busca de uma organização int erna pessoal, de sint et izar ant es de part ir para as análises ref lexivas. Port ant o, nest e est udo, as sínt eses, quant idades e os gráf icos gerados são f at ores organizacionais import ant es que não int erf erem, mas int eragem com o result ado obt ido (MAZZOTTI; GEWANDSZNAJDER, 2000; LAVILLE; DIONNE, 1999), auxiliando na cat egorização e no processo de análise dos result ados.
Nest a pesquisa, a minha visão, como f ormadora e pesquisadora simult aneament e, sof reu inf luência diret a da realidade das escolas envolvidas no curso, da int eração no ambient e virt ual em quest ão e das relações est abelecidas
nest e processo. Assim, não exist irá uma verdade absolut a e incont est ável, mas sim uma verdade relat iva que sof re int erf erência da observadora, dos cursist as, da mediação, do ambient e virt ual e da realidade de cada escola.
Porém, independent e dest a relat ividade, é f undament al ressalt ar a import ância e a relevância social dest a pesquisa, pois sist emat izando e analisando as emergências f ormat ivas durant e um programa de f ormação de gest ores a dist ância podemos repensar nos element os indicadores ou não de melhorias nos processos educacionais, como af irma Morin (1990), os result ados dependem da int eração com o ambient e social e f ísico,
Ut ilizei a espiral de aprendizagem genérica, para t raçar um paralelo com a espiral de aprendizagem da pesquisa, pelos muit os pont os em comum, conf orme a Figura 1, ut ilizada por Vallin (2004, p. 47), em que ocorrem planej ament o, ação, ref lexão e replanej ament o, num processo f lexível e dinâmico.
Figura 1: Espiral de aprendizagem genérica
Todos est es element os cit ados por Vallin (2004) est ão envolvidos nest a pesquisa, que est á int imament e ligada a uma prát ica educat iva inovadora, à ut ilização de ambient es virt uais de aprendizagem, além de evidenciar a relação
ent re a realidade de cada grupo, suas possibilidades e dif iculdades nest e ambient e e a t ransposição da t eoria est udada para a realidade cont ext ualizada do curso.
Est e moviment o de ref lexão gerando um novo equilíbrio é provisório, pois nest a espiral, ele acaba sendo o dínamo para novas ações, quando novas at it udes são geradas e novas propost as podem surgir no repensar sobre uma f ormação que represent e um desaf io social, para a equipe gest ora e para a comunidade escolar.
Nest a pesquisa, valorizei t ambém a relação t eoria e prát ica, pois compart ilho com a idéia de Pedro Demo (2004), quando salient a que a t eoria desvinculada à prát ica não chega a ser uma t eoria, pois será discurso irreal e al ienant e (Id., Ibid., p. 77). Ao mesmo t empo o aut or diz que a prát ica, mesmo sendo necessária para a f undament ação t eórica de uma pesquisa, t ambém não deve ser t raduzida como a única verdade, mas sim como uma verdade (grif o meu). Ou sej a, o aut or nos diz que uma mesma t eoria pode gerar inúmeras prát icas e t odas elas podem ser consideradas verdadeiras, ou at é mesmo excludent es da t eoria.
Est e pesquisador ainda apresent a a t eoria e a prát ica na pesquisa, como dialét icas, em virt ude de seus ant agonismos complement ares, t ão densos, que geram um relacionament o dinâmico, onde:
De um lado, t emos a propensão absolut izant e da t eoria. Soment e em t eoria podemos imaginar ciência t ot alment e evident e, verdadeira, acabada. De out ro, na prát ica, é produt o hist órico, ou sej a, limit ado, relat ivo, processual, inf indável, discut ível. A t eoria pode ser absolut a, abst rat a, ut ópica, universalizant e; a prát ica, por sua vez, é relat iva, concret a, realizada, part icular. (DEMO, 2004, p. 79).
Port ant o, nest a pesquisa, a t eoria e prát ica serão encaradas sob est e aspect o, ant agônicas e ao mesmo t empo complement ares, que se ref orçam, ou se sust ent am, dando valor à hist oricidade que event ualment e venha a se concret izar, porém sem conduzi-la cegament e aos pat amares da t eoria como verdade absolut a, ou da prát ica como verdade única.
A part ir do pensament o de Edgar Morin, ident if iquei o curso GET como um sist ema abert o. Segundo o aut or (1990), um sist ema abert o só exist e e se est rut ura
pela moviment ação de energia, mat éria, organização (equilíbrio provisório gerado pela int eração e complement ação da ordem e desordem promovendo uma aut o- organização) e inf ormação. Port ant o, o ref erido curso poderia ser comparado a um sist ema abert o, com uma organização const ant e, porém não-rígida, não-linear, não-reducionist a ou det erminist a, vist o que seus const it uint es e suas relações são dif erenciados em cada curso.
Sist emat izando, segundo a visão da pesquisadora, o curso poderia ser represent ado da seguint e f orma, conf orme f igura 2:
Figura 2: Sistema Organizacional do curso GET (elaborado pela pesquisadora)
Ambiente Virtual Cursistas Formadores Fundamentos teóricos do curso Emergências Incertezas Criatividade Autonomia Contexto sócio-cultural
Pela f igura 2, não se ident if icam os element os isolados e independent es, mas sim como elos de uma rede f ormada que caract erizará cada curso. Cada engrenagem represent aria alguns element os. Port ant o, t eríamos engrenagens ou
element os que seriam f ixos represent ando as est rut uras f uncionais e operacionais do curso, como o ambient e virt ual e os f undament os t eóricos. A est as engrenagens ligam-se out ras que caract erizam e mudam a cada novo curso, seriam os f ormadores, os cursist as e o cont ext o sócio-cult ural. Est as engrenagens, girando, pela int eração e mediação, proporcionariam uma aut o-organização, com a adição espont ânea ou não de novos element os como aut onomia, emergências, incert ezas, e criat ividade. Evident ement e, novas engrenagens podem ser incorporadas, dependendo da relação e da int eração do conj unt o, t ornando cada curso único e singular, sem perder suas caract eríst icas idealizadas pelos coordenadores. Segundo Maria Cândida Moraes (2004 b):
A realidade revelada pela pesquisa não const it ui a represent ação f iel dest a mesma realidade, mas, sim, uma das possíveis int erpret ações f eit as pelo pesquisador, a part ir do que ele f oi capaz de perceber, t endo em vist a as suas possibilidades orgânicas est rut urais. Dest a f orma, é possível compreender que t odo conheciment o que emerge no seio da pesquisa, depende do suj eit o invest igador, das relações que ele est abelece com o obj et o pesquisado e dos ef eit os do obj et o sobre ele (...) De uma maneira ou de out ra. Criamos as circunst âncias que nos envolvem de acordo com as nossas crenças, as nossas ações, os nossos desej os e int enções. (MORAES, 2004 b, p. 13)
Ainda, segundo Freire (1996, p. 41), “ assumir-se como suj eit o porque capaz de reconhecer-se como obj et o” .
Tant o Freire (1996), como Moraes (2004b) e Morin (1990), repensam epist emologicament e o valor e a ordem de um proj et o de pesquisa, sej a pela sua qualif icação como um sist ema abert o, complexo, f lexível, suj eit o a f at ores não det erminados previament e, ou pelo reconheciment o de que a int eração ent re o obj et o de est udo e o suj eit o, é relat iva e, ao mesmo t empo, complement ar.
Port ant o, o esquema da f igura 2, idealizado pela pesquisadora, permit e que dif erent es engrenagens sej am incorporadas, conf orme emergências circunst anciais, ao mesmo t empo em que permit em um giro f lexível dos element os envolvidos, a int eração, em que alguns papéis podem ser invert idos, mant endo sempre o curso em sua “ cápsula organizacional” , que garant e a met odologia, os procediment os e os obj et ivos para não descaract erizá-lo.
Nest a pesquisa, f oi import ant e est abelecer as duas f iguras (1 e 2) como “ guias simbólicos” da met odologia qualit at iva.
A f igura 1, pela sua generalização e f orma espiral, permit iu, quando necessário, que planos e est rat égias f ossem modif icadas e, nest e moviment o, o replanej ament o da pesquisa ocorreu de f orma ref lexiva e nat ural.
Ao mesmo t empo, o sist ema organizacional por engrenagens da f igura 2, possibilit ou que out ras “ engrenagens” se agregassem ou f ossem excluídas, conf orme a necessidade, dando mobilidade á pesquisa, porém, mant endo as caract eríst icas f uncionais e met odológicas do curso.
A observação part icipant e f oi ut ilizada durant e a pesquisa, sendo uma vant agem, e que, segundo Vianna (2003), possibilit ou verif icar f at os, at it udes, comport ament os, sent iment os, pensament os, crenças, a que um observador ext erno t alvez não t ivesse acesso. Para evit ar o mal est ar do grupo saber-se observado, e a conf usão ent re os papéis de f ormadora e pesquisadora, além da observação diret a, usou-se a análise document al de produções individuais e colet ivas, da part icipação, de regist ros de conversas virt uais e da int rospecção.