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The OpMiGua hybrid network concept

O instrumento de pesquisa utilizado na coleta dos dados foi o questionário auto-administrado apresentado no apêndice.

Esse tipo de questionário, segundo Gressler (2003) e Walliman (2005), possibilita a obtenção de respostas mais sinceras, vez que preserva o anonimato do respondente. No entanto, apesar dessa característica, a forma de aplicação dificulta a identificação de participantes que por ventura não estejam dispostos a contribuir com os objetivos da pesquisa. Nesse sentido, para reduzir as possíveis distorções, nos casos daqueles questionários em que a falta de comprometimento com a pesquisa ficou evidente, decidiu-se por excluí-los da análise dos dados.

Os questionários aplicados foram compostos de 9 questões, sendo 3 referentes à identificação do respondente: perguntas sobre a idade, o gênero e o semestre em curso; e 6 referentes à análise da empresa em questão.

Na seleção das empresas foi considerada a possibilidade da população objeto ter conhecimento a respeito delas e das informações contábeis utilizadas na pesquisa. Dessa forma, com o objetivo de evitar que a análise dos respondentes fosse influenciada por outras informações que não as disponibilizadas, procurou-se selecionar empresas pouco conhecidas. Ainda, tendo em vista os objetivos da pesquisa, foram selecionadas empresas cujos pareceres de auditoria tivessem sido emitidos, no ano de 2007, com ressalvas.

Com fundamento nos critérios mencionados, foram selecionadas as seguintes empresas: João Fortes Engenharia e Construtora Sultepa. Ambas pertencentes ao setor de construção e transporte e comercializadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As empresas selecionadas divergem quanto ao tipo de ressalva recebida e à empresa de auditoria responsável pela emissão do parecer. A seguir nos quadros 3 e 4 são apresentadas a descrição das ressalvas e das ênfases contidas nos pareceres recebidos pelas empresas João Fortes Engenharia e Construtora Sultepa, respectivamente, assim como o nome das empresas de auditoria responsáveis pela sua emissão.

João Fortes Engenharia - Auditada por: PriceWaterhouseCoopers Auditores Independentes

(i) ausência de apresentação da demonstração das origens e aplicações de recursos do exercício findo em 31 de dezembro de 2007.

(ii) em função da adoção do regime de competência para contabilização das operações imobiliárias, a empresa está em processo de análise dos tributos incidentes sobre essas operações dos exercícios de 2003 a 2007, imposto de renda e contribuição social, e não constituiu créditos tributários desses tributos ou provisão a pagar até que complete essa análise.

(iii) demonstrações financeiras do exercício findo em 31 de dezembro de 2006 auditadas por outros auditores que emitiram parecer com ressalva sobre o diferimento do lucro das obras de incorporação imobiliária em conformidade com a legislação tributária, divergente da contabilização pelo regime de competência. Examinamos o ajuste efetuado para corrigir as demonstrações financeiras da controladora e consolidadas do exercício de 2006 e somos de parecer que, exceto pela ausência de apresentação da demonstração das origens e aplicações de recursos e pelo mencionado no item (ii), tais ajustes são adequados e foram corretamente efetuados.

Quadro 3: Resumo descritivo das Ressalvas e Ênfases do parecer recebido pela empresa João Fortes Engenharia.

Construtora Sultepa - Auditada por: Rokembach & Cia. Auditores

(i) as demonstrações contábeis dos consórcios Sulcatarinense/3Golf, IECSA/Sulcatarinense/ Momento – SIM, Sulcatarinense/ARG/CBPO, e Sulcatarinense/Conpesa/Saibrita, correspondentes ao exercício findo em 31 de dezembro de 2006, bem como as relativas a 31 de dezembro de 2007 e 2006 dos consórcios Consórcio Construtor do Sul – CCS e Molhe Sul não foram examinadas por auditores independentes. Conseqüentemente, não nos foi possível formar uma opinião quanto à adequação dos valores dos ativos líquidos incluídos nos balanços patrimoniais e do lucro líquido do exercício da controladora e do consolidado.

(ii) as demonstrações contábeis da controlada em conjunto CP Companhia de Participações relativas ao exercício findo em 31 de dezembro de 2007 não foram examinadas por auditores independentes.

(iii) as demonstrações contábeis foram preparadas no pressuposto da continuidade normal dos negócios da Sociedade e de suas controladas. A Sociedade tem apresentado deficiência de capital de giro, bem como, possui créditos a receber de suas controladoras direta e indireta classificados no ativo realizável a longo prazo, cuja a realização depende do sucesso das operações futuras das controladoras. Esses fatores geram dúvidas quanto à sua possibilidade de continuar em operação. Os planos da administração, com relação a este assunto, estão descritos na nota explicativa nº 23. As demonstrações contábeis não incluem quaisquer ajustes relativos à realização e classificação dos valores ativos ou quanto aos valores e classificação de passivos que poderiam ser requeridos no caso de eventual paralisação das operações.

(iv) a Sociedade e sua controlada Pedrasul Construtora S.A., com intuito de atender o preconizado no Programa de Parcelamento Fiscal - PAES, ingressaram com pedido de concessão pela Justiça Federal de medida liminar, a qual postula a suspensão da exigibilidade da totalidade dos débitos que as mesmas possuem para com a União Federal e suas autarquias, até que seja definitivamente julgada a ação rescisória relativa aos créditos a receber que as Sociedades possuem junto a União Federal. O despacho sobre tal pedido está pendente de decisão, bem como, em 2008, através dos seus assessores jurídicos foi elaborado recurso administrativo visando a permanência da controlada no referido programa, cujo desfecho é considerado como provável a mesma, motivos pelo qual as demonstrações contábeis foram preparadas no pressuposto da permanência da Sociedade e de sua controlada no referido programa.

(v) as demonstrações contábeis, relativas ao exercício findo em 31 de dezembro de 2006 das controladas em conjunto Metrovias S.A. Concessionária de Rodovias, Sulvias S.A. Concessionária de Rodovias e Convias S.A. Concessionária de Rodovias (controlada indireta) foram examinadas por outros auditores independentes, que emitiram parecer com ênfase de que a realização dos créditos tributários de imposto de renda e contribuição social, dependem da geração futura de lucros tributáveis.

Quadro 4: Resumo descritivo das Ressalvas e Ênfases do parecer recebido pela empresa Construtora Sultepa. Fonte: Dados da Pesquisa

Os questionários aplicados divergiam, pois, em função do conjunto de informações entregue para análise. Dessa forma, parte dos respondentes recebeu as informações completas (demonstrações contábeis, notas explicativas e parecer dos auditores independentes) e outra parte teve o parecer dos auditores independentes omitido das informações recebidas. Para fazer referência aos questionários acompanhados das Demonstrações da empresa João Fortes Engenharia com e sem o parecer dos auditores independentes, utilizou-se, respectivamente, as siglas JFC e JFS. Já para fazer referência aos questionários

acompanhados das Demonstrações da Construtora Sultepa com e sem o parecer dos auditores independentes, utilizou-se, respectivamente, as siglas CSC e CSS. Exceto pelas perguntas sobre a idade do respondente e pela questão número 6, em que era solicitado ao respondente justificar a resposta dada, todas as demais perguntas do questionário eram fechadas e abrangiam os seguintes assuntos: risco, desempenho e confiabilidade das informações disponibilizadas. O quadro 5, a seguir, apresenta as especificações utilizadas na confecção do questionário:

Questões Assunto Tipo Resposta possíveis

1 Risco Escala 1 a 10 Baixo risco = 1 Alto risco = 10

2 Investimento Dicotômica Sim Não

3 Crédito Dicotômica Sim Não

4 Desempenho Escala 1 a 10 Péssimo = 1 Excelente = 10 5 Confiabilidade das informações Escala 1 a 10 Baixa confiança = 1 Alta confiança = 10 6 Suficiência informações de Dicotômica Sim Não

Quadro 5: Especificações das questões utilizadas no questionário. Fonte: Dados da Pesquisa

As questões 1, 4 e 5 solicitavam ao respondente atribuir uma nota para o risco, para o desempenho e para a confiabilidade das informações disponibilizadas pela empresa, respectivamente. A questão 2 solicitava ao respondente informar se ele indicaria a compra das ações da empresa analisada. Já a questão de número 3 solicitava ao respondente informar se ele concederia crédito para a empresa, caso ele trabalhasse em uma instituição financeira.

Por fim, a questão 6 perguntava ao respondente se as informações disponibilizadas eram suficientes para responder as perguntas do referido questionário. Nesse caso, era solicitado ao respondente justificar a resposta dada, caso a mesma fosse negativa. A intenção era verificar se os respondentes que receberam as demonstrações sem o parecer dos auditores independentes o identificariam como uma das informações necessárias para a tomada de decisão.

A aplicação dos questionários foi realizada em dois momentos distintos. Em um primeiro momento eram entregues as demonstrações da empresa para que os respondentes as analisassem. Transcorridos entre quinze e vinte minutos (tempo mínimo e máximo) da entrega das demonstrações, os questionários eram, então, entregues aos respondentes. Essa estratégia teve por objetivo garantir que os respondentes analisassem as demonstrações durante algum período, minimizando a possibilidade do entrevistado responder as questões de maneira aleatória ou descuidada. Dessa forma, a aplicação do questionário durou em média 30 minutos, chegando, em alguns casos, a 50 minutos.