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importou trazer uma comparação de palavras que transcendessem negativismo ou que, pelo contrário, algum optimismo.
Como podemos verificar a palavra ―crise‖ foi a mais utilizada, tendo sido contabilizada nas nossas peças cento e trinta e nova vezes na totalidade, sendo trinta e cinco vezes no jornal Correio da Manhã e cento e quatro vezes no Público. Se contrastarmos com o número de vezes em que a palavra ―solução‖ foi também empregada, indubitavelmente que ―crise‖ está em vantagem. As restantes palavras conotadas de negativismo e que transparecem também os acontecimentos de dia 23 de Março vemos que foram empregadas, de igual modo com muita regularidade. A palavra ―demissão‖ foi utilizada vinte e quatro vezes no Correio da Manhã e quarenta no Público, sendo que na totalidade durante os 8 dias de análise dos dois jornais, foi empregada sessenta e quatro vezes. Depois temos a palavra ―austeridade‖ que foi usada cinco vezes no Correio da Manhã e trinta e uma vezes no Público, ou seja, na totalidade trinta e seis vezes e por fim, temos o termo ―chumbo‖ que foi levado aos textos das peças sete vezes no Correio da Manhã e vinte e três vezes no Público.
A modo de conclusão, verificamos que contrastando com palavras ilustrativas de algum optimismo e onde encontremos algum incentivo e caminho para a solução, foram poucas as encontradas nas peças e, consequentemente, contabilizadas por nós. Vemos que a palavra ―acordo‖ apenas foi contabilizada doze vezes nos dois jornais, a palavra ―aprovação‖, em comparação com ―chumbo‖ apenas foi encontrada nove vezes nos dois jornais, tal como a
Tabela 8 : Contabilização de palavras nos dois jornais: CM PUB Total Austeridade 5 31 36 Chumbo 7 23 30 Crise 35 104 139 Demissão 24 40 64 Acordo 5 7 12 Aprovação 3 6 9 Resolução 6 7 13 Solução 6 16 22
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palavra ―resolução‖ que detectamos nas peças apenas treze vezes e também, nos dois jornais. Por último, a palavra solução foi a encontrada mais vezes por nós nas peças dos dois jornais, num total de vinte e duas vezes no Correio da Manhã e no Público. Contudo, aprofundaremos a questão do enquadramento destas palavras no discurso noticioso das nossas peças, na análise qualitativa.
Importa ainda referir neste ponto que o Público em relação ao Correio da Manhã recorreu mais a estas palavras e termos. Aliás, há que ter em conta que sendo maior a proporção de peças do Público (49) que a do Correio da Manhã (44) sobre o tema, neste caso será até normal termos obtido um número maior, contudo, a diferença é apenas de cinco peças de um para o outro. Assim que, na nossa perspectiva houve um recurso muito maior da parte do jornal Público a este tipo de palavras que do Correio da Manhã.
Ainda referente à utilização deste tipo de palavras algo que notamos também ao longo da análise foi que raramente foram utilizados outros sinónimos das mesmas para descrever os dois assuntos, nossos protagonistas. Por exemplo, em relação à palavra ―chumbo‖, para descrever o chumbo do PEC, escassas vezes foi substituído este termo pela palavra ―rejeição‖, ou seja raras vezes foi escrito ―rejeição do PEC‖. Aliás, podemos inclusivamente referir que o termo ―chumbo‖ apenas foi substituído por ―rejeição‖ duas vezes no Correio da Manhã e quatro vezes no jornal Público.
Assim que, não notamos o recurso à variedade que existe de sinónimos, para substituir alguns termos que foram insistentemente utilizados pelos dois jornais.
Ainda relativamente à utilização de determinadas palavras reparamos que no jornal
Público o ex primeiro-ministro José Sócrates, após a sua demissão, foi muitas vezes apelidado
de ―demissionário‖, mais precisamente de ―primeiro-ministro demissionário‖. Foi nas peças elaboradas, e por nós analisadas, a partir de dia 23 de Março, que notamos que José Sócrates ganhou esta espécie de cognome, pelos dois jornais. No jornal Público contabilizamos este adjectivo um total de onze vezes, já no Correio da Manhã, apenas duas vezes. Assim que, achamos pertinente destacar esta situação, que será avaliada mais à frente na nossa análise qualitativa, de forma mais minuciosa.
7. Destaques das peças: Principais partidos políticos evidenciados
Algo relevante também e que achamos interessante explorar neste ponto foi o destaque que foi concedido, no meio de toda esta situação, a cada partido político para expor a sua posição. Desta forma resolvemos contabilizar o número de peças que foram dedicadas, unicamente, à exposição de uma ideia, posição ou convicção de determinado partido político em relação à demissão do primeiro-ministro e ao chumbo do PEC IV. Nesta contabilização, incluímos também o Partido Socialista, mesmo sendo deste partido que é originário o primeiro-ministro e governo demissionários. De salientar também que não só seleccionamos peças em que fosse destacada determinada posição de algum partido, como também todas as
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peças, mesmo as do género opinião, que dessem protagonismo a determinado partido, quer pela positiva, quer pela negativa.
Nesta análise quisemos compreender se houveram determinadas preferências por alguns partidos políticos e detectar se houve algum tipo de marginalização em relação a alguns partidos mais pequenos, da parte dos dois jornais. Ou seja, se em detrimento dos partidos maiores, os mais pequenos foram menos destacados nas peças do Correio da Manhã e do Público.
Tabela 9: Destaques nas peças
Peças que
destacassem: de vezes Número % de vezes Número % Total PS/ José Sócrates 7 15,9 9 18,3 16 PSD/ Passos Coelho 9 20,4 7 14,2 16 CDS/ Paulo Porta 3 6,81 3 6,12 6 PCP/Jerónim o de Sousa 2 4,54 0 0 2 BE/Francisco Louçã 2 4,54 3 6,12 5
111 Figura 5: Destaques nas peças do jornal Correio da Manhã:
Figura 6. Destaques nas peças do jornal O Público:
Como podemos verificar todas as atenções se direccionaram nos mesmos sentidos: Partido Socialista ou José Sócrates e Partido Social Democrata, Pedro Passos Coelho. No caso do Correio da Manhã o partido que teve mais protagonismo nas suas peças foi o PSD e Pedro Passos Coelho, no caso do Público foi José Sócrates e o Partido Socialista. Para segundo plano
15,9
20,4 6,81
4,54 4,54