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Atualmente, a receita advinda das bilheterias deixou de ser uma fonte significativa de renda na estrutura dos clubes brasileiros. Motivos não faltam: calendário irracional, que inviabiliza a presença de torcedores; estádios defasados; aumento da violência; custo operacional altíssimo, com descontos elevados por parte das federações; e amadorismo da gestão. Mas os investidores consideram enorme o potencial das bilheterias, se este item for bem trabalhado (CHATAIGNIER, 2003).

No voleibol, normalmente, sequer há cobrança de ingressos para o público se fazer presente nos ginásios. A entrada, usualmente, é franca, pois se busca ter mais público presente e, com isso, alavancar outras receitas, como patrocínio, merchandising e exploração de catering, por exemplo (CHATAIGNIER, 2008).

As equipes terão de possuir estádios, ginásios ou arenas próprios para aumentarem de forma significativa suas receitas. Ter estádio próprio pode gerar muito dinheiro. Os estádios também são objetos de desejo dos investidores no esporte. Ele é importante como valor ativo. Não a obra física tão somente, mas a possibilidade de arrecadar com camarotes, placas, locações, shows, estacionamentos e catering, o que vai além simplesmente do fator bilheteria, que seria a venda de tickets que dão acesso ao evento (CHATAIGNIER, 2004).

Segundo Areias (2010), três itens influenciam neste quesito do produto, ou seja, no item bilheteria: o calendário, o sistema de disputa e a tabela. E todos eles vêm apresentando aspectos negativos e falhas de planejamento. No voleibol, a questão de acesso e descenso é um problema e a fase classificatória, muitas vezes, é pouco atraente, de modo que a atenção maior é para a fase de play offs finais. Isto inibe a criação de hábito para o torcedor, e ele precisa possuir este hábito para consumir convenientemente o produto.

Segundo Loures (2002), ex-Consultor da Delloitte para negócios esportivos e atual Diretor de Relações Internacionais do Atlético do Paraná, clube campeão Brasileiro de 2001 e proprietário do Arena da Baixada, moderna praça de futebol do Brasil, a concepção dos estádios será totalmente diferente daquela que conhecemos hoje, pelo menos aqui no país, uma vez que a realidade estrangeira é outra, sobretudo nos EUA e na Europa. Teremos então um novo conceito de estádios e ginásios, com uma nova configuração, que viria com o aparecimento de complexos de entretenimento e consumo, as arenas multi-uso. Seria a busca de oportunidade de lazer em grupo, seja entre familiares ou amigos, mediante mix variado, com ofertas diversas. Lugar para futebol, shows e outras atrações. Esta é a nova visão (ZOUAIN e CHATAIGNIER, 2003).

As novas arenas irão propiciar lugares definidos, marcados e numerados, assentos para todos os clientes, setores diferenciados, salas VIP’s, camarotes, serviços marcados pela qualidade, restaurantes de diferentes tipos, bares confortáveis, creches, lojas diversas e ainda estacionamento, segurança particular e atendimento médico (CHATAIGNIER, 2004).

Aqui estão alguns exemplos do que acontece pelo mundo, segundo Pozzi (2000): (1) O complexo usado para beisebol e futebol Americano de Toronto inclui um hotel.

(2) Uma das mega-stores mais famosas do mundo fica dentro do estádio do Manchester United (Old Trafford), que também conta com um museu interativo e um bar temático, o Red Café.

(3) Uma linha de metrô deixa os torcedores dentro do estádio do Ajax de Amsterdã, que também conta com várias opções de alimentação.

(4) As promoções durante as partidas são uma constante nas principais ligas profissionais norte-americanas de futebol americano (NFL), basquete (NBA), beisebol (MLB) e hóquei (NHL). Na NBA, por exemplo, torcedores presentes às arenas são escolhidos por sorteio e têm o direito de tentar acertar a cesta de basquete do meio da quadra. Aquele que conseguir é premiado com uma alta soma em dinheiro.

No sentido de se demonstrar a lucratividade e a importância da exploração das arenas como centros de lucros e na geração de receitas para os clubes e seus parceiros, Pozzi (1998) expõe algumas estatísticas que ajudam a entender o estágio deste negócio no exterior, citadas a seguir.

* Um terço de todos os locais destinados ao esporte tem nomes corporativos. * Os camarotes de luxo são o benchmarking para os estádios esportivos nos EUA e os que não têm são desprezados.

* A maior parte dos ingressos para jogos nos EUA é adquirida por empresas. * As empresas usam os camarotes de luxo como veículos de venda para seus produtos, no sistema B2B.

* Na nova sede do Miami Heat, equipe de basquete da NBA, os camarotes de luxo são vendidos a US$500 mil por temporada, o que concede direito a estacionamento

com manobrista e acesso privativo ao estádio, serviços de alimentação e bebidas e uso do salão de diversão privativo. Além disso, neste complexo:

* Há suítes, e elas são alugadas por cerca de US$120 mil por temporada;

* As cadeiras laterais, que são 120 em cada lado do campo, são vendidas por cerca de US$20 mil por temporada;

* As suítes mais simples, menos luxuosas, são vendidas por US$20 mil por temporada;

* A receita total proveniente da venda de camarotes de luxo do Miami Heat é de cerca de US$14 milhões anuais.

* O novo estádio do Bank One em Phoenix, no Arizona, que recebeu do patrocinador que lhe dá o nome US$60 milhões por um contrato de 30 anos, tem as seguintes características: capacidade para 48.500 pessoas, 69 suítes privativas e seis suítes para grupos, 5.592 lugares reservados ao clube, 26 concessões operadas pelo concessionário do estádio, 13 independentes, 42 pontos-de-venda móveis, dois restaurantes, sendo um deles operado pela TGI Friday’s, e cinco bares.

Segundo Oliveira (2000), nos EUA, os times de ligas de esportes faturam de US$2 milhões a US$7 milhões por ano ao alugar o nome do estádio para uma patrocinadora. Na NBA (basquete), 20 dos 29 times têm seus ginásios com nomes de empresas. Na NFL (futebol americano), são 12 das 30 franquias que têm arenas com nomes de patrocinadores. O maior contrato é o do Washington Redskins, que vendeu por US$205 milhões o nome de sua arena para o FedEx, por 27 anos.

As arenas, ginásios ou estádios conferem ao time, segundo Pozzi (1998), um aspecto tangível, funcionando como uma espécie de cartão de visitas do clube. Além disso, as propriedades de arena constituem uma importante fonte de receita, por meio de faixas, placas e placares.