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5. Oppsummering: Prototypiske trekk ved den reflekterende skrivehandlingen

5.3 Reflekterende skriving i RLE

De acordo com Bronckart (2003, p.59), “todo modelo de produção textual deve, por um lado, integrar a problemática da relação do texto com a ação e, por outro lado, distinguir e hierarquizar os níveis de abordagem ou análise dos textos produzidos”. Dessa forma, considero, inicialmente, a situação de ação de linguagem e o contexto de produção textual.

3.1.1 A Situação de Ação de Linguagem

Segundo Bronckart (2012), a situação de ação de linguagem se refere às propriedades dos mundos formais (físico, social e subjetivo) que podem influenciar a produção textual, pois esses mundos são conjunto de representações.

O autor explica que a ação de linguagem pode ser definida em nível sociológico e em nível psicológico. No nível sociológico, a ação de linguagem “é uma porção da atividade de

61Segundo Machado, os autores do ISD discutem a questão dos gêneros com fins didáticos, como Dolz e Scheneuwly, ou com fins teóricos, analisando o papel dos gêneros na ação de linguagem, como Bronckart, e também no desenvolvimento das funções superiores, como Schneuwly (MACHADO, 2007).

linguagem do grupo, recortada pelo mecanismo geral das avaliações sociais e imputada a um organismo humano singular”. (BRONCKART, 2012, p.99). No nível psicológico, pelo qual se interessa o ISD, “a noção de ação de linguagem reúne e integra os parâmetros do contexto de produção e do conteúdo temático, tais como um determinado agente os mobiliza, quando empreende uma intervenção verbal” (idem, ibidem).

Esse mesmo autor pontua que o pesquisador não tem acesso a uma situação de ação interiorizada (mundo vivido) que influencia a produção de um texto empírico. O que é possível de se fazer é formular hipóteses sobre essas representações que o agente mobiliza ao produzir um texto. O autor conclui que “as relações entre uma situação de ação e um texto empírico, por várias razões, nunca podem apresentar uma relação direta ou mecânica. [...]. As representações do agente são apenas um ponto de partida [...] a partir do qual um conjunto de decisões devem ser tomadas.” (BRONCKART, 2012, p.92). O autor esclarece que as decisões que o agente toma, implicam na escolha dos modelos disponíveis no intertexto, denominado, posteriormente, pelo autor, de arquitexto62. Em decorrência disso, o agente seleciona “o gênero de texto que parece ser o mais adaptado às características da situação interiorizada e também em escolher [...] os tipos de discurso, as sequências, os mecanismos de textualização e os mecanismos enunciativos” (idem, ibidem). O arquitexto diz respeito ao “conjunto de gêneros de textos elaborados pelas gerações precedentes, tais como são utilizados e eventualmente transformados e reorientados pelas formações sociais contemporâneas.” (BRONCKART, 2012, p.100).

Por conseguinte, para produzir um texto, o agente mobiliza algumas de suas representações sobre os mundos, que são necessárias para o contexto de produção textual e para o conteúdo temático ou referente, que são apresentados nas próximas seções.

3.1.2 O Contexto de Produção

O contexto de produção envolve o “conjunto de parâmetros que podem exercer uma influência sobre a forma como um texto é organizado” (BRONCKART, 2012, 93). Esses parâmetros podem ser dispostos em dois conjuntos: parâmetros do mundo físico e parâmetros do mundo social. Os parâmetros do mundo físico envolvem:

o lugar de produção: o lugar físico em que o texto é produzido; o momento

da produção, que é a extensão do tempo durante o qual o texto é produzido;

o emissor (ou produtor, ou locutor), a pessoa (ou a máquina) que produz

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Bronckart, J.P. Gêneros de textos, tipos de discurso e sequências: por uma renovação do ensino da produção escrita. Letras. Santa Maria, v. 20, n. 40, p. 163–176, jan./jun. 2010.

fisicamente o texto, podendo essa produção ser efetuada na modalidade oral ou escrita; o receptor: a (ou as) pessoa(s) que pode(m) perceber (ou receber) concretamente um texto (BRONCKART, 2012, p.93, grifo do autor).

O segundo conjunto de parâmetros é constituído pelo mundo social (normas, regras, valores) e pelo mundo subjetivo (imagem que o agente dá de si ao agir) e está organizado em quatro parâmetros principais:

o lugar social: no quadro de qual formação social, de qual instituição ou, de forma mais geral, em que modo de interação o texto é produzido: escola, família, mídia, exército, interação comercial, interação informal, etc.; a posição social do emissor (que lhe dá o estatuto de enunciador): qual é o papel social que o emissor desempenha na interação em curso: papel de professor, de pai, de cliente, de superior hierárquico, de amigo, etc.?; a posição social do receptor (que lhe dá seu estatuto de destinatário): qual é o papel social atribuído ao receptor do texto: papel de aluno, de criança, de colega, de subordinado, de amigo, etc.?; o objetivo (ou os objetivos) da interação: qual é, do ponto de vista do enunciador, o efeito (ou os efeitos) que o texto pode produzir no destinatário? (BRONCKART, 2012, p.94, grifo do autor). Em relação a esses conjuntos de parâmetros do mundo físico e do mundo social, Bronckart (2012) faz algumas observações que elucidam a proposta do ISD, relacionadas abaixo.

O autor supracitado pontua que o enunciador63 é, aparentemente, a entidade única responsável pela produção de um texto e que esta entidade deve ser definida tanto do ponto de vista físico quanto sociosubjetivo. Por isso, o autor afirma que essa entidade será chamada de agente-produtor ou autor, o qual pode mobilizar outras vozes no texto efetivamente produzido: “Quem ‘fala’ no texto? Quem é o responsável pelo que é expresso?” (BRONCKART, 2012, p.95). Essas vozes são “as entidades que assumem (ou às quais são atribuídas) a responsabilidade do que é enunciado. (BRONCKART, 2012, p.326). Sob essa ótica,

a noção de enunciador designa as propriedades sociossubjetivas do autor. [...] Em um texto, pode parecer que ‘o autor se exprime em seu próprio nome’, isto é, a partir da posição sociossubjetiva assumida na intervenção verbal em curso; mas também ocorre, muito frequentemente, que um texto mobilize vozes ‘outras’: as de personagens ou de entidades sociais [...] às quais é atribuída a responsabilidade pelo que é expresso. (BRONCKART, 2012, p. 95, grifo do autor).

63 Posteriormente, em outra publicação, O agir nos discursos – das concepções teóricas às concepções dos trabalhadores (Bronckart, 2008, p.90), o autor denomina o enunciador de ‘textualizador’, “instância à qual o autor empírico de um texto confia a responsabilidade sobre aquilo que vai ser enunciado”.

Importa esclarecer que a problemática das vozes enunciativas será retomada na apresentação dos mecanismos enunciativos que compõem a camada mais superficial do folhado textual, conforme proposto por Bronckart (2012).

O referido autor esclarece que, embora tenha utilizado, para explicar a situação de ação de linguagem, o esquema de comunicação (grifo do autor) de Jabokson64 – estatuto de emissor/receptor; as funções da linguagem – referencial, metalinguística, fática, conativa, poética e emotiva, como primeira introdução à problemática do contexto, este estudo precisa ser completado, pois essas funções são “classes muito gerais dos tipos de objetivos possíveis em um texto.” (BRONCKART, 2012, p.96). Em decorrência,

para identificá-los, é necessário conhecer os objetivos da ação de linguagem à qual o texto está articulado: convencer alguém a fazer uma escolha, fazê-lo compreender um problema, diverti-lo, etc. Portanto, sendo teoricamente infinito o número desses objetivos da ação, os objetivos de um texto também serão teoricamente infinitos e, por isso, parece ilusório querer propor uma lista exaustiva deles. (BRONCKART, 2012, p.96).

Em relação ao conteúdo temático (ou referente), Bronckart explica que esta categoria se refere ao conjunto de informações apresentadas em um texto. Estas informações são representações construídas pelo agente produtor e são pertinentes à sua experiência e ao seu nível de conhecimento. O referido autor explica a relação entre o conteúdo temático e os três mundos formais - objetivo, social e subjetivo:

A distinção entre os três mundos formais não tem, em si mesma, nenhuma importância particular. Um texto pode ter como tema objetos ou fenômenos referentes ao mundo físico (por exemplo, a descrição de um animal e de suas condições de vida), pode abordar fenômenos referentes ao mundo social (por exemplo, discutir os valores em uso num grupo), pode veicular temas de caráter mais subjetivo ou pode ainda combinar temas de dois ou de três desses mundos (BRONCKART, 2012, p. 97).

Na análise de entrevistas com trabalhadores, Bronckart (2008) identificou, no desenvolvimento do conteúdo temático, duas categorias de segmentos: os que foram apresentados pelo pesquisador – Segmentos de Orientação Temática, SOT, e os que surgiram durante a realização da entrevista – Segmentos de Tratamento Temático – STT. Nas palavras do autor:

A análise da distribuição dos turnos de fala, assim como do desenvolvimento do conteúdo temático, permitiu detectar duas categorias de segmentos: segmentos de introdução, de apresentação ou de lançamento de um tema, os quais chamamos de segmentos de orientação temática (a partir de agora, SOT); segmentos produzidos pelo entrevistado em resposta a uma questão ou dando prosseguimento a um lance temático do entrevistador, em que o tema é

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efetivamente tratado, os quais chamamos de segmentos de tratamento temático (a partir de agora, STT). (BRONCKART, 2008, p.163).

Essas categorias de segmentos, SOT, referente às questões postas na entrevista e STT, referente a questões que surgiram no decorrer da entrevista, também serão utilizadas nesta pesquisa para análise das entrevistas com as participantes.

Na seção seguinte, trago a concepção de Bronckart sobre a organização de textos, denominada pelo autor de arquitetura interna dos textos.